Já damos os primeiros passos neste novo ano. Talvez permaneçam algumas recordações não muito agradáveis. Permanecem guardadas nos arquivos da mente humana e necessitam dispensar algumas atenções antes de prosseguir o caminho.
Embora isso seja comum no caminho de tantos caminhantes, haverá a necessidade de novas ideias, novos projetos e novos sonhos. Pois sonhar é bom e alivia as amarguras. Diminui as tensões e abre um novo espaço na mente, a fim de possibilitar novas propostas mais amenas.
Apesar disso estar disponível, é bom lembrar que somos humanos. E, como tais, não nos contentaremos com aquilo que herdamos dos antepassados. Queremos mais. Queremos o melhor. Queremos o mais proveitoso e o mais útil. E a mente não se contentará com o comum.
Busca algo que satisfaça, não a curiosidade, mas a razão. Lembro um acontecimento descrito na Bíblia Sagrada. É o acontecimento relacionado com os Reis Magos ou Santos Reis. O assunto era comum nos meios sociais e religiosos da época.
O povo andava em busca de explicações a respeito do Messias que havia nascido. Mas ninguém sabia com certeza onde e como. Os Magos, homens sedentos da verdade, partem para uma longa e sofrida caminhada, alimentando a esperança de encontrá-lo.
Não sossegariam enquanto não descobrissem o mistério e tivessem acesso a ele. Imaginação, fantasia e tantas conversas não levariam a nada e não causariam satisfação. Queriam a verdade. Somente a verdade.
E o encontraram. A alegria superou as dificuldades. A fé venceu os obstáculos das montanhas e de outras tantas dificuldades. Mas aqueles que permaneceram em seus palácios, aguardando notícias em um ambiente confortável, foram surpreendidos com a notícia. E continuaram não entendendo.
Esqueceram que a verdade tem seu preço. Precisavam enfrentar dúvidas e dificuldades. Precisavam caminhar entre pedras e espinhos. Precisavam enfrentar pessoas estranhas e muitos perigos. E chegaram onde ele se encontrava. Olharam em seus olhos. Uniram as mãos. E elevaram a prece da gratidão.
Abriram seus corações que se encontravam fechados nos cofres e generosamente se abriram e ofereceram suas preciosidades: ouro, incenso e mirra. Era o que tinham como garantia de sobrevivência. Era tudo. Não duvidaram. Apostaram na confiança e na sinceridade. Encontraram felizes o Messias, o Salvador.
Quem não souber disso, procurará Deus em um conforto, em um altar de mármore, em um ambiente iluminado e aprazível. Esquece que ele se encontra e se revela no olhar sofrido de uma criança, nas mãos estendidas de um pedinte, no semblante triste de um jovem decepcionado com a vida, no caminhar inseguro de um ancião, em um corpo se consumindo na enfermidade.
Não apenas nessas situações. Ele se encontra em um sorriso inocente de uma criança, na alegria de um jovem, no carinho e na ternura partilhados entre mãe e filho, entre marido e esposa.
Revela-se nas atitudes e nos gestos de uma pessoa consagrada doando seus talentos e suas energias a serviço de palavras de encorajamento, de conforto, de misericórdia e de perdão.





