Nas praias das ilhas Iriomote, Hatoma e Taketomi, no extremo sul do Japão, a areia tem o formato de estrelas de cinco pontas. Cada grão parece ter saído de um conto de fadas.
Um punhado dessa areia reúne milhões de estruturas minúsculas em formato de estrela, e não minerais comuns ou pedrinhas polidas pelo vento. Elas são construídas no fundo do mar por seres microscópicos, que formam o exoesqueleto ao longo da vida.
Organismos marinhos formam a areia
Ao redor dos recifes de coral do sul do Japão, vivem foraminíferos da espécie Baculogypsina sphaerulata, organismos unicelulares diminutos. Eles absorvem carbonato de cálcio dissolvido na água do mar e, com isso, constroem aos poucos uma concha protetora com espinhos em formato estrelado.
Dentro dessa estrutura calcária vivem pequenas algas em relação de simbiose com o foraminífero: elas fornecem oxigênio e alimento por meio da fotossíntese, enquanto recebem abrigo. Quando o organismo completa o ciclo de vida e morre, a parte viva desaparece, mas a carapaça vazia permanece intacta no fundo do oceano.
Da profundidade do mar até a areia da praia
As correntes marinhas e as ondas arrastam milhões dessas carapaças dos recifes até a costa. O trajeto desgasta levemente os espinhos e arredonda as pontas, mas não apaga a forma de estrela de cada grão.
Ao chegar à orla, as carapaças se misturam a fragmentos de rochas e outras conchas marinhas, formando camadas espessas dessa areia. Em japonês, o material é chamado de "hoshizuna", que significa literalmente "areia de estrela".
Onde encontrar o fenômeno em Okinawa
A praia mais conhecida por esse tipo de areia é Hoshizuna-No-Hama, na ilha de Iriomote, com trechos inteiros cobertos pelos pequenos esqueletos estelares. O fenômeno também ocorre nas praias das ilhas Hatoma e Taketomi, onde as correntes marinhas depositam continuamente camadas dessa areia.
Como o foraminífero constrói sua estrutura estelar
O foraminífero absorve carbonato de cálcio dissolvido na água do mar e usa esse material para construir gradualmente sua concha calcária ao longo da vida. Esse processo natural faz com que a estrutura adote um formato de estrela com espinhos, em vez de uma forma arredondada ou lisa.
O resultado é uma carapaça que protege o organismo e também oferece uma superfície para a vida e a fotossíntese das algas simbióticas.



