Árvores da vida

Doença que afeta 8,5% dos idosos no Brasil pode ser combatida com o plantio de árvores

Estudo determinou que morar perto de árvores pode reduzir o risco dessa doença

Morar perto de árvores e vegetação pode reduzir o risco de demência em idosos. Um estudo conduzido pela Stockholm University acompanhou 2.993 adultos com 60 anos ou mais durante até 16 anos e descobriu que, quanto mais vegetação havia perto das residências, menor era a probabilidade de desenvolver a doença neurodegenerativa.

A pesquisa reforça uma questão raramente considerada no planejamento do envelhecimento saudável: o ambiente imediato da casa importa tanto quanto a proximidade da família ou de serviços. Muitos pensam em bairros com infraestrutura urbana consolidada, mas as árvores fora da janela e a grama ao redor do edifício passam despercebidas, embora façam diferença no cotidiano de quem envelhece.

Como o estudo foi conduzido

Os pesquisadores acompanharam 2.993 residentes do distrito de Kungsholmen, em Estocolmo, que entraram na pesquisa entre 2001 e 2004. Nenhum deles tinha demência ao ingressar no estudo. Médicos, enfermeiros e psicólogos examinaram os participantes regularmente, e qualquer diagnóstico de demência era confirmado por um segundo médico e, em caso de desacordo, por um neurologista independente.

Após uma média de quase 10 anos, 477 dos participantes desenvolveram demência. A equipe liderada por Cecilia Stenfors. Professora associada de psicologia da Stockholm University, e por Jing Wu, do Aging Research Center do Karolinska Institutet, usou imagens de satélite para medir a vegetação ao redor de cada casa durante a estação de crescimento.

Proximidade determina o benefício

A análise considerou três perímetros ao redor das residências: 100, 250 e 500 metros. O resultado mais expressivo apareceu na zona mais próxima — 100 metros de casa. Para cada aumento de vegetação nessa faixa, o risco de demência caiu cerca de 20%.

A medição capturou o que as pessoas encontram naturalmente no dia a dia: ao buscar o correio, comprar alimentos ou simplesmente sair para tomar ar. Diferentemente de parques distantes, essa vegetação fica acessível mesmo em dias em que uma caminhada mais longa pareça cansativa.

Quando os pesquisadores examinaram áreas mais amplas, as reduções de risco foram menores e menos certas, sugerindo que o contato frequente e próximo com a natureza é o fator protetor. Entre mulheres, a mesma vegetação adicional próxima às casas associou-se a uma redução de risco cerca de 31% maior.

Entre homens, a redução estimada foi de cerca de 7%, incerta demais para ser considerada um vínculo relevante.

Uma questão de planejamento urbano

O estudo não prova que plantar uma árvore erradique a demência. Mas aponta uma possibilidade relevante para idosos e suas famílias: o ambiente em que vivem pode influenciar a saúde cerebral no longo prazo.

A relação entre vegetação próxima e menor risco de demência manteve-se mesmo após os pesquisadores controlarem idade, atividade física, ruído de tráfego, educação, tabagismo, renda do bairro e poluição do ar. Estudos anteriores já haviam ligado a vegetação próxima às casas em Estocolmo a um sono melhor e a menos prescrições de antidepressivos, fatores associados a menor risco de demência.

A vegetação também pode oferecer proteção contra ruído de tráfego e poluição. A distribuição desigual de vegetação entre moradores do mesmo bairro cria diferenças no acesso ao verde urbano.

Para gestores públicos e planejadores urbanos, os resultados indicam que pequenos fragmentos de natureza próximos às casas podem oferecer um caminho prático para reduzir riscos de demência em populações que envelhecem. A pesquisa, porém, incluiu apenas moradores de um distrito geralmente rico de Estocolmo.

Por isso, os autores pedem estudos em uma faixa mais ampla de rendas e ambientes urbanos para verificar o alcance dos achados. Isso é especialmente relevante no Brasil, onde 8,5% dos idosos convivem com demência — uma proporção que cresce com a idade, e o estudo foi publicado na revista Alzheimer's & Dementia.

Habilidosos

Após serem demitidos, eles coletaram 10 mil garrafas em 5 meses e construíram uma casa de 70 m²

Casal teve que se virar para encontrar solução e não voltar a morar com parentes

20/10/2026 21h40

Foto: Magda Ehlers/Pexels

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Dóris Dias e Robson Lopes construíram a própria casa depois de perderem o emprego e não conseguirem pagar aluguel. Para o casal, as opções eram morar com parentes ou buscar uma solução própria.

O casal brasileiro construiu uma casa de 70 m² em cinco meses. A partir de abril de 2020, em Foz do Iguaçu, usando mais de 10 mil garrafas de vidro coletadas nas ruas. O que começou como necessidade econômica se tornou um exemplo de reaproveitamento de resíduos que mobilizou a comunidade local.

Robson havia perdido o emprego como repositor de supermercado, enquanto Dóris, educadora social, estava afastada do trabalho por problemas de saúde. Inicialmente, a família se mudou para a casa dos pais de Dóris, mas o casal queria conquistar seu próprio espaço e encontrou na reciclagem uma alternativa viável.

Como a ideia das garrafas nasceu

Durante o casamento celebrado em setembro de 2019, Dóris e Robson utilizaram materiais reciclados na decoração. Essa experiência despertou em Dóris a curiosidade sobre técnicas de construção com garrafas, levando-a a pesquisar soluções práticas para reutilizar o material. A descoberta de quanto vidro poderia ser reaproveitado transformou curiosidade em projeto.

A coleta começou pelas ruas de Foz do Iguaçu, onde o casal e vizinhos recolhiam garrafas descartadas. Amigos e residentes da região logo passaram a contribuir com doações espontâneas, acelerando o processo de reunião de material. Em cinco meses, conseguiram juntar as 10 mil garrafas necessárias para erguer as paredes da habitação.

A construção com garrafas de vidro

O projeto utilizou garrafas de vidro de 600 ml no lugar dos tijolos convencionais, que formaram o corpo principal das paredes. Cimento e areia uniram as garrafas, e garrafas menores foram destinadas às divisões interiores, enquanto ferro e outros materiais completaram a estrutura de sustentação da casa.

Nos primeiros cinco meses, o casal reutilizou e assentou mais de 10 mil garrafas nas paredes, concluindo a estrutura básica da casa. Até setembro de 2020, a construção havia custado 3 mil reais brasileiros.

A colocação do telhado, das portas e das janelas ainda estava pendente. Por isso, o casal organizou uma coleta de fundos com a comunidade para prosseguir com a obra.

Do projeto emergencial à expansão

Em junho de 2024, a casa tinha 85 m² e incorporava 20 mil garrafas reutilizadas, o dobro do volume inicial. Diversos acabamentos e instalações ainda precisavam ser concluídos, mas o que começou como solução diante de dificuldades econômicas se tornou um projeto duradouro.

O casal segue arrecadando fundos online e solicitando doações de materiais como janelas, portas e fios elétricos para finalizar a obra. A construção não está regularizada, mas pode ser regularizada pela prefeitura durante a obra ou até dois anos após conclusão.

O exemplo de Dóris e Robson mobilizou familiares e vizinhos, transformando uma necessidade pessoal em iniciativa comunitária de reaproveitamento de resíduos.

O que essa construção significa para famílias sem acesso ao crédito imobiliário

Para pessoas sem acesso a financiamento bancário ou dinheiro para comprar materiais convencionais, a construção com garrafas reutilizadas pode reduzir o custo inicial da obra. No caso de Dóris, uma casa tradicional de madeira e tijolos estava fora do orçamento.

Com garrafas coletadas gratuitamente nas ruas, ela transformou um material descartável em material de construção e reduziu o investimento necessário para deixar o aluguel e ter uma casa própria.

A construção também tem impacto ambiental: garrafas que terminariam em aterros sanitários ou no meio ambiente ganham novo uso. Para comunidades de baixa renda, a alternativa combina sustentabilidade e redução de custos. Não se trata apenas de uma escolha ambiental, mas também de uma forma de reduzir o gasto com a moradia.

Quando a construção com garrafas enfrenta barreiras legais

A casa de Dóris e Robson não está regularizada junto à prefeitura, uma situação que ilustra uma limitação importante dessa técnica: a aceitação institucional. Embora a prefeitura de Foz do Iguaçu permita regularização durante a construção ou até dois anos após conclusão, o processo exige documentação de posse do imóvel, projeto da obra e documentos pessoais.

Para famílias em situação de vulnerabilidade que não tiveram recursos para contratar profissionais, elaborar esses projetos formais pode representar um desafio adicional. Outro ponto crítico é que o material em si — no caso, vidro — não é automaticamente questionado pela prefeitura, mas cabe ao proprietário garantir que não oferece risco aos moradores.

Isso significa que decisões sobre segurança estrutural podem variar conforme a avaliação de cada município, tornando a viabilidade técnica e legal dessa solução dependente do local onde se pretende construir.

Como alguém sem experiência em construção consegue reunir 10 mil garrafas?

Dóris e Robson começaram coletando garrafas nas ruas de Foz do Iguaçu, em bueiros, sarjetas e espaços públicos onde o descarte era comum. O envolvimento da comunidade acelerou a coleta: depois de saberem do projeto, amigos e vizinhos passaram a doar garrafas.

A busca pelas ruas revelou quanto vidro era descartado diariamente, e a colaboração tornou possível reunir dez mil garrafas em cinco meses sem investimento significativo.

O conhecimento global que inspirou a ideia local

Dóris não inventou a técnica de construção com garrafas, e ela a adaptou localmente depois de conhecer projetos semelhantes em outros países. Segundo ela, viu casas construídas dessa forma na Bolívia, na Tailândia e em diferentes regiões do Brasil. A experiência permitiu que imaginasse uma solução para seu contexto em Foz do Iguaçu.

Motivada pelo uso de materiais reciclados na decoração do casamento, em 2019, ela pesquisou a técnica e transformou a curiosidade em um projeto estruturado.

Reflexão e Filosofia

"Os homens esperam que elas não mudem; as mulheres, que eles mudem": a ironia do casamento

Quando a realidade não acompanha essas expectativas, surgem as decepções.

20/10/2026 19h01

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As expectativas criadas no início de um relacionamento podem se transformar em fonte de frustração ao longo do tempo. A frase atribuída a Albert Einstein — segundo a qual os homens esperam que as mulheres permaneçam iguais, enquanto elas esperam que eles mudem — resume essa contradição com uma dose de ironia. Apesar de sua popularidade, não existem evidências documentais confiáveis que comprovem que o cientista tenha dito ou escrito essas palavras.

Qual é a frase atribuída a Albert Einstein sobre casamento?

A versão mais conhecida do pensamento atribuído a Albert Einstein afirma: “Os homens casam com mulheres na esperança de que elas nunca mudem. As mulheres casam com homens na esperança de que eles mudem. Invariavelmente, ambos acabam decepcionados”.

A frase apresenta uma visão bem-humorada das expectativas que homens e mulheres podem levar para o casamento. Enquanto um lado desejaria preservar as características da parceira, o outro esperaria que determinados comportamentos do companheiro fossem transformados com o passar do tempo.

A ironia está no fato de que ambos podem entrar em uma relação esperando que o outro corresponda a uma imagem idealizada. Quando a realidade não acompanha essas expectativas, surgem as decepções que o provérbio descreve.

O que essa reflexão revela sobre as expectativas no relacionamento?

A frase chama a atenção para uma contradição comum nas relações afetivas: querer que o parceiro permaneça exatamente como era no início e, ao mesmo tempo, esperar que ele mude justamente nos aspectos que incomodam.

Na convivência diária, diferenças de personalidade, hábitos e formas de demonstrar afeto tornam-se mais evidentes. Algumas características que pareciam atraentes durante o namoro podem passar a incomodar, enquanto comportamentos considerados pequenos podem adquirir maior importância com o tempo.

Nesse cenário, a expectativa de que o outro mude espontaneamente para atender aos próprios desejos pode criar conflitos. Em vez de lidar com a pessoa real, alguém pode acabar se relacionando com a versão idealizada que gostaria de encontrar.

Isso não significa que as pessoas devam permanecer iguais durante toda a vida. O amadurecimento e as transformações individuais fazem parte das relações duradouras. A questão central é compreender que essas mudanças não podem ser determinadas exclusivamente pela vontade do parceiro.

Por que esperar que o outro mude pode terminar em frustração?

Um relacionamento envolve duas pessoas com histórias, valores e objetivos próprios. Quando alguém acredita que o casamento será suficiente para modificar hábitos ou características do companheiro, corre o risco de construir expectativas que não correspondem à realidade.

A situação pode se tornar ainda mais difícil quando o casal evita conversas importantes na esperança de que os problemas desapareçam com o tempo. Pequenos incômodos podem se acumular, dando lugar a cobranças, ressentimentos e discussões recorrentes.

Por outro lado, desejar mudanças não é necessariamente um problema. É natural esperar mais diálogo, participação nas responsabilidades domésticas, respeito e disposição para resolver conflitos. A diferença está entre expressar necessidades legítimas e tentar controlar a personalidade ou as escolhas do outro.

Mudanças consistentes dependem de reconhecimento, disposição pessoal e atitudes concretas. Promessas feitas para evitar uma discussão, sem esforço para colocá-las em prática, dificilmente resolvem os problemas que deram origem ao conflito.

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