De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 45 anos o Brasil deve contar com aproximadamente 75,3 milhões de pessoas idosas. Curiosamente, um município no Rio Grande do Sul tem chamado a atenção por apresentar quase metade de sua população composta por pessoas acima de 60 anos.
Trata-se de Coqueiro Baixo, cidade no Vale do Taquari, que conta com pouco mais de 1,2 mil habitantes em sua configuração. Conforme levantamento do IBGE, a região ressalta que quatro a cada dez pessoas integram a terceira idade. Para justificar o status de “cidade mais envelhecida do Brasil”, o município destaca ainda que, para cada cem crianças (de zero a 14 anos), existem 277,14 habitantes acima dos 65 anos.

Como resultado desse desnivelamento, a idade mediana de Coqueiro Baixo é de 53 anos. A título de comparação, enquanto no Brasil 13,46% da população é considerada idosa, no Rio Grande do Sul, o índice é elevado para 20,15%. Nesse cenário, os coqueirenses quase dobram o indicador gaúcho, que sobe a 38,91% na localidade do Vale do Taquari.
Reconhecendo a importância de oferecer serviços públicos essenciais, a prefeitura desenvolve constantemente políticas públicas adaptadas à nova realidade. Em resumo, o Poder Executivo municipal disponibiliza atividades de ressocialização, priorizando a mobilidade, além de atendimento e acompanhamento com profissionais da saúde.
“Têm grupos de dança, temos artesanatos para as mulheres da terceira idade e também um projeto que acontece nas comunidades do interior. Além disso, atendemos pessoas em casa com fisioterapeutas e médicos, inclusive campanhas de vacinação. Em casos extremos, levamos os pacientes ao posto de saúde do município ou ao hospital mais próximo”, conta o prefeito de Coqueiro Baixo, Luciano André Ongaratto.
Presença na zona rural liga sinal de alerta
Diante do fato de grande parcela da população ser idosa, as atividades rurais também se destacam entre as demais. Conforme a Prefeitura de Coqueiro Baixo, entre 65% e 70% dos habitantes ainda residem na zona rural. Para uma melhor compreensão, aproximadamente 70% dos moradores vivem no campo.
Na prática, o aumento da longevidade e a redução no número de filhos por mulher colaboram diretamente para que a cidade seja tomada por pessoas idosas. O problema é que as autoridades reconhecem a dificuldade de atrair migrantes suficientes para compensar as diferenças numéricas. Dessa forma, a preocupação fica a cargo do êxodo da juventude e da dificuldade em garantir a sucessão das propriedades.
A fim de atrair a população jovem ao município, a gestão tem atuado na geração de um ambiente de negócios favorável à chegada de indústrias. “Temos incentivado os jovens a ficarem no campo, principalmente na produção de frangos e suínos de corte, assim como gado leiteiro. Fazemos um investimento bem alto, através de incentivos, nesse sentido”, explica Ongaratto.





