Um novo registro capturado pelo Rover Curiosity, da Nasa, destaca formações rochosas criadas apenas pela erosão eólica. Divulgada no dia 6 de outubro, a imagem panorâmica foi registrada ainda em 11 de agosto, durante o 4.982º dia marciano da missão.
Ela oferece uma visão até agora inédita dessas estruturas, conhecidas como yardangs, sob a luz do amanhecer marciano e com tons azulados raros em fotografias do planeta.
Seis fotografias individuais feitas pela câmera Mastcam foram unidas após chegarem à Terra para formar um único panorama, que preserva as cores autênticas do início do dia em Marte.
Diferentemente de outros registros do veículo, esta imagem não passou pelo processamento de balanço de branco — ajuste que normalmente corrige as tonalidades para aproximá-las da aparência que o olho humano veria.
Ao manter intactos os tons azulados do amanhecer, a fotografia permite aos cientistas uma perspectiva mais próxima de como o planeta se apresenta nas primeiras horas do dia.
A longa escalada do Monte Sharp
O registro foi obtido durante a exploração do Monte Sharp, uma montanha com aproximadamente 5 quilômetros de altura que o Curiosity vem escalando desde 2014. Recentemente, o Rover atingiu 1 quilômetro de ganho de elevação — a marca mais alta já alcançada por qualquer veículo robótico sobre Marte.
A marca permite aos pesquisadores acessar camadas geológicas cada vez mais profundas e informativas.
As camadas do Monte Sharp preservam registros da história geológica de Marte. Bilhões de anos atrás, lagos e rios fluíam pela região, depositando sedimentos que hoje revelam pistas sobre o passado úmido do planeta. Depois que a água desapareceu, minerais e sais permaneceram na superfície e se acumularam ao longo do tempo geológico.
Essa sequência de camadas permite aos cientistas reconstruir a evolução do planeta e compreender as mudanças climáticas que Marte sofreu ao longo de sua história.
Como o vento marciano moldou os yardangs
Os yardangs visíveis no horizonte — estruturas que se estendem por cerca de 16 quilômetros ao longo da porção noroeste do Monte Sharp — foram esculpidos por um processo de erosão que durou bilhões de anos.
Quando novos materiais deixaram de se acumular na montanha, os ventos marcianos começaram a remover gradualmente camadas de rocha e sedimento. Ao longo de bilhões de anos, esse processo esculpiu os yardangs que aparecem no panorama capturado pelo Curiosity e que os cientistas estudam para compreender melhor a história geológica de Marte.




