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boa sorte velho lobo

Morre Zagallo, o maior vencedor das Copas do Mundo, aos 92 anos

Conquistou quatro vezes a principal competição mundial entre seleções: duas como jogador (Suécia e Chile), uma como treinador (México) e uma como auxiliar técnico (EUA)

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Mario Jorge Lobo Zagallo era um supersticioso: sua relação com o número 13, intensa, celebrizou-o. Julgava-se um homem de sorte, a qual considerava uma aliada e que, tinha certeza, agiu para que ele iniciasse, em 1958, a caminhada que o tornaria o maior campeão das Copas do Mundo de futebol.

O ícone do esporte mundial morreu na madrugada deste sábado (6), aos 92 anos. A informação foi confirmada em uma nota publicada nas redes sociais do ex-jogador

"É com enorme pesar que informamos o falecimento de nosso eterno tetracampeão mundial Mario Jorge Lobo Zagallo. Um pai devotado, avô amoroso, sogro carinhoso, amigo fiel, profissional vitorioso e um grande ser humano. Ídolo gigante. Um patriota que nos deixa um legado de grandes conquistas. Agradecemos a Deus pelo tempo que pudemos conviver com você e pedimos ao Pai que encontremos conforto nas boas lembranças e no grande exemplo que você nos deixa", diz o texto.

Zagallo conquistou quatro vezes a principal competição mundial entre seleções, disputada desde 1930: duas como jogador (Suécia-1958 e Chile-1962), uma como treinador (México-1970) e uma como auxiliar técnico (EUA-1994).

Além dele, somente o alemão Franz Beckenbauer (Alemanha-1974 e Itália-1990) e o francês Didier Deschamps (França-1998 e Rússia-2018) ganharam a Copa como jogador e técnico.

O jogador Zagallo vestiu 37 vezes a camisa da seleção brasileira (com 30 vitórias, quatro empates e três derrotas) e marcou quatro gols. Como técnico do Brasil, foram 154 partidas (110 vitórias, 33 empates, 11 derrotas e a famosa frase "Vocês vão ter que me engolir!"). Os dados são da Fifa.

Nos clubes, em 35 anos de carreira, dirigiu, entre outros, Botafogo, Vasco, Fluminense e Portuguesa. Encerrou a trajetória de treinador em 2001, no Flamengo.

Zagallo nasceu em Maceió (AL), só que logo a família mudou-se para o Rio, onde foi criado. Seu primeiro clube foi o América, do qual era sócio. Defendeu a cor vermelha da agremiação nas equipes de base de futebol e de tênis de mesa, modalidade em que tinha habilidade acima da média.

Passou a atuar pelo Flamengo no início dos anos 1950, e lá seu futebol aflorou, sob o comando do técnico paraguaio Fleitas Solich. Pelo time rubro-negro, sagrou-se tricampeão estadual (1953-1955). À época, dividia-se entre o esporte e os estudos. Formou-se técnico em contabilidade.

Em 1958, foi pré-convocado para a Copa da Suécia –não havia defendido a seleção antes desse ano. Tinha a dura concorrência de Pepe, dono de potente chute, e de Canhoteiro, exímio driblador.

Para Zagallo, seu inovador estilo tático, que o distinguia dos pontas-esquerdas tradicionais, foi um trunfo que contribuiu para que ficasse com uma vaga.

Diferentemente dos colegas de posição, ele recuava para auxiliar na marcação quando o time não tinha a posse da bola. Considerava-se um jogador-maratonista, pois corria e se movimentava do apito inicial ao final.

Forma peculiar de jogar que, contudo, não lhe tirava o papel de azarão. Sendo assim, contou com o circunstancial para figurar entre os 22 da seleção.

Relata que problemas bucais, "de gengiva, de dente", impediram tanto Pepe quanto Canhoteiro de enfrentar o Paraguai, no Maracanã, em maio, a um mês da Copa. "Ganhei essa grande oportunidade. Fui escalado, fiz dois gols, ganhamos de 5 a 1. Foi a minha sorte."

Convenceu Vicente Feola, e o treinador cortou Canhoteiro, que vivia fase irregular e, além disso, era considerado baladeiro.

Zagallo falou em sorte para ir à sua primeira Copa. Pois, para estar entre os 11 da seleção, foi novamente agraciado por ela.
Pepe, em grande forma, foi vítima de uma jogada violenta em amistoso na Itália, pouco antes do embarque para a Suécia, que o deixaria fora de ação para a primeira fase do Mundial.

Nos gramados suecos, vestindo a camisa 7, Zagallo jogou do primeiro ao último minuto dos seis jogos da inédita conquista. Fez um gol nesse Mundial, o quarto do Brasil na final contra os anfitriões (5 a 2).

Campeão do mundo ao lado de Pelé, Garrincha, Didi, Gilmar e companhia, Zagallo, cujo vínculo contratual com o Flamengo se encerrara, teve em mãos uma oferta milionária do Palmeiras. Recusou porque sua mulher, Alcina, funcionária pública, não podia ser transferida para São Paulo. Transferiu-se então para o Botafogo, cuja proposta salarial era superior à da equipe da Gávea.

Valorizado, prosseguiu prestigiado na seleção e foi novamente titular no Mundial seguinte. Pepe, mais uma vez, assistiu do banco de reservas a uma Copa.

No Chile, Zagallo fez o primeiro gol da seleção de Aymoré Moreira na partida de estreia do Brasil, 2 a 0 no México. Como na Suécia, atuou todo o tempo em todas as seis partidas, dessa vez com a camisa 21, faturando o bi na final contra a Tchecoslováquia (3 a 1).

Zagallo jogou até 1965, quando pendurou as chuteiras. Decidiu continuar próximo das quatro linhas e assumiu o cargo de técnico do Botafogo, obtendo sucesso quase imediato, com as conquistas dos Estaduais de 1967 e 1968 e da Taça Brasil de 1968.

A MAIOR CONQUISTA

Em março de 1970, foi chamado para substituir o polêmico e pouco subserviente João Saldanha no comando da seleção brasileira que disputaria, menos de três meses depois, a Copa do México.

Tinha nas mãos uma equipe recheada de craques (Pelé, Carlos Alberto, Tostão, Rivellino, Jairzinho, Gerson, Clodoaldo, Piazza, Paulo Cézar Caju) e mostrou capacidade para fazê-la funcionar. À sua maneira.

Tanto que Edu, ponta-esquerda "endiabrado", superofensivo e driblador, não teve mais chance. Rivellino, meia, atuou como falso ponta, reforçando o poder de marcação da seleção quando o adversário tinha a bola. Outra mudança foi recuar Piazza para a zaga, a fim de que ele e outro excepcional volante, Clodoaldo, pudessem ser titulares.

"O Zagallo conseguiu colocar em prática o time jogar em bloco. Quando saía para o ataque, a defesa saía junto com o meio-campo, e o meio-campo, junto com o ataque. Quando os adversários tinham a posse de bola, a mesma coisa: ataque-meio de campo, meio de campo-defesa", comentou Carlos Alberto (1944-2016), o Capitão do Tri, elogiando a formação tática daquela seleção.

Zagallo dirigiu um dos melhores times da história. Foram seis jogos e seis vitórias, com um futebol de primeiríssima classe e a conquista definitiva da Taça Jules Rimet após o 4 a 1 na decisão contra a Itália.

"Fizemos uma Copa sensacional, e o mundo inteiro gostou daquilo que o Brasil realizou no México", declarava ele, orgulhoso. Sempre considerou esse título a maior conquista de sua carreira.

Quatro anos mais tarde, em 1974, sofreu seu primeiro revés de proporções mundiais como treinador. Já sem Pelé e Tostão no ataque e sem Gerson na criação, o Brasil falhou ao tentar o tetra na Copa da Alemanha. Não empolgou no decorrer do torneio e foi dominado pelo emergente Carrossel Holandês no jogo que valia vaga na final: 2 a 0.

Zagallo admitiu a superioridade da Holanda, a quem tinha subestimado antes do confronto. "Perdemos para a melhor estrutura tática que vi na minha vida." A seleção terminou em quarto lugar.

Curiosamente, o tetra do Brasil só veio quando ele retornou à seleção, como auxiliar técnico de Carlos Alberto Parreira, na Copa dos EUA, em 1994. Antes, de 1978 a 1990, com Cláudio Coutinho, Telê Santana (duas vezes) e Sebastião Lazaroni, a seleção viu de longe a Taça Fifa.

Zagallo e Parreira construíram uma relação próxima ao longo das décadas de 1970 e 1980. Na Copa do México-70, Parreira foi preparador físico e espião da seleção de Zagallo.

O mundo árabe também fortaleceu os laços entre os dois, pois ambos conviveram no Oriente Médio e treinaram seleções da região. "Éramos verdadeiros irmãos", dizia Zagallo.

Teórico do futebol, Parreira montou uma seleção pragmática e pouco criativa para os EUA-94, dependente dos gols de Romário, e Zagallo funcionou como um incansável motivador na campanha.

"Faltam quatro! Faltam três! Faltam dois!", afirmava ele, ao término de cada jogo do Brasil, em uma espécie de contagem regressiva para o título.

Parreira saiu depois da conquista (nos pênaltis, após um 0 a 0 com a Itália), e Zagallo herdou a posição. Nesse novo ciclo com a seleção, foi muito contestado por seus críticos, que o consideravam ultrapassado e cada vez mais adepto de um futebol defensivo.

Os clamores por sua saída tornaram-se mais constantes depois da Olimpíada de Atlanta (EUA), em 1996. A semifinal foi trágica: com 3 a 1 a favor, a seleção permitiu o empate da Nigéria, que venceu na prorrogação, na "morte súbita".

Esse dia foi considerado por Zagallo o mais doloroso de sua história na seleção. "Ficou engasgado. O jogo estava ganho." A equipe que buscava o inédito ouro olímpico voltou para casa com o bronze.

GOELA ABAIXO

O alívio para o treinador veio somente na Copa América de 1997, na Bolívia. Alívio na forma de ataque.
Campeão ao superar a seleção anfitriã, Zagallo, ainda em campo e exasperado, soltou aos microfones da TV Globo a célebre frase: "Vocês vão ter que me engolir!!!". Segundo ele, direcionada a dois jornalistas da mídia impressa de São Paulo que faziam campanha para derrubá-lo.

Desse modo, e ainda mais fortalecidos por outro título em 1997 (o da Copa das Confederações), Zagallo e sua seleção chegaram prestigiados à Copa da França, em 1998.

Ronaldo Fenômeno, então ainda chamado de Ronaldinho, vivia fase áurea, com o faro artilheiro apuradíssimo. Havia favoritismo, confirmado com a ida à final.

Ironia, foi Ronaldo, a estrela mais cintilante do time, o responsável pelo abatimento de um elenco que, segundo Zagallo, vivia uma "felicidade total" após eliminar a Holanda, nos pênaltis, na semifinal. "Aí aconteceu aquele desastre e abalou todo o time."

Horas antes da decisão contra os anfitriões, o atacante sofreu uma crise nervosa na concentração e teve de ser levado para atendimento em uma clínica. Zagallo chegou a escalar Edmundo, mas voltou atrás quando Ronaldo apareceu no vestiário.

"O Ronaldo chegou quase em cima da hora e já veio com meia, calção... pronto para jogar: 'Zagallo, não me tira dessa. Pelo amor de Deus, não me deixe de fora'." Foi atendido.

Só que nem Ronaldo nem o Brasil se acharam e tiveram uma atuação pífia. França, Zidane à frente, campeã fácil, 3 a 0.

O mesmo Zidane esteve em campo no jogo que encerrou a participação de Zagallo em Copas do Mundo. Na Alemanha-2006, nas quartas de final, o craque francês teve atuação portentosa no 1 a 0, gol de Henry, que eliminou o Brasil.

Nesse Mundial, como coordenador técnico, Zagallo havia retomado a parceria com Parreira, que reassumira a seleção na tentativa do hexa –o penta viera quatro anos antes.

Perto de completar 75 anos, não se mostrou tão ativo. Estava mais magro e menos vigoroso, efeito da cirurgia a que foi submetido em 2005 para a retirada de um tumor no duodeno. No procedimento, a vesícula e parte do estômago também foram extraídos.

Pós-Copa de 2006, Zagallo levou uma vida não muito agitada. Passou a disputar partidas de bocha com alguns vizinhos depois de aposentar o tênis, um de seus principais hobbies.

Avesso às novas tecnologias ("Tenho email, mas não mexo. Fico numa preguiça...", dizia), ia com certa frequência ao cinema, ao teatro e a restaurantes, acompanhado de Alcina (para ele, Nininha, morta em 2012), com quem se casara em 1955. Teve com ela quatro filhos.

Foi a companheira, aliás, que o fez criar gosto pelo 13. A explicação vem da devoção a santo Antônio, cujo dia é festejado em 13 de junho. Gosto que virou fixação.

Zagallo, que costumava andar com uma medalhinha do santo no bolso, buscava formar frases que continham 13 letras, como "Brasil campeão", morava no 13° andar de um condomínio na Barra da Tijuca e até o final do número de seu telefone celular era 13.

Porém ele nunca vestiu a camisa 13 quando jogador. Só veio a usá-la ao iniciar a carreira de técnico, com a equipe juvenil do Botafogo. E sempre teve a convicção de que esse número às costas ajudou-o a engrenar na função.

No ano de seu octogésimo aniversário, Zagallo foi homenageado por Botafogo e Flamengo. Voltou brevemente aos holofotes e fez questão de afirmar que acompanhava todas as partidas da "Amarelinha", como carinhosamente se referia à seleção, e que estava "atento a tudo".

Tinha, no fundo, a esperança de voltar à ativa. De ser chamado pela CBF para, com sua experiência, estrela e carisma, ajudar o Brasil a triunfar na Copa de 2014. Mas não aconteceu –dessa vez, não era sua sorte, seu destino.
 

 

é domingo

'O Agente Secreto' é baseado em história real? Tem livro?

O suspense político levou mais de 2 milhões de espectadores às salas de cinema no Brasil tem quatro indicações ao Oscar

14/03/2026 07h24

Wagner Moura, o protagonista do filme produzido em Recife, concorre ao oscar de melhor ator

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O cenário é Recife, no ano de 1977, uma época, como o próprio filme define, "cheia de pirraça". Este é o contexto de O Agente Secreto, longa dirigido e escrito por Kleber Mendonça Filho que levou o Brasil ao Oscar 2026. Mas, afinal, quais são as bases desta história brasileira que está conquistando o mundo?

O suspense político que levou mais de 2 milhões de espectadores às salas de cinema no Brasil e pode ser visto também na Netflix acompanha Marcelo (Wagner Moura), um professor universitário do ramo de tecnologia que se muda de São Paulo para Recife, buscando um recomeço e uma fuga de seu passado violento.

O contexto é a ditadura militar, e toda a vida de Marcelo é rodeada de segredos e tensões, assim como o próprio clima do filme. O professor chega a Pernambuco em plena semana de carnaval, e logo ele se vê preso em uma emboscada e correndo risco de vida.

A origem da história

Apesar de ter como base acontecimentos reais - a ditadura militar brasileira, a perseguição a opositores do regime, por exemplo, e até elementos culturais -, O Agente Secreto não é inspirado em algum caso verídico. A história contada no filme é puramente ficcional.

Em entrevistas, Kleber Mendonça Filho já declarou que teve a ideia para o filme durante o processo de produção de Retratos Fantasmas (2023).

Segundo o diretor, os anos que passou fazendo pesquisas para o documentário deram a estrutura para que pudesse criar O Agente. As duas obras, de certa forma, tocam em temas como a dificuldade de se preservar a memória e a importância de não deixar o passado cair no esquecimento.

Alguns elementos, no entanto, são, sim, inspirados na realidade - mas servem mais para contextualização e referência. A Perna Cabeluda, por exemplo, é uma lenda que circulou em jornais e rádios pernambucanos da década de 1970. Tratava-se, segundo o mito, de uma infame perna decepada que atacava pessoas durante a noite.

Mas qual é a sua origem? Algumas versões, segundo pesquisadores ouvidos pelo Fantástico, alegam que a história teria sido criada para denunciar agressões e casos de perseguição política sem que os veículos sofressem censura do governo. No filme, seu propósito é representar justamente o medo.

Já o personagem Vilmar, pistoleiro interpretado por Kaiony Venâncio, surgiu para Kleber inspirado em Vilmar Gaio, o Pistoleiro de Serra Talhada retratado em um documentário dirigido por Eduardo Coutinho para o Globo Repórter em 1977. Mesmo assim, trata-se meramente de uma referência para a frieza do personagem, e não um retrato fidedigno.

Por fim, a personagem vivida por Maria Fernanda Cândido, que se apresenta como Elza e descobrimos posteriormente ser Sara Gerber, também foi criada para a história de ficção.

Ela é uma figura misteriosa que circula entre os âmbitos de poder e ajuda na proteção de perseguidos políticos.

Também é mencionado que é ela quem financia toda a rede de proteção no prédio de dona Sebastiana (Tânia Maria), por vir de uma família rica.

Qual é o livro de 'O Agente Secreto'?

O Agente Secreto não é inspirado em livro, e por isso tem um roteiro inteiramente original escrito por Kleber. Este mesmo roteiro, no entanto, foi publicado em formato de livro após o lançamento do filme, pela editora Amarcord, e responde a perguntas deixadas sem resposta pelo longa-metragem.

ESCÂNDALO FINANCEIRO

Novo advogado de Vorcaro já defendeu José Dirceu e Walter Braga Netto

Troca de advogado é vista como um sinal para uma possível delação que seria feita pelo ex-banqueiro, que segue preso

14/03/2026 07h10

O advogado José Luís de Oliveira Lima, conhecido como Juca, passa a ter papel fundamental em meio ao escândalo financeiro e político do Master

O advogado José Luís de Oliveira Lima, conhecido como Juca, passa a ter papel fundamental em meio ao escândalo financeiro e político do Master

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O banqueiro e dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso na Penitenciária Federal de Brasília, anunciou nesta sexta-feira, 13, a troca de sua defesa.

Para o lugar do criminalista Pierpaolo Bottini, foi escolhido o advogado José Luís de Oliveira Lima, que também já defendeu figuras políticas de destaque, como o petista e ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e o ex-ministro de Bolsonaro, Walter Braga Netto, preso e condenado por participação na trama golpista.

Também conhecido como Juca, Oliveira Lima tem mais de trinta anos de experiência e reconhecimento no meio jurídico. Foi eleito duas vezes entre os cem brasileiros mais influentes pela revista Época e, conforme o site do escritório do qual é sócio, Oliveira Lima & Dall'Acqua Advogados, é considerado um "dos quinze mais importantes advogados do Brasil".

Ele também foi presidente da Comissão de Direitos e Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP) e da Caixa de Assistência dos Advogados de São Paulo (CAASP); diretor da Associação dos Advogados de São Paulo (AASP); e conselheiro da OAB-SP. Atualmente, é membro do Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP).

Diferentemente de seu antecessor na defesa de Vorcaro, Oliveira Lima é visto como um advogado mais favorável a uma delação. A troca na defesa é um sinal de que os próximos passos de Daniel Vorcaro podem ser o de colaborar com as investigações, com a entrega de novas informações.

Foi nesta sexta também que a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) manteve a prisão preventiva de Vorcaro. Conforme mostrou o Estadão, o banqueiro afirmou a sua equipe de defesa que decidiu negociar um acordo de delação premiada.

Defesa de políticos

Juca já representou na defesa pessoas que atuam em campos opostos no xadrez político. Em 2012, foi advogado de José Dirceu no caso do Mensalão. Já no ano passado, defendeu Braga Netto no julgamento dos atos golpistas no Supremo Tribunal Federal (STF), que culminou na condenação do ex-ministro da Defesa e da Casa Civil de Jair Bolsonaro (PL) a 26 anos de prisão.

Com bom trânsito e circulação na Suprema Corte, ele chegou a se encontrar com praticamente todos os ministros da Primeira Turma - que realizou o julgamento -, com exceção da ministra Cármen Lúcia. Na época, queixou-se de que a defesa não teve acesso integral aos autos e afirmou acreditar que o processo estava sendo acelerado, o que o impediu de analisar mais de 100 mil páginas da denúncia.

Mesmo assim, em conversa com o Estadão em março do ano passado, às vésperas do julgamento, o advogado afirmou ser contra manifestações - puxadas por bolsonaristas - de ataques ao STF.

"Eu não gosto de ataque ao Supremo Tribunal Federal. Eu não gosto de ataque aos ministros do Supremo Tribunal Federal. Eu gosto de falar dessas questões nos autos (...) Eu posso recorrer de uma decisão da Corte. Eu posso pontuar que entendo que a decisão está errada. Agora, atacar o Supremo Tribunal Federal, eu não vou fazer", disse.

Sobre já ter atuado na defesa de pessoas de diferentes lados da política, ele afirmou, na mesma entrevista, que defender a esquerda "tem muito mais charme" e angaria um apoio público mais veemente de determinados setores.

"Como eu disse, atuo há 35 anos. Eu já defendi pessoas de uma ideologia mais à esquerda, como já defendi pessoas de uma ideologia mais à direita. E esse caso (o julgamento dos atos golpistas) me ensinou uma coisa: defender a esquerda é mais charmoso para a academia, para as entidades e para a própria imprensa. Tem muito mais charme", afirmou.

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