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GIBA UM

"Acabou o complexo de vira-lata. Não somos inferiores a ninguém."

do presidente eleito LULA // avisando que no seu governo nada será privatizado.

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Até agora, estão confirmadas as presenças de 17 chefes de Estado na posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. O número baterá o recorde da posse de Lula para seu primeiro mandato em 2002. 

Mais: na posse de Jair Bolsonaro, em 2019, vieram ao todo 10 chefes do Estado. Os Estados Unidos deverão ser representados pela vice-presidente Kamala Harris. Nicolás Maduro, queria vier, mas está proibido de entrar no Brasil.

“Acabou o complexo de vira-lata. Não somos inferiores a ninguém. Vai acabar as privatizações nesse país”, 

do presidente eleito LULA // avisando que no seu governo nada será privatizado.

In – Macacão feminino com alça
Out – Macacão feminino tomara-que-caia

Fotos:Reprodução

Esbanjando sensualidade

A super modelo e empresária Alessandra Ambrósio, 41 anos, mostrou toda a sua sensualidade na nova campanha da Jacquie Aiche Jewelry (que foi criada por influências da mistura das etnias dos pais egípcios e americanos). A design também tem influências do Oriente Médio de ouro martelado, amuletos e imagens de deusas e por isso sentiu a necessidade de criar  correntes corporais e pulseiras de dedo que trazem uma sensação de extravagância com um toque de rebeldia. Em alguns cliques da campanha a modelo aparece usando conjunto de lingerie da Gucci que muitos chegaram a confundir até o tema da campanha. Na semana passada ela e outras modelos brasileiras desfilaram na Qatar Fashion United. Sobre sua carreira é direta: “Não esperava que a modelagem fosse durar, mas aqui estou fazendo e amando. Isso me fez sentir que posso abraçar meu visual em todas as fases da minha vida”. E falando propriamente sobre moda: “Acho que devemos abordar a moda com um senso de diversão e alegria. Dessa forma, podemos experimentar a aparência e ver como se sente”. 

“Coisas erradas”

No último fim de semana, Valdemar Costa Neto, dono do PL, conversou muito com o ainda presidente Jair Bolsonaro (falaram sobre casa a ser alugada e escritório de dois andares adiado). Valdemar não viu grande mudança no comportamento do Capitão, que não sabe o que fazer ou que atitude tomar em relação a seus seguidores e mesmo em relação a seu futuro político. Na semana passada, Valdemar divulgou um vídeo para a militância comentando que  Alexandre de Moraes havia mantido a multa de R$ 22,5 milhões aplicadas pelo TSE ao PL. No vídeo, ele pediu que os manifestantes sigam mobilizados, desde que não façam “coisas erradas”. Muitos seguidores associaram a recomendação ao vandalismo praticado por bolsonaristas no dia da diplomação de Lula.

Um trio diferente

Como em todas as épocas festivas,  grandes grifes e magazines costumam investir em publicidade voltada para a data. Se aproximando do Natal a Riachuelo uniu três grandes personalidades femininas para mostrar sua coleção para Natal e Ano Novo: Rafa Kalimann, Sabrina Sato e GKay. “Nesta campanha conseguimos ver essas mulheres super poderosas, que estão sempre super bem produzidas, num outro patamar, falando de coisas do dia a dia e da vida delas. Foi legal trazer um pouco dessa realidade delas”, falou Thaís Castro, Head de Marketing da loja. E completa: “Para além do humor, a campanha reforça nosso ecossistema que reúne moda, lifestyle, produtos e serviços financeiros. Hoje nossos clientes possuem uma experiência de consumo cada vez mais completa”.

Almanaque

A Granja do Torto, outra residência oficial da Presidência que estava ocupada por Paulo Guedes, estará agora  à disposição de Lula. O local tinha uma predileção do petista em seus dois primeiros governos, ao lado de Marisa Letícia. Era lá que o casal promovia  churrascos dominicais com aliados e uma famosa festa  de São João, onde os dois protagonizavam um casamento caipira. Também era lá que Lula, ao lado do amigo Sigmaringa Seixas, caçava um pato para o almoço dominical.

Olho na Amazônia

O ex-diretor da Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Ricardo Galvão, que integrava a equipe de transição do governo, poderá assumir o Conselho da Amazônia. Sua indicação tem o apoio da ex-ministra e deputada federal Marina Silva, provável candidata ao Ministério do Meio Ambiente. Galvão foi demitido do comando do Inpe por Jair Bolsonaro por divulgar dados do desmatamento da Amazônia.

Refém, não

Malgrado ele tenha desmentido, até agora o presidente da Câmara, Arthur Lira, acha que a decisão do STF de considerar inconstitucional o orçamento secreto, teria tido devido a interferência do presidente eleito. Lira teria considerado fazer de Lula um refém dele, aumentando até suas exigências que inclui dois ministérios e nada menos do que 150 nomeações em diversos órgãos para filiados do PP. Em algumas circunstâncias, Lira foi avisado por figuras mais veteranas da política que Lula era um exímio negociador – e desde seus tempos de sindicalismo.

NOVO TRATADO

O ex-ministro Paulo Bernardo, que retornou à cena política nacional depois de longo período, deverá mesmo assumir a presidência da Itaipu Binacional. A escolha do futuro número um da Itaipu tem ainda mais importância no mosaico de cargos da área de energia devido a uma circunstância especial. No próximo ano, Brasil e Paraguai terão de negociar o novo tratado de Itaipu – o atual em vigor desde 1973, expira no mês de abril de 2023.

Caixa seco

No final do governo Bolsonaro, o Ministério do Desenvolvimento Regional pediu ao Ministério da Economia uma verba extra de R$ 21 milhões, em caráter de urgência. O dinheiro é para manter ativa, até o fim do mês, a Operação Carro-Pipa, que atende populações rurais atingidas pela seca e estiagem. O caixa secou. Sem a liberação do dinheiro, o Ministério não conseguirá contratar novos carros pipas e pagar dívidas pendentes. O serviço já foi parcelado em algumas cidades por falta de pagamento.

REFUNDAÇÃO

O novo chanceler, Mauro Vieira, anunciará até março o regresso do Brasil à Unasul (União das Nações Sul-americanas). O futuro governo Lula trabalhará pelo revigoramento da organização que quase entrou em hibernação desde 2019, por conta de Jair Bolsonaro que determinou a saída do Brasil do bloco. A Unasul já teve 12 nações; hoje, são apenas quatro – Bolívia, Venezuela, Guiana e Suriname. Vieira acha que a refundação da Unasul dará voz à América do Sul.

Mesma música

O Ministério Público Eleitoral, pediu a revogação do diploma do governador Claudio Castro, do Rio, mas ele não parece estar preocupado com o futuro. Dia desses, com jornalistas, ele voltou a negar as acusações – e resolveu exibir seus dotes de cantor, recitando É preciso saber viver, de Roberto e Erasmo Carlos. Era a música favorita de seu antecessor Sérgio Cabral, que acaba de deixar a cadeia onde ficou seis anos e entrará em prisão domiciliar, com tornozeleira.

Outro canal 1

No jantar que ofereceu em sua casa ao vice-presidente da Record, Antônio Guerreiro, o animador Fausto Silva respondeu ao convite da emissora para um programa dominical desde que recebesse um fixo de R$ 5 milhões, mais R$ 100 mil para cada um dos diretores da atração. Guerreiro foi a Portugal falar com Edir Macedo, que mandou oferecer outra proposta: R$ 1 milhão fixo mensal, mais cachês de todos os merchandising e R$ 60 mil para os diretores, o que não foi aceito.

OUTRO CANAL 2

Quase ao mesmo tempo, a Band que apresenta o programa de Fausto Silva de segunda a sexta-feira, modificou o contrato do animador reduzindo seu fixo de R$ 3,5 milhões mensais para R$ 2,5 milhões – e a grade seria mantida no ano que vem. Numa nota, a Band disse que o programa representa 50% de seu faturamento, o que muita gente não levou a sério. A programação de publicidade caiu desde sua estreia e a Band ainda tem a Fórmula 1 (grande faturamento).

MISTURA FINA

HÁ quem diga que a decisão de Gilmar Mendes, que surpreendeu congressistas, pode representar uma espécie de aliança com Lula. Anulou o papel do Legislativo na retirada do Bolsa Família do Teto de Gastos e autorizou que despesas ocorram apenas por crédito extraordinário. De quebra, o STF declarou inconstitucional o orçamento secreto. Mais: livrou o vice Geraldo Alckmin de ação penal por recebimento de propina.

NAS redes sociais, nas últimas horas, depois da decisão (apertada) do Supremo sobre o orçamento secreto, multiplicavam-se comentários e até charges onde, com muito humor, internautas colocavam Lula dizendo para Arthur Lira “Não se desespere, tudo tem solução”. A dose de humor, contudo, estava numa charge onde Lula aparecia fantasiado de Chapolin Colorado falando a Lira: “Não contavam com minha astúcia”.

FUTURO ministro da Fazenda, Fernando Haddad disse que há espaço para estímulo da economia pelo lado monetário e que existem condições de queda das taxas de juro. Aí, a tensão reduziu. No duro, revelou o medo que Haddad tem de que Roberto Campos Neto deixe a presidência do Banco Central. Ele leva a sério sua missão e nunca cedeu nem mesmo a Paulo Guedes, que o colocou lá. Traduzindo: o BC é independente até que Campos Neto jogue a toalha. Nesse caso, Haddad poderia escolher outro – que seria dominado por ele.

ENTRE os vilões nos custos do setor aéreo, o querosene de aviação é o pior. De janeiro até o início do mês, o combustível derivado do petróleo subiu 49,6%. O insumo responde por cerca de 40% dos custos das empresas aéreas. No mesmo período, o preço das passagens no país avançou 22,4%, de acordo com o IBGE. Os aeronautas em greve querem recomposição dos salários e aumento real de 5%.

O EX-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral cumprirá o resto de suas penas de prisão, que somam 390 anos, em um apartamento de 80 metros quadrados entre Copacabana e Arpoador. É bem menos do que os 400 metros quadrados do apartamento onde foi preso, em 2016, no Leblon, mas é bem mais do que os oito metros quadrados de sua cela no Batalhão Especial Prisional, em Niterói. O apartamento onde morará tem vista para o mar.

ESTÁ confirmado: o trio de articuladores do governo Lula será formado pelo deputado Alexandre Padilha (PT-SP) no comando da Secretaria do Governo, pelo deputado José Guimarães (PT-CE) na liderança do governo na Câmara dos deputados e pelo senador Jaques Wagner (PT-BA). Falta definir o futuro líder do governo no Congresso, cargo que surgiu nos tempos de Tancredo Neves e o primeiro do novo posto foi FHC.

O PRESIDENTE eleito Lula pretende que Aloizio Mercadante, ex-ministro (criticado) de Dilma Rousseff, comande um banco de fomento, o BNDES, que emprega 2,5 mil pessoas com média salarial de R$ 31 mil (diretoria muito mais).
 

CLÁUDIO HUMBERTO

"É inegável que a crise desgastou a nossa campanha"

Edinho Silva, presidente nacional do PT, sobre os escândalos do Master e do STF

20/09/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Pesquisas previam vida fácil de Lula. Mas a realidade...

A duas semanas do primeiro turno em 2022, o Datafolha previa Lula 12 pontos à frente de Jair Bolsonaro no primeiro turno e o Ipec (que era Ibope) chutava vitória de 15 pontos do petista.

Nas urnas, o placar válido foi 48,4% a 43,2%. No segundo turno, o Datafolha previa vitória de Lula com 16 pontos de vantagem, enquanto o ex-Ibope calculava vitória do petista por 19 pontos. Na realidade, a vantagem foi de 1,8% no 2º turno.

Repeteco?

A 15 dias da eleição de 2026, o Datafolha prevê Lula com 39% a 35% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e 46% a 44%, no segundo.

Muro estreito

O Quaest viu vitória de 8% de Lula em 2022 nos dois turnos. Agora prevê Lula à frente por 5% no primeiro, mas derrotado no segundo turno.

Instituto fechou

A duas semanas da eleição 2018, o Ibope errava em 18% o resultado de Bolsonaro no 1º turno. E ainda previu empate com Haddad no 2º turno.

Chegou perto

O instituto Paraná Pesquisa foi quem mais acertou em 2022. A 14 dias da eleição previa vitória de Lula por quatro pontos no primeiro turno.

Especialista vê presidência de Moraes como surreal

Próximo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a tradição, Alexandre de Moraes pode ter o comando da Corte sob impedimento perante a opinião pública, é o que avalia à coluna o professor, mestre e doutor em Direito Constitucional da USP Rubens Beçak, caso o Supremo abra investigação contra o magistrado.

Beçak diz ainda que os ministros deveriam examinar administrativamente se Moraes poderia continuar com os processos relacionados ao Master.

Peça o boné

Para Max Kolbe, advogado especialista em Direito Constitucional, Moraes deveria até se abster de disputar a presidência, caso investigado.

Situação surreal

Kolbe considera “estarrecedor” um investigado comandar a instituição responsável por supervisionar a apuração da própria conduta: “surreal”.

Não dá

No campo político, as críticas ao ministro são ainda mais incisivas, “é um escárnio com a cara do povo”, disse à coluna Rodrigo Valadares (PL-SE).

Tradição não é regra

Por tradição, o presidente o Supremo Tribunal Federal é o ministro mais antigo que ainda não tenha ocupado o posto. A eleição para sucessão de Edson Fachin deve ocorrer em agosto de 2027. Kassio Nunes Marques é o próximo da fila após Alexandre de Moraes.

Caravana

A chapa Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, do PL, tem investido no Nordeste nestes dias. A meta é percorrer os nove estados da região, tida como prioridade para a campanha.

Arruda no TSE

Derrotado no TRE-DF, José Roberto Arruda (PSD) tenta no TSE validar a indeferida candidatura ao governo do Distrito Federal. Quem vai relatar o recurso na mais alta corte eleitoral é o ministro Dias Toffoli.

Sangria na pauta

O julgamento do dissídio coletivo dos funcionários dos Correios, sem dó da combalida estatal, será nesta segunda-feira (21). Os grevistas querem coisas tipo adicional de 70% sobre férias e 200% sobre repouso ou feriado trabalhado, além de manter regalias tipo vale extra de Natal.

Picadeiro ocupado

Na polêmica sessão do STF que deveria definir se Alexandre de Moraes será investigado pela relação com Daniel Vorcaro, Gilmar Mendes falou durante mais tempo que Cármen Lúcia e André Mendonça... somados.

Foi pouco

Segundo a oposição no Congresso, o aumento do auxílio anunciado por Lula (PT) poderia ser maior do que 15%. “Desde que o imenso rombo da corrupção e do empreguismo público fosse eliminado”, diz um auxiliar.

Nome dado

Rogério Marinho (PL-RN) revelou ao Jornal Gente, da Bandeirantes, que o então líder do governo Lula, Jaques Wagner (PT-BA), recebeu ligação do decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, reclamando e “cobrando” após o Senado aprovar projeto que o STF não gostou.

Detalhe

O projeto que os ministros e Gilmar Mendes não gostaram, disse Rogério Marinho, determinava prazo curto para o plenário do STF analisar decisões monocráticas, aquelas expedidas por um só ministro.

Pensando bem…

... no Brasil, nada mais real do que o surreal.

PODER SEM PUDOR

O delegado professor

O jovem Tancredo Neves foi ser promotor em São João Del Rey. Foi chegando e arranjando uma namorada. Mal sabia que o delegado havia proibido namoro nas praças, por isso ele se misturou aos muitos casais que ocupavam um dos jardins públicos da cidade.

A polícia chegou de repente e expulsou todo mundo. Tancredo já ia protestar quando o delegado o percebeu. Rápido, o policial mostrou que tinha muito a ensinar a ele: “Doutor, botei esse pessoal para fora para deixar o senhor à vontade...”. Ah, bom.

 

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

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