Reflexão e Filosofia

Carl Jung deixou uma reflexão: "O ser humano não pode suportar uma vida sem sentido"

Ele destacava a importância de manter uma existência própria diante da anulação do indivíduo.

Carl Jung abordou, em 1959, uma questão que continua relevante: qual é o lugar do indivíduo em um mundo cada vez mais eficiente tecnicamente. O avanço da inteligência artificial reacendeu a pergunta explorada pelo psiquiatra em entrevista à BBC.

Embora Jung não se referisse à inteligência artificial atual, sua reflexão permite explorar uma inquietação do presente — como aproveitar o progresso técnico sem perder o critério próprio nem o sentido que cada pessoa dá à sua existência.

O avanço técnico transforma a maneira de trabalhar e se relacionar, mas também questiona o espaço que cada pessoa ocupa na sociedade. Aos 84 anos, Jung colocou a identidade e a busca de sentido no centro dessa tensão entre individualidade e vida coletiva em uma entrevista à BBC.

O dilema entre individualidade e dissolução coletiva

Durante o programa Face to face. O entrevistador John Freeman perguntou a Jung se acreditava que o máximo desenvolvimento humano poderia consistir em dissolver a própria individualidade em uma espécie de consciência coletiva. Jung afirmou que isso seria dificilmente possível e que haveria uma reação contra essa dissolução.

O psiquiatra estabelecia um limite claro para essa evolução social hipotética: o ser humano não suporta indefinidamente a própria anulação. Ele baseava essa posição na experiência clínica: relatava que seus pacientes buscavam constantemente a própria existência e tentavam consolidá-la diante da ameaça de completa desintegração.

A importância de manter uma existência própria

Ao concluir essa reflexão, Jung afirmava que o ser humano não pode suportar uma vida sem sentido. Na conversa, ele destacava a importância de manter uma existência própria diante da anulação do indivíduo.

Essa preocupação se conecta à individuação, um dos conceitos centrais da psicologia analítica fundada por Jung. Trata-se de um processo de autoconhecimento e integração dos diferentes aspectos da personalidade. Sua obra também desenvolveu noções como a sombra, os arquétipos e o inconsciente coletivo, oferecendo um caminho para que cada pessoa construa sua própria identidade coerente.

O lugar da alquimia, mitologia e religiões na compreensão da psique segundo Jung

Diferentemente de muitos psicólogos de sua época, Jung não limitou o estudo da mente humana a experimentos científicos diretos. Ele recorreu amplamente à alquimia, à mitologia comparada e às tradições religiosas porque acreditava que essas manifestações culturais eram representações de processos psíquicos inconscientes.

Para Jung, os símbolos, mitos e rituais criados por diferentes culturas ao longo do tempo não eram apenas histórias, mas expressões de como a psique funciona.

Essa abordagem permitiu a Jung compreender que padrões profundos — os arquétipos — repetem-se não por acaso, mas porque emergem de estruturas herdadas do inconsciente coletivo. Ao estudar sonhos, folclore e símbolos religiosos como "evidência empírica", Jung criou um método alternativo de investigação psicológica.

O método valorizava a complexidade do inconsciente porque reconhecia que ele não é completamente acessível aos métodos tradicionais de pesquisa. Esse fundamento teórico mantém relevante sua reflexão sobre individuação e busca de sentido diante de questões contemporâneas, como o papel do indivíduo em um mundo tecnológico.

Café diferenciado

Enquanto no Brasil o café é levado ao fogo, na Coreia do Sul é colocado em 900ºC

Técnica é utilizada a partir da transformação da borra de café ainda molhada

21/10/2026 11h58

Foto: Clem Onojeghuo/Pexels

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Um reator de plasma na Coreia do Sul transforma borra de café ainda molhada em um combustível sólido parecido com carvão mineral em apenas 90 segundos. A tecnologia foi testada pelo Korea Institute of Geoscience and Mineral Resources e dispensa a etapa de secagem que normalmente encarece o aproveitamento de resíduos orgânicos.

O sistema recebeu o nome de Flame Plasma Pyrolysis e usa chamas geradas pela queima de gás liquefeito de petróleo com ar comprimido. As chamas atingem entre 799 °C e 899 °C — faixa suficiente para processar o resíduo úmido sem qualquer tratamento prévio.

A pesquisa foi publicada no Chemical Engineering Journal e descreve um material com desempenho energético comparável ao carvão antracita. O diferencial é transformar a umidade, um problema recorrente da biomassa, em parte útil do próprio processo.

Por que a água deixa de atrapalhar

Nos métodos tradicionais, a umidade da borra de café costuma ser um obstáculo, porque o resíduo precisa ser seco antes de qualquer conversão energética. No reator de plasma, o vapor gerado dentro das partículas cria pressão interna e provoca pequenas rupturas na estrutura do grão usado.

Os pesquisadores chamam esse fenômeno de efeito palomita, numa comparação direta com o que acontece quando o milho estoura pelo calor. O resíduo se fragmenta, ganha poros e acelera a carbonização, o que permitiu completar toda a conversão em condições otimizadas dentro de apenas 90 segundos.

Uma conversão muito mais rápida

A carbonização hidrotérmica costuma levar entre uma e seis horas, enquanto a torrefação exige 30 minutos ou mais para alcançar resultado semelhante.

No reator de plasma, o tempo cai para menos de dois minutos, sem depender de equipamentos de alto consumo elétrico. O biocarvão produzido alcançou poder calorífico de 29,0 MJ/kg, cerca de 33% a mais do que a borra não tratada.

Mais carbono fixo e menos poluente

O teor de carbono fixo quase triplicou durante o processo, saltando de 15,6% para 46,2%. Esse salto explica por que o produto final é comparado ao carvão antracita, um dos combustíveis sólidos mais densos em energia.

O tratamento também eliminou completamente os compostos de enxofre presentes no resíduo original. Isso pode reduzir a formação de dióxido de enxofre durante a queima, além de gerar menos fumaça e menos alcatrão do que os métodos convencionais de processamento de biomassa.

Potencial além do combustível

O aumento da área superficial deixou o produto final poroso, característica que abre espaço para outros usos industriais. Filtros, processos de adsorção e fabricação de carvão ativado estão entre as aplicações possíveis além da geração de energia.

A pesquisa até agora se concentrou na borra de café usada, mas a equipe coreana acredita que a mesma tecnologia pode se aplicar a outros resíduos com alta umidade. Restos de alimentos, lodo de estações de tratamento de esgoto e sobras agrícolas estão entre os materiais citados como candidatos ao mesmo tipo de processamento.

Taejun Park, autor principal da pesquisa, informou ao El Confidencial que a tecnologia oferece uma nova forma de enxergar os resíduos orgânicos não como um problema de descarte. Mas como fonte potencial de energia e matéria-prima industrial.

Como o vapor de água acelera a transformação do café

A umidade presa dentro das partículas de café não é removida antes do processo — ela é explorada. Quando as chamas de plasma atingem a borra molhada, o calor intenso transforma essa água em vapor quase instantaneamente. Esse vapor, aprisionado dentro de cada grão, gera pressão interna que provoca pequenas rupturas na estrutura do material.

Essas rupturas abrem poros na biomassa e fragmentam o resíduo, acelerando drasticamente a carbonização. Os pesquisadores chamam esse fenômeno de "efeito palomita" porque funciona como o milho estourando no calor — a pressão interna faz o material se abrir e se transformar. Por isso o processo todo termina em 90 segundos, em vez de levar horas como em outros métodos.

Ansiedade

Psiquiatra Javier Quintero: "Sentir ansiedade faz parte da vida"

Ansiedade surge diante de circunstâncias incertas

21/10/2026 11h36

Foto: MART PRODUCTION/Pexels

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Nervosismo antes de uma entrevista de emprego, preocupação com um problema familiar ou uma noite em claro por causa de uma prova são situações que a maioria das pessoas já vivenciou. A ansiedade emerge diante de circunstâncias incertas e, embora cause incômodo, nem sempre indica um transtorno mental.

O desafio está em reconhecer quando essa sensação passa a se repetir, fica fora de controle ou atrapalha a rotina. O psiquiatra Javier Quintero desenvolveu um método visual para ajudar as pessoas a distinguir entre uma reação emocional comum e uma situação que exige acompanhamento profissional.

Ele usa um semáforo com três cores — verde. Amarelo e vermelho — como ferramenta prática para identificar sinais que costumam passar despercebidos quando a preocupação começa a ocupar muito espaço na vida cotidiana.

Sua proposta torna claro que Sentir ansiedade não necessariamente significa ter um transtorno, mas também que ignorá-la quando começa a limitar decisões não é o caminho correto.

Quando a ansiedade é uma resposta natural

Conforme informou o El Confidencial, Quintero explicou que a ansiedade faz parte das respostas naturais do organismo e pode ser útil em certas situações, mantendo a pessoa atenta e preparada para enfrentar dificuldades.

O primeiro nível do semáforo é o verde, que corresponde aos momentos em que alguém experimenta inquietação diante de um evento específico — uma avaliação escolar. Uma reunião profissional importante ou uma preocupação ligada à família.

Mesmo quando as sensações parecem desagradáveis ou intensas, elas não indicam necessariamente um problema psicológico, conforme ressalta o especialista. A ansiedade nesse nível "pode fazer parte de uma resposta normal" e, em determinadas circunstâncias, "até pode ajudar a buscar melhores soluções". Essa função adaptativa permite que a pessoa antecipe possíveis dificuldades e mobilize recursos para responder a elas.

 

Sinais de alerta que merecem atenção

O segundo nível do semáforo é o amarelo, quando aparecem mudanças que exigem maior cuidado — especialmente quando as preocupações começam a se repetir e afetam o bem-estar pessoal. Uma das primeiras sinalizações consiste em antecipar constantemente que algo negativo pode acontecer, criando cenários negativos mesmo sem motivo aparente.

Dificuldades para dormir, problemas de concentração e uma sensação de inquietação mais frequente também marcam esse nível. Além disso, podem surgir mudanças comportamentais: a pessoa começa a rejeitar planos, adia compromissos ou evita situações que antes enfrentava sem maiores dificuldades.

Quando a ansiedade permanece ativa durante muito tempo ou surge sem uma ameaça clara, ela deixa de ser adaptativa e se torna fonte de sofrimento. Quintero ressaltou, conforme informou o El Confidencial, que estar nesta fase não significa necessariamente ter um transtorno, mas é importante dedicar mais tempo ao autocuidado e observar as mudanças no comportamento cotidiano.

Quando procurar ajuda especializada

O terceiro nível, representado pela cor vermelha, é quando a ansiedade começa a impedir atividades tão comuns quanto dirigir, viajar ou frequentar locais públicos. Nesse ponto, a avoidância — a tendência de abandonar situações geradoras de ansiedade — passa a estruturar a vida da pessoa. Quanto mais situações são evitadas, mais limitante o padrão se torna.

Manter horários regulares de descanso, praticar atividades físicas e desenvolver técnicas de relaxamento são medidas que ajudam a controlar a ansiedade nos estágios iniciais. Porém, essas estratégias sozinhas não são suficientes quando os sintomas persistem ou pioram.

Não é necessário esperar chegar ao nível vermelho para buscar avaliação profissional. Se as dificuldades para descansar, concentrar-se ou enfrentar determinadas situações se mantêm, um profissional pode ajudar a compreender o que está acontecendo.

Os transtornos de ansiedade podem ser abordados por meio de tratamentos psicológicos e, quando indicado, farmacológicos. A escolha depende das características de cada caso e da avaliação dos profissionais de saúde.

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