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"Do Petrolão ao Aposentão"

Senador Rogério Marinho (PL-RN), sobre atuação do PT em escândalos do Master e INSS

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Caso Master: PT topa CPI, mas só a governista

Declaração do ex-líder do PT na Câmara Lindbergh Farias (RJ) de que seu partido apoiaria a criação de CPI para investigar a fraude do Banco Master pegou de surpresa uma boa parte dos petistas. A ala baiana do PT, incluindo Rui Costa (Casa Civil), não quer nem ouvir falar em CPI. O temor é que a CPI avance sobre o CredCesta, consignado para servidores da Bahia transferido para o Banco Master, e arraste o governo de Jerônimo Rodrigues (PT) e antecessores para o centro do escândalo.

 

Desgastou, mudou

Até dias atrás, o líder do governo Lula na Câmara José Guimarães (PT-CE) descartava qualquer apoio a CPI do Master.

 

Com ressalva

Com o escândalo colando no governo, parte do PT resolveu apoiar a investigação, mas nada de assinar a CPMI, puxada pela oposição.

 

Só a trupe

Para fazer o filme, o PT só apoia os pedidos de Fernanda Mechionna (Psol-RS), Heloísa Helena (Rede-RJ) e Rodrigo Rollemberg (PSB-DF).

 

Destino: gaveta

Na Câmara e Senado, é hoje perto de zero a chance de instalação de CPIs envolvendo o Master. Se sair, e olhe lá, será uma preguiçosa CPMI.

 

Convocação de governador em CPI é bravata

Não vai muito além de bravata a lorota do petista Fabiano Contarato (ES) de suposta convocação dos governadores Cláudio Castro (PL-RJ) e Ibaneis Rocha (MDB-DF), ambos opositores ao governo Lula. Em ano de difícil renovação do mandato, Contarato deveria saber que comissões parlamentares do Congresso não podem convocar governadores. O entendimento, pacificado até no amigável Supremo Tribunal Federal (STF), foi confirmado por juristas ouvidos pela coluna.

 

Aqui não, violão

O pacto federativo impede a CPIs no Congresso convocação de governadores, explica Washington Barbosa, mestre em direito.

 

No seu galho

“[A competência do Congresso] deve ficar restrita à esfera federal”, afirma Guilherme Barcelos, doutor em direito Constitucional.

 

Pura política

Barbosa lembra que CPIs são atos políticos e podem apenas convidar, cabendo o aceite ou não. Convocação no Congresso... nem de prefeitos!

 

Fábrica de marajás

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Rep-PB), nem ruborizou ao responder que “sim” à pergunta de Júlia Zanatta (PL-SC) se projeto em votação faria servidores da Casa a ganharem mais do que deputados.

 

Chá de sumiço

Pedido de investigação da fraude do Banco Master, que o PT diz apoiar, foi protocolado nessa terça (3), no Congresso. Quem pediu a CPMI foi o deputado Carlos Jordy (PL-RJ), sem apoio ou presença de petistas.

 

Lorota da vez

Aos 63, Heloisa Helena (Psol-RJ) segue a mesma. Disse ao podcast de Magno Martins ser filha de pedreiro no Rio, mas o chefe da sua família de classe média era um fiscal de rendas, elite do serviço público. Ainda senadora, ela disse à Folha de SP que pegou “no cabo da enxada”. Mas frequentou ótimos colégios particulares e se formou em Enfermagem.

 

Depende da canela

A tornozeleira eletrônica do “cantor” Oruam estava desligada havia dois meses. “Se fosse alguém do 8 de janeiro ou Bolsonaro, já tinha prisão coletiva em ação no STF”, ironiza o vereador Rubinho Nunes (União-SP).

 

Condição elástica

Carlos Viana (Pode-MG), senador que preside a CPMI do INSS, estava em reunião com o ministro Dias Toffoli (STF) quando Daniel Vorcaro, dono do Master, pediu para adiar o depoimento ao colegiado, amanhã (5)

 

Pauta prioritária

A derrubada do veto de Lula contra o projeto da dosimetria é prioridade da oposição, foi o que disse o senador Jorge Seif (PL-SC), que estima que a votação do veto deve acontecer até o próximo mês.

 

Fala, ministro

O ano começou com pedido de convocação do ministro Wellington César (Justiça). O deputado Sanderson (PL-RS) quer explicação sobre as 10 toneladas de cocaína que saíram do Brasil para o exterior.

 

Quem é

Ficou com o ministro Carlos Vuyk de Aquino a relatoria do processo no Superior Tribunal Militar (STM) que pede a perda de patente de Jair Bolsonaro. A escolha foi por sorteio, transmitido em telão do STM.

 

Pensando bem...

...o ano só começa mesmo após o Carnaval.

 

PODER SEM PUDOR

Amnésia súbita

Francisco Marques Carioca, o segurança que sacou R$1 milhão da Skymaster, alegou súbita amnésia para indicar do paradeiro da dinheirama, na CPI dos Correios, que investigava a corrupção generalizada do governo Lula (PT), em 2005: “Eu não capito.” O deputado José Eduardo Cardoso (PT-SP), subrelator da comissão, que se notabilizou na época por sua independência em relação ao poder petista, reagiu em cima da bucha, cogitando prender o desmemoriado: “É melhor o senhor captar...”

CLÁUDIO HUMBERTO

"É inegável que a crise desgastou a nossa campanha"

Edinho Silva, presidente nacional do PT, sobre os escândalos do Master e do STF

20/09/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Pesquisas previam vida fácil de Lula. Mas a realidade...

A duas semanas do primeiro turno em 2022, o Datafolha previa Lula 12 pontos à frente de Jair Bolsonaro no primeiro turno e o Ipec (que era Ibope) chutava vitória de 15 pontos do petista.

Nas urnas, o placar válido foi 48,4% a 43,2%. No segundo turno, o Datafolha previa vitória de Lula com 16 pontos de vantagem, enquanto o ex-Ibope calculava vitória do petista por 19 pontos. Na realidade, a vantagem foi de 1,8% no 2º turno.

Repeteco?

A 15 dias da eleição de 2026, o Datafolha prevê Lula com 39% a 35% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e 46% a 44%, no segundo.

Muro estreito

O Quaest viu vitória de 8% de Lula em 2022 nos dois turnos. Agora prevê Lula à frente por 5% no primeiro, mas derrotado no segundo turno.

Instituto fechou

A duas semanas da eleição 2018, o Ibope errava em 18% o resultado de Bolsonaro no 1º turno. E ainda previu empate com Haddad no 2º turno.

Chegou perto

O instituto Paraná Pesquisa foi quem mais acertou em 2022. A 14 dias da eleição previa vitória de Lula por quatro pontos no primeiro turno.

Especialista vê presidência de Moraes como surreal

Próximo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a tradição, Alexandre de Moraes pode ter o comando da Corte sob impedimento perante a opinião pública, é o que avalia à coluna o professor, mestre e doutor em Direito Constitucional da USP Rubens Beçak, caso o Supremo abra investigação contra o magistrado.

Beçak diz ainda que os ministros deveriam examinar administrativamente se Moraes poderia continuar com os processos relacionados ao Master.

Peça o boné

Para Max Kolbe, advogado especialista em Direito Constitucional, Moraes deveria até se abster de disputar a presidência, caso investigado.

Situação surreal

Kolbe considera “estarrecedor” um investigado comandar a instituição responsável por supervisionar a apuração da própria conduta: “surreal”.

Não dá

No campo político, as críticas ao ministro são ainda mais incisivas, “é um escárnio com a cara do povo”, disse à coluna Rodrigo Valadares (PL-SE).

Tradição não é regra

Por tradição, o presidente o Supremo Tribunal Federal é o ministro mais antigo que ainda não tenha ocupado o posto. A eleição para sucessão de Edson Fachin deve ocorrer em agosto de 2027. Kassio Nunes Marques é o próximo da fila após Alexandre de Moraes.

Caravana

A chapa Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, do PL, tem investido no Nordeste nestes dias. A meta é percorrer os nove estados da região, tida como prioridade para a campanha.

Arruda no TSE

Derrotado no TRE-DF, José Roberto Arruda (PSD) tenta no TSE validar a indeferida candidatura ao governo do Distrito Federal. Quem vai relatar o recurso na mais alta corte eleitoral é o ministro Dias Toffoli.

Sangria na pauta

O julgamento do dissídio coletivo dos funcionários dos Correios, sem dó da combalida estatal, será nesta segunda-feira (21). Os grevistas querem coisas tipo adicional de 70% sobre férias e 200% sobre repouso ou feriado trabalhado, além de manter regalias tipo vale extra de Natal.

Picadeiro ocupado

Na polêmica sessão do STF que deveria definir se Alexandre de Moraes será investigado pela relação com Daniel Vorcaro, Gilmar Mendes falou durante mais tempo que Cármen Lúcia e André Mendonça... somados.

Foi pouco

Segundo a oposição no Congresso, o aumento do auxílio anunciado por Lula (PT) poderia ser maior do que 15%. “Desde que o imenso rombo da corrupção e do empreguismo público fosse eliminado”, diz um auxiliar.

Nome dado

Rogério Marinho (PL-RN) revelou ao Jornal Gente, da Bandeirantes, que o então líder do governo Lula, Jaques Wagner (PT-BA), recebeu ligação do decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, reclamando e “cobrando” após o Senado aprovar projeto que o STF não gostou.

Detalhe

O projeto que os ministros e Gilmar Mendes não gostaram, disse Rogério Marinho, determinava prazo curto para o plenário do STF analisar decisões monocráticas, aquelas expedidas por um só ministro.

Pensando bem…

... no Brasil, nada mais real do que o surreal.

PODER SEM PUDOR

O delegado professor

O jovem Tancredo Neves foi ser promotor em São João Del Rey. Foi chegando e arranjando uma namorada. Mal sabia que o delegado havia proibido namoro nas praças, por isso ele se misturou aos muitos casais que ocupavam um dos jardins públicos da cidade.

A polícia chegou de repente e expulsou todo mundo. Tancredo já ia protestar quando o delegado o percebeu. Rápido, o policial mostrou que tinha muito a ensinar a ele: “Doutor, botei esse pessoal para fora para deixar o senhor à vontade...”. Ah, bom.

 

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

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