Os Estados Unidos enfrentam uma escassez crítica de mão de obra qualificada na construção. A Associated Builders and Contractors (ABC) estima que o país precisará de 456 mil novos trabalhadores em 2027 para acompanhar o crescimento do setor. Até o final de 2026 serão necessários outros 349 mil profissionais para cobrir a demanda imediata.
O envelhecimento dos trabalhadores, a aposentadoria de profissionais experientes e o aumento dos investimentos em infraestrutura pressionam o mercado de trabalho.
Profissões com maior procura
Os projetos de infraestrutura em expansão abrem vagas em diferentes especialidades. Pedreiros constroem residências, edifícios e instalações comerciais, enquanto eletricistas realizam instalações elétricas e trabalhos especializados em centros de dados.
Encanadores cuidam de instalações sanitárias e sistemas de água. Soldadores trabalham com estruturas metálicas e projetos industriais, enquanto encofradores e operadores de máquinas atuam na preparação de estruturas e em diferentes etapas das obras. Cada bilhão de dólares investido em construção gera cerca de 3.450 postos de trabalho diretos.
Quanto ganham na construção americana
A remuneração varia conforme a especialidade, a experiência do profissional, a localização geográfica e o tipo de projeto. Profissionais qualificados que trabalham em centros de dados podem receber salários anuais superiores a US$ 80 mil, com posições muito específicas atingindo US$ 250 mil por ano.
O salário de US$ 250 mil é excepcional e não é garantido para todos os trabalhadores.
Qualificação necessária para trabalhar
A maioria desses empregos não exige diploma universitário, mas formação técnica específica e experiência prática. Cursos profissionalizantes ensinam as técnicas do ofício, enquanto a experiência em obras similares ajuda a comprovar a capacidade para posições especializadas.
Algumas profissões, como a de eletricista, exigem certificações e licenças especiais. O treinamento em segurança ocupacional também é obrigatório, porque o trabalho envolve máquinas pesadas e ambientes de risco. Candidatos internacionais, inclusive da Argentina, precisam de autorização migratória válida para trabalhar legalmente no país.
Razões para a falta de profissionais
A escassez vai além do aumento no número de projetos. A entrada insuficiente de jovens no setor agrava a saída de trabalhadores experientes. Jornadas ao ar livre, horários variáveis e prazos apertados afastam candidatos mais novos de carreiras na construção.
A disponibilidade de trabalhadores estrangeiros também impacta o mercado, e restrições migratórias podem limitar o acesso de empresas construtoras a uma parte da mão de obra que historicamente participou do setor. Conforme a Associação de Contratistas Generais de Estados Unidos, 92% das empresas consultadas tem dificuldades para encontrar trabalhadores calificados.
Por que o envelhecimento da força de trabalho agrava a escassez
A construção nos EUA enfrenta um ciclo que se alimenta sozinho: conforme profissionais experientes se aposentam, não há jovens entrando no setor em quantidade suficiente para substituí-los. Isso não é apenas uma questão de números, mas de perda de conhecimento prático.
Um pedreiro ou eletricista com décadas de experiência leva consigo técnicas, soluções de problemas e supervisão que não podem ser replicadas rapidamente em treinamentos. Com menos jovens entrando no setor, a base de profissionais qualificados diminui enquanto as obras crescem, e cada vaga se torna, assim, mais difícil de preencher.
Quando a qualificação não é suficiente para ganhar bem
O salário anual de US$ 250 mil é descrito como exceção e está associado a posições muito específicas, provavelmente em centros de dados de alto valor agregado. Para a maioria dos trabalhadores da construção, os salários são menores.
A remuneração varia conforme a especialidade, a experiência, a localização geográfica e o tipo de projeto, mas esse valor não é garantido nem representa o ganho típico de um pedreiro.
O problema da escassez de mão de obra é estrutural, não apenas conjuntural
A falta de profissionais na construção não é um desafio exclusivo dos EUA. O Brasil enfrenta cenário semelhante, agravado pela queda nas matrículas em cursos de engenharia. Elas caíram 30% na última década, de 1,2 milhão de alunos em 2015 para 887 mil em 2024.
Projeções indicam que o déficit de engenheiros no Brasil pode atingir 500 mil profissionais até 2030. O desafio internacional revela por que isso importa: Alemanha, Japão e Estados Unidos formam cerca de 14 engenheiros por 10 mil habitantes, enquanto o Brasil forma apenas 3 a 4.
Sem conseguir formar profissionais qualificados em ritmo compatível com os investimentos planejados, ambos os países correm o risco de ter infraestrutura planejada mas não executada, ou executada com qualidade e velocidade comprometidas.


