Sabedoria e felicidade

Filósofo espanhol: "A felicidade não está em possuir, mas em ser e conviver com os outros"

Segundo ele, é necessário valorizar o conhecimento e as relações humanas além dos bens materiais

A felicidade nem sempre está naquilo que compramos, acumulamos ou conquistamos ao longo da vida. Para o filósofo espanhol Emilio Lledó, uma reflexão sobre o sentido da existência convida a questionar o valor atribuído aos bens materiais e a dar mais atenção à relação com outras pessoas.

Nascido em Sevilha, em 1927, Lledó é um dos nomes reconhecidos da filosofia espanhola. Integrante da Real Academia Espanhola (RAE) desde 1994, ele desenvolveu trabalhos sobre educação, cultura, liberdade e linguagem, com especial atenção à filosofia grega.

A diferença entre ter e ser

A reflexão atribuída a Lledó resume essa perspectiva: “Nos empenhamos em buscar a felicidade no ter, mas a única maneira de ser feliz de verdade está no ser e no conviver”. A ideia distingue uma vida orientada pela acumulação de bens daquela construída a partir da identidade pessoal, dos valores e das experiências.

Os recursos materiais podem proporcionar segurança e facilitar o acesso a oportunidades, mas não garantem, por si só, uma sensação duradoura de bem-estar. Nessa interpretação, a satisfação também depende daquilo que pensamos, fazemos e nos tornamos, para além do que conseguimos possuir.

 

Por que conviver com outras pessoas importa

As relações humanas também ocupam um lugar central nessa visão da felicidade. Laços familiares, amizades e vínculos comunitários podem proporcionar pertencimento, especialmente quando envolvem respeito, escuta e compartilhamento de experiências.

Conviver, porém, exige reconhecer diferenças, resolver conflitos e considerar as necessidades dos outros. Assim, a felicidade deixa de ser vista apenas como uma conquista individual e passa a estar relacionada à capacidade de construir relações significativas.

Educação e conhecimento na construção da felicidade

Outro aspecto associado ao pensamento de Lledó é a importância da educação e do conhecimento para uma vida consciente e livre. A leitura, a reflexão e a cultura podem ampliar a compreensão do mundo e ajudar cada pessoa a desenvolver o próprio pensamento.

Nessa perspectiva, aprender não significa apenas adquirir habilidades para o mercado de trabalho, mas também construir uma identidade e participar de maneira responsável da sociedade. O crescimento intelectual, portanto, integra uma visão de vida que valoriza tanto o desenvolvimento pessoal quanto a convivência.

A reflexão não rejeita as necessidades materiais nem diminui a importância da estabilidade econômica para uma vida digna. O que questiona é a ideia de que acumular bens seja suficiente para garantir o bem-estar.

A felicidade, nessa interpretação, também depende de como vivemos, da liberdade para pensar e da qualidade dos vínculos que construímos. Uma vida satisfatória, portanto, não pode ser medida apenas pela quantidade de coisas que uma pessoa possui.

Natal se aproximando

Adeus ao panetone tradicional no Natal: tendência em 2026 promete ser o carro-chefe da ceia

Panetones com recheios criativos e fermentação natural dividem espaço com sabores tradicionais

20/10/2026 11h55

Imagem: Magnific

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O panetone de Natal ganha novas versões em 2026, com recheios cremosos, frutas brasileiras e combinações inspiradas em sobremesas famosas. Ao mesmo tempo, confeiteiros apostam na fermentação natural e na recuperação de sabores tradicionais.

Entre as novidades estão ingredientes como cupuaçu, pistache e gergelim preto, além de chocolates artesanais e frutas cítricas. A temporada também deve valorizar receitas feitas com ingredientes de qualidade e menos açúcar.

Recheios e novos sabores ganham destaque

Uma das apostas para o Natal são os panetones recheados, que chamam a atenção pela cremosidade e pelas diferentes texturas. Outra tendência é transformar sobremesas conhecidas em versões do doce natalino, como banoffee e combinações com morango.

As frutas também aparecem em novas receitas. Há opções com framboesa e pistache, cupuaçu com frutas cítricas e cereja, além de versões com chocolate ao leite, meio amargo e branco.

 

Tradição continua presente

Apesar das novidades, o panetone tradicional também deve ganhar espaço. Chefs apontam uma valorização de sabores clássicos, como passas, laranja, cereja e baunilha, além de receitas que preservam as características da versão italiana.

A fermentação natural aparece entre as principais apostas, ao lado de preparações artesanais e recheios produzidos pelos próprios confeiteiros. A proposta é valorizar o sabor e a qualidade, sem depender de combinações excessivamente elaboradas.

As tendências para 2026 mostram que o panetone deve reunir tradição e criatividade na ceia de Natal. Entre receitas clássicas, ingredientes brasileiros e recheios inspirados em sobremesas, o doce ganha novas possibilidades sem perder seu lugar nas comemorações de fim de ano.

Laços humanos

Benito Pérez Galdós: "É triste constatar que apenas a desgraça faz dos homens irmãos"

Frase atribuída a Benito Pérez Galdós questiona por que o sofrimento fortalece a solidariedade

20/10/2026 11h16

Imagem: Joaquín Sorolla / Wikimedia Commons

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O ser humano tem uma tendência natural a viver em grupo e construir laços com outras pessoas. Essa necessidade de pertencimento ajuda a formar sociedades e fortalece a busca por apoio, compreensão e reconhecimento ao longo da vida.

Em determinadas situações, porém, esses vínculos se tornam mais fortes diante do sofrimento. É essa contradição que inspira uma das reflexões atribuídas ao escritor espanhol Benito Pérez Galdós, que questiona por que a solidariedade parece ganhar força sobretudo nos momentos difíceis.

A desgraça aproxima as pessoas

“Não é triste considerar que só a desgraça faz dos homens irmãos?”, questiona o escritor. A frase chama a atenção para a maneira como experiências dolorosas podem aproximar pessoas que, em outras circunstâncias, talvez não demonstrassem a mesma disposição para ajudar umas às outras.

Quando enfrentam dificuldades semelhantes, os indivíduos tendem a colaborar na busca por soluções e a oferecer apoio mútuo. O sofrimento compartilhado também pode facilitar a empatia, tornando mais fácil compreender quem atravessa uma situação parecida.

 

A importância de não esquecer os momentos difíceis

Essa compreensão, no entanto, não deveria desaparecer quando as circunstâncias melhoram. A reflexão sugere que a solidariedade precisa permanecer presente mesmo quando as pessoas deixam para trás os problemas que as aproximaram.

Esquecer as dificuldades vividas pode levar à perda dessa sensibilidade e ao distanciamento de quem ainda enfrenta situações adversas. Por isso, a mensagem da frase vai além da união provocada pelo sofrimento: ela convida a preservar a empatia também nos períodos favoráveis.

A observação de Galdós expõe uma contradição das relações humanas. Embora a convivência dependa de laços sociais, nem sempre a compreensão surge espontaneamente. Em muitos casos, é preciso enfrentar uma adversidade para reconhecer a experiência do outro e perceber a importância da ajuda mútua.

A reflexão deixa, assim, uma questão sobre a vida em sociedade: se a desgraça é capaz de unir pessoas em torno de uma dificuldade comum, por que essa mesma disposição não se mantém quando os dias voltam a ser melhores?

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