Foque em si

Liev Tolstói: "Todos pensam em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo"

Reflexão ressoa com força particular numa era em que qualquer pessoa com conexão à internet julga a política

O escritor russo Liev Tolstói identificou há séculos um paradoxo que continua presente no comportamento humano: é fácil apontar falhas no mundo enquanto evitamos examinar as nossas próprias.

Sua reflexão ressoa com força particular numa era em que qualquer pessoa com conexão à internet julga a política. A ecologia, a justiça social e as escolhas alheias, frequentemente sem questionar as próprias contradições. A razão dessa assimetria não está em uma fraqueza moral, mas na forma como o cérebro funciona.

Criticar o que acontece lá fora não custa nada: quem observa acompanha o fracasso alheio com a segurança de quem está de fora, sem precisar se incluir no diagnóstico. Mudar a si mesmo exige admitir que também faz parte do problema identificado com tanta clareza nos outros — e isso dói.

Por que é tão confortável mirar para fora

Detectar um defeito em outra pessoa provoca uma resposta diferente no cérebro daquela que surge quando alguém se vê no mesmo espelho. Notar o erro do outro traz uma sensação de lucidez e poder. Notar o próprio erro produz risco e desamparo — o cérebro resiste a esse incômodo.

Tolstói viveu essa tensão de forma aguda: durante décadas, pregou a vida simples e a renúncia material enquanto morava em uma propriedade suntuosa, cercado de conforto. A distância entre o que ensinava e o que fazia talvez seja uma das expressões mais sinceras da condição humana, e ninguém está imune a essa contradição.

 

As redes sociais e a amplificação do espelho

Se o escritor russo pudesse observar as plataformas digitais de hoje, provavelmente não se surpreenderia com a existência desse comportamento, mas com sua velocidade e escala. A internet criou um ambiente em que emitir opiniões sobre o estado do mundo nunca foi tão rápido nem tão barato.

Em segundos, qualquer pessoa publica opiniões sobre crises globais, reformas políticas, desigualdades ou falhas de terceiros, sem mudar a própria vida. O chamado ativismo de teclado se tornou a encarnação perfeita daquilo que Tolstói descrevia: falar sem agir, diagnosticar sem curar, apontar sem se incluir. Quanto mais canais de comunicação ganham disponibilidade, menos parece que as pessoas se observam.

Os feeds infinitos funcionam como amplificadores — problemas globais se sucedem, erros alheios se multiplicam, indignações coletivas ganham escala — enquanto a pergunta sobre si mesmo fica cada vez mais distante.

O custoso caminho da transformação pessoal

Tolstói não pregava que as pessoas deveriam parar de se importar com o mundo exterior. Sua mensagem apontava para algo bem mais radical: que ninguém consegue transformar aquilo que não se vê em si mesmo. Uma pessoa que dedica tudo a mudar o planeta enquanto foge das próprias sombras funcionará sempre como uma engrenagem defeituosa gerando mais defeitos.

Transformar a si mesmo é um trabalho sem plateia, curtidas ou validação imediata. Exige uma coragem específica: a que não ganha aplausos públicos, e por isso, a crítica continua prevalecendo.

Mas a história registra que movimentos reais nasceram quando indivíduos decidiram começar por dentro — pessoas que usaram toda a sua energia não para pregar ao mundo. Mas para viver de acordo com o que acreditavam ser justo.

Fora do ar

WhatsApp deixará de funcionar em alguns modelos Android a partir de 7 de outubro

Restrição depende da versão do sistema operacional instalada no dispositivo

06/10/2026 12h15

Foto: Pixabay/Pexels

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A partir da próxima quarta-feira (7), o WhatsApp passará a exigir a partir do Android 6 ou versão superior para manter a compatibilidade com o aplicativo. Celulares com Android 5.1, 5.0 ou versões anteriores perderão o acesso, a menos que recebam uma atualização oficial do fabricante.

A restrição não se aplica a uma marca específica, e ela depende da versão do sistema operacional instalada no dispositivo. O WhatsApp revisa periodicamente os sistemas que suporta e alerta que aparelhos mais antigos podem não ter atualizações de segurança ou recursos técnicos necessários para executar as novas versões do aplicativo.

Quais celulares ficarão sem acesso

Entre os modelos Samsung afetados estão o Galaxy S3, Galaxy S4 Mini, Galaxy Note 2, Galaxy Core e Galaxy Trend Lite. Esses aparelhos pertencem a gerações que, na maioria dos casos, nunca receberam atualização oficial para Android 6.

O fator decisivo não é o nome comercial do celular, mas sim o software disponível. Um Galaxy com Android 5.1 ou versão anterior não atenderá ao requisito mínimo do WhatsApp, exceto se o fabricante tiver distribuído uma atualização oficial compatível ainda passível de instalação.

Motorola também tem aparelhos na lista de risco. O Moto G e o Moto E de primeira geração chegaram apenas até Android 5.1, versão que fica abaixo do padrão exigido desde setembro.

Telefones LG como Optimus G, Optimus L5, Optimus L7, Optimus F7, Lucid 2, Nexus 4 e G2 Mini também serão afetados. Muitos deles não ultrapassaram Android 5.1 por meio de atualizações oficiais e, portanto, não atenderão ao novo critério.

Usuários de Sony Xperia Z e Xperia SP devem verificar a versão de Android de seus aparelhos. Ambos pertencem a uma geração que pode estar presa a versões anteriores a Android 6.

Como os usuários saberão que perderam o acesso ao WhatsApp

A falta de suporte não interrompe o acesso de todos os usuários ao mesmo tempo. O WhatsApp envia notificações dentro do aplicativo antes de retirar a compatibilidade e emite lembretes para que os usuários atualizem o software ou troquem de celular.

Com o tempo, um aparelho sem a versão mínima deixa de receber atualizações da Google Play Store. Dificuldades podem surgir no registro do número, login, envio de mensagens, recebimento de fotos, download de arquivos e realização de chamadas e videochamadas.

Como salvar os chats antes de trocar de celular

Antes de descartar um aparelho incompatível, é recomendado criar uma cópia de segurança das conversas e dos arquivos. O processo está em WhatsApp, dentro de Ajustes, Chats e Cópia de segurança. No Android, o backup fica vinculado à conta do Google Drive.

A cópia permite restaurar chats, imagens, vídeos e documentos ao instalar o WhatsApp em um celular compatível e verificar o mesmo número telefônico. O aparelho precisa poder receber mensagens SMS ou ligações durante o processo de registro, pois a plataforma exige essa confirmação de conta.

Manter o WhatsApp atualizado ajuda a preservar o acesso às conversas e facilita a migração de informações ao trocar de celular. As novas versões do aplicativo no Android incorporam correções de segurança, melhorias de funcionamento e compatibilidade com mudanças do sistema operacional.

Trilionário

Enquanto salário mínimo no Brasil é R$ 1.621, Musk ganhou US$ 979,7 bilhões em um dia

Empresário se tornou a primeira pessoa na história a alcançar essa fortuna em dois momentos distintos

06/10/2026 11h12

Foto: jurvetson (CC BY 2.0)

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O patrimônio de Elon Musk voltou a ultrapassar a marca de US$ 1 trilhão nesta segunda-feira. 6 de outubro, impulsionado pela alta das ações de SpaceX e Tesla logo no início do pregão nos Estados Unidos. Com isso, o empresário se tornou a primeira pessoa na história a alcançar essa fortuna em dois momentos distintos.

A primeira vez em que ele chegou a US$ 1,1 trilhão foi em 12 de junho de 2026. Logo depois da estreia da SpaceX na Nasdaq, com ações vendidas a US$ 150 cada.

Nas semanas seguintes, porém, os papéis da companhia aeroespacial recuaram 50% em relação ao pico do dia 16 daquele mês, derrubando o valor de seus ativos para menos de US$ 700.000 milhões e tirando-o do posto de trilionário.

O salto que antecedeu a reconquista do título

Dois dias antes de recuperar o posto, que aconteceu recentemente na sexta-feira (2), o valor dos ativos do bilionário já havia disparado US$ 61.000 milhões em uma única sessão — um avanço de 6,64% em comparação ao pregão anterior, chegando a US$ 979,7 bilhões, conforme a lista de bilionários em tempo real da Forbes.

As ações da SpaceX subiram mais de 7% depois de a empresa completar diversos lançamentos espaciais bem-sucedidos em 24 horas. Já os papéis da Tesla avançaram cerca de 5% após a divulgação de 486.532 veículos entregues no terceiro trimestre, número acima das projeções do mercado.

A distância para os outros super-ricos do planeta

Entre Musk e o segundo colocado no ranking global, Jeff Bezos, há uma diferença de US$ 600.500 milhões. O fundador da Amazon soma um patrimônio estimado em US$ 370.700 milhões, impulsionado pela valorização de suas participações em Blue Origin e Prometheus.

Levantamento do InfoMoney apontou que a riqueza somada dos bilionários do mundo cresceu de forma inédita, batendo US$ 20,1 trilhões — alta puxada sobretudo pelo boom da inteligência artificial que também beneficia nomes como o de Musk.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Por que a Spacex pesa tanto na fortuna dele

O empresário detém 4.800 milhões de ações da SpaceX, avaliadas em US$ 715.000 milhões, além de opções sobre outros US$ 50.000 milhões — uma fatia de 38% da companhia. Essa concentração de ações explica por que oscilações no preço dos papéis da SpaceX mexem de forma tão intensa com o tamanho de sua riqueza pessoal, segundo reportagem da Veja.

O capital de Musk também inclui participações relevantes na Tesla, que somam centenas de bilhões de dólares à fortuna total, de acordo com o Poder360.

Foi justamente a abertura de capital da SpaceX, em junho, que deu o pontapé inicial nesse ciclo de valorização: quando a oferta foi precificada a US$ 135 por ação. O patrimônio do empresário já havia crescido US$ 188.000 milhões num único dia, beirando os US$ 982.000 milhões.

A meta declarada de US$ 10 trilhões

No pregão seguinte à estreia, com os papéis cotados a US$ 150, a capitalização de mercado da SpaceX chegou perto de US$ 2 trilhões. Isso selou de vez a primeira entrada de Musk no clube dos trilionários.

O empresário já declarou publicamente, em sua rede social X, uma ambição que vai muito além do que já conquistou: juntar uma fortuna de US$ 10 trilhões. A meta reforça até onde ele pretende expandir seus negócios nos próximos anos, à medida que SpaceX e Tesla seguem crescendo nos mercados dos Estados Unidos e do mundo.

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