Colunistas

Colunistas

"É algo completamente descabido em uma República"

Deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) sobre o petista Edegar Preto, na presidência da Conab mesmo sem nomeação

Continue lendo...

Governo negará compra de terras prometida ao MST

A reunião entre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), prevista para esta semana, deve terminar em frustração para os sem-terra. A liderança dos amigos do alheio impôs uma condição para suspender as invasões: a compra de terras, pelo governo, para fazer reforma agrária. Mas o MDA não tem muito o que apresentar.

Vai culpar Bolsonaro afirmando que o orçamento para isso é uma ninharia, R$3 milhões, e adiar a providência.

Número exato

A verba reservada no orçamento do Incra, responsável pela reforma agrária, soma R$2.434.99,00 para aquisição de terras.

Nem coça

O orçamento nem de longe consegue atender a exigência dos invasores de terra. O movimento cita supostas 90 mil famílias à espera.

Invasão é crime

A bancada de 340 parlamentares, quase dois terços do Congresso, já avisou a lideranças governistas que onda da invasão não será tolerada.

Jeitinho

Para não desagradar totalmente os amigos do alheio, o governo deve prometer que irá receber em terras o pagamento de dívidas à União.

Passagens ‘subsidiadas’ já provocam suspeitas

A ideia do ministro Márcio França (Portos e Aeroportos) de o governo subsidiar passagens aéreas para aposentados e estudantes tem tudo para dar errado: o “público-alvo” representa mais da metade da população.

Por essa razão, parlamentares de oposição desconfiam que o projeto não é apenas demagógico: pretenderia usar dinheiro do pagador de impostos para abastecer o caixa das empresas aéreas.

Conta não fecha

São quase 31 milhões de aposentados, além de 75 milhões de estudantes, segundo dados do IBGE e da PNAD.

Dinheiro alheio

O “preço promocional” das passagens seria bancado com o dinheiro do pagador de impostos, que já banca sucessivos rombos das aéreas.

Prejuízo recente

Na Bolsa, por exemplo, Gol (-27,8%) e Azul (-39,9%) foram das empresas que mais perderam valor em fevereiro deste ano.

Tudo a ver

O deputado Orlando Silva (SP), relator do mal-intencionado projeto de “regulamentação” das redes sociais, de forte odor autoritário, tem a vida dedicada ao PCdoB, partido que defende “princípios” de Josef Stalin, o mais cruel ditador da História, versão esquerdista do alemão Adolf Hitler.

Segue o golpe

Bandidos não dão trégua com o golpe do Whatsapp, a vítima da vez é o senador Lucas Barreto (PSD-AP). Criminosos pegaram uma foto do parlamentar, colocaram no perfil do app e saíram por aí pedindo dinheiro.

O Brasil pode ganhar

Com a economia arrumada desde a pandemia, o Brasil pode se beneficiar da crise no sistema financeiro americano. É que a alta nos juros de lá não deve ocorrer como se previa. Isso é bom para o Brasil.

Cumprindo pena

Nesta terça (14) completam dois meses que o ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF Anderson Torres está preso por “indício de omissão” na quebradeira em Brasília de 8 de janeiro.

Agenda

O Senado deve votar convite ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para explicar os juros. Aprovado, os senadores vão segurar a oitiva para depois da reunião do Copom, na próxima semana.

Com lupa

O Planalto monitora de perto a disputa pela presidência da Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara. O PL quer emplacar Bia Kicis (PL-DF), que deve dar muita dor de cabeça ao governo.

Pânico gera pânico

Em março de 2020, início da pandemia, o “Fed”, banco central dos EUA, extinguiu a reserva exigida para bancos realizarem empréstimos. As instituições de lá podem emprestar mesmo sem ter um centavo em caixa.

Sinalização

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, vai receber, no próximo dia 16, um grupo de grandes empresários russos, no Kremlin, pela primeira vez desde o início da guerra na Ucrânia.

Pensando bem...

...“passagem aérea a R$200” lembra muito o “litro da gasolina a um centavo”.

PODER SEM PUDOR

Memória de um atentado

Véspera de Finados de 1980. Palmira e Isis, mãe e filha, foram ao cemitério São João Batista, no Rio, visitar o túmulo de uma parente querida, d. Lyda Monteiro, secretária da OAB assassinada no Rio por uma carta-bomba. “O sr. conheceu Lyda?”, perguntaram a um homem que encontraram lá.

“Não, não”, respondeu ele, nervoso, “eu me emocionei com o caso...” Seis meses depois, lendo o noticiário sobre o ato terrorista do show do Dia do Trabalho, no Riocentro, elas reconheceram o homem que morreria acidentalmente no atentado. Era aquele que surpreenderam diante do túmulo de d. Lyda: o sargento Guilherme Pereira do Rosário.

Assine o Correio do Estado

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

Continue Lendo...

Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

Continue Lendo...

Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).