Mais de 300 supermercados na França tiveram os sistemas de refrigeração desligados remotamente por um ataque hacker na madrugada do último domingo. Os criminosos invadiram controladores de refrigeração da marca Danfoss e ativaram o modo de descongelamento automático, elevando a temperatura dos equipamentos até 50 graus Celsius.
Com isso, o desligamento simultâneo rompeu a cadeia de frio dos alimentos em dezenas de lojas.
Como a invasão aconteceu
A brecha explorada estava em versões antigas do software que comanda as geladeiras industriais à distância — tecnologia que permite às redes de mercado gerenciar a refrigeração sem precisar de técnicos no local. Essa mesma funcionalidade remota, pensada para facilitar a operação das lojas, acabou sendo a porta de entrada usada pelos invasores.
O especialista em cibersegurança Baptiste Robert, da empresa Predicta Lab, encontrou mais de 2.700 sistemas Danfoss expostos na internet, dos quais 1.500 estavam em território francês. O número revela o tamanho da vulnerabilidade além do grupo de supermercados já identificados como vítimas.
Investigação e prejuízo financeiro
A Procuradoria de Paris abriu investigação sobre o que classificou como ataque em grande escala contra sistemas de refrigeração de redes de distribuição alimentar no país. O objetivo é identificar as vítimas e relacionar os danos a perdas de produtos e a possíveis princípios de incêndio nos equipamentos afetados.
Um porta-voz de Intermarché confirmou que várias de suas lojas foram afetadas pelo ataque direcionado ao provedor dos sistemas de refrigeração.
E que algumas vitrines de produtos frescos e congelados ficaram fora de serviço. Christophe Hansen, comissário de Agricultura e Alimentação da União Europeia, também condenou o episódio publicamente. A emissora britânica BBC estimou os prejuízos em milhões de euros, somando produtos descartados e o impacto operacional nas lojas atingidas.
Resposta do fabricante dos equipamentos
A Danfoss reconheceu que os aparelhos comprometidos são modelos antigos, cujo software de proteção não podia mais receber atualizações contra falhas de segurança conhecidas. A empresa orienta clientes a manter os sistemas compatíveis sempre atualizados como forma de reduzir esse tipo de exposição.
O caso expõe o risco de equipamentos industriais conectados à internet sem suporte técnico contínuo. Esse risco é relevante para qualquer rede que dependa de refrigeração automatizada em centenas de pontos de venda simultaneamente.
Se os sistemas remotos facilitam a operação, por que não os desligar da internet?
Porque a operação remota é justamente o benefício principal: sem ela, redes de supermercados precisariam de técnicos visitando cada loja para ajustar temperaturas, diagnosticar problemas ou otimizar consumo de energia. O risco existe porque essa conveniência coloca o equipamento na internet — e equipamentos antigos sem atualizações de segurança se tornam portas abertas para invasores.
A solução não é remover a tecnologia remota, mas manter sempre o software atualizado e monitorar quais sistemas estão expostos na rede.



