Longa distância

Raias gigantes de 3 metros percorrem a nado 21.815 km, mais da metade da circunferência da Terra

Foi liderado um estudo de sete anos para chegar a essa conclusão

Raias-manta gigantes deixam suas águas de origem, percorrem milhares de quilômetros pelo oceano e retornam aos recifes onde cresceram. Um estudo de sete anos, liderado por Jeffry Madrigal-Mesén, de Mantas Costa Rica, com pesquisadores do grupo de conservação marinha CREMA e da rede de pesquisa MigraMar.

Rastreou o comportamento desses animais ao longo da costa do Pacífico na América Central e revelou padrões migratórios distintos entre adultos e jovens.

Os pesquisadores descobriram que os filhotes permanecem em águas rasas próximas à costa, enquanto os adultos cruzam fronteiras de cinco países em jornadas oceânicas de longa distância. Juntos, os 12 animais marcados com transmissores percorreram 21.815 quilômetros — mais da metade da circunferência da Terra — durante o período de rastreamento.

Jovens raias ficam perto da Costa

Entre 2018 e 2025, a equipe de pesquisa fixou transmissores acústicos em 59 raias-manta. Esses pequenos aparelhos enviam sinais para receptores instalados em estações de limpeza nos recifes costeiros e ao redor da Ilha do Coco, a 532 quilômetros da costa.

Dois dos animais rastreados por satélite eram filhotes, com aproximadamente 3 metros de largura. Um foi rastreado por 108 dias e o outro por 64 dias. Nenhum deles saiu das águas da Costa Rica, e apesar de terem nadado longas distâncias — mais de 2 mil quilômetros cada um —, ambos permaneceram na plataforma continental, perto de casa.

Os mesmos filhotes reapareceram nos locais onde foram inicialmente marcados. Em agosto do ano passado, foram identificados por fotografias pela terceira vez consecutiva.

Adultos cruzam fronteiras entre países

Nove das 12 raias-manta adultas marcadas com transmissores de satélite migraram para o norte, entrando nas águas da Nicarágua, de El Salvador, de Honduras e da Guatemala, além de alcançarem o alto-mar. Esses animais cobriram vastos territórios em seus deslocamentos migratórios, o que demonstra sua capacidade de navegação por longas distâncias.

Uma raia adulta marcada ao sul da Ilha do Coco cruzou o oceano até a plataforma continental em cinco dias, percorrendo aproximadamente 70 quilômetros diários.

Depois de chegar à costa, o animal seguiu para o norte, ultrapassou a fronteira da Nicarágua e perdeu o sinal após se deslocar 1.832 quilômetros do ponto inicial.

 

Estratégia de sobrevivência e alimentação

O tamanho do corpo explica essas diferenças de comportamento entre jovens e adultos. Raias-manta adultas, que podem atingir 5 metros de largura, conseguem mergulhar profundamente para evitar predadores como tubarões e orcas, além de contar com seu tamanho como proteção.

Filhotes, ao contrário, ainda não possuem essas defesas e dependem das águas rasas costeiras, onde predadores grandes não conseguem caçar com eficiência. Segundo pesquisadores ligados ao Earth.com, raias adultas trocam segurança por alimento durante suas migrações. Enquanto viajam entre países e cruzam oceanos abertos, acessam novas fontes de alimento, comportamento impossível para os filhotes que permanecem protegidos perto da costa.

Retorno aos recifes de origem

Apesar de suas longas jornadas, as raias-manta adultas mantêm vínculos com seus territórios de origem. A equipe de pesquisa identificou um macho chamado Mickey Mouse pela marca característica em seu ventre. Em apenas quatro dias da primavera de 2020, este animal foi detectado por receptores acústicos, quase todos concentrados em um recife costeiro chamado El Secreto.

Esse padrão sugere que as raias-manta adultas, embora sejam viajantes oceânicas notáveis, mantêm conexões duradouras com os habitats costeiros onde vivem. O retorno recorrente aos mesmos recifes indica que esses locais continuam sendo importantes, talvez como áreas de alimentação, reprodução ou descanso durante suas jornadas migratórias.

Por que os recifes costeiros são "estações de limpeza" e não apenas refúgio

Os recifes onde as raias-manta se reúnem, como El Secreto e Cabo Blanco, funcionam como estações de limpeza: pequenos peixes removem parasitas e pele morta dos corpos das raias. Esses locais são frequentados principalmente durante o dia, quando os peixes limpadores estão ativos.

Mas a importância vai além da higiene, e a pesquisa revela que esses recifes atuam como centros de interação social, onde as raias adultas se encontram antes de partir para migrações longas.

O acasalamento e a interação social também podem ocorrer ali, funções que ajudam a explicar por que os animais retornam repetidamente aos mesmos locais, mesmo após percorrer milhares de quilômetros pelo oceano.

Quando a proteção legal das raias-manta não funciona

As reservas marinhas da Costa Rica — áreas onde nenhuma pesca é permitida — protegem as raias quando elas estão nos recifes costeiros e na Ilha do Coco. Essa proteção, porém, desaparece quando os adultos migram para o alto-mar. Os dados mostram que zero por cento das jornadas oceânicas das raias ocorre dentro de áreas marinhas protegidas.

Durante essas viagens, os animais compartilham águas internacionais com frotas de pesca industrial que usam redes de cerco para atum e espinhéis e ficam vulneráveis a capturas acidentais. A proteção legal, portanto, só existe enquanto as raias permanecem em territórios nacionais específicos.

DEMOCRACIA

Flávio vota acompanhado da mulher, mãe e do governador eleito do RJ

Depois de votar no Rio de Janeiro, candidato vai a Brasília para acompanhar a apuração dos votos

25/10/2026 08h04

Flávio Bolsonaro votou em uma escola municipal da Vila Isabel, na zona norte do Rio logo no começo da manhã

Flávio Bolsonaro votou em uma escola municipal da Vila Isabel, na zona norte do Rio logo no começo da manhã

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O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, votou em uma escola municipal em Vila Isabel, na zona norte do Rio, na manhã deste domingo, 25.

O candidato do PL chegou à escola por volta das 8h20 (horário de Brasília) e votou ao lado de aliados, como o governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL). No local, afirmou ter feito uma "campanha limpa e alegre" e prometeu, se eleito, "colocar um grande time para reorganizar o Brasil, acabar com a violência". "Faça chuva ou faça sol, saiam para votar hoje", apelou ainda Flávio Bolsonaro.

O senador foi recebido por gritos de aliados e de manifestantes apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à a reeleição.

Flávio Bolsonaro vai acompanhar a apuração dos votos em Brasília. O local ainda não foi divulgado.

Reflexão e Filosofia

Reflexão de Stephen Hawking para dias difícies: "Olhe para as estrelas, e não para os seus pés"

Hawking dedicou décadas à ciência enquanto enfrentava severas limitações físicas.

25/10/2026 08h02

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Cerca de 80 mil pessoas lotaram o Estádio Olímpico de Londres na cerimônia de abertura das Paralimpíadas, em 29 de agosto de 2012. Foi nesse momento que o físico teórico Stephen Hawking leu sua mensagem à plateia, logo após conduzir Miranda, personagem de A Tempestade, de William Shakespeare. O espetáculo Enlightenment, que abriu a cerimônia, tinha como pano de fundo imagens de estrelas e nebulosas projetadas no cenário.

Passadas mais de uma década, aquelas palavras ainda são lembradas como um retrato de superação diante das adversidades do corpo ou da própria existência. A reflexão circula até hoje porque ia além da retórica motivacional.

Hawking dedicou décadas à ciência enquanto enfrentava severas limitações físicas. Essa trajetória dava à mensagem uma credibilidade que nenhuma obra de autoajuda conseguiria reproduzir.

Uma trajetória contra as previsões médicas

Em 1963, aos 21 anos, Hawking recebeu o diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica. Os médicos estimavam dois anos de vida, e ele viveu 55 anos além dessa previsão e trabalhou intensamente até morrer, em 2018. Esses anos cobriram praticamente toda sua carreira científica de relevância.

Entre 1979 e 2009, período em que esteve à frente da cátedra lucasiana de Matemática na Universidade de Cambridge, Hawking passou a se comunicar por meio de um sintetizador de voz, conforme a doença avançava. Ainda assim, não deixou de se debruçar sobre os mistérios dos buracos negros e da origem do universo, o que confere autenticidade à mensagem que deixou.

O que o discurso realmente pedia

Na abertura do espetáculo, a mensagem dirigida a atletas e espectadores de todo o planeta pedia curiosidade e disposição para entender o universo. Também enfatizava que, mesmo quando a vida se mostra dura, ainda existe espaço para conquistar algo.

Os pontos centrais eram simples: olhar para as estrelas; tentar entender o que se vê; perguntar o que faz o universo existir; ser curioso.

A reflexão não pedia para ignorar contas, prazos ou problemas concretos. O conselho era sobre equilíbrio — reconhecer os obstáculos sem deixar que eles dominem todo o campo de visão. Quem mantém o olhar fixo apenas no entrave mais imediato perde de vista o trajeto que ainda tem pela frente.

Passos pequenos que constroem a resistência

Registrar um objetivo por escrito ajuda a relembrar, nos dias pesados, por que vale continuar. Transformar metas grandes em etapas menores torna visível o avanço de cada dia — algo concreto quando o desânimo bate.

Alimentar a curiosidade com leitura, observação ou contato com conhecimento novo mantém viva essa disposição de olhar para cima. Conversar com pessoas que ampliem os horizontes, em vez de se concentrar apenas nas próprias ansiedades, reforça a mesma atitude. Não são gestos grandiosos, mas pequenas repetições que constroem a capacidade de resistência.

Admitir o cansaço faz parte do processo, desde que ele não governe as decisões que vêm depois. O que Hawking deixou como legado comprova que é possível manter o olhar erguido mesmo diante de barreiras físicas severas, e essa lição se aplica a qualquer pessoa que enfrente um obstáculo real.

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