No último domingo (10), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, solicitou à China que quadruplicasse suas compras de soja antes do fim da trégua tarifária, o que fez os preços da soja em Chicago dispararem. O pedido foi baseado na preocupação do governo asiático diante da escassez do produto nos meses subsequentes.
Por intermédio de publicação no Truth Social, Trump deu a entender que ambas as partes concordaram com o acordo, embora especialistas se neguem a aceitar. “Um serviço rápido será prestado. Obrigado, Presidente XI”, disse o republicano. A título de curiosidade, o contrato de soja mais ativo na Bolsa de Chicago (CBOT) saltava 2,2%, para US$10,09 o bushel, após a publicação de Donald.
Em um contexto geral, a China é a maior compradora de soja do planeta, importando cerca de 105 milhões de toneladas do grão somente no ano passado. Nesse ínterim, pouco menos de um quarto do produto é oriundo dos Estados Unidos, enquanto a maior parte vem do Brasil. Assim, quadruplicar os valores obrigaria os chineses a importarem dos norte-americanos a maior parte do alimento.
“É altamente improvável que a China venha a comprar quatro vezes o volume habitual de soja dos Estados Unidos”, disse Johnny Xiang, fundador da AgRadar Consulting, sediada em Pequim. O problema é que a trégua tarifária entre Pequim e Washington deve expirar nesta terça-feira (12), mas o governo Trump deu a entender que o prazo pode ser prorrogado.
Tiro de Trump pode sair pela culatra
A princípio, Donald Trump exigiu o aumento dos valores da soja sob a condição de colocar um ponto final do tarifaço, tendo em vista o desejo de reduzir o superávit comercial da China com os Estados Unidos. Porém, é válido destacar que os asiáticos ainda não compraram nenhum grão norte-americano para o quarto trimestre de 2025.
Isso porque os representantes chineses buscam novas formas de ter sob posse a soja, principalmente criando laços com outras nações, como ocorreu com a Argentina. “Do lado de Pequim, houve vários sinais de que a China está preparada para renunciar totalmente à soja dos EUA este ano, inclusive reservando aquelas cargas de teste de farelo de soja da Argentina”, disse Even Rogers Pay, analista agrícola da Trivium China.




