Política

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MS tem 16 municípios onde prefeitos ganham acima de R$ 25 mil

Com R$ 8,18 por habitante, Jateí é a cidade em que os moradores pagam mais caro pelo salário do chefe do Executivo

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Levantamento feito pelo Correio do Estado identificou que os municípios de Chapadão do Sul, Aparecida do Taboado, Três Lagoas, Rio Brilhante, Nova Andradina, Maracaju, Jateí, Paraíso das Águas, Caarapó, Costa Rica, Ribas do Rio Pardo, Amambai, Água Clara, Corumbá, Ponta Porã e Sidrolândia pagam salários acima de R$ 25 mil aos seus respectivos prefeitos.

No caso de seis municípios, os salários dos prefeitos são acima de R$ 30,1 mil, sendo eles Chapadão do Sul (R$ 36.929,16), Aparecida do Taboado (R$ 35.088,42), Três Lagoas (R$ 34.500,00), Rio Brilhante (R$ 34.133,72), Nova Andradina (R$ 33.158,16) e Maracaju (R$ 30.162,55).

Nos outros 10 municípios, os vencimentos mensais dos chefes do Executivo variam de R$ 25 mil a R$ 29,3 mil, sendo eles Jateí (R$ 29.336,70), Paraíso das Águas (R$ 28.268,38), Caarapó (R$ 28.226,37), Costa Rica (R$ 27.071,50), Ribas do Rio Pardo (R$ 27.053,99), Amambai (R$ 26.500,00), Água Clara (R$ 26.440,00), Corumbá (R$ 26.000,00), Ponta Porã (R$ 26.000,00) e Sidrolândia (R$ 25.000,00).

Outro dado alarmante observado pelo levantamento da reportagem é que, desses 16 municípios que pagam mais de R$ 25 mil para os prefeitos, Jateí é onde a população tem o maior custo com o salário do chefe do Executivo. 

O município tem apenas 3.586 habitantes e paga ao prefeito Eraldo Jorge Leite (PSDB) um vencimento mensal de R$ 29.336,70, ou seja, fazendo uma conta simples de divisão, cada morador da cidade desembolsa por mês R$ 8,18 para arcar com o salário do gestor municipal. 

Situação semelhante também foi verificada no município de Paraíso das Águas, que tem só 5.510 habitantes e paga mensalmente ao prefeito Anízio Sobrinho de Andrade (PP) R$ 28.268,38, ou seja, cada morador da cidade tira do bolso por mês R$ 5,13 para arcar com o salário do chefe do Executivo.
Com o levantamento foi possível constatar que 28 municípios de Mato Grosso do Sul pagam salários muito superiores ao que a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), recebe, mesmo com a Capital tendo arrecadação e população muito maiores.

Pela pesquisa realizada pela reportagem, enquanto Adriane Lopes recebe por mês R$ 21.263,62, os prefeitos de Maracaju, Aparecida do Taboado, Três Lagoas, Rio Brilhante, Nova Andradina e Chapadão do Sul têm salários que variam entre R$ 30.162,55 e R$ 36.929,16.

Já os gestores municipais de Jateí, Paraíso das Águas, Caarapó, Costa Rica, Ribas do Rio Pardo, Amambai, Água Clara, Corumbá, Ponta Porã e Sidrolândia têm vencimentos que oscilam de R$ 25.000,00 a R$ 29.336,70.

No caso dos prefeitos de Miranda, Inocência, Paranaíba, Jardim, Camapuã, Bonito, Itaquiraí, São Gabriel do Oeste, Fátima do Sul, Dourados, Aquidauana e Rio Verde, os salários variam de R$ 21.516,16 a R$ 24.636,30.

MINISTÉRIO PÚBLICO

A situação é tão discrepante que o procurador-geral de Justiça Alexandre Magno Benites de Lacerda ajuizou uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI) no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), solicitando uma medida cautelar impedindo que os prefeitos dos 79 municípios aumentem os próprios salários.

A iniciativa, que foi acatada pelo TJMS, também impede que os vereadores e os servidores municipais do primeiro escalão reajustem os próprios vencimentos com efeitos válidos no exercício dos próprios mandatos – o entendimento é que aumentos como esses só podem ser feitos de uma legislatura para outra.
A decisão é um balde de água fria em leis que aumentariam o salário da prefeita de Campo Grande e do prefeito de Três Lagoas, Angelo Guerreiro (PSDB), que já ganha por mês R$ 34.500,00, tendo como consequência um efeito cascata em toda a elite do serviço público dessas cidades.

A ADI ainda deve ser votada pelo pleno do TJMS, mas o efeito da medida cautelar alcança todo o Estado. A lei que foi alvo de Alexandre Magno, que chefia o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) foi a de nº 7.005, de 28 de fevereiro, promulgada pelo presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, vereador Carlão (PSB).

A lei elevaria, a partir de março, o salário da prefeita Adriane Lopes de R$ 21.263,62 para R$ 31.915,80, enquanto até 2024 a remuneração da chefe do Executivo municipal chegaria a R$ 35.462,22.

“Depois dessa decisão, o Ministério Público buscará construir, consensualmente, em todos municípios onde esse aumento ocorreu, uma solução que respeite o entendimento da Corte”, afirmou o procurador-geral de Justiça.

A medida cautelar em ação direta de inconstitucionalidade tem um efeito muito mais consistente, no sentido de barrar as leis que aumentam os salários de prefeitos e vereadores no decorrer do próprio mandato, do que as ações populares ajuizadas neste semestre em Campo Grande e em Três Lagoas.

Ambas as ações foram muito bem-sucedidas e conseguiram barrar os aumentos. Entretanto, o controle de constitucionalidade estabelecido por elas é difuso, ou seja, os efeitos da decisão do Poder Judiciário se limitavam somente ao processo em questão. Já a ADI trata de um controle de constitucionalidade concentrado, em que o efeito produzido é amplo. É um sinal que o TJMS dá aos municípios para que todas as leis nesse sentido sejam igualmente consideradas inconstitucionais.

ANÁLISES

O cientista político Daniel Miranda explicou que, com relação ao valor dos salários, não há muitas regras a esse respeito. “A constituição estabelece um teto, mas não há graduação conforme outros fatores, [como] orçamento municipal, tamanho da população, etc.”, disse.

Além disso, de acordo com Miranda, como o salário do prefeito é referência para os vencimentos de funcionários públicos municipais, pode ocorrer o que houve aqui em Campo Grande: uma pressão do funcionalismo municipal para elevar o salário do chefe do Executivo a fim de permitir reajustes em cascata. “Então, o valor do salário, no fim das contas, depende da autonomia municipal”.

Já o cientista político Tércio Albuquerque pontuou que a questão ligada à fixação dos subsídios dos prefeitos é diferente da utilizada para os vereadores, pois eles têm um teto constitucional dependendo do número de habitantes do município. 

“Quanto ao prefeito, o limite máximo remuneratório é o salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal [STF], que hoje é de R$ 39,3 mil, mais ou menos, com reajuste previsto para os próximos anos. Então vai depender muito de qual relacionamento que o prefeito tem com a Câmara Municipal, pois é a Casa de Leis que fixa o subsídio do prefeito com base no artigo nº 29 da Constituição Federal”, argumentou.

Ele ressaltou que essa situação pode ocorrer em municípios menores que tenham maiores valores porque existe um acordo das Câmaras Municipais com os prefeitos, o que permite votação até o teto constitucional. 
“Outra situação que se observa é que, quando se fixa o subsídio do prefeito, este salário serve de teto remuneratório máximo para o município. Ou seja, ninguém pode ganhar mais que o prefeito, então, por uma questão política, a Câmara Municipal não aumenta o subsídio do prefeito para não aumentar o limite salarial do próprio município, que inclui secretários municipais, vice-prefeito e o alto escalão”, analisou.

O cientista político acrescentou que tudo é uma questão muito mais política do que financeira ou de estrutura de arrecadação municipal na hora da fixação desses subsídios. “Então, é muito comum essa discrepância, em tese, de municípios pequenos com remunerações dos prefeitos maiores do que a da própria Capital ou de outras cidades com maior índice populacional. Porque, repito, não se vincula exclusivamente à arrecadação municipal, como é o caso dos demais, mas exclusivamente à pretensão do prefeito”, assegurou.

Tércio Albuquerque ressaltou, entretanto, que, se formos olhar pelo princípio da moralidade, pode-se abrir uma discussão ampla, porque municípios que não conseguem remunerar adequadamente seus professores e profissionais das áreas de saúde e segurança pagam muito bem aos chefes de Executivo.

“Tudo isso é uma questão de coerência na administração pública e muita responsabilidade do Poder Legislativo municipal. A ele toda a responsabilidade porque, constitucionalmente, é a Casa de Leis que tem de fixar esse subsídio”, finalizou.

Veja

"Mais louco do Brasil" curte Barretão após polêmica por apoio à petista

Em vídeo, prefeito "troca de roupa" com sua equipe para a faixa noturna do evento

25/08/2026 14h30

Prefeito Juliano Ferro curte festa do peão de Barretos

Prefeito Juliano Ferro curte festa do peão de Barretos Foto: Divulgação

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Após declarar apoio à candidatura do petista Vander Loubet ao Senado, Juliano Ferro (PL), prefeito de Ivinhema autointitulado "Mais louco do Brasil" curte a 71ª festa do peão de Barretos, evento acompanhado por mais de 1,1 milhão de seguidores no Instagram. 

Na tarde desta segunda-feira (25), dançou sem camisa e de pés descalços em meio a diversos carros de som automotivo espalhados pelo camping do evento realizado no Parque do Peão da cidade homônima. À noite, postou um vídeo também polêmico com parte de sua equipe, onde ao lado de dois outros homens e uma mulher "troca de roupa" para a faixa noturna da festa sertaneja, frequentada por ele todos os anos. 

Iniciada no último dia 20 deste mês, a festa do peão de Barretos é a mais aguardada pela comunidade do agronegócio brasileiro.

Evento realizado anualmente desde 1955, reúne artistas de todo o país. Com shows em três períodos, a festa deste ano segue até o próximo domingo (30) com as apresentações de nomes consagrados do sertanejo: César Menotti & Fabiano, Simone Mendes, Loubet, Bruno & Marrone, Gustavo Mioto, Gusttavo Lima, Luan Pereira e Michel Teló ainda se apresentam neste ano.  

Polêmica

Aós apoio a Vander, Juliano Ferro disse que o partido pode expulsá-lo, mas que mesmo assim manterá apoio àqueles que sempre os ajudaram duranto a construção de seu mandato.

Na manhã da última quinta-feira (13), a candidata a deputada estadual Vivi Tobias (PL) foi até a sede estadual do partido, em Campo Grande, e protocolou um pedido de expulsão de Juliano Ferro por "infidelidade partidária". 

Amplamente identificado com a ala bolsonarista, a declaração de apoio a Vander em detrimento da candidatura de Capitão Contar, do mesmo partido, não foi bem acolhida por grande parcela de seus eleitores, fato que provocou uma enxurrada de declarações negativas de sua própria base eleitoral.  

Em suas redes sociais, reiterou o apoio a Vander Loubet e disse que o petista é o único da esquerda que decidiu apoiar, mantendo assim apoio para Flávio Bolsonaro à presidência, Riedel para Governador, Mara Caseiro na disputa pela Câmara Federal, Zé Teixeira, candidato a deputado estadual e Reinaldo Azambuja, sua primeira escolha no Senado. 

"Eu não estou fazendo "desfidelidade (sic) partidária não, eu não sou candado a deputado estadual e nem federal, não sou candado a nada, eu sou prefeito. Se quiserem me tirar do partido, tirem!"

Na sequência, diz que a escolha por Vander se deu como uma espécie de gratidão ao fato do atual deputado federal auxiliá-lo com recursos federais. Tenho que apoiar quem ajudou a construir o mandato, quem hoje atende a "necessidade da população", falou. 

"E eu não vou pelo partido, vou pelas melhores propostas pelo nosso estado, eu vou por queles que me ajudaram a conduzir o meu mandato. Fui reeleito com 82%, então antes de falar de mim vai lá e pergunta em Ivinhema como que é o nosso mandato." No mesmo vídeo, diz que a candidatura do do outro candidato ao Senado pelo PL (Capitão Contar) não o convenceu. Além de Ferro, Júlio Buguelo (PSD) prefeito de Glória de Dourados e Nelson Cintra (PSDB) prefeito de Porto Murtinho, também declararam apoio a Vander. 

VANDALISMO ELEITORAL

Rodolfo Nogueira denuncia ataque a comitê de campanha em Dourados

Deputado federal, candidato à reeleição, diz que imóvel foi atingido por ovos e tinta vermelha e afirma que câmeras podem identificar os responsáveis

25/08/2026 11h05

Rodolfo Nogueira mostra danos no comitê de campanha em Dourados e afirma que o local foi alvo de vandalismo durante a madrugada

Rodolfo Nogueira mostra danos no comitê de campanha em Dourados e afirma que o local foi alvo de vandalismo durante a madrugada Reprodução

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O deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS), candidato à reeleição, denunciou nesta terça-feira (25) que seu comitê de campanha, em Dourados (MS), foi alvo de vandalismo durante a madrugada. 

Segundo o parlamentar, o local foi atingido por ovos e tinta vermelha, além de ter recebido cartazes. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Nogueira mostrou a fachada do imóvel e afirmou que procuraria a Polícia Civil para registrar boletim de ocorrência. 

Ele classificou o episódio como uma tentativa de intimidação e disse que as imagens das câmeras de segurança poderão ajudar na identificação dos responsáveis.

“Dá uma olhada como é que ficou meu comitê nessa madrugada aqui, nesse vandalismo, nessa tentativa de intimidação”, declarou.

Durante a gravação, o deputado atribuiu o ataque a adversários políticos ligados à esquerda, embora não tenha apresentado, no vídeo, provas sobre a autoria do ato. “Vieram aqui, jogaram ovo, tinta vermelha, cartaz, urinaram aqui, mais tinta. Esse é o vandalismo”, afirmou.

Nogueira também declarou que o episódio não irá mudar sua atuação durante a campanha eleitoral e fez críticas ao PT. “Vocês não me intimidam. Nós vamos vencer essa batalha na urna dia 4 de outubro”, disse o parlamentar.

O deputado afirmou ainda que pretende entregar à Polícia Civil as imagens registradas pelas câmeras instaladas no local. “As câmeras vão falar quem são os bandidos que vieram nessa madrugada aqui para fazer esse terrorismo. Vocês não vão intimidar”, declarou.

Até o momento da manifestação de Nogueira, não havia informação apresentada pelo parlamentar sobre a identificação dos responsáveis pelo vandalismo, entretando, ele foi até a delegacia da Polícia Civil para registrar o boletim de ocorrência e para entregar as imagens.

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