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GIBA UM

"A esquerda brasileira permaneceu estagnada no tempo, ficou presa a um tempo que mudou",

de PEPE MUJICA // ex-presidente uruguaio e antigo líder tupamaro ao presidente Lula, no sítio do ícone da esquerda latino-americana.

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O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, quer abrir mais um mercado para a proteína brasileira. Está mantendo tratativas com autoridades peruanas para garantir o credenciamento de mais frigoríficos para a venda da carne suína.

Mais: de olho na venda da proteína, JBS e BRF querem exportar o produto para o país vizinho. Em janeiro, o frigorifico Dom Porquito, do Acre, foi autorizado a fazer o primeiro embarque do produto, mas é apenas um aperitivo.

IN: Milkshake de Café

OUT: Milkshake de figo

Salário alto

Na segunda-feira (30), Michelle Bolsonaro foi a atração de um jantar que reuniu parlamentares em apoio à candidatura de Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado. Atendeu a pedidos de fotos e colocou o marido para falar no viva-voz do celular.

O partido comandado por Valdemar Costa Neto está alugando um escritório para ela em Brasília (ainda não sabe como vai pagar), onde ela assumirá o PL Mulher e receberá o salário mensal de R$ 39 mil.

Com receio de ser preso, Jair Bolsonaro chegou a fazer um apelo a Valdemar no ano passado, que não deixasse sua mulher desamparada financeiramente.

AUTOESTIMA

Desde que foi anunciada a primeira mulher nordestina a presidir a Fundação Nacional das Artes (Funarte), Maria Marighella diz que está disposta “a recuperar a autoestima dos artistas”.

Ela é neta do guerrilheiro Carlos Marighella, fundador da Aliança Libertadores Nacional, assassinado pela ditadura militar em 1969 e filha de Augusto, preso pela Operação Radar, comandada por Carlos Alberto Ustra, único militar declarado torturados pela Justiça – e o favorito de Bolsonaro.

Memória

Fernando Collor de Mello nomeou para o STF seu primo Marco Aurélio Mello. FHC nomeou Gilmar Mendes e Lula nomeou Dias Toffoli, advogado do PT que nunca fizera concurso para juiz. Dilma Rousseff nomeou Luiz Fux, que ajudou na nomeação de mulher de 35 anos a desembargadora do TJ-RJ: sua filha.

O primo de Collor deu telefonemas a desembargadores para que votassem numa mulher para o TRF (também era sua filha). Agora, a possível nomeação de Cristiano Zanin, advogado de Lula, para o STF, vem ganhando uma campanha contra nas redes sociais (seria para o lugar de Ricardo Lewandowski).

CHANCE PERDIDA

Depois da visita de Lula ao Uruguai, quando se encontrou com o presidente Luis Alberto Lacalle Pou, o jornal El País, o primeiro de lá, estampou, em meio a uma análise: “Na Celac, o presidente Lula perdeu a chance de levantar a voz para eleições livres na Venezuela, por abertura política em Cuba e pelo fim da repressão na Nicarágua”.

E mais adiante: “O presidente brasileiro fala desses países usando a palavra soberania e não democracia”.

Olho no sangue

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, quer revitalizar e ampliar a Hemobrás, fabricante de derivados de sangue criado no primeiro mandato de Lula, em 2004. A prioridade é concluir as obras de construção dos 17 prédios previstos no projeto original do complexo fabril da empresa, em Goiania (Pernambuco).

O governo planeja ainda aumentar a capacidade instalada da estatal: no caso de plasma, por exemplo, a produção de 500 mil litros para 700 mil litros por ano.

Fazer o melhor

De férias (mas nem tanto) após o final da novela Cara e Coragem, Paolla Oliveira, aproveita os dias de folga para descansar, namorar (com cantor Diogo Nogueira que está há quase dois anos) e também ensaiar à frente da bateria da Acadêmicos do Grande Rio pelo 5º ano (o 3º consecutivo).

Este ano a escola de samba carioca irá homenagear Zeca Pagodinho. Amante do Carnaval se sente muito feliz ser mais uma vez a rainha da bateria da escola: “Eles tinham essa coisa de trocar de dois em dois anos... Era uma logística deles. O que eu acho que me faz ter essa relação tão bacana com a Grande Rio é: eu gosto de Carnaval, gosto de estar ali. Acho que isso faz diferença. Sou muito grata a essa comunidade. Eu sou paulista, e ser acolhida por uma escola do Rio de Janeiro para estar nesse posto é tão importante!”.

E sobre o segredo de quebrar esta tradição de troca de rainha é direta: “Não tem nada que a gente segure por muito tempo se não gostar muito, se não fizer com o coração. Nem novela, nem Grande Rio, nem relacionamento... Você não sustenta a máscara. Me sinto linda, feliz e animada para o Carnaval desse ano. Minha única preocupação é fazer o meu melhor sempre”.

Para quem quiser acompanhar Paolla no carnaval, a grande campeã de 2023, será a segunda escola a entrar na Marques de Sapucaí, no domingo (19) por volta das 23 horas.

Sem doce de leite

Com a volta da mulher Michelle (veio ajudar a campanha de Rogério Marinho) e da filha Laura ao Brasil, Jair Bolsonaro atravessa nova fase de solidão na casa de Kissimmee. Também para ajudar Marinho, deu poucos telefonemas a senadores. Aparece cada vez menos para selfies e autógrafos para raros seguidores que aparecem.

Quando perguntam, um segurança diz que “ele está descansando”. De aliados, nem sombra: as deputadas Carla Zambelli e Bia Kicis estiveram em Miami e não foram visitá-lo, bem como o ex-vice- -presidente e atual senador Hamilton Mourão (estão rompidos).

Também Ciro Nogueira e o apresentador Ratinho (tem casa no mesmo condomínio) não deram o ar da graça. E pior: acabou o doce de leite e ele ainda não se aninou a ir comprar.

Quem é Pietra?

A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, está processando a comentarista e ex- -DJ Pietra Bertolazzi, por ela dizer que “ela usava drogas ilícitas e é apoiadora de ‘artistas maconhistas’”.

E esta não é primeira vez que a filha do empresário Alberto Bertolazzi (falecido em 2021) e da Cristina Ferreira Lopes, e meia-irmã do Chef Carlos Bertolazzi entra em atrito com uma primeira-dama. Em 2020 bateu boca com Bia Doria, na ocasião a primeira-dama paulista.

Bolsonarista de carteirinha Pietra já participou do reality-show Power Couple, em 2016 na época com seu namorado Mário Velloso. Ela já namorou também Caio Coppolla e Tato Malzoni. Há pouco mais de um mês ao lado do comentarista político, advogado e palestrante Marco Antônio Costa criaram o videocast “Fio Diário”.

Nem nos planos

O anúncio de Lula de que o BNDES financiaria um gasoduto entre Brasil e Argentina pegou de surpresa o próprio Banco e o Ministério do Meio Ambiente, que faz restrições ao gás de xisto, muito poluente.

Lembra 2014 quando Dilma Rousseff anunciou que o banco de fomento bancaria o aeroporto de Havana, sem projeto e sem avisar o BNDES. Quase um ano e meio depois, o BNDES enterraria em Havana US$ 150 milhões. Quanto ao gasoduto, BNDES, Ministério do Meio Ambiente e TCU estão garantindo que não há planos para as obras.

Contra Simone

O economista Uallace Moreira, anunciado por Geraldo Alckmin como secretário do Desenvolvimento Industrial, não tolera a agora ministra Simone Tebet, que criticou já na campanha. Agora, diz que ela tem “o apoio dos viúvos simpatizantes de Aécio Neves e Sérgio Moro” e que, no passado, votou pelo impeachment de Dilma Rousseff, que prefere chamar de “golpe”. Ele permanece no ministério de Alckmin.

Saia Justa

A Frente Parlamentar da Agricultura, com 250 deputados e senadores, será recebida pelo ministro Carlos Fávaro no próximo dia 6 em Brasília. Será a primeira semana do Legislativo. Não será uma conversa relaxada. Integrantes da Frente vão cobrar do ministro seus ataques a entidades do agronegócio com acusações de apoio a atos democráticos.

No passado, o clima entre as partes era melhor. Fávaro foi homenageado pelo bloco há seis anos, quando parlamentar, reconheceu o papel da FPA para o desenvolvimento do agronegócio nacional.

CARAS MULATAS

A Advocacia-Geral da União fez um pedido à Justiça Federal para elevar para R$ 18,5 milhões o bloqueio de bens dos acusados de financiar atos golpistas de 8 de janeiro.

O Ministro da Cultura convocou especialistas e calculou o custo para restauro das obras de arte do Palácio do Planalto, incluindo a pintura “As mulatas”, de Di Cavalcanti. Para essa, os restauros devem consumir R$ 6,5 milhões.

MISTURA FINA

O PRESIDENTE do TCU, Bruno Dantas, em parceria com a CGU, mandou investigar a efetividade dos gastos do governo anterior em ações de atendimento aos Yanomami. Dantas afirma que foi empenhado R$ 1,5 bilhão na saúde indígena em 2021 e R$ 1,43 bilhão foi pago – e ninguém sabe onde foi parar. Os indígenas já passavam fome naquela época e não foram auxiliados e tratados.

LULA acaba de derrubar 18 indicações feitas por Jair Bolsonaro (após a derrota das eleições em outubro) para diretores de órgãos públicos, agências reguladoras e para o comando de embaixadas do Brasil. As indicações aguardavam aprovação do Legislativo, embora o Senado tivesse aprovado indicações para embaixadores, agora invalidadas.

A AMERICANAS está pedindo na Justiça que fornecedores de energia e de internet não possam cortar os serviços em suas operações por falta de pagamento. O grupo já foi notificado pela Enel que os estabelecimentos da marca Hortifruti seriam interrompidas a partir do próximo dia 8, tendo em vista inadimplência das faturas. Também foram enviados avisos da Light. Outras notificações de empresas do segmento poderão chegar.

O RIO de Janeiro não chega ser o primo pobre da novela, já que há estados carregando maiores passivos da rede varejistas. Não escapou, contudo, da mordida de R$ 215 milhões dos R$ 43 bilhões confessados que a Americanas tem em dívidas. E esse número podem aumentar – e muito. A Secretaria Estadual da Fazenda está atualizando as cifras, com levantamento dos autos de infração ainda não contabilizados na dívida ativa fluminense.

JORGE Paulo Lemann e Marcel Telles participavam do comando da Americanas e resolveram pular fora, há anos. Carlos Alberto Sicupira ficou até pouco tempo na presidência do conselho administrativo da rede varejista. Mesmo afastado, continua dando ordens. Agora, está contratando um esquadrão de criminalistas com o objetivo de se defender de ações criminais que deverão pipocar em curto prazo. Sua filha Cecília também foi conselheira até dois anos atrás.

A COMISSÁRIA europeia de Assuntos Internos, Yiva Johansson, vem ao Brasil em março. Entre suas atribuições, a política sueca é responsável por questões de segurança e combate ao terrorismo dentro da União Europeia. Sua vinda ao país ganha maior dimensão em razão do timing: a visita se dará dois meses após os atos criminosos em Brasília e, sobretudo, os ataques às torres de transmissão de energia.

NO ano passado, a Globo conseguiu vender apenas uma cota da cobertura do Carnaval. Este ano, até agora, nenhuma cota de publicidade conseguiu ser vendida. Pesquisas feitas por agências revelou que o consumidor, devido especialmente às tempestades golpistas das últimas semanas, não está muito interessado nesse tipo de transmissão.

CLÁUDIO HUMBERTO

"É inegável que a crise desgastou a nossa campanha"

Edinho Silva, presidente nacional do PT, sobre os escândalos do Master e do STF

20/09/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Pesquisas previam vida fácil de Lula. Mas a realidade...

A duas semanas do primeiro turno em 2022, o Datafolha previa Lula 12 pontos à frente de Jair Bolsonaro no primeiro turno e o Ipec (que era Ibope) chutava vitória de 15 pontos do petista.

Nas urnas, o placar válido foi 48,4% a 43,2%. No segundo turno, o Datafolha previa vitória de Lula com 16 pontos de vantagem, enquanto o ex-Ibope calculava vitória do petista por 19 pontos. Na realidade, a vantagem foi de 1,8% no 2º turno.

Repeteco?

A 15 dias da eleição de 2026, o Datafolha prevê Lula com 39% a 35% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e 46% a 44%, no segundo.

Muro estreito

O Quaest viu vitória de 8% de Lula em 2022 nos dois turnos. Agora prevê Lula à frente por 5% no primeiro, mas derrotado no segundo turno.

Instituto fechou

A duas semanas da eleição 2018, o Ibope errava em 18% o resultado de Bolsonaro no 1º turno. E ainda previu empate com Haddad no 2º turno.

Chegou perto

O instituto Paraná Pesquisa foi quem mais acertou em 2022. A 14 dias da eleição previa vitória de Lula por quatro pontos no primeiro turno.

Especialista vê presidência de Moraes como surreal

Próximo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a tradição, Alexandre de Moraes pode ter o comando da Corte sob impedimento perante a opinião pública, é o que avalia à coluna o professor, mestre e doutor em Direito Constitucional da USP Rubens Beçak, caso o Supremo abra investigação contra o magistrado.

Beçak diz ainda que os ministros deveriam examinar administrativamente se Moraes poderia continuar com os processos relacionados ao Master.

Peça o boné

Para Max Kolbe, advogado especialista em Direito Constitucional, Moraes deveria até se abster de disputar a presidência, caso investigado.

Situação surreal

Kolbe considera “estarrecedor” um investigado comandar a instituição responsável por supervisionar a apuração da própria conduta: “surreal”.

Não dá

No campo político, as críticas ao ministro são ainda mais incisivas, “é um escárnio com a cara do povo”, disse à coluna Rodrigo Valadares (PL-SE).

Tradição não é regra

Por tradição, o presidente o Supremo Tribunal Federal é o ministro mais antigo que ainda não tenha ocupado o posto. A eleição para sucessão de Edson Fachin deve ocorrer em agosto de 2027. Kassio Nunes Marques é o próximo da fila após Alexandre de Moraes.

Caravana

A chapa Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, do PL, tem investido no Nordeste nestes dias. A meta é percorrer os nove estados da região, tida como prioridade para a campanha.

Arruda no TSE

Derrotado no TRE-DF, José Roberto Arruda (PSD) tenta no TSE validar a indeferida candidatura ao governo do Distrito Federal. Quem vai relatar o recurso na mais alta corte eleitoral é o ministro Dias Toffoli.

Sangria na pauta

O julgamento do dissídio coletivo dos funcionários dos Correios, sem dó da combalida estatal, será nesta segunda-feira (21). Os grevistas querem coisas tipo adicional de 70% sobre férias e 200% sobre repouso ou feriado trabalhado, além de manter regalias tipo vale extra de Natal.

Picadeiro ocupado

Na polêmica sessão do STF que deveria definir se Alexandre de Moraes será investigado pela relação com Daniel Vorcaro, Gilmar Mendes falou durante mais tempo que Cármen Lúcia e André Mendonça... somados.

Foi pouco

Segundo a oposição no Congresso, o aumento do auxílio anunciado por Lula (PT) poderia ser maior do que 15%. “Desde que o imenso rombo da corrupção e do empreguismo público fosse eliminado”, diz um auxiliar.

Nome dado

Rogério Marinho (PL-RN) revelou ao Jornal Gente, da Bandeirantes, que o então líder do governo Lula, Jaques Wagner (PT-BA), recebeu ligação do decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, reclamando e “cobrando” após o Senado aprovar projeto que o STF não gostou.

Detalhe

O projeto que os ministros e Gilmar Mendes não gostaram, disse Rogério Marinho, determinava prazo curto para o plenário do STF analisar decisões monocráticas, aquelas expedidas por um só ministro.

Pensando bem…

... no Brasil, nada mais real do que o surreal.

PODER SEM PUDOR

O delegado professor

O jovem Tancredo Neves foi ser promotor em São João Del Rey. Foi chegando e arranjando uma namorada. Mal sabia que o delegado havia proibido namoro nas praças, por isso ele se misturou aos muitos casais que ocupavam um dos jardins públicos da cidade.

A polícia chegou de repente e expulsou todo mundo. Tancredo já ia protestar quando o delegado o percebeu. Rápido, o policial mostrou que tinha muito a ensinar a ele: “Doutor, botei esse pessoal para fora para deixar o senhor à vontade...”. Ah, bom.

 

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

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