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editorial

Crédito não pode virar renda

Embora programas de crédito mais barato sejam importantes no curto prazo, a solução estrutural passa necessariamente pela educação financeira

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O crédito continua ocupando um espaço delicado na economia brasileira. Embora alguns indicadores demonstrem melhora gradual no acesso a financiamentos e renegociações, a saúde do crédito ainda inspira preocupação. O endividamento das famílias segue elevado, os juros permanecem altos em diversas modalidades e boa parte da população ainda recorre a empréstimos, não para investir ou adquirir patrimônio, mas para conseguir equilibrar despesas básicas do cotidiano.

Neste cenário, o crédito consignado vinculado ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) surge como uma alternativa menos agressiva para trabalhadores que precisam de dinheiro imediato. Ao oferecer juros menores e facilitar renegociações de dívidas, a modalidade cria condições mais acessíveis para quem enfrenta dificuldades financeiras. Nesta edição, mostramos que Mato Grosso do Sul já movimentou R$ 1,6 bilhão em créditos do consignado do FGTS, número expressivo quando comparado a diversos outros indicadores da economia local.

É inegável que o acesso ao crédito tem papel importante na dinâmica econômica. Ele movimenta consumo, permite investimentos e ajuda famílias e empresas a realizarem projetos que demorariam muitos anos para sair do papel apenas com renda própria. O crédito, quando utilizado de forma saudável, é uma ferramenta de desenvolvimento.

Basta observar o setor imobiliário. Sem financiamentos de longo prazo, quantas famílias de classe média conseguiriam adquirir o primeiro imóvel? Em muitos casos, levaria décadas. Isso também vale para a compra de veículos de trabalho, equipamentos agrícolas, máquinas industriais e outros bens de capital elevado. O crédito é, portanto, uma alavanca econômica indispensável para o crescimento das sociedades modernas.

O problema começa quando o crédito deixa de ser instrumento de investimento e passa a funcionar como complemento de renda, e esta distorção se tornou cada vez mais comum no Brasil. Milhões de famílias recorrem a empréstimos para pagar supermercado, contas básicas, remédios ou outras despesas correntes. Isso evidencia não apenas dificuldades financeiras imediatas, mas também fragilidade na educação financeira da população.

Crédito não é salário, não substitui aumento de renda, não corrige desequilíbrios permanentes do orçamento e tampouco pode servir como solução contínua para dificuldades financeiras. Quando utilizado desta forma, acaba se transformando em armadilha, alimentando ciclos de endividamento difíceis de romper.
Por isso, embora programas de crédito mais barato sejam importantes no curto prazo, a solução estrutural passa necessariamente pela educação financeira. O Brasil ainda forma gerações inteiras sem nenhuma orientação consistente sobre orçamento doméstico, planejamento, juros, investimentos ou consumo responsável.

Melhorar o índice de educação financeira da sociedade é fundamental para que o crédito cumpra sua verdadeira função: impulsionar crescimento patrimonial e desenvolvimento econômico, e não servir apenas como paliativo para dificuldades do dia a dia. O acesso ao crédito precisa ser ampliado, mas acompanhado de consciência financeira. 

CLAÚDIO HUMBERTO

"Essa tarifa é do Lula"

Flávio Bolsonaro (PL), sobre novo tarifaço anunciado por Donald Trump contra o Brasil

03/06/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Lula apela à desinformação contra novas tarifas

Lula e seus marqueteiros perderam a linha recorrendo à desinformação eleitoreira contra a decisão dos EUA de impor ao Brasil novas sanções tarifárias por “práticas abusivas”. Lula tentou atribuir a decisão a Flávio e ao irmão Eduardo, os “traidores”, pregando a morte de ambos, mas mentiu: as sanções decorrem de investigação iniciada há quase um ano no âmbito da seção 301 do USTR (espécie de ministério do comércio dos EUA), cujo resultado saiu ontem. Nada a ver com a família Bolsonaro, tudo a ver com a expectativa de melhorar nas pesquisas, como em 2025.

Corre com os panos

Após a nota oficial na qual o governo ameaça retaliar contra os EUA, o vice-presidente Geraldo Alckmin foi às redes sociais defender o diálogo.

Palavra do vice

“Diálogos entre os presidentes Lula e Trump prosseguirão em busca de melhor relação comercial para ambos os países”, afirmou Alckmin.

Esquece a ameaça

Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad também foi rápido na defesa do diálogo entre Brasil e EUA.

Distensiona

“Antes de qualquer escalada, o Brasil deve esgotar os caminhos do diálogo”, defendeu Trad, que não quer usar a lei para aumentar tensões.

Já usando colete, Flávio deve reforçar segurança

Flavio Bolsonaro (PL), que já usa colete à prova de bala quando sai às ruas no Brasil, foi aconselhado a reforçar sua segurança após Lula (PT) indicar que deseja sua morte ao mencionar o enforcamento como opção. Declarações de ódio de líderes políticos, ao longo da História, tem estimulado assassinatos e tentativas de homicídio como a facada que quase tirou a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2018. Tem sido recorrente na América Latina o assassinato de políticos de direita.

Uribe assassinado

Na Colômbia, senador Miguel Uribe, forte candidato a presidente, foi morto a tiros em 2025. Era opositor de Gustavo Petro, amigo de Lula.

Assassinato em Quito

Em 2023, o candidato de direita à presidência do Equador, Fernando Villavicencio, foi assassinado em Quito, logo após um comício.

Facções contra direita

Daniel Noboa, de direita, acabaria eleito presidente do Equador, mas ele teve o carro metralhado por facções terroristas. Escapou ileso.

Tudo só depois

Pré-candidato do PSD a presidente, Ronaldo Caiado admite chapa com Romeu Zema (Novo), mas diz que a definição será perto da convenção, em julho. Para Zema, no momento, “qualquer coisa é muito prematuro”.

Ficha Limpa, 16

É amanhã (4) o aniversário de 16 anos da Lei da Ficha Limpa, resiliente durante igual período em que sofre ataques do Congresso e até do Judiciário. Foram mais de 1,6 milhão de assinaturas de apoio ao texto.

Duplamente punidos

Para o deputado príncipe Luiz Philippe Orleans e Bragança (PL-SP), o tarifaço dos Estados Unidos é duplamente prejudicial aos brasileiros, que, além da taxa, já é penalizado pela gestão do atual governo.

Arraso nos gaúchos

Pode chegar aos US$334 milhões o impacto do tarifaço nas exportações gaúchas, estima a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul. A Farsul diz que a sobretaxa de 25% afetaria 81% das vendas aos EUA.

Alto risco

Há um ano, o governo dos EUA atualizou a recomendação de viagens para americanos no Brasil. Além de exercer “precaução elevada”, o risco de sequestro foi incluído no aviso oficial e até hoje permanece.

Herança

A canetada do ministro Dias Toffoli (STF), que anulou provas contra a Odebrecht, corrupta confessa, foi citada pelo governo dos Estados Unidos para mostrar a fragilidade do Brasil no combate à corrupção.

Governo apressado

Apesar de o governo dizer, em nota oficial, que pode usar a Lei de Reciprocidade contra a decisão dos EUA de aplicar novas tarifas contra o Brasil, tanto o vice Geraldo Alckmin (PSB), quanto outros governistas no Congresso se apressaram para dizer que, antes, vai haver “diálogo”.

Estranho processo

Aposentados do INSS têm só até 20 de junho para contestar descontos associativos fraudulentos em seus benefícios. O governo Lula obriga a contestação para que quem foi roubado receba seu dinheiro de volta.

Pensando bem...

...na Praça dos Três Poderes só sobrou uma prioridade: a eleição.

PODER SEM PUDOR

Cláudio Humberto

Pontaria ruim

Nos anos 40, o deputado Otávio Mangabeira (UDN) foi representar a Câmara em uma demonstração de tiro da Marinha, em alto mar. Não gostou da missão porque detestava exibições militares. Durante o exercício, era visível o seu desinteresse. O comandante resolveu se vingar quando percebeu que o absorto Mangabeira tomou um susto com um dos tiros: “Ora, deputado, não vá me dizer que está com medo...”. Mangabeira foi rápido no gatilho: “Estou sim, almirante. É que o único lugar seguro, por aqui, é o alvo”.

CLAÚDIO HUMBERTO

"O narcotráfico está dominando o Brasil"

Aldo Rebelo, pré-candidato a presidente da República

02/06/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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PEC 6x1: Governo vê aceno de Alcolumbre ao PL

Parte do governo tem certeza de que Davi Alcolumbre (União-AP) quer usar a tramitação do projeto que acaba com a jornada de trabalho de 44 horas semanais, a escala 6x1, para viabilizar a reeleição à Presidência do Senado, em fevereiro de 2027. Além disso, o senador não parece disposto a dar de mão beijada a vitória política a Lula (PT). Alcolumbre agilizou a tramitação da proposta da oposição sobre o tema. O texto é assinado pelo líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN).

Vapt-vupt

O texto de Marinho entrou no sistema na última quinta-feira (28) e no mesmo dia já foi despachado para a Comissão de Constituição e Justiça.

No molho

Também na quinta-feira (28) chegou ao Senado o texto governista aprovado pela Câmara, que ainda aguarda despacho de Alcolumbre.

Semana esvaziada

A reunião de líderes para resolver a tramitação da proposta já desidratou. Deve ser só com o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA).

Boca de sacola

Senadores contam que Alencar disse que a tramitação começa dia 10 na CCJ. O prazo vazou antes da reunião com Alcolumbre, que não gostou.

Atuação de facões é o que ameaça a soberania

Autor especialista em segurança pública, Alessandro Visacro avalia que a decisão dos Estados Unidos de classificar organizações criminosas brasileiras como grupo terroristas não ameaça a soberania do Brasil. A verdadeira ameaça é a própria atuação “desenfreada” desses grupos no dentro e fora do País. “Já caracteriza violação flagrante da soberania”, disse Visacro ao Jornal Gente, da Bandeirantes; “nossa soberania já vem sendo ameaçada de forma incisiva por esses grupos armados criminais”.

Ameaça real

A soberania vem sendo “solapada” há décadas, diz Visacro, que vê áreas de “microsoberania” das próprias facções dentro do território brasileiro.

Estado paralelo

Visacro lembrou da operação policial no Rio de Janeiro, ano passado, que observou quase 500 homens armados; “estrutura paramilitar”.

Só não vê...

“Em qualquer lugar do mundo isso é considerado um batalhão de guerrilha”, avaliou Alessandro Visacro.

Vai dar cancelamento

O ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) corre o risco de ser cancelado pela esquerda brasileira após elogiar, ontem, o regime militar por construir em 6 anos a usina nuclear de Angra 2, em contraste com a paralisia de 30 anos de Angra 3. “Precisamos avançar”, pregou.

Liberdade

Ministros do STF foram questionados em Lisboa com perguntas contundentes, não respondidas. Se fosse no Brasil, quem fizesse abordagem assim estaria no sal. Lá, a liberdade não é relativizada.

Nunca falta

Não tem Daniel Vorcaro pagando degustação de uísque Macalan ao custo de R$6,3 milhões, mas advogados que ficaram milionários defendendo petistas têm feito lobby em eventos paralelos de Lisboa.

Michelle com Celina

Antes da alta hospitalar, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), recebeu visita da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. As duas são amigas e Celina conta com apoio de Michelle na eleição deste ano.

Os intocáveis

A proposta mais relevante de Ricardo Lewandowski como ministro da Justiça e Segurança de Lula foi o projeto “Pena leve”, pró-encarcerados. E classificar de terroristas as facções criminosas que controlam vastas áreas do território nacional, para ele, “fragiliza a soberania”. De quem?

Pressa zero

Ainda que Lula reenvie a indicação de Jorge Messias (AGU) ao Supremo Tribunal Federal (STF), Davi Alcolumbre (União-AP) não tem a menor pretensão de pautar a votação este ano. Nem previsão de data existe.

Nada de invasão

Ciro Gomes (PSDB) descarta lorota de que os Estados Unidos vão invadir o Brasil. Ele explica que o que vai acontecer é o bloqueio das contas de facções criminosas que movimentam bilhões de reais.

Melhor ao contrário

O governador Tarcísio de Freitas (Rep-SP) disse que pré-candidato do PT Fernando Haddad tem o mérito de ter sido o “melhor ministro da Fazenda da História... do Paraguai”, já que sob a gestão petista diversas empresas abandonaram o Brasil e se instalaram no país vizinho.

Pensando bem...

...no Brasil, produzir filme deve ser pior que roubar velhinhos.

PODER SEM PUDOR

Cláudio Humberto

Memória afiada

O senador Áureo Mello passava o Carnaval de 1994 no Rio de Janeiro, na casa da família do poeta J.G. de Araújo Jorge. Certo dia, foi surpreendido pela famosa foto, nos jornais, de Itamar Franco com a modelo Lílian Ramos, no Sambódromo. Ela vestia só uma camiseta, sem nada por baixo. “Que papelão o Itamar fez na avenida...” comentou um amigo do senador. Áureo Mello ajeitou os óculos, aproximou o jornal do rosto e pilheriou: “Meu Deus! Se não me falha a memória, isto aí é a dita cuja”. O senador tinha boa memória.

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