Colunistas

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O título se refere ao termo incomum, empregado eventualmente, mas adequado para adjetivar negativamente tanto uma pessoa (estereótipo) como seu comportamento, tal qual encontramos nos noticiários atuais sobre o presidente americano e seus feitos. Este particípio passado do verbo despirocar, regular, transitivo direto, por vezes é utilizado como adjetivo para descrever alguém louco, fora de si, abilolado, desvairado, com a conotação de quem perdeu a razão, que age de modo estranho ou fora dos padrões habituais de convivência e diplomacia.

As regras de convivência envolvem as etiquetas que ditam o comportamento, a harmonia, a organização e a previsibilidade nas ações e são necessárias à interação humana. Já as normas da diplomacia referem-se às praticas protocolares reconhecidas internacionalmente de modo a promover as relações dos povos, o diálogo entre os Estados de modo pacífico, ordenado e respeitoso, necessárias às negociações e acordos relativos aos interesses nacionais. 

O simples fato de administrar e governar um país tendo como principal canal de comunicação por intermédio da web, utilizar plataforma própria (Truth Social) na divulgação de ordens conservadoras, estratégias, propaganda, desprezando a administração burocrática formal que se baseia na racionalidade, regras e hierarquia, visando máxima eficiência, padronização e impessoalidade nas organizações, por meio da divisão de tarefas, competência técnica e meritocracia, negando o uso de documentos oficiais, é um indício de quem imprime uma centralização administrativa a seu modo.

Quando a forma de administração moderna é aplicada, documentos físicos, respeito às hierarquias e o tratamento da estrutura organizacional do governo evita-se o favoritismo, equilibra e dá transparência às decisões, caso contrário, o desrespeito ao modelo de administração formal, o comportamento do gestor máximo é desvirtuado. 

Com isso, o desprezo e a quebra de regras leva a desconsideração na divisão de trabalho, a hierarquia, as regras e normas, a impessoalidade, a profissionalização, e a previsibilidade, item esse próprio da certeza que deve ter um presidente ao anunciar suas ações, seus planos para seus comandados.

O líder que projeta a imagem de irracionalidade e imprevisibilidade para convencer adversários de que é capaz de ações extremas forçando-os a ceder em negociações nos lembra da teoria de estratégia política (“Madman Theory” – Nixon 1969) e nos traz às comparações ao atual comportamento de Donald Trump, que usou essa mesma tática para forçar tarifas, e ameaçar com invasões e força bélica.

Agir de modo não convencional (aparentar inconstância nos anúncios), fazer ameaças desproporcionais (envio de tropas), pressionar adversários ou aliados coercitivamente (taxar e tarifar) faz parte intencional da um cálculo racional para obter vantagem em negociações de alto risco é próprio de um líder “despirocado”.
Em resumo, ele afronta os protocolos de hierarquia ao desdenhar autoridades acreditadas dispensando o tratamento formal frente aos representantes dos países, a garantia da igualdade entre as nações; desrespeita o princípio fundamental, a soberania, que é a não intervenção nos assuntos internos de outros Estados Nacionais; é irreverente quanto ao tratamento dos assuntos confidenciais, divulgando-os aos seus seguidores, preferindo os confrontos públicos; apresenta desequilíbrio entre as ações anunciadas e as consequentes, faz uso de acordos comerciais e propõe investimentos como ferramentas desproporcionais de política externa, na busca do domínio hegemônico de caráter unilateral, desconsiderando os padrões e as praticas normais da diplomacia. 

Ao testar seus limites presidenciáveis, estabelece arbitrária e aleatoriamente tarifa comercial unilateral; viola regras do Direito Internacional (soberania) ao sequestrar desafeto político em território estrangeiro; incentiva à expulsão de imigrantes baseando-se na Lei de Inimigos Estrangeiros; bombardeia o Irã, ataca embarcações á revelia; persegue servidores públicos e desmantela agências, pressiona economicamente universidades politicamente antagônicas, são ações que mostram bem a administração de um “despirocado”. 

Ainda assim seguidores ignaros, admiradores momentaneamente ludibriados e correligionários néscios, ou toda sorte de insatisfeitos que aplaudem tais atitudes populistas pela identidade cultural acreditam que os interesses das classes trabalhadoras estarão protegidas assim como os valores tradicionais e conservadores do American Way of Life, uma falsa propaganda criada no pós-guerra para vender prosperidade valores democráticos liberais, e que ainda existe.

CLAÚDIO HUMBERTO

"Que prevaleça a imparcialidade"

Deputado Sóstenes (PL-RJ) sobre a relatoria de André Mendonça no caso Master no STF

14/02/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Para Lula, ‘auxiliar’ não pode contaminar o patrão

Lula (PT) tem dito, segundo assessores, que Dias Toffoli deveria também “sair do STF para não contaminar o governo”. A frase reveladora não é crítica ao ministro, mas a confissão de que, para ele, o STF não é Poder independente, mas uma espécie de departamento do Planalto, órgão auxiliar, que não pode “contaminar” o governo com suas malfeitorias. Sem respeitar a separação de poderes, Lula passou a querer a vaga de Toffoli como se fosse cargo de confiança, demissível a qualquer tempo.

Assessoria a postos

Lula trata o STF como braço estendido do Executivo, convocando seus ministros para reuniões, almoços e jantares excluídos da agenda oficial. 

Braço estendido

A oposição diz que essas reuniões discutem da blindagem de aliados ao Código de Conduta, passando por iniciativas contra adversários de Lula.

Só no pé do ouvido

No Consórcio nada consta nas agendas oficiais, tudo é combinado nos bastidores, longe de celulares, de holofotes e do escrutínio da sociedade.

Olho nas eleições

Lula impõe aos parças o modelo de governabilidade em que o Judiciário não julga, acompanha. Tampouco interpreta a lei e sim a conveniência.

Governo Lula torra R$2 milhões nas redes em 1 mês

Apenas nos últimos 30 dias, o governo Lula (PT) conseguiu torrar R$2 milhões com propaganda no Facebook e Instagram, segundo dados do próprio grupo Meta, dono dessas redes sociais, que divulga gastos de anunciantes de cunho político ou eleitoral. Somadas as despesas com esse tipo de propaganda nos últimos três meses, a conta de Lula com anúncios - em apenas duas redes sociais - dispara para R$7,4 milhões.

Alma do negócio

Cerca de R$ 700 mil foram destinados, em um mês, a seis anúncios de Lula para promover a “isenção de imposto de renda” até R$5 mil.

Por que será?

O pagador de impostos teve que bancar anúncios principalmente em São Paulo (R$ 289 mil), Rio Grande do Sul (R$ 212 mil) e Bahia (R$207 mil).

Desinteresse geográfico

Usuários do Facebook e Instagram em estados como Mato Grosso (R$21 mil) e Distrito Federal (R$21 mil) não viram muitos anúncios.

Quase Páscoa

Tanto o Senado, quanto a Câmara dos Deputados não têm compromissos marcados para a semana do Carnaval. Ambas as Casas Legislativas deixaram a retomada do trabalho para o próximo dia 24.

Recorte ideológico

Pesquisa nacional Real Time Big Data (BR-06428/26) diz que 14% dos eleitores se dizem de esquerda e 17% de centro-esquerda. Centro é a maior “ideologia”, 26%. De centro-direita são 24% e 18% de direita.

Previsão confirmada

Há 13 anos, a revista The Economist perguntava se o Brasil havia “estragado tudo”, na capa do Cristo Redentor voando sem controle. Agora confirma e alerta outros países para o risco de ‘brasilificação’.

2026 difícil

As duas federações partidárias (cinco partidos no total) que sustentam o governo Lula (PT) na Câmara dos Deputados, PT-PCdoB-PV e Psol-Rede, têm apenas 95 parlamentares. Só o PL tem 87 deputados.

Na bronca

Para Alfredo Gaspar (União-AL), relator da CPMI do INSS, ministros do STF seguem “intocáveis” por omissão do Senado: “Falta independência e tamanho moral”, disse o deputado, que é pré-candidato a senador.

Só engano?

Hamilton Mourão (Rep-RS) se espantou com a cara de pau do governo Lula nas propagandas penduradas na Esplanada, que autointitula o governo como o “melhor da História”. Ledo engano, rebateu o ex-vice.

Aprende, Brasil!

A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou a redução da maioridade penal no país de 16 para 14 anos. O projeto apoiado pelo governo de Javier Milei ainda tem que ser aprovado no Senado.

Não acaba mais

Com a criação, esta semana, da Frente Parlamentar em Defesa do Mutualismo (modelo de seguros de carros), já são 311 as frentes parlamentares instaladas na atual legislatura (desde 2023).

Pensando bem...

...quem com grampo fere, com grampo será ferido.

PODER SEM PUDOR

Cláudio Humberto

Editando o Diário Oficial

Político folclórico do Rio Grande do Norte, o major Teodorico Bezerra não poupava esforços quando queria ajudar Santa Cruz, município de sua base eleitoral. Reza a lenda local que ao saber que a vizinha Nova Cruz ganharia agência dos Correios, foi à editora do Diário Oficial e mandou trocar Nova por Santa, na ordem do serviço. Santa Cruz ficou com o posto da ECT. Questionado por um adversário, anos mais tarde, Teodorico desconversou: “Sou um homem de 75 anos, de modo que só lembro do que aconteceu de seis horas da manhã para cá...”

Cláudio Humberto

"A situação do Toffoli é tão delicada que não surpreenderia se ele contratasse a mulher do Moraes"

André Marsiglia, jurista, na melhor frase do dia sobre o "Caso Toffoli" no STF

13/02/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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André Mendonça pode ‘herdar’ relatoria de Toffoli

Caso se confirme o afastamento voluntário ou coercitivo do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso do Banco Master no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), seu mais provável substituto seria o ministro André Mendonça, e por “prevenção”. Ele é o relator do caso do roubo a aposentados e pensionistas do INSS, que se conecta com o inquérito que apura a suspeita de que o banco de Daniel Vorcaro teria fraudado empréstimos consignados também não autorizados pelos segurados.

 

Lulistas contra

De acordo com a lei e o regimento, André Mendonça seria “juiz prevento” do caso, mas a bancada de Lula no STF resiste à possibilidade.

 

Ele quer ficar

Toffoli fez ver o presidente do STF, Edson Fachin, que não há motivo para se afastar da relatoria, alegando que nada fez de errado.

 

Antes o Toffoli

Para fontes do STF ligadas à discussão interna, a chance de o caso “sobrar” para André Mendonça até ajuda a manter Toffoli na posição.

 

Sob controle

Lula estimula o impeachment de Toffoli para ganhar mais uma vaga no STF, mas seria ainda mais importante manter ministro amigo na relatoria.

 

Feliz com Toffoli, Vorcaro nem tentou 1ª instância

Nenhum dos advogados de defesa que atuam no caso do Banco Master pediu a retirada da ação do âmbito do Supremo Tribunal Federal. O retorno à primeira instância da Justiça poderia ser requisitado pelos representantes dos acusados, como o dono do Master, Daniel Vorcaro, mas até o agora ninguém o fez. O caso foi remetido ao STF por ordem do ministro Dias Toffoli pelo suposto envolvimento de um deputado.

 

Com foro

O deputado federal João Carlos Bacelar (PL -BA) seria citado em um dos documentos apreendidos pela PF.

 

Imterrompido

O jornal O Estado de S.Paulo informou que Bacelar negociava um imóvel com Vorcaro quando a Operação Compliance Zero suspendeu tudo.

 

Irrelevância

Até agora, nem a Polícia Federal, nem o Ministério Público apontaram qual seria o envolvimento do deputado federal na fraude no Master.

 

Ética, eis a questão

Se o ministro for mesmo afastado do caso Master, restará ainda outra questão ética: Dias Toffoli atuará como julgador, como Alexandre de Moraes, que não alegou suspeição nem mesmo figurando como vítima?

 

A vida como ela é

Mestre em direito penal, Acácio Miranda disse a Vitor Brown, na TV BandNews, que nem o legislador foi tão criativo para imaginar a situação na prática, com o risco de anulação de todos os atos decisórios do Dias Toffoli no caso Banco Master, ainda que o processo seja preservado.

 

Massacre, não

O ex-senador Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM) avalia como “exagero e mesquinharia” a possível cassação de patente de Jair Bolsonaro pelo Superior Tribunal Militar. “Justiça é uma coisa e massacre é outra”, diz.

 

Vermelhíssimo

Hamilton Mourão (Rep-RS) avalia as contas do governo Lula, até agora: “Lula entregou o terceiro resultado primário negativo do atual mandato. São R$ 368,6 bilhões de déficits primários acumulados em três anos”.

 

Mesversário’ nebuloso

A divulgação de despesas do governo Lula (PT) com viagens está parada desde 16 de janeiro. Nos primeiros dias de 2026 foram torrados R$1,23 milhão. De lá para cá, a Transparência deixou de divulgar dados.

 

PSB vs. PT

No Ceará, o PT briga com o PSB. Aliados na esfera federal, lutam por vagas da bancada federal. Até suplentes trocam o PSB de Cid Gomes pelo PT do governador Elmano de Freitas e do ministro Camilo Santana.

 

Mudança para depois

Apesar da movimentação política em 2025 por novas vagas na Câmara dos Deputados, na eleição de 2026 serão disputadas as 513 cadeiras de sempre. O aumento para 531 vagas ficou para 2030.

 

Sem aliados não dá

Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) expôs a fragilidade de Lula (PT) no Senado Federal após afirmar que que o petista o incentiva a concorrer a senador por Pernambuco, mas, lembrou: “precisa ter aliados”.

 

Pensando bem...

...curioso o interesse só por um dos ministros envolvidos com o banco.

 

PODER SEM PUDOR

Derrubado no tapume

Judocas queriam “revanche” da assessoria presidencial depois da gafe do presidente Lula em Brasília, no segundo mandato. Ao receber nosso primeiro campeão mundial, João Derly, Lula, ganhou um quimono (dogui) e a faixa preta (obi), a maior graduação no esporte. O petista afirmou: “Estou pronto para a luta, vamos para o tapume!”. Ganhar a faixa sem luta e chamar tatame de tapume, além de desrespeito, está com toda pinta de “golpe da direita”, desconfiaram os judocas.

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