Nada de telefones

Enquanto todos se preocupam com IA, na China os pais não compram mais telefones para seus filhos

Nova alternativa ao celular está ganhando espaço entre as famílias que querem manter contato com os filhos

Na China, uma alternativa está ganhando espaço entre as famílias que querem manter contato com os filhos sem entregar um smartphone completo nas mãos deles. Em vez de celulares, pais chineses optam por relógios inteligentes pensados especificamente para crianças, equipados com GPS, câmeras e funções de comunicação.

Os dispositivos da Xiaotiancai, conhecidos como Little Genius e comercializados internacionalmente sob a marca imoo, funcionam como pequenos telefones no pulso. O modelo Z7, um dos atuais, mede 57,9 × 41,5 × 15,2 milímetros e é indicado para crianças entre 7 e 15 anos.

Como funcionam os relógios inteligentes para crianças

Esses relógios permitem fazer chamadas, enviar mensagens e realizar videochamadas, diferente de um smartwatch convencional. Os pais conseguem rastrear a localização do filho em tempo real por meio de um aplicativo. E os modelos mais avançados combinam GPS com outros sistemas de posicionamento para melhorar a precisão em locais onde a cobertura de satélite é fraca.

A principal estratégia é oferecer um acesso controlado. Os adultos podem limitar os contatos disponíveis e controlar quais aplicações a criança consegue usar, reduzindo significativamente a exposição que teria com um smartphone comum. Segundo reportagem do The Wall Street Journal, um pai entrevistado informou que sem o relógio estaria muito mais preocupado, já que precisaria acompanhar o filho constantemente.

Por que os pais chineses escolhem essa solução

A segurança é o motivo principal. Os pais valorizam a possibilidade de localizar e se comunicar com os filhos a qualquer hora, mesmo quando ainda são pequenos demais para se locomover sozinhos pela cidade. O dispositivo oferece tranquilidade sem o risco associado ao acesso irrestrito à internet que um telefone proporciona.

A popularidade do Little Genius cresceu rapidamente no mercado chinês. No segundo trimestre de 2025, a companhia alcançou 7% do mercado mundial de smartwatches, ficando acima de marcas como Samsung naquele período. No segmento infantil chinês, a presença é ainda maior, consolidando a marca como uma das opções mais procuradas por famílias que buscam um dispositivo seguro e apropriado para crianças.

O apelo para as crianças

A estratégia não se limita a convencer os pais, e os dispositivos foram desenhados para atrair também as crianças. Em lugar de apresentar o relógio apenas como ferramenta de segurança, Little Genius criou uma comunidade exclusiva para usuários, onde as crianças podem se comunicar entre si. Compartilhar fotos e acumular pontos por atividades como fazer login, adicionar amigos ou caminhar.

Essa abordagem transformou o relógio inteligente em algo que as crianças desejam ter, não apenas um dispositivo imposto pelos pais. Na China, esses relógios desenvolveram um ecossistema próprio, com funções sociais acessíveis diretamente do pulso, criando uma experiência que funciona tanto para quem compra quanto para quem usa.

Sinais do céu?

Após tsunami em Santa Catarina e recuo do mar em Santos, fenômeno no céu é visto em Salvador

Espetáculo visual inusitado na sexta-feira (25).

25/09/2026 20h00

Foto: Rogério Alves

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O céu de Salvador presenteou moradores com um espetáculo visual inusitado na sexta-feira (25): um grande círculo luminoso envolvendo o Sol, popularmente chamado de halo solar. O efeito, semelhante a um arco-íris ao redor da estrela, chamou atenção de quem olhou para cima naquela tarde. A cena ocorreu enquanto o país era marcado por eventos climáticos extremos.

Dias antes, no litoral catarinense, um tsunami meteorológico havia provocado destruição e surpresa em comunidades costeiras.

Como se forma o fenômeno luminoso

O círculo que cercava o Sol resulta de um processo físico bem definido na atmosfera. Nuvens altas do tipo cirrostratus contêm cristais de gelo que desviam a luz solar quando ela passa através deles.

Esse desvio, chamado refração, altera a trajetória dos raios solares e cria o anel brilhante observado a uma distância angular média de 22 graus do Sol — daí o nome halo de 22 graus. O efeito ocorre na troposfera, camada mais baixa da atmosfera terrestre.

Fenômenos naturais ganham evidência

O halo em Salvador ganhou relevância em um contexto marcado por manifestações intensas da natureza. Na segunda-feira (21), um tsunami meteorológico atingiu o litoral Sul de Santa Catarina, afetando Jaguaruna, Laguna e Imbituba com elevação repentina do nível do mar. Não houve registro de vítimas.

Diferente dos tsunamis sísmicos causados por terremotos, esse fenômeno resulta de mudanças bruscas na pressão atmosférica combinadas com ventos intensos sobre o oceano. Rajadas entre 60 e 90 km/h coincidiram com a rápida subida da água, causando alagamentos e danos em edificações e embarcações.

Radares meteorológicos, satélites e marégrafos confirmaram uma linha de instabilidade na região. O impacto foi tão severo que o mar avançou sobre áreas ocupadas. Na Praia do Cardoso em Laguna, o avanço atingiu o Restaurante Brisa do Mar por volta das 6h.

Rarezes e desafios climáticos

Ambos os fenômenos compartilham uma característica: a dificuldade em prever sua ocorrência com precisão. O tsunami meteorológico é considerado um evento raro cuja previsão permanece desafiadora para órgãos responsáveis pelo monitoramento climático.

Eventos naturais extremos — desde secas e inundações até tempestades e manifestações atmosféricas incomuns — têm reforçado a vulnerabilidade das cidades e populações diante da força bruta da natureza. A combinação desses fenômenos chama atenção para a importância do acompanhamento contínuo dos alertas emitidos por órgãos especializados.

História de superação

Ele nasceu sem braços e conquistou a CNH no Brasil dirigindo com os pés

A carteira de habilitação saiu há pouco mais de um mês.

25/09/2026 19h33

Foto: Reiner Jesus Martins/Arquivo pessoal

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Um carro adaptado em Pará de Minas mudou a rotina de Reiner Jesus Martins, de 20 anos. Estudante de agronomia em Lavras, no Sul de Minas, ele nasceu sem os dois braços e passou a dirigir usando as pernas.

A carteira de habilitação saiu há pouco mais de um mês e representa uma etapa dentro de uma trajetória construída desde a infância. Antes de chegar à aprovação, Reiner passou pela avaliação de uma junta médica do Detran, responsável por definir as adaptações necessárias ao veículo.

Como foi o caminho até a aprovação

Encontrar uma autoescola com carro compatível com as adaptações exigidas não foi tarefa simples. Foi em Pará de Minas que ele localizou a estrutura certa para iniciar as aulas práticas seguindo o laudo médico.

Nas primeiras tentativas ao volante, Reiner precisou entender na prática os movimentos que o laudo indicava. O nervosismo inicial deu espaço a uma sensação de conquista logo na primeira sessão. E a aprovação veio no dia 5 de agosto, num misto de alívio e emoção que ele carrega até hoje.

Espaço para melhorar o processo

Para ele, o caminho percorrido por pessoas com deficiência até a CNH ainda esbarra em entraves que vão além da parte técnica. Falta de acessibilidade, informações desencontradas e equipes de autoescola pouco preparadas tornam a jornada mais longa do que precisaria ser.

Ele defende trâmites menos burocráticos e profissionais mais capacitados para lidar com adaptações específicas. Um sistema assim, segundo ele, abriria caminho para que mais pessoas com deficiência tivessem a chance de dirigir e ganhar independência.

Uma bicicleta sem guidão na infância

Muito antes do carro, veículos adaptados já faziam parte da vida de Reiner. Um padrinho construiu para ele uma bicicleta sem guidão convencional, que podia ser conduzida com o apoio do tronco — peça que a família guarda até hoje.

Essa relação com formas alternativas de se locomover nasceu ainda em Juatuba, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, cidade onde ele veio ao mundo. A mãe já sabia, durante a gravidez, que o filho nasceria sem os braços.

Terapias e autonomia desde cedo

Reiner passou por acompanhamentos terapêuticos ainda nos primeiros meses de vida, buscando formas próprias de realizar tarefas cotidianas. A Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) e unidades da APAE em diferentes cidades fizeram parte desse acompanhamento, ao lado de sessões de terapia ocupacional, equoterapia e hidroterapia.

Um projeto de reflorestamento conduzido pela Universidade Federal de Viçosa e pela Universidade Federal de Lavras acompanhou o jovem em atividades ligadas ao curso de agronomia. Área que ele escolheu seguir na vida acadêmica.

Dentro de casa, a mãe incentivava cada gesto de independência. Escrever, comer, escovar os dentes e se vestir tornaram-se tarefas resolvidas majoritariamente com os pés, e em certas situações também com a boca, o queixo e o tronco.

Com a CNH nas mãos — ou melhor, nos pés —, Reiner soma mais uma conquista a uma vida marcada pela busca constante por fazer as coisas do seu próprio jeito.

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