Tomar café logo depois de prepará-lo é um hábito comum, mas a temperatura da bebida merece atenção. Esperar alguns minutos antes do primeiro gole pode ser uma precaução simples para evitar o contato com líquidos quentes demais.
Uma pesquisa investigou a relação entre a temperatura do chá e o risco de doenças cardiovasculares. Embora o estudo não tenha analisado o café como foco principal, os resultados ajudam a levantar uma questão sobre o costume de consumir bebidas ainda muito quentes.
O que a pesquisa descobriu sobre bebidas quentes
O levantamento analisou dados de 485.934 adultos, acompanhados durante aproximadamente nove anos. Nesse período, 14.863 participantes desenvolveram doenças do coração ou dos vasos sanguíneos.
Entre os consumidores de chá, aqueles que preferiam a bebida quente ou em temperatura ambiente apresentaram risco cerca de 17% menor dessas doenças em comparação com quem raramente ou nunca tomava chá. Já os participantes que relataram beber a bebida extremamente quente tiveram risco 16% maior.
Por que vale a pena esperar o café esfriar
Os resultados não comprovam que a temperatura do café produza os mesmos efeitos observados entre os consumidores de chá. A pesquisa foi observacional e não permite afirmar que a bebida ou sua temperatura tenham causado as diferenças identificadas.
Ainda assim, o cuidado com líquidos excessivamente quentes faz sentido também na rotina de quem consome café. O contato com temperaturas capazes de escaldar pode provocar lesões no trato digestivo superior, motivo pelo qual evitar bebidas muito quentes é uma precaução razoável.
Um hábito simples antes do primeiro gole
Não é necessário abandonar o café quente para adotar esse cuidado. Basta dar à bebida alguns minutos para perder parte do calor, em vez de consumi-la imediatamente após o preparo.
A pesquisa não estabelece uma temperatura ideal para o café nem demonstra que esperar a bebida esfriar previna doenças cardíacas. A principal lição é mais específica: evitar líquidos em temperaturas escaldantes é uma medida prudente, sem confundir os resultados observados no chá com evidências ainda não demonstradas para o café.


