Patti Smith, de 79 anos, pediu às novas gerações que amem a natureza, cuidem uns dos outros e ouçam Jimi Hendrix durante sua estada nas Astúrias. A poetisa participou de um encontro conduzido pelo poeta Daniel García Granda no Instituto Bernaldo de Quirós, em Mieres, após interpretar sua versão de "Dancing Barefoot" com professores e alunos.
Galardoada com o Prêmio Princesa das Astúrias de las Artes 2026, Smith se reuniu com 2.600 alunos de 67 centros educativos asturianos no Instituto Bernaldo de Quirós, em Mieres, como parte do programa Toma la palabra. A mensagem central foi direta: apaguem os celulares, protejam sua individualidade e construam um futuro consciente.
Em um mundo conectado e dominado pela velocidade digital, a artista americana convidou os jovens a redescobrir valores fundamentais: amor à natureza, solidariedade e autenticidade na música. Smith também abordou temas políticos e sociais e defendeu a capacidade de ação da sociedade civil diante de governos e instituições.
Uma voz que atravessa décadas
Aos 79 anos, com aniversário em 30 de dezembro, Smith mantém uma trajetória de independência criativa e rebeldia artística. Durante eventos em Oviedo e Mieres, citou referências da cultura espanhola, como Federico García Lorca, Miguel de Cervantes, Roberto Bolaño e Pablo Picasso, cujas obras influenciaram sua formação desde a infância.
Sua fala aos alunos asturianos refletiu uma filosofia de vida construída ao longo de seis décadas de produção artística, na qual a liberdade individual sempre precedeu convenções comerciais ou sociais.
O reconhecimento internacional consolidou a cantora como referência para gerações que buscam autenticidade em um contexto de crescente padronização digital. Em Mieres, a entrega do prêmio se transformou em uma conversa sobre resistência à padronização e preservação da integridade pessoal.
O conselho às novas gerações
Ao destacar três pilares — natureza, cuidado com o outro e música genuína —, Smith abordou desafios enfrentados pelos jovens. Desconectar-se dos dispositivos digitais representa um ato de rebeldia contra a lógica dos algoritmos, que influencia escolhas, conteúdos e relacionamentos. Proteger a individualidade significa resistir à pressão das redes sociais por identidades padronizadas.
A referência a Jimi Hendrix reforça o chamado para que os jovens busquem autores que romperam com o convencional, criaram linguagens próprias e deixaram legados autênticos. Smith defende modelos que superem o caráter passageiro das tendências e mostrem que é possível construir carreiras e vidas baseadas em convicção, não em likes ou compartilhamentos.
O apelo também inclui uma dimensão ecológica: amar a natureza não é romantismo, mas reconhecer que o futuro depende de escolhas conscientes no presente. Em um planeta que enfrenta crises climáticas e ambientais, o conselho de Smith orienta decisões cotidianas, do consumo ao engajamento político.
O encontro como ponte geracional
O programa Toma la palabra reuniu 2.600 alunos de 67 centros educativos asturianos e permitiu que uma artista com mais de 60 anos de carreira falasse a adolescentes e jovens adultos em formação. Smith também visitou uma exposição de trabalhos escolares adaptados de seu livro "El libro de los días".
Ao final do encontro, interpretou "Peaceable Kingdom", acompanhada ao piano pelo músico Tony Shanahan. Esse tipo de diálogo direto entre criadores estabelecidos e novas gerações é raro na era das redes sociais, em que a comunicação costuma passar por filtros de plataformas comerciais.
A permanência de Patti Smith nas Astúrias, para celebrar o prêmio e compartilhar reflexões com estudantes, reforçou uma lição que as academias formais nem sempre transmitem: os maiores mestres costumam ser aqueles que viveram suas convicções. Pagaram o preço pela independência e podem oferecer um guia para quem está começando.
Ao encerrar seu encontro com os alunos de Mieres, a artista associou a verdadeira liberdade criativa ao desapego do reconhecimento fácil, da aprovação viral e da segurança que custa a própria alma. Esse é o legado que Patti Smith continua transmitindo: o futuro pertence aos que se atrevem a ser diferentes.



