Colunistas

CLAUDIO HUMBERTO

"É compra de votos para o governo Lula na Câmara!"

Adriana Ventura (Novo-SP) sobre os bilhões destinados aos novatos na Câmara

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Aplicativos desafiam o despreparo de Marinho

Luiz Marinho (Trabalho) é outro petista mais perdido que cachorro em dia de mudança: revelando despreparo para lidar com as atuais relações de trabalho, ele desdenhou com a saída do país de aplicativos como Uber e iFood, ameaçados por decisões ativistas da Justiça do Trabalho.

Agora defende a ideia de jerico de os Correios substituírem os serviços dos aplicativos. Ele não faz ideia, mas os Correios têm 89 mil funcionários, enquanto só o Uber, por exemplo, dá trabalho a 1,5 milhão de brasileiros.

Seria impossível

O aplicativo de entregas iFood tem cerca de 160 mil entregadores cadastrados no Brasil, quase o dobro dos funcionários dos Correios.

Ô louco, sô

A ideia maluca sobre aplicativos foi exposta em reunião de Marinho com uma perplexa comissão chinesa que visitava o hospício, ops, o Brasil.

Vai que é tua!

Outra solução de Marinho para solucionar a debandada de empresas como a Uber (que vale R$340 bilhões) é “criar outro aplicativo”.

Gente atrasada

Marinho chama de “chantagem” a possível fim dos aplicativos, ignorando o mal que sua posição atrasada causa a milhões de brasileiros.

Letargia do MPF garante boquinhas ilegais no Lula III

A Procuradoria-Geral do DF deu 20 dias para que Petrobras, BNDES e Itaipu expliquem os políticos na chefia das empresas. Só então o Ministério Público Federal decide se toma (ou não) alguma providência, mesmo em flagrante desrespeito à Lei das Estatais.

Enquanto isso, o presidente Lula segue ignorando a Lei. Indicou “companheiros” para a Conab (Edegar Pretto) e o Banco do Nordeste (Paulo Câmara). As boquinhas, claro, sempre com generosos salários e benefícios.

Sem o menor pudor

O petista Aloízio Mercadante, no BNDES, por exemplo, terá salário que pode ultrapassar os R$265 mil.

Upgrade

Jean Paul Prates, também petista, saiu de senador suplente para chefão da Petrobras. O salário passa os R$100 mil e tem inúmeros benefícios.

Melhor que o parlamento

A boquinha é tão boa que Ênio Verri (PT-PR) largou o mandato de deputado de lado para assumir a Itaipu Binacional. Salário: R$ 80 mil.

Túnel do tempo

Eventuais alhas de memória e momentos em que parece viver nos anos 1980 preocupam interlocutores do presidente Lula. Estranham seu radicalismo arcaico, com o discurso superado de sindicalista do ABC.

Política civilizada

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB), mostrou civilidade e chamou a bancada de senadores do Estado, que tem dois petistas, para uma conversa. A pauta: a situação da Transnordestina.

Senado-Tur

“Eu queria entender o por quê de a verba da comissão de turismo do Senado sair de R$300 Milhões para R$ 6,5 bilhões”, indagou o vereador paulista Fernando Holiday. É mais que o orçamento do STF, apontou.

Roteirizado

No Banco Central, não será surpresa se aparecer um manifesto de empresários reclamando da taxa de juros, conforme instigou o presidente Lula. O documento é esperado para sair com assinatura da Fiesp.

Contracheque

Com o generoso salário de mais de R$47 mil garantido como presidente do Banco do Nordeste, Paulo Câmara pode comemorar. O valor deve ser reajustado e em abril o holerite já vem atualizado.

De volta às ruas

As manifestações de bolsonaristas começam a ser retomadas, como na sexta-feira (10) em Porto Alegre, contra a prisão de centenas de pessoas acusadas de atos criminosos. O movimento promete crescer.

Saudade tem nome

Com salário de marajá como chefe do banco dos Brics, Dilma Rousseff até “esqueceu” a saudade que alegou para recusar a embaixada na Argentina, com vencimentos mais modestos.

Processo é tempo

Após três meses de estudos e parecer do “grupo de trabalho” que vai criar a reforma tributária, o eventual projeto passará por comissões e pelo plenário da Câmara. E depois repete o processo no Senado.

Pensando bem...

...depois de Dilma, só falta chegar Guido Mantega ao banco dos BRICS.

 

PODER SEM PUDOR

Só mesmo cutucando

Henrique Hargreaves era influente ministro de Itamar Franco quando, certa madrugada, circulou que ele havia morrido. Uma repórter amiga ligou para sua casa e perguntou a mulher do ministro, que atendeu: “E aí, tudo bem?” A sra. Hargreaves respondeu, mas registrou: “Tudo bem, mas já é meio tarde, não acha?”

A repórter foi objetiva: “Desculpe, mas é que estão dizendo que o ministro morreu...” A reação foi bem-humorada: “Olha, ele está aqui do meu lado, aparentemente vivo. Mas vou dar uma cutucadinha para ver se está tudo em ordem...”

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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