Política

SOLUÇÃO SALOMÔNICA

Vereador Claudinho Serra entra com pedido de licença de 120 dias na Câmara

A cúpula do PSDB entende que essa é a melhor saída para não prejudicar a pré-candidatura de Beto Pereira à prefeitura

Continue lendo...

Com atestado médico de 30 dias, o vereador campo-grandense Cláudio Jordão de Almeida Filho (PSDB), o “Claudinho Serra”, que é réu em processo judicial no qual é acusado de chefiar esquema de corrupção na Prefeitura de Sidrolândia no período em que foi secretário municipal de Fazenda, deve ingressar ainda hoje com pedido de licença do mandato por 120 dias, prorrogáveis por mais 120 dias.

De acordo com apuração do Correio do Estado, os advogados do parlamentar e o jurídico do diretório municipal do PSDB em Campo Grande teriam elaborado o pedido de licença durante a tarde de ontem depois de encontro entre Claudinho Serra e o presidente estadual do partido, o ex-governador Reinaldo Azambuja.

Na conversa entre os dois, Azambuja teria convencido o vereador que seria melhor para o ninho tucano se ele tirasse a licença para não atrapalhar a campanha eleitoral do pré-candidato do partido a prefeito, o deputado federal Beto Pereira.

Diante dessa justificativa apresentado pelo ex-governador, Claudinho Serra acatou a solicitação e autorizou a elaboração do pedido de licença por 120 dias, prorrogáveis por mais 120 dias, ou seja, o vereador não deverá mais retornar à Casa de Leis na atual legislatura, que termina no fim deste ano.

Segundo fontes tucanas ouvidas pelo Correio do Estado, o objetivo neste momento seria estancar o “sangramento”, isto é, tirar o vereador Claudinho Serra da mídia negativa, pois, apesar de estar em liberdade, ele está usando tornozeleira eletrônica e isso poderia ser utilizado pelos adversários de Beto Pereira durante a campanha eleitoral.

Por isso, o foco do departamento jurídico do PSDB, neste momento, não é nem impedir a posse do suplente Dr. Lívio (União Brasil), coisa que o outro suplente, Gian Sandim (PSDB), está tratando para garantir a vaga para o partido.

Entretanto, solucionado o problema imediato, que é o afastamento de Claudinho Serra da mídia diária, o presidente estadual do PSDB deve focar todo os seus esforços para que a Justiça Eleitoral reconheça que a vaga pertence ao partido.

O Correio do Estado adiantou, na edição de ontem, Reinaldo Azambuja deveria se encontrar com o vereador Claudinho Serra para sugerir que o parlamentar solicitasse à Câmara Municipal de Campo Grande uma licença de 120 dias para acalmar os ânimos na Casa de Leis em ano de eleições municipais.

Além disso, com a medida, o líder tucano impede que usem o fato de o vereador estar usando tornozeleira eletrônica desde que saiu da cadeia, no dia 26 de abril, onde ficou preso sob a acusação de chefiar esquema de corrupção na prefeitura de Sidrolândia, manche a Câmara Municipal e também a pré-candidatura do deputado federal Beto Pereira a prefeito da Capital.

Segundo apurou a reportagem, a reunião entre Azambuja e Claudinho é resultado da notícia publicada na segunda-feira com exclusividade pelo jornal de que um grupo de vereadores fez uma reunião a portas fechadas com Carlão para tratar do assunto.

Conforme informações obtidas pelo Correio do Estado, o grupo de vereadores foi unânime em pedir a renúncia de Claudinho Serra e mostraram a Carlão pesquisas de opinião pública feitas junto à população sobre a questão revelando que o caso do parlamentar já atingiu a reputação da Casa de Leis e dos vereadores.

Esses levantamentos teriam revelado ainda que a maioria da população da Capital é favorável à cassação do mandato do vereador e que os mais prejudicados com a prisão e posterior soltura de Claudinho Serra são a população do município, a reputação da Câmara e a imagem de Campo Grande.

Por isso, o presidente Carlão acatou o pedido dos vereadores e iria falar com Reinaldo Azambuja para convencer Claudinho Serra a renunciar ao mandato.

O Correio do Estado obteve a informação de que o ex-governador não concordaria com o pedido de renúncia, mas sim com uma solicitação de afastamento por 120 dias para que a poeira possa abaixar.

Afinal, caso o vereador renuncie, seria um reconhecimento de culpa dos crimes pelos quais está sendo acusado, afetando, dessa forma, sua defesa perante à Justiça.

Portanto, graças à experiência política do ex-governador, foi encontrada uma solução salomônica para um problema que já estava respingando em Beto Pereira. 

JULGAMENTO 

Durante o julgamento da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) realizado na tarde de segunda-feira, foi mantida a liberdade do vereador Claudinho Serra, bem como as medidas cautelares estabelecidas pelo desembargador José Ale Ahmad Netto, como o uso de tornozeleira eletrônica, entre outras. 

“Houve vista apenas para análise da questão da competência. Pois, eu sustento que a Vara Criminal de Sidrolândia não tinha competência para analisar e deferir as medidas cautelares que quebra de sigilo, busca e apreensão e etc. Há um Provimento do TJMS que prevê que nestes casos de investigações realizadas por órgãos de combate à organização criminosa a competência é de uma das seis varas criminais de Campo Grande, com atribuição para atuarem em todo o Estado”, afirmou o advogado Tiago Bunning, que defende Claudinho Serra.

No dia 26 de abril, o desembargador José Ale Ahmad Netto, da 2ª Câmara Criminal do TJMS, concedeu habeas corpus para a libertação do vereador por entender que, apesar de a prisão preventiva contra o parlamentar ter fundamentos, não se justificava em razão da falta de elementos fortes o suficiente.

Agora, os demais desembargadores analisaram o mérito da soltura de Claudinho Serra, ou seja, Carlos Eduardo Contar, Ruy Celso Barbosa Florence e Luiz Gonzaga Mendes Marques acataram a decisão do colega, mantendo a liberdade do parlamentar até o julgamento do processo.

ASSINE O CORREIO DO ESTADO

POLÍTICA

Vitória de Lula dá sobrevida a 'medalhões" de MS derrotados nas urnas

Vander Loubet, Soraya Thronicke, Fábio Trad e Simone Tebet foram aliados de Lula tanto no primeiro quanto no segundo turno e devem ocupar cargos em 2027

26/10/2026 12h30

Fábio Trad, a senadora Soraya Thronicke, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o deputado federal Vander Loubet

Fábio Trad, a senadora Soraya Thronicke, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o deputado federal Vander Loubet Arquivo

Continue Lendo...

Com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva para comandar o Brasil por mais quatro anos, figuras da política sul-mato-grossenses, que não foram eleitas no primeiro turno, podem ganhar sobrevida no cenário político de Mato Grosso do Sul. 

Os principais nomes sul-mato-grossenses que declararam apoio à Lula, tanto no primeiro quanto no segundo turno, foram: a senadora Soraya Thronicke (PSB), o deputado federal Vander Loubet (PT), Fábio Trad (PT), que concorreu ao cargo de governador do Estado nestas eleições, e Simone Tebet (PSB-SP), que foi candidata ao Senado Federal pelo estado de São Paulo, porém não foi eleita.

A primeira da lista, Soraya Thronicke, não conseguiu se reeleger ao cargo de senadora por Mato Grosso do Sul. Com 340.788 votos (13,07%), a douradense ficou na quarta colocação, atrás de Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, eleitos para assumirem os cargos, e Vander Loubet, que obteve 361.920 votos. 

A senadora segue com seu mandato até janeiro de 2027. Apesar de não conseguir a reeleição, ela é cotada para assumir o Ministério do Turismo. Já Vander Loubet, ao ser questionado sobre a possibilidade de ocupar algum cargo no quarto governo de Lula, evitou demonstrar interesse imediato em uma nomeação e afirmou que sua prioridade será continuar à frente do diretório estadual do PT.

Fábio Trad, que disputou a vaga para o Governo do Estado e foi derrotado com 322.807 votos, também pode ganhar sobrevida com Lula, já que ao longo da campanha no segundo turno esteve presente em manisfetações na Capital e participou de uma reunião com o presidente em Brasília. 

Logo após o encerramento da apuração dos votos no 1º turno, Trad revelou ao Correio do Estado que iria para a capital federal na madrugada do dia seguinte, junto com Vander Loubet, onde os dois participariam de uma reunião com o presidente Lula e outras lideranças políticas para definir a reorganização das forças políticas e a estratégia para a campanha do 2° turno.

Simone Tebet (PSB-SP), candidata ao Senado Federal no estado de São Paulo e derrotada com 8.342.968 votos, também surge entre os nomes que podem ocupar um cargo na próxima gestão de Lula, já que ela foi ministra do Planejamento e Orçamento na atual gestão do presidente, saindo do cargo no dia 31 de março para concorrer nestas eleições. 

Senado

Com o encerramento das eleições, está praticamente definida a composição do Senado a partir de fevereiro de 2027, ressalvadas possíveis mudanças de partido. O Partido Liberal (PL), de Flávio Bolsonaro, terá a maior bancada, com 28 dos 81 senadores. O cenário considera os 54 parlamentares eleitos em 4 de outubro, os 27 mandatos que seguem até 2031 e as substituições decorrentes da eleição de senadores para os governos estaduais.

Ao longo da campanha, a senadora Tereza Cristina teve o nome citado para assumir a presidência do Senado Federal em 2027. Apesar da direita obter a maioria, as chances podem ser reduzidas com a eleição de Lula, já que o PT tem a possibilidade de obter o apoio do Centrão. Somadas, estes dois lados políticos ocupam 45 vagas no Senado. Além de Tereza, Nelsinho Trad (PSD) também esteve no radar para assumir o Senado.

O PT deverá ter 10 senadores, seguido pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), com oito, e pelo Progressistas (PP), com seis. União Brasil e Republicanos terão cinco representantes cada; Partido Social Democrático (PSD) e Partido Socialista Brasileiro (PSB), quatro cada; Novo, três; Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e Podemos, dois cada; e Rede e Partido Democrático Trabalhista (PDT), um cada. O senador Romário (RJ) permanece sem partido. 

Eleições 2026

Palco de morte após ato político, Bonito deu 63,24% dos votos a Flávio

Percentual supera média estadual, que registrou 59,60% para o senador

26/10/2026 10h39

Sede do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS)

Sede do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado

Continue Lendo...

Em Bonito, município localizado a cerca de 300 quilômetros de Campo Grande, o candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL), que perdeu a eleição no domingo (25), recebeu 9.080 votos, o equivalente a 63,24% dos votos válidos.

O resultado segue a tendência registrada em Mato Grosso do Sul, onde Flávio recebeu 927.892 votos (59,60%), enquanto Lula (PT) teve 628.973 votos (40,40%).

O município ganhou repercussão nacional no fim de semana do segundo turno após a morte de Ewerton Rodrigues da Silva, de 35 anos, atingido por disparos de arma de fogo depois de uma briga no fim de uma carreata bolsonarista, no sábado (24).

Apesar de o episódio ter ocorrido durante uma manifestação política, a discussão não foi motivada por divergências políticas e Ewerton teria tentado separar a briga. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), o desentendimento entre os envolvidos ocorreu por motivos pessoais, “sem relação com questões político-partidárias”.

Caso em Bonito

A situação começou após o término da carreata, quando uma discussão de trânsito teria evoluído para xingamentos e agressões físicas generalizadas, com a participação de várias pessoas, de acordo com informações da Guarda Municipal, divulgadas pelo site Jardim MS News no dia da briga.

Ao perceber que o pai estava sendo agredido, um adolescente de 16 anos teria pegado uma arma que estava no veículo do homem e efetuado diversos disparos contra Ewerton e Alex Machado Leite. Ewerton foi atingido no abdômen, no tórax e na coxa direita. Alex, por sua vez, levou dois tiros na região do tórax, foi transferido para Campo Grande e segue internado. 

Já o pai e o adolescente apontado como autor dos disparos seguem foragidos. O pai e o filho apontados como envolvidos nos disparos seguem foragidos. Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), o pai tem passagem por crime ambiental, enquanto o adolescente poderá responder por atos infracionais análogos a homicídio e tentativa de homicídio.

Alex, que permanece hospitalizado, tem passagens por lesão corporal dolosa, contrabando, tráfico de drogas e violência doméstica. Já Ewerton não tinha antecedentes criminais e deixa a esposa grávida e dois filhos.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).