Superação

Sobrevivente de Hiroshima começou com um triciclo e construiu um império após a bomba de 1945

Matsuda sobreviveu ao ataque bomba atômica sobre Hiroshima por parte dos Estados Unidos

Jujiro Matsuda começou a trabalhar na indústria de máquinas aos 13 anos. Em 1921, assumiu a presidência da Toyo Cork Kogyo, empresa que décadas depois se tornaria a Mazda, um dos maiores fabricantes de automóveis do mundo. Sua trajetória, porém, foi marcada pela bomba atômica de Hiroshima, acontecimento que poderia ter encerrado tudo.

Em 6 de agosto de 1945, os Estados Unidos lançaram a bomba atômica sobre Hiroshima. Matsuda sobreviveu ao ataque, e sua fábrica, localizada a cerca de cinco quilômetros do epicentro, sofreu apenas danos menores, ao contrário da maior parte da cidade, que ficou destruída. Quatro meses depois, a empresa retomou a produção de veículos e participou da reconstrução da cidade.

Do trabalho infantil à primeira empresa

Nascido em 6 de agosto de 1875, em Hiroshima, Matsuda era o mais novo de 12 irmãos. As dificuldades financeiras da família impediram que continuasse na escola. Aos 13 anos, ele se mudou para Osaka e começou como aprendiz em um ateliê de serralharia, onde despertou o interesse por máquinas e processos de fabricação.

Ao longo dos anos, trabalhou em diferentes fábricas para dominar novas técnicas. Nos intervalos, visitava outras plantas e estudava métodos de produção. Aos 31 anos, fundou a Matsuda Seisakusho em um estábulo alugado de 33 metros quadrados. Os primeiros anos foram difíceis: ele descobriu que um produto ao qual havia dedicado tempo já existia no mercado.

Matsuda reorientou o foco, desmontou peças, modificou-as e desenvolveu uma bomba centrífuga patenteada, que o levou ao sucesso.

A virada para a indústria automotriz

Em 1918, retornou a Hiroshima e fundou a Hiroshima Matsuda Seisakusho. Dois anos depois, foi convidado a recuperar a Toyo Cork Kogyo, uma companhia de cortiça em dificuldades. Assumiu a presidência em 1921 e transformou o negócio ao fabricar painéis de cortiça comprimida, o que impulsionou o crescimento da empresa. Em 1925, porém, um incêndio destruiu aproximadamente 70% das instalações.

Em vez de desistir, Matsuda decidiu se concentrar no setor que melhor conhecia: máquinas. Em 1927, a empresa mudou seu nome para Toyo Kogyo. No início dos anos 1930, ele viu uma oportunidade nos veículos de três rodas, mais baratos que os automóveis convencionais e cada vez mais procurados no Japão para o transporte de mercadorias.

Em outubro de 1931, a empresa começou a fabricar o Mazda-Go DA, um pequeno triciclo motorizado com espaço para carga.

 

Reconstrução e legado pós-guerra

Depois de sobreviver ao ataque atômico de 1945, Matsuda enfrentou a reconstrução da empresa e da cidade. A Toyo Kogyo disponibilizou parte de suas instalações para atender as vítimas nos primeiros meses. A empresa retomou rapidamente a produção dos triciclos Mazda-Go, que ajudaram na reconstrução de Hiroshima.

Jujiro Matsuda permaneceu à frente da empresa até dezembro de 1951, quando deixou a presidência e assumiu o cargo de presidente do directório. Tsuneji Matsuda assumiu a presidência, e jujiro Matsuda morreu em 27 de março de 1952, aos 76 anos.

Matsuda não chegou a ver o lançamento do primeiro automóvel de passageiros da empresa. Em 1960, a Toyo Kogyo apresentou o Mazda R360 Coupé. Em 1984, a empresa adotou oficialmente o nome Mazda Motor Corporation, consolidando a marca que havia começado com um triciclo em meio às ruínas de Hiroshima.

Por que a Toyo Kogyo conseguiu retomar a produção tão rápido após o ataque

A localização da fábrica da Toyo Kogyo foi decisiva para a retomada da produção. A cerca de cinco quilômetros do epicentro da explosão, as instalações sofreram apenas danos menores, ao contrário do restante de Hiroshima, reduzido a ruínas. Enquanto a maioria das empresas da cidade precisava ser reconstruída do zero, Matsuda tinha acesso a máquinas e infraestrutura funcionais.

Por isso, a empresa retomou a produção dos Mazda-Go em quatro meses.

Como os triciclos Mazda-Go ajudaram a reconstrução da cidade

Durante a reconstrução, os pequenos veículos também serviram ao resgate e à distribuição de suprimentos. Os Mazda-Go foram usados para retirar escombros das ruas, distribuir alimentos e ferramentas aos moradores e transportar voluntários entre os pontos de atendimento às vítimas.

Ao manter a produção dos triciclos, Matsuda ofereceu à cidade uma solução imediata de mobilidade e logística, quando a infraestrutura havia desaparecido.

Por que Matsuda saiu da presidência logo após a guerra?

Em dezembro de 1951, seis anos após o ataque atômico, Jujiro Matsuda deixou a presidência da Toyo Kogyo e passou a ocupar o cargo de presidente do directório, uma função menos executiva. Tsuneji Matsuda o sucedeu na presidência, e a transição ocorreu quando Matsuda tinha 76 anos e havia enfrentado uma reconstrução exigente.

Ele morreu poucos meses depois, em março de 1952, sem ver o lançamento do primeiro automóvel de passageiros da empresa, em 1960.

Reflexão fundamental

Vencedor do Nobel de Literatura deixou uma reflexão sobre a tristeza de esperar pela paz

Ele refletiu sobre um grande questionamento incômodo do envelhecimento

13/10/2026 11h05

Imagem: Joaquín Sorolla / Banco de España / Wikimedia Commons.

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José Echegaray, dramaturgo, político e vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, refletiu sobre uma questão incômoda do envelhecimento: a velhice traz a tranquilidade capaz de compensar os anos de luta e sacrifício? Segundo o El Confidencial, essa foi a reflexão do escritor.

A reflexão de Echegaray toca um paradoxo: a idade avança, mas a paz que muitos esperam encontrar nas experiências acumuladas não é garantida. Para Echegaray, o maior desalento estava em ver os anos passarem sem que a tranquilidade chegasse. A reflexão resume a decepção de quem dedicou décadas à construção de um futuro melhor.

A sabedoria que nem sempre traz paz

A vida é marcada por sacrifícios, decisões e lutas recorrentes. Na juventude e na vida adulta, o foco costuma estar em alcançar objetivos profissionais, sociais e materiais — metas que exigem esforço e dedicação contínuos. A sensação de progresso, quando chega, oferece alívio temporário, mas não garante o repouso duradouro que tantos procuram.

Echegaray reconhecia que a maturidade traz uma sabedoria especial: a compreensão das escolhas que moldaram o caminho percorrido. Olhar para trás e perceber como acertos, erros e decisões levaram ao progresso pessoal gera uma paz duradoura.

No entanto, essa tranquilidade não chega automaticamente com o passar dos anos; ela depende, em grande medida, de como cada pessoa integra suas experiências ao longo da vida.

 

A recompensa adiada que pode nunca chegar

A inquietação descrita por Echegaray reflete uma realidade que atravessa gerações. Muitos dedicam décadas à construção de um futuro melhor, adiando o descanso em nome de metas profissionais ou familiares. Quando a velhice chega, nem sempre traz a recompensa esperada: a paz fica distante, e o tempo já passou.

Para Echegaray, a tranquilidade não é um presente automático da idade, mas algo que precisa ser cultivado ao longo da vida. Isso exige atenção às experiências vividas e ao sentido que se tira delas — um trabalho que muitos deixam para depois, apenas para descobrir que o momento passou.

A reflexão de Echegaray indica que esperar pela paz nos anos finais pode ser uma aposta perdida sem cultivar essa paz ao longo de toda a vida.

Intrigante

Estudante descobre 3 galáxias e pode ajudar a resolver um mistério que intriga cientistas há décadas

Estas galáxias desafiam as regras conhecidas de formação estelar

13/10/2026 10h44

Foto: NASA/Unsplash

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Julian Shapiro descobriu três galáxias anãs peculiares próximas à galáxia espiral M101 durante uma pesquisa sobre formação estelar, ainda no ensino médio. As galáxias desafiam as regras conhecidas de formação estelar e receberam os nomes Shapiro I, II e III, e hoje, Shapiro estuda astrofísica em Berkeley.

O achado transformou Shapiro em referência para outros jovens interessados em astrofísica. Ele publicou a pesquisa no The Astrophysical Journal e continua estudando as galáxias em sua formação universitária em Berkeley, sob orientação do astrofísico Alexei Filippenko. Filippenko trabalha com medições cosmológicas que resultaram em definições divergentes da constante de Hubble.

Por que as galáxias anãs importam

Galáxias anãs são importantes para entender a evolução galáctica no universo. Elas podem ter de mil estrelas a alguns bilhões e assumir formas diversas, como elípticas, esferoidais, irregulares e pequenas espirais. Os astrônomos sugerem que se formam quando duas galáxias colidem e lançam material ao espaço intergaláctico. Esse material depois se aglomera e forma uma galáxia anã.

Essas estruturas podem existir isoladas ou como satélites de galáxias maiores, como a Via Láctea. A expectativa é que galáxias anãs isoladas formem estrelas ativamente, porque não há uma galáxia maior por perto para retirar seu gás. As três descobertas por Shapiro, porém, não seguem esse padrão.

Uma delas, a galáxia anã Shapiro II, está tão próxima da galáxia espiral NGC 5585 que poderia ser seu satélite, em vez de ter interagido com M101.

Um mistério de décadas começa a ganhar resposta

As galáxias de Shapiro podem estar entre os primeiros candidatos identificados a galáxias de rebote (*backsplash*), que passaram perto de uma galáxia maior, tiveram o gás arrancado pela pressão gravitacional e depois foram lançadas para o exterior.

Essas galáxias de rebote deveriam ser comuns no universo, segundo o modelo cosmológico de matéria escura fria com constante cosmológica. Encontrá-las, porém, continuava difícil, e para realizar o trabalho, Shapiro usou dados públicos de arquivos de telescópios, incluindo imagens do Sloan Digital Sky Survey. Do Hyper Suprime-Cam Legacy Archive, do Observatório Astronômico Nacional do Japão e do Telescópio Canadá-França-Havaí.

Por meio de simulações, Shapiro deduziu que algo externo às três galáxias deve ter influenciado sua baixa taxa de formação estelar. Ele espera medições de acompanhamento com telescópios espaciais de alta resolução para confirmar se elas são galáxias de rebote. Também espera que o novo Observatório Vera C, e rubin revele muitos candidatos semelhantes aos que descobriu.

Inspiração para a próxima geração

O trabalho de Shapiro ganhou reconhecimento com a bolsa Davidson, recebida durante seus estudos no ensino médio. Filippenko elogiou a sofisticação da pesquisa e disse que ela era notavelmente avançada para alguém que ainda não estava na universidade.

Segundo o El Confidencial , Shapiro afirmou que seu trabalho pode inspirar jovens interessados em astrofísica. Ele disse que os currículos escolares oferecem apenas introduções limitadas à astronomia e que os estudantes têm dificuldade para encontrar mentores e adquirir experiência na área.

Também afirmou que seu artigo mostra como dados públicos de arquivos de telescópios são uma ferramenta fundamental para novas descobertas sobre a cosmologia. E a evolução do universo, e que jovens astrônomos são capazes de fazer esse tipo de descoberta.

A descoberta reforça que dados públicos de telescópios são ferramentas essenciais para a cosmologia e que jovens pesquisadores podem contribuir para o entendimento do universo. O caso também desafia a ideia de que descobertas científicas dependem exclusivamente de instituições estabelecidas ou pesquisadores experientes.

Como o "rebote" galáctico desativa a formação estelar

Quando uma galáxia anã passa perto de uma vizinha maior, não precisa colidir frontalmente para ser afetada. A pressão gravitacional da galáxia maior funciona como um vento cósmico invisível e arranca o gás da menor, combustível necessário para formar novas estrelas.

Depois dessa "mordida" gravitacional, a galáxia anã é lançada para longe e fica isolada no espaço, mas sem o gás necessário para formar estrelas.

É como um fruto que perde a polpa, mas continua caindo: por fora, parece intacto e isolado; por dentro, está vazio. As três galáxias Shapiro parecem isoladas, sem uma galáxia grande visível por perto, mas estão "apagadas" e não formam estrelas porque perderam o gás no passado.

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