Reflexão atemporal

Shakespeare deixou uma reflexão: "A sabedoria e a ignorância se transmitem como doenças"

Metáfora expõe uma dinâmica que molda o pensamento humano

Em Henrique IV — 2ª Parte, William Shakespeare compara a transmissão de sabedoria e ignorância à propagação de doenças. A metáfora expõe uma dinâmica que molda o pensamento humano e alerta para a responsabilidade de escolher as companhias. Escrita há mais de 400 anos, a reflexão continua relevante em redações de vestibular.

O trecho oferece base para argumentos sobre influência social, ambiente educacional e formação de caráter. Também permite ao candidato demonstrar repertório literário. A metáfora funciona ao colocar no mesmo nível dois processos distintos — o contágio biológico e o cultural — e sugerir que ninguém fica imune ao ambiente que o rodeia.

A metáfora em Henrique IV e seu alcance

Em Henrique IV — 2ª Parte, Shakespeare compara doença e transmissão de ideias para explicar como comportamentos e crenças se propagam pela sociedade. Ambientes tóxicos disseminam ignorância, enquanto espaços construtivos cultivam sabedoria. Nesse processo, o indivíduo não é espectador passivo: ele escolhe.

Essa reflexão pode aprofundar temas sobre polarização política. O candidato pode argumentar que as câmaras de eco das redes sociais funcionam como incubadoras de ignorância coletiva, em linha com a ideia de Shakespeare de que ideias se espalham como doenças. A escolha de com quem se relacionar, no ambiente digital ou presencial, determina que espécie de "infecção" intelectual o indivíduo absorve.

 

Por que Shakespeare funciona no repertório do vestibulando

Shakespeare nasceu em abril de 1564, em Stratford-upon-Avon, e deixou cerca de 37 peças e 154 sonetos sobre ambições, medos e traições ainda atuais. O dramaturgo escrevia para todos, misturava filosofia profunda com humor popular e reinventava a língua inglesa ao criar centenas de palavras e expressões usadas até hoje.

A inclusão de citações de obras clássicas como "Hamlet", "Romeu e Julieta", "Macbeth", "A Megera Domada" e "Sonho de Uma Noite de Verão" pode sinalizar ao avaliador que o candidato lê além do currículo obrigatório.

A reflexão sobre sabedoria e ignorância transmitidas como doenças oferece ao candidato uma forma de demonstrar consistência argumentativa e ancorar o texto em uma observação sobre a natureza humana e o funcionamento das sociedades.

Erros

Tolstói: "O errado não deixa de ser errado só porque a maioria concorda"

Obras de Tolstói atravessam séculos com reflexões agudas

25/10/2026 15h16

Imagem: Wikimedia Commons

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Liev Tolstói foi um dos grandes pensadores da literatura ocidental. Suas obras atravessam séculos com reflexões agudas sobre moral, sociedade e conflito humano.

Guerra e paz, Anna Karênina e A morte de Ivan Ilitch estão entre os clássicos mundiais, mas a influência de Tolstói vai além da literatura. Em Uma Confissão, a ideia de que o errado não deixa de ser errado só porque a maioria participa e concorda sintetiza uma convicção que permeia toda sua obra.

Essa reflexão sobre integridade moral resume o pensamento tolstoiano: a responsabilidade individual não se negocia pela aprovação coletiva. Seus romances retratam a sociedade russa do século XIX e expõem a estrutura política e ideológica da época, além dos dilemas internos de personagens que ousam questionar normas estabelecidas.

Infância e formação

Nascido em 28 de agosto de 1828 em Iásnaia Poliana, na província de Tula, Tolstói enfrentou cedo a perda dos pais. Seu pai faleceu em 1837, deixando-o aos cuidados de uma tia que exerceria forte influência em sua trajetória.

Uma tia, de temperamento rígido, decidiu encaminhá-lo para a carreira militar, opção típica da aristocracia russa da época. Aos 16 anos, em 1844, iniciou estudos em Línguas Orientais na Universidade de Kazan, mas seu desempenho insatisfatório o levou a transferir-se para Direito. Reprovado nos primeiros exames, o fracasso acadêmico marcou profundamente o jovem Tolstói.

Insatisfeito com Kazan, mudou-se para Moscou em 1847 e, aos 21 anos, foi para São Petersburgo. Ali, retomou os estudos de Direito de forma intermitente, com uma postura que seus contemporâneos caracterizavam como boêmia.

 

Vida militar e descoberta da escrita

Os relatos de combate que seu irmão Nicolau trazia do Cáucaso despertaram em Tolstói o desejo de participar da luta armada. Em 1851, alistou-se e um ano depois, em 1852, passou oficialmente no exame de ingresso ao exército russo. Durante o período militar, começou a publicar na revista O Contemporâneo e ganhou atenção com um relato autobiográfico sobre sua infância.

Quando a Guerra da Criméia eclodiu em 1854, Tolstói foi designado para Sebastópol, onde escreveu contos que impressionaram a rainha Maria Alexándrovna.

Seu retorno a São Petersburgo como herói, em 1857, marcou uma virada. Depois, viajou pela Europa — Alemanha, França e Itália — e voltou convencido de que deveria contribuir para o desenvolvimento social de seu povo, especialmente no combate ao analfabetismo.

Dedicação à literatura e legado

Em 1859, aos 31 anos, fundou em sua propriedade uma escola para crianças e adultos. Aos 34 anos, exerceu o cargo de juiz de paz. Em 1862, casou-se com Sófia Andriêievna, união que marcaria profundamente sua produção literária. Pressionado por dificuldades financeiras, Tolstói se dedicou mais intensamente à escrita.

Em 1865 nasceu sua obra-prima: Guerra e paz, romance monumental que foi publicado em capítulos na revista Mensageiro Russo. Após o sucesso dessa obra, publicou entre 1875 e 1877, também em periódico, o clássico Anna Karênina. Em 1886, aos 58 anos, escreveu a novela A morte de Ivan Ilitch.

Os personagens enfrentam a tensão entre moral individual e exigências sociais, refletindo as convicções do autor sobre responsabilidade pessoal e integridade.

Inquieto com questões espirituais, Tolstói buscou paz na religião ortodoxa e conviveu com monges. Em 1899, aos 71 anos, publicou o romance Ressurreição, e a Igreja Ortodoxa, chocada com o enredo e percebendo a influência de suas inquietações espirituais, decidiu excomungá-lo em 1901.

Revelação

Foto no Instagram revelou planta gigante visível do espaço que já está ameaçada de extinção

Estima-se que apenas 30 a 50 plantas dessa espécie permaneçam na natureza

25/10/2026 14h13

Foto: Allyson Santos de Souza/Pexels

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Uma foto compartilhada no Instagram levou cientistas a descobrir uma espécie de planta aquática gigante em lagos remotos da Colômbia, já criticamente ameaçada. Estima-se que apenas 30 a 50 plantas dessa espécie permaneçam na natureza.

Há cerca de cinco anos, Carlos Magdalena, especialista em nenúfares no Royal Botanic Gardens, Kew, notou algo incomum em imagens compartilhadas por Jeremiah Harris, administrador de um viveiro de plantas nos Estados Unidos.

Harris acreditava tratar-se da Victoria amazonica, uma espécie mais comum de nenúfar gigante, mas Magdalena desconfiou porque as fotos vinham do rio Inírida, na Colômbia, fora da área de distribuição natural conhecida desse grupo.

A confirmação por satélite e a expedição

Para verificar, Magdalena analisou imagens de satélite do rio e lagos próximos, identificando vários espécimes grandes que pareciam pertencer a uma única planta Victoria. Análises posteriores revelaram um terceiro lago com a mesma planta, o que motivou o planejamento de uma expedição de campo.

A expedição levou quase dois anos para ser organizada. A equipe passou cinco dias na região de Guainía, na bacia do rio Orinoco, viajando de barco por uma floresta alagada até os lagos. Os botânicos precisavam encontrar flores para diferenciar as espécies de Victoria, mas as primeiras plantas localizadas não estavam em floração.

A descoberta noturna e o papel dos povos indígenas

Na noite final, a equipe saiu de barco à 1 da manhã. Depois de navegar a noite inteira, encontrou uma planta em flor, e antes de partir, documentou sete plantas em dois lagos.

A expedição dependeu do conhecimento de pessoas que conheciam a região. Nilo Rodríguez, Jaime Hernández e Gustavo Melo, membros das reservas indígenas Atabapo, Caranacoa-Yurí-Laguna Morocoto e Puinave-Piapoco el Paujil, foram fundamentais na busca.

Rodríguez lembrava de ter visto os nenúfares quando criança, e melo, guia de rio da comunidade Tucano, sabia onde procurar outras plantas depois que a primeira busca não encontrou flores. Em relato ao Earth, Magdalena descreveu a descoberta como uma daquelas histórias extraordinárias que combinaram conhecimento indígena e horticultural.

Uma espécie rara em um gênero restrito

O trabalho completo foi publicado no periódico Phytotaxa, e em relato ao Earth, Magdalena disse que o conhecimento sobre a existência do nenúfar traz a responsabilidade de compreendê-lo melhor e protegê-lo. Segundo ele, não se pode mais esperar para agir diante da ameaça a tantas plantas selvagens.

A nova espécie, Victoria colombiana, integra um gênero raramente documentado. Com a descoberta, o gênero Victoria passou a ter quatro espécies conhecidas, todas caracterizadas por folhas flutuantes que podem atingir cerca de 2 metros de diâmetro. Antes dela, a espécie mais recentemente descrita era a Victoria boliviana, identificada em 2022 como o primeiro nenúfar gigante novo em 177 anos.

Especialistas consideram rara a descoberta de plantas dessa magnitude, e o novo nenúfar gigante pode ser visto do espaço. Os espécimes foram depositados no herbário do Jardín Botánico de Bogotá José Celestino Mutis, que integrou a expedição.

Por que as flores são tão cruciais para identificar espécies de Victoria

Os botânicos precisam examinar as flores para diferenciar as espécies do gênero Victoria entre si. As folhas flutuantes, embora espetaculares, não fornecem características distintivas suficientes — plantas diferentes podem ter folhas com tamanhos e formatos muito semelhantes.

Por isso, mesmo após localizar os nenúfares gigantes pelo satélite e chegar aos lagos, a equipe precisava encontrá-los em floração para confirmar se se tratava realmente de uma espécie desconhecida.

Se a planta já estava lá há séculos, por que ninguém a havia descrito antes?

A Victoria colombiana cresce em lagos remotos dentro de florestas alagadas na bacia do Orinoco, em uma região de difícil acesso na Colômbia. As comunidades indígenas locais conheciam os nenúfares há gerações, e nilo Rodríguez, um dos guias, lembrava de tê-los visto quando criança. Esse conhecimento tradicional, porém, não havia sido documentado na literatura científica internacional.

A planta só se tornou conhecida no mundo acadêmico quando fotos compartilhadas no Instagram chamaram a atenção de um especialista em Kew, que relacionou as imagens à sua experiência e usou ferramentas de satélite.

O gênero Victoria é raro na ciência moderna

Encontrar uma nova espécie de nenúfar gigante é raro na botânica contemporânea. A Victoria colombiana é apenas a quarta espécie conhecida do gênero Victoria, e sua descoberta ocorre 177 anos após a última nova espécie desse grupo, a Victoria boliviana, identificada em 2022.

Por isso, podem passar mais de cem anos sem que uma nova Victoria seja formalmente descrita pela ciência. Todas as espécies do gênero têm folhas flutuantes gigantes, que podem atingir cerca de 2 metros de diâmetro e são visíveis até do espaço. Essa característica confere importância botânica, ecológica e estética às plantas.

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