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A lei da bala

O "estado de guerra" decretado pelo presidente equatoriano, Daniel Noboa, para facilitar as ações das Forças Armadas, é mero paliativo que não trará harmonia ao país

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Os episódios de violência no Equador, perpetrados após a fuga do mais perigoso comandante da principal gangue do país (Los Choneros), José Adolfo Macias Villamar, conhecido como Fito, 44 anos, evidenciam a fragilidade da mão do Estado no combate à criminalidade.

O “estado de guerra” decretado pelo presidente equatoriano, Daniel Noboa, para facilitar as ações das Forças Armadas, é mero paliativo que não trará harmonia ao país. 90% dos aprisionados do Equador são da Colômbia, do Peru e da Venezuela, a indicar a onda de violência que se espraia pela região.

Tentemos refletir sobre a segurança pública. Pinço, inicialmente, as promessas não cumpridas pela democracia, apontadas por Norberto Bobbio em seu “O Futuro da Democracia”, entre elas a educação para a cidadania, o enfrentamento às oligarquias, o combate ao poder invisível e a transparência das políticas públicas. Analisemos a expansão do poder invisível.

Trata-se do poder paralelo, informal, que age à sombra do poder formal do Estado, solapando as instituições do Direito e, agora, mostrando destemor e desafio, ao exigir pelas redes sociais que uma empreiteira no Rio de Janeiro pagasse R$ 500 mil para que ela pudesse continuar a operar no Parque Piedade, na zona norte da capital carioca.

No Brasil, como no Equador, as facções criminosas têm se alastrado pelas malhas da administração pública, organizando ataques, articulando ações de captação e remessa de drogas e armas, dando ordens dos seus escritórios, instalados (pasmem!) dentro das prisões.

As redes do tráfico de drogas têm se multiplicado, sob a incapacidade dos governos em cortar seus poderosos laços. Os Estados Unidos e os países europeus gastam bilhões de dólares para eliminar as facções do crime. Sem sucesso.

A paisagem continua a exibir os espaços alargados da violência, tão bem descritos pelo professor Samuel Huntington em sua obra “Choque de Civilizações”: “Quebra da lei e da ordem, Estados fracassados e anarquia crescente, onda global de criminalidade, máfias transnacionais e cartéis de drogas, declínio na confiança e na solidariedade social, violência étnica, religiosa e civilizacional e a lei do revólver”.

E qual é a causa do fracasso das políticas de combate ao poder invisível? Primeiro, a inação ou a falta de continuidade dos programas de segurança pública. Cada mandatário quer escrever seu nome na história, deixando de dar sequência a programas já iniciados. Um eterno recomeço.

Em segundo lugar, um governo fraco, que carece de autoridade, “deixa de cumprir sua função e se torna tão imoral quanto um juiz corrupto, um soldado covarde ou um professor ignorante”, pela comparação do professor Huntington. Os governos são pouco críveis.

Enquanto houver demanda de produtos ilícitos, enquanto o comércio de drogas estiver ativo, haverá sempre um produtor e um fornecedor na ponta inicial do rolo. Imagine-se, por exemplo, o comércio de armamentos.

Ante as guerras Rússia x Ucrânia e Israel x Hamas/Palestina e aos conflitos que explodem nos desolados territórios da África, é mais que viável nesse momento o incremento da busca e da venda de armas.

Os “senhores da guerra” estão alojados, hoje, nos picos das montanhas da violência que abala o planeta.

Voltando aos nossos trópicos. O que nos espera? Um amanhã conflituoso ou dias mais pacíficos? Acabamos de ver o ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski ser escolhido para comandar a Pasta da Justiça, consequentemente, a área da segurança pública. Conseguirá ele dar um basta ao poder informal? Ou, ao menos, atenuar seu poderio? Será difícil.

A litigiosidade parece crescer no Brasil e no próprio continente, como resultante de políticas inadequadas, ineficazes e frouxas. Este analista tem escrito e reescrito que a equação BO+BA+CO+CA é o X da questão.

Bolso cheio satisfará as Barrigas famintas, agradará aos Corações, permitindo que as Cabeças ajam com bom senso. Daí, puxo a hipótese: a economia levará um país ao paraíso da harmonia ou ao inferno da violência.

Que o Equador possa frear a onda de desordem que ameaça jogar a nação na guerra civil. E que o nosso ministro Lewandowski, com sua política e seus quadros, faça nascer a árvore da convivialidade nacional. E revogue a lei da bala.

CLÁUDIO HUMBERTO

"Não podemos mais conviver com o que estamos vivendo"

Ronaldo Caiado (PSD), ao prometer anistia aos condenados pelo 8 de janeiro de 2023

09/08/2026 08h01

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Mulher de Marcola teve aval para trabalhar no PT

A quase decorativa Comissão de Ética Pública da Presidência da República liberou Nicole Briones para trabalhar no PT, sem necessidade de respeitar a quarentena imposta aos que ocupam cargos estratégicos na administração pública.

Nicole era superintendente de Comunicação Digital e Mídias Sociais da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), mas também é casada com Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, agora ex-chefe do gabinete pessoal de Lula (PT). Problema resolvido.

Ano de ouro

Nicole foi convidada em 2025 para coordenar as mídias sociais do PT. Ela é dona da Matilha Comunicação, aberta no mesmo ano do convite.

Corrente

O processo foi relatado pelo conselheiro Bruno Espiñeira Lemos, que não viu conflito de interesse. Lemos foi nomeado por... Lula.

Colado em Lula

Marcola era um dos assessores mais próximos de Lula, até emprestava o celular ao presidente. Estava na campanha de reeleição do petista.

Fim melancólico

Marcola saiu da campanha após flagra de receber dinheiro de lobista amiga de Lulinha enrolada no caso INSS. Nicole não foi localizada.

Média das pesquisas ainda prevê empate técnico

Nos últimos dois meses, foram divulgadas 33 pesquisas eleitorais sobre o cenário de segundo turno para presidente da República. Em média, o atual presidente Lula (PT) lidera com 46% das intenções contra 42,1% do principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL).

A média das margens de erro é de 2,1% para mais ou para menos, o que configura empate técnico entre os candidatos, cenário que se repete desde o início do ano.

Bem fora da curva

A CNT/MDA de meados de junho (BR-04256/2026) previu vitória de Lula por 12,5% de vantagem, mesmo com a margem de erro de 2,2 pontos.

Lado oposto

Levantamento Gerp (BR-03067/2026) do início de julho apontou vitória de Flávio por três pontos, com margem de erro de 2,2%.

Empate na prática

Pesquisa Nexus/BTG (BR-02874/2026) do início de agosto viu apenas um ponto separando os dois candidatos; Lula com 46% a 45% de Flávio.

É provocação

Mesmo com aprovação do Senado dos Estados Unidos para Daniel Perez ser embaixador do país no Brasil, Lula só deve andar com a avaliação do indicado de Donald Trump após o 2º turno das eleições. 

Pobre agro

Até o Produto Interno Bruto (PIB) do resiliente agronegócio brasileiro sucumbiu e registrou queda de 2% no primeiro trimestre deste ano. O levantamento é do Cepea em parceria com a CNA.

Pedras fundamentais

Ao confirmar Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo) candidatos no Rio Grande do Sul, Flávio Bolsonaro reforçou que a dupla terá papel central na formação da “maioria conservadora no Senado”.

Livramento

Sobre a decisão do governo Lula de rebaixar as relações diplomáticas com a Argentina, Flávio Bolsonaro disse o “próximo país a se libertar de projeto fracassado será o Brasil. A partir de 2027, voltaremos a tratar nossos vizinhos como sócios, não adversários ideológicos”.

Censura de incompetentes

Kim Kataguiri (Missão) criticou pedido de Janja para retirar a plataforma Discord do ar e questionou a atuação da primeira-dama: "quem votou nela?". Para o deputado federal, o país é “refém de incompetentes”.

Chega

Ronaldo Caiado, pré-candidato do PSD ao Planalto, diz que tomará uma série de medidas já no primeiro dia de um eventual governo. Entre elas, anistia aos presos pelo 8 de janeiro. Diz que é para pacificar o país.

Esperança de reabertura

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que um acordo sobre o Estreito de Ormuz é possível já na quarta-feira (12). A expectativa é que até um pré-acordo possa permitir a reabertura da via marítima.

Triste recorde

"Se você está endividado, a culpa é do Lula", acusou Flávio Bolsonaro ao comentar o recorde de endividamento das famílias brasileiras, que atingiu 82%. Para o candidato ao Planalto, “a conta não fecha”.

Pensando bem...

...tem casamento que é bom negócio.

PODER SEM PUDOR

Conta de somar

Homem sério, o líder mineiro Milton Campos nunca foi daqueles políticos que tentam explicar o inexplicável.

Ele perdeu para João Goulart, em 1960, a eleição para vice-presidente da República, que na época não era “casada” com a de presidente. Na expectativa de obter uma avaliação profunda do seu próprio insucesso, um jornalista provocou:

“Dr. Milton, por que o senhor perdeu?”. Encerrando a conversa mole, disse: “Perdi porque ele teve mais votos”.

 

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Arthur Maximilliano

A nova era dos dados: quando o empresário deixa o achismo para trás e passa a decidir com clareza

04/08/2026 00h03

COLUNISTA ARTHUR MAXIMILIANO

COLUNISTA ARTHUR MAXIMILIANO

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Durante muito tempo, o sucesso de uma empresa foi construído sobre a experiência e o famoso "faro" do empreendedor. A intuição sempre foi protagonista nas grandes decisões. Mas algo mudou — e mudou rápido.

Hoje, quem ainda aposta apenas na sensação corre o risco de ficar para trás, enquanto outros aprenderam a ler os sinais que os números deixam pelo caminho. Não se trata de abandonar a intuição. Trata-se de potencializá-la.

Bem-vindo à era da gestão orientada por evidências, onde o dado se tornou o novo instinto do líder.

Do achismo à clareza empresarial

Tomar decisões sem dados é como dirigir de noite com os faróis apagos. O carro até anda, mas cada curva vira uma aposta.

Os líderes que prosperam hoje são aqueles que transformaram números em narrativas reais. Eles sabem que cada gráfico revela um comportamento, cada indicador esconde (ou revela) uma oportunidade, e cada desvio traz um aprendizado valioso.

Não olham para uma planilha como algo frio ou técnico. Olham como quem lê o pulso da empresa — e transformam informação em ação.
Business Intelligence: o espelho fiel do seu negócio

Com o avanço do Business Intelligence e das ferramentas de visualização, ficou possível enxergar a empresa em tempo real. Hoje, você descobre onde o dinheiro entra, onde escapa e onde poderia render mais — tudo em um único painel.

Mas BI não é só tecnologia. É sobre fazer as perguntas certas:

Quais produtos realmente sustentam meu lucro?

Qual canal me traz clientes que ficam?

Qual time entrega mais com menos atrito?

Quando o dado responde, você para de adivinhar e começa a decidir de verdade.

A combinação entre razão e sensibilidade

O dado mostra o caminho. Mas quem escolhe a direção ainda é você.

A melhor liderança não é aquela que abandona a intuição — é a que a usa com inteligência. Intuição apoiada em dados deixa de ser palpite e vira estratégia. É nesse ponto que tecnologia e humanidade se encontram: o dado oferece o diagnóstico; o líder, o propósito.

Inteligência Artificial e o novo papel do gestor

Com a Inteligência Artificial, as empresas deixaram de apenas olhar para trás. Agora, elas antecipam o que vem pela frente. Sistemas identificam padrões, preveem quedas de receita, antecipam cancelamentos e até recomendam ações antes que o problema bata à porta.

Mas o verdadeiro diferencial está em quem interpreta o que a IA aponta. O dado mostra o que está acontecendo. A inteligência humana entende por que — e decide o que fazer a partir disso.

O dado como cultura, não como ferramenta

A empresa do futuro não será a que tiver mais tecnologia. Será a que ensinar sua equipe a pensar com base em dados. Quando cada pessoa, de qualquer área, entende o impacto real de suas decisões nos resultados, a empresa deixa de reagir e passa a planejar.

Decidir com dados é decidir com consciência. E consciência é a base da alta performance.
 

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