Jornada de Trabalho

Enquanto Espanha trabalha 48 horas semanais, na Noruega o expediente acaba às 15h

Modelo reflete uma filosofia em que a vida pessoal tem a mesma prioridade que a produção.

Na Noruega, a jornada formal é de 40 horas semanais, mas muitos profissionais saem do escritório entre 15h e 16h. Na prática, a média de horas efetivamente trabalhadas não ultrapassa 33 horas por semana. O modelo reflete uma filosofia em que a vida pessoal tem a mesma prioridade que a produção.

O contraste aparece na comparação com outros modelos europeus. Na Espanha, a "semana espanhola" funciona de forma diferente: o trabalhador cumpre 48 horas em uma semana e 40 na seguinte, alternando semanas de jornadas mais longas e mais curtas.

Enquanto os países nórdicos mantêm mais tempo livre de forma permanente, outras regiões buscam distribuir a carga de maneira equilibrada ao longo do mês.

O alerta da saúde mental move a mudança

Aproximadamente 25% dos afastamentos na Noruega estão ligados a exaustão, esgotamento profissional e outros problemas de saúde mental. O quadro revela um paradoxo: mesmo trabalhando menos horas, os noruegueses sofrem com desgaste psicológico significativo.

A insatisfação também aparece fora dos números de absenteísmo: cerca de 27% dos trabalhadores manifestam vontade de deixar seus empregos para dedicar mais atenção à família e à vida pessoal. O sinal despertou o interesse da 4 Day Week Global, entidade sem fins lucrativos que promove a transição para semanas de quatro dias em diferentes regiões do planeta.

O modelo 100-80-100 em testes na Noruega

Depois de observar resultados positivos em países como a Islândia, a 4 Day Week Global lançou um programa piloto de seis meses na Noruega e na Suécia. O programa começou no fim do ano passado e se estende até o verão seguinte.

O projeto segue a metodologia conhecida como 100-80-100: trabalhadores mantêm 100% do salário enquanto cumprem apenas 80% da jornada habitual, preservando 100% da produtividade esperada.

Esse formato já foi testado em outras localidades, como Valência, e gerou dados que ajudaram a validar a proposta. A Noruega parte de uma vantagem: sua população já está habituada a jornadas mais curtas no cotidiano, o que pode facilitar a adaptação a um modelo oficialmente reduzido.

Se os dados do piloto confirmarem impactos positivos na saúde mental, na retenção de talentos e na manutenção da produção, a semana de quatro dias poderá deixar de ser uma tendência isolada.

Nesse caso, a mudança poderá se tornar estrutural no mundo do trabalho. E transformar a experiência norueguesa em um modelo replicável globalmente para empresas e trabalhadores que buscam equilibrar eficiência e qualidade de vida.

Oportunidade

US$ 428 mil por ano, moradia e carro: Austrália oferece pacote milionário para trabalhar no deserto

Local fica a sete horas de carro da cidade mais próxima.

15/10/2026 12h12

Foto: Vjanodic WERSOV/Pexels

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Julia Creek, uma localidade remota no interior da Austrália com cerca de 500 habitantes, lançou uma oferta de trabalho que chamou atenção internacional. A comunidade buscava um médico permanente e oferecia salário de até US$ 470 mil anuais, moradia gratuita e veículo próprio.

Localizada no estado de Queensland, Julia Creek fica a sete horas de carro da cidade mais próxima, em uma área de paisagens áridas e temperaturas elevadas. A oferta buscava resolver a falta de atendimento médico permanente na localidade.

Um desafio de décadas para a comunidade

A dificuldade para manter um médico permanente não era recente. Por cerca de 15 anos, até 2022, Julia Creek funcionou sem um profissional fixo. Médicos viajavam até a localidade para atender a população por períodos limitados. A situação mudou quando Adam Louws chegou, em 2022, mas ele decidiu partir em 2025 para retornar a Brisbane com a família.

O médico precisaria atender cerca de 550 pessoas, com consultas gerais, emergências e cuidados com idosos. O centro de saúde local funcionava como unidade de medicina geral, pronto-socorro e atendimento geriátrico.

A busca recebe resposta internacional

Em novembro de 2025, a comunidade havia recebido 95 inscrições de candidatos de diferentes regiões do mundo. A remuneração, de até US$ 470 mil por ano, era aproximadamente o dobro do que ganharia um clínico geral em Brisbane, a capital estadual.

Pip Bunting, médica australiana especializada em medicina rural e com experiência em emergências, foi selecionada para atender às demandas variadas de uma comunidade isolada no deserto.

O que a contratação de Pip Bunting revela sobre seleção em comunidades isoladas

A escolha de uma médica especializada em medicina rural e com experiência em emergências respondia às exigências do trabalho. Em Julia Creek, o profissional não pode se limitar a consultas simples: precisa atender emergências sem retaguarda hospitalar próxima e cuidar de idosos com complexidade clínica.

Por isso, a remuneração não era o único requisito, e a comunidade também precisava de alguém com treinamento e perfil profissional compatíveis com o isolamento. O recrutamento internacional buscava, entre os 95 inscritos, profissionais com essa combinação de competências.

Relações

Jorge Amado sobre as relações: "Se viver não é fácil, conviver é um desafio permanente"

Seus registros se tornaram públicos 50 anos após a entrega do Prêmio Nobel de Literatura

15/10/2026 11h47

Imagem: Wikimedia Commons

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Os arquivos da Academia Sueca e da Fundação Nobel registram dezenove candidaturas de Jorge Amado ao Prêmio Nobel de Literatura. O escritor baiano, nascido em 1912 e morto em 2001, disputou a honraria entre 1967 e 1973, quando já era reconhecido como um dos grandes nomes da literatura latino-americana.

Os registros completos de indicações e avaliações internas só se tornam públicos 50 anos após a entrega do prêmio, segundo uma regra da Academia Sueca. Por isso, Jorge Amado pode ter recebido mais do que as 19 candidaturas já confirmadas: o período posterior a 1975 continua sob sigilo.

Além disso, entre 1970 e 1980, no auge de sua fama internacional, a Academia Sueca cogitou várias vezes o nome de Jorge Amado.

A obra que atravessou gerações

Romances como Capitães da Areia e Gabriela, Cravo e Canela carregam o nome de Jorge Amado para além das fronteiras do Brasil, com traduções e adaptações para cinema, teatro e televisão. Entre suas reflexões mais lembradas está a frase amplamente atribuída a ele: "Se viver não é fácil, conviver é um desafio permanente".

A frase, amplamente atribuída a ele, resume a complexidade da existência individual, marcada por pressões, escolhas, dores e responsabilidades cotidianas. Quando duas ou mais pessoas se encontram, somam-se mundos interiores distintos, expectativas, limites e vulnerabilidades. Ajustar essas diferenças não acontece espontaneamente: exige paciência, escuta, empatia e capacidade de ceder, um exercício que se repete diariamente.

 

Outros brasileiros na lista do Nobel

Além de Jorge Amado, seis brasileiros aparecem nos registros liberados pela Fundação Nobel até 1975. Henrique Maximiano Coelho Neto recebeu três indicações, todas em 1933, enquanto Flávio de Carvalho e Manoel C. Wanderley tiveram, cada um, uma candidatura, em 1939 e 1941, respectivamente.

Alceu Amoroso Lima concorreu em 1965, e carlos Drummond de Andrade recebeu três indicações, em 1967, 1969 e 1974. Erico Lopes Verissimo foi o mais indicado entre os brasileiros nesse levantamento, com quatro candidaturas em 1963, 1968, 1974 e 1975.

Em 2016, a União Brasileira de Escritores afirmou ter indicado Lygia Fagundes Telles ao prêmio, mas esse nome não consta nos arquivos públicos disponíveis até o momento.

Como funciona o processo de indicação

Membros da Academia Sueca, professores universitários, instituições literárias convidadas e vencedores anteriores do próprio Nobel têm o direito de indicar candidatos. Dois imortais da Academia Brasileira de Letras, Marcos Almir Madeira e Antônio Olinto, estão entre os responsáveis por propor o nome de Jorge Amado à honraria.

A Academia Sueca mantém em sigilo as deliberações e os critérios usados na escolha final de cada vencedor, o que torna quase impossível prever quem está na disputa em determinado ano. A regra também estabelece que nenhum autor já falecido pode ser laureado, exceto quando a morte ocorre entre o anúncio e a cerimônia de entrega do prêmio.

Jorge Amado segue como um dos nomes mais lembrados quando o assunto é literatura brasileira fora do país, mesmo sem ter recebido o prêmio.

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