Descoberta científica

Cientistas descobrem polvo gigante nos mares muito maior que um ônibus urbano

Esses polvos gigantes poderiam atingir até 19 metros.

Fósseis de mandíbulas excepcionalmente preservadas revelam que criaturas marinhas colossais disputavam os oceanos há cerca de 100 milhões de anos, quando dinossauros caminhavam pela Terra. Esses polvos gigantes poderiam atingir até 19 metros de comprimento, rivalizando com ônibus urbanos convencionais, que medem entre 12 e 14 metros.

Pesquisadores da Universidade de Hokkaido, no Japão, analisaram os fósseis e sugeriram que esses predadores antigos poderiam estar entre os maiores invertebrados já registrados pela ciência. Até então, a comunidade científica acreditava que vertebrados como peixes e répteis marinhos dominavam os oceanos, enquanto cefalópodes ocupavam posições secundárias na cadeia alimentar.

Estimativa de tamanho com estrutura preservada

A estimativa de comprimento considera o corpo, que mediria entre 1,5 e 4,5 metros, e os braços alongados, que poderiam levar o comprimento total a entre 7 e 19 metros. Mesmo no menor tamanho estimado, esses animais seriam maiores que os polvos atuais e comparáveis aos maiores veículos de transporte urbano.

O desgaste irregular nas mandíbulas fossilizadas também chama atenção, e marcas mais profundas de um lado sugerem lateralidade durante a alimentação. Em espécies vivas, essa preferência está ligada a funções cerebrais avançadas, o que reforça as teorias sobre a inteligência desses antigos predadores.

Comparação com polvos modernos

O polvo-gigante-do-Pacífico, maior espécie viva contemporânea, passa de 5,5 metros de envergadura. O paleontólogo Christian Klug, da Universidade de Zurique, que revisou o estudo, informou que esses animais conseguem imobilizar tubarões com mais de um metro de comprimento usando tentáculos e ventosas, deixando a presa sem chance de fuga.

Os polvos são conhecidos por sua inteligência, capacidade de resolver problemas e pelas estratégias de caça complexas. Se os fósseis indicam que seus ancestrais pré-históricos possuíam características semelhantes, eles representariam predadores ainda mais temíveis na competição por recursos alimentares.

Mistérios que permanecem em aberto

A reconstrução científica ainda não esclareceu a forma precisa do corpo, a estrutura de possíveis nadadeiras nem a velocidade de deslocamento desses animais extintos. Nenhum fóssil com conteúdo estomacal foi descoberto até agora, o que impede conclusões diretas sobre suas preferências alimentares.

Para o paleontólogo Nick Longrich, da Universidade de Bath, a hipótese mais provável é que esses polvos se alimentassem principalmente de amonitas. Como os polvos atuais, eles provavelmente eram predadores vorazes, capazes de atacar diferentes presas quando surgisse a oportunidade.

Christian Klug, da Universidade de Zurique, que revisou o estudo, também destaca que esses animais usavam os tentáculos e a capacidade de apreensão para dominar presas de grande porte com segurança.

Os fósseis são fragmentos de um quebra-cabeça antigo e oferecem apenas uma visão parcial de um gigante dos mares primitivos. O animal teria mandíbulas trituradoras, braços muito poderosos e inteligência comparável à de outros grandes predadores de sua era, e o estudo foi publicado na revista Science.

Como as mandíbulas revelam o poder de trituração

As mandíbulas fossilizadas funcionavam como um sistema de apreensão eficiente. Esses animais possuíam mandíbulas semelhantes a bicos, capazes de triturar conchas duras e esqueletos de grandes peixes e répteis marinhos. O desgaste desigual encontrado nos fósseis, mais profundo de um lado, mostra que o animal aplicava força de forma direcionada para quebrar estruturas rígidas.

A combinação de mandíbulas trituradoras e tentáculos poderosos criava um mecanismo eficiente de predação. Os tentáculos mantinham a presa imobilizada enquanto as mandíbulas rompiam suas proteções externas, permitindo ao polvo acessar o interior nutritivo da vítima.

Por que o polvo gigante desapareceu e outros animais sobreviveram?

O texto não informa as causas do desaparecimento desses polvos gigantes nem por que espécies menores da mesma linhagem persistiram até hoje. Os cientistas citados reconhecem que ainda levará tempo para descobrir como era o animal e que ele continua sendo, em parte, um mistério.

Sabe-se apenas que esses animais existiram há cerca de 100 milhões de anos, quando dinossauros caminhavam pela Terra, mas não há detalhes sobre quando ou por que foram extintos.

Por que as mandíbulas foram preservadas melhor que o resto do corpo

O estudo foi possível porque os pesquisadores encontraram mandíbulas excepcionalmente bem preservadas. Esse achado ajuda a explicar como fósseis de animais de corpo mole chegam até nós. As mandíbulas são estruturas mais duras e mineralizadas do que tecidos como músculos e pele e resistem melhor ao processo de fossilização ao longo de milhões de anos.

Por isso, muitas conclusões sobre esses polvos dependem das mandíbulas, enquanto informações sobre a forma exata, as nadadeiras e a estrutura geral permanecem especulativas.

Essa limitação também explica por que nenhum fóssil com conteúdo estomacal foi encontrado até agora. Estômagos e vísceras são tecidos ainda mais frágeis e raramente se fossilizam. Os cientistas precisam trabalhar com fragmentos, como em um quebra-cabeça com poucas peças.

Reflexão

Han Kang: "A literatura nos permite entrar nas profundezas de outro ser humano"

Antes do Nobel, a escritora já havia conquistado reconhecimento internacional.

30/10/2026 16h41

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A escritora Han Kang recebeu o Prêmio Nobel de Literatura 2024, anunciado pela Academia Sueca em 10 de outubro daquele ano. A sul-coreana de 54 anos foi reconhecida por uma prosa poética que confronta traumas históricos e expõe a fragilidade da vida humana.

No Brasil, a Editora Todavia publica sua obra desde o sucesso de "A Vegetariana", lançado por aqui em 2018 com tradução de Jae Hyung Woo. Depois vieram "Atos Humanos" (2021), traduzido por Ji Yun Kim, e "O Livro Branco" (2023), com tradução de Natália T. M.

Okabayashi — e para 2025 está confirmado "I Do Not Bid Farewell", publicado originalmente em 2021.

Uma autora que reinventa a própria forma de narrar

O editor de Han Kang no Brasil pela Todavia, Leandro Sarmatz, descreveu a vitória como "É a consagração merecidissíma de uma autora tão singular que reinventa a forma de contar histórias a cada novo livro". A frase resume o impacto de uma carreira construída sobre temas difíceis, tratados com delicadeza incomum. A autora também traz uma grande reflexão sobre o poder dos livros: "A literatura nos permite entrar nas profundezas de outro ser humano".

O crítico literário Schneider Carpeggiani considera "A Vegetariana" um dos livros de terror mais relevantes das últimas décadas — não pelo monstro clássico, mas pela forma como retrata a incapacidade humana de aceitar o diferente.

"No livro, o monstro não é mais o ET ou o vampiro de antes, mas sim a relação que existe com o outro. Trata-se de transformar o outro, de objetificar o outro, de não compreender o outro, de transformar o outro no estranho, quase no monstro. Isso pode ser tanto do homem em relação a mulher, do cis em relação ao trans, da gente em relação a qualquer estrangeiro. É o delicado das relações humanas e o pavor da gente se aproximar do próximo que faz A vegetariana ser o grande livro de terror das últimas décadas. Tanto que a primeira frase do livro é simbólica, quando o marido descobre que a mulher virou vegetariana e a partir disso ele começa uma relação de afastamento e de objetificação da mulher que deixa a gente no espiral dessa loucura", explicou Carpeggiani ao PublishNews. Para ele, a obra expõe como pessoas transformam o próximo em estranho, seja entre homem e mulher, cisgênero e transgênero, ou nativo e estrangeiro.

A literatura como ponte entre abismos Humanos

Essa capacidade de atravessar fronteiras emocionais é algo que a própria autora já explicou sobre seu ofício. Han Kang disse ao PublishNews: "A literatura nos permite entrar nas profundezas de outro ser humano". A obra de Han Kang sintetiza um projeto literário marcado pela violência silenciosa das relações e pela capacidade de atravessar fronteiras emocionais.

Antes do Nobel, a escritora já havia conquistado reconhecimento internacional com o International Booker Prize, vencido em 2016 por "A Vegetariana" e novamente em 2018 por "O Livro Branco". O prêmio sueco de 2024 tem valor de 10 milhões de coroas suecas e consolida uma trajetória que começou décadas antes nas páginas de revistas literárias.

Segunda sul-coreana a vencer um Nobel

Han Kang é a primeira pessoa nascida na Coreia do Sul a vencer o Nobel de Literatura, e a segunda do país a receber a honraria — o ex-presidente Kim Dae-Jung já havia conquistado o Nobel da Paz em 2000.

O momento reforça a projeção internacional da cultura sul-coreana, que já havia ganhado força global com produções como o filme "Parasita", entre 2019 e 2020. A vencedora do Prêmio Jovens Talentos 2024, Ing Lee, chegou a compartilhar uma ilustração própria da autora para celebrar a premiação nas redes sociais.

Da poesia aos romances que marcaram sua carreira

Nascida em 1970 na cidade de Gwangju, Han Kang se mudou para Seul aos nove anos, acompanhada da família. O pai dela também é romancista reconhecido, e a influência literária doméstica se somou ao interesse da autora por artes visuais e música, presente em toda sua obra.

A carreira literária começou em 1993 com a publicação de poemas em revista literária. Sua estreia na prosa veio em 1995 com uma coletânea de contos.

O reconhecimento internacional veio com "A Vegetariana", obra que consolidou seu estilo de explorar a fragilidade humana através de traumas íntimos e coletivos.

Quando o Nobel de Literatura não foi concedido

Nem todo ano o prêmio é entregue. Em 2018, a Academia Sueca decidiu não conceder o Nobel de Literatura, uma decisão rara em mais de um século de história. Para compensar, em 2019 dois prêmios foram concedidos — um referente a 2018 e outro ao ano em curso.

Reflexão

Kafka deixou uma reflexão: "Todas as falhas humanas provêm da impaciência"

A frase expressa uma reflexão incômoda sobre a natureza humana.

30/10/2026 15h39

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A impaciência está na raiz de quase todos os nossos erros, segundo uma máxima célebre do escritor boêmio Franz Kafka. Frequentemente completada como "Todos os erros humanos são fruto da impaciência, interrupção prematura de um processo ordenado", a frase expressa uma reflexão incômoda sobre a natureza humana que atravessa gerações.

Essa reflexão traduz a visão de Kafka sobre a ansiedade e a pressa que definem o comportamento humano. O pensador austro-húngaro via na precipitação a fonte de conflitos, sofrimento e fracassos — não porque as pessoas sejam fracas, mas porque desejam contornar as etapas que a vida impõe.

Quando buscamos soluções imediatas para dilemas que exigem espera e reflexão, criamos caos. A interpretação sugere que a maioria dos nossos problemas surge quando abandonamos um caminho cedo demais, quando nos falta calma para lidar com dificuldades ou quando recusamos a paciência exigida pelos processos naturais.

A filosofia de Kafka sobre o erro e o tempo

Para Kafka, a obsessão por acelerar o curso natural das coisas estava na origem de quase tudo que nos prejudica. Ele via a ansiedade humana não como uma fraqueza individual, mas como uma característica estrutural da condição contemporânea.

A impaciência representa uma recusa em aceitar os ritmos do mundo — a necessidade de aguardar resultados, de permitir que um aprendizado se complete, de suportar a incerteza sem precipitar-se em ação.

Essa percepção aparece entrelaçada em suas narrativas, repletas de personagens presos em situações incompreensíveis e sufocantes. Muitas vezes, essas prisões surgem porque os protagonistas desistem cedo demais ou agem sem reflexão suficiente. A obra de Kafka oferece um diagnóstico amargo: o apressamento é tanto sintoma quanto causa do desespero moderno.

O Legado de um escritor que quase desapareceu

Kafka morreu prematuramente em 1924, aos 40 anos, vítima de tuberculose laríngea. Dias antes de morrer, pediu ao amigo e biógrafo Max Brod que destruísse todos os seus manuscritos. Brod não atendeu ao pedido: preservou e publicou as obras do escritor, revelando Kafka ao mundo.

Sem a desobediência de Brod, o mundo teria perdido uma das vozes mais perturbadoras e importantes da literatura moderna. Em 1939, Brod levou os manuscritos consigo ao imigrar para a Palestina, fugindo da ocupação nazista que ameaçava sua vida.

O papel de Brod na preservação da obra tornou-se praticamente inseparável do Kafka que conhecemos hoje. Ele também construiu boa parte do mito do autor.

O Termo "kafkiano" e sua permanência

As narrativas de Kafka, marcadas pelo absurdo e pela sufocação existencial, geraram um adjetivo próprio que persiste na língua: "kafkiano". Essa palavra descreve situações confusas, opressivas e incompreensíveis — precisamente o tipo de cenário que emerge quando a impaciência destrói a ordem estabelecida. Obras como A Metamorfose e O Processo exemplificam essa estética de alienação e desamparo.

A reflexão de Kafka sobre a impaciência encontra, assim, seu próprio espelho na história de seus escritos: a paciência de Brod em preservar o que o autor queria destruir revelou-se mais valiosa do que qualquer obediência apressada.

Permitir que um processo se complete, resistir ao impulso imediato — essa é, paradoxalmente, a lição que a própria vida de Kafka e seus textos continuam ensinando.

Como Max Brod transformou Kafka em celebridade póstumo

Brod não apenas desobedeceu ao pedido de destruição dos manuscritos. Ele construiu ativamente a fama de Kafka por meio da publicação seletiva e da criação de um mito sobre o autor. Brod "interferiu diretamente nos escritos", tornando praticamente impossível separar a obra original de Kafka daquilo que Brod editou, adicionou ou interpretou. Funcionou como "curador póstumo de uma celebridade", moldando não apenas quais obras seriam lidas, mas também a narrativa sobre quem Kafka era como pessoa.

Esse processo foi tão determinante que o Kafka que conhecemos hoje é, em grande medida, uma criação de Brod — possivelmente sua "criação mais elevada e duradoura". Sem essa interferência editorial e promocional, os textos incompletos de Kafka teriam permanecido no esquecimento, assim como sua própria reputação.

A batalha internacional pelos manuscritos: identidade, propriedade e pertencimento

A história dos manuscritos de Kafka vai muito além da relação entre amigos. Após a morte de Brod em 1968, os papéis passaram para sua secretária Esther Hoffe e depois para a filha Eva, que tentou vender o espólio para um arquivo alemão. O Estado de Israel interveio, baseando-se no testamento de Brod (que desejava vê-los em Israel "ou em qualquer outra instituição"), iniciando uma batalha legal que durou quase 10 anos até a Suprema Corte israelense decidir em favor da Biblioteca Nacional de Israel em 2016.

A disputa envolve três questões da contemporaneidade: identidade (a quem pertence o legado de um escritor judeu nascido em Praga?), propriedade (quem tem direito legal sobre manuscritos?) e pertencimento (um Estado pode reivindicar a tutela de uma obra de arte?). A ironia final, segundo Benjamin Balint, é que essa possessividade recaiu exatamente sobre Kafka, "o menos possessivo dos homens". Em seus diários, ele expressava "desejo infinito de independência e liberdade em todas as coisas".

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