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Giba Um

"É inacreditável que eu seja questionada, ainda mais porque abri mão de estar com minhas filhas"

de ANIELLE FRANCO // ministra da Igualdade Racial, que voou num jato da FAB para ver o Flamengo jogar em São Paulo e "fazer campanha contra o racismo"

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Às vésperas de sua cirurgia de quadril, marcada para hoje, Lula passou a circular, contrariando recomendações médicas, sem máscara em eventos com grande números de pessoas. Semana passada, usou proteção quando recebeu a premiê do Vietnã, Pham Mihn Chinh.

Mais: já nesta semana, esqueceu no lançamento de nova estratégia para o complexo econômico-industrial de saúde e evento do novo PAC. Ontem, não foi com ministros ao Rio Grande do Sul, atingido pela passagem de um ciclone extratropical: mandou Janja em seu lugar.

Imagens Ilustrativas

Bola pra
frente

 A todo vapor na divulgação de seu terceiro álbum batizado de Escândalo Íntimo,  a cantora Luísa Sonza, 25 anos, acaba de divulgar seu novo clipe, onde sobe até pelas paredes na música A dona aranha. Longe das mídias sociais (sua equipe é que tem colocado conteúdos) desde a separação de Chico Moedas, vai enfrentando os boatos de que a ruptura do casal era apenas uma jogada de marketing para ajudar na divulgação de seu novo trabalho. Aversa a tudo isso ela vem cada vez mais conquistando seguidores, admiradores e a mídia. Tanto que foi escolhida para ser a estrela da campanha “The Other One” do grupo Oscar Calcados em parceria com a Coca-Cola Shoes. Os itens entraram em pré-venda no  dia 21 de setembro, no e-commerce do grupo, e chegam às lojas no dia 05 de outubro, que apresentam uma coleção de tênis que tem em média o valor de R$ 300, que são limitados, com lançamentos distribuídos e vendas exclusivas no e-commerce e lojas físicas do Grupo por quatro meses. Se Luiza será ainda mais amada ou cancelada o fato é que ao divulgar sua música Penhasco2 (que conta com a participação internacional de Demi Lovato), há duas semanas se tornou a música mais ouvida com 2 milhões de streams na plataforma Spotify no Brasil transformando Sonza e Lovato nas primeiras e únicas artistas na história a debutar com esse número. Mais: no lançamento de seu terceiro álbum ela teve  cerca de 5,6 milhões de downloads na plataforma musical, sendo a maior estreia de um álbum brasileiro na história do aplicativo.

Militares na
ordem do dia

O que é quase um cotidiano na formação dos militares, a famosa “ordem do dia”, agora virou abrigo de grande número de problemas que envolvem os militares. Estão em meio a investigações de atos golpistas, na CPMI de 8 de janeiro, na delação de Mauro Cid, no esforço de lulistas no Congresso para convocar militares para depor, na possibilidade (cada vez mais perto) de Jair Bolsonaro ser condenado e até no trabalho do Ministério dos Direitos Humanos e da Casa Civil para recriar a Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Haverá até uma cerimônia oficial no dia 25 de outubro, quando se completam 48 anos da morte do jornalista Vladimir Herzog. Só que há também uma posição do governo em agradar as Forças Armadas. Nenhum outro setor isolado receberá tantos recursos no Novo PAC quanto o da Defesa, para o qual estão previstos R$ 53 bilhões em quatro anos. Muito mais do que picanha e uísque (militar não gosta de cerveja).


Samba na
despedida


 Com quase três anos à frente da grife francesa Chloé, como diretora criativa da marca, a estilista uruguaia Gabriela Hearst, se despediu da função no desfile da coleção Primavera-Verão de 2024 na Paris Fashion Week.  Hearst deixa sua assinatura por promover a sustentabilidade na grife. Só que não foi uma despedida triste, no fim do desfile o silêncio foi rompido com a entrada de  20 integrantes da escola de samba carioca Mangueira, que usavam criações personalizados da Chloé incorporando as cores verde e rosa da escola. Celebridades que ocupavam a primeira fila como Olivia Wilde, Venus Williams, America Ferrera e Hayley Atwell acabaram se rendendo ao samba brasileiro. Gabriela, que também tem uma grife homônima disse que a escolha da escola foi porque sua mãe desfilava na agremiação carioca. 


Lista tríplice


A Associação Nacional dos Procuradores da República está batalhando pela aprovação da PEC que obriga o presidente da República a escolher o Procurador-Geral da República pela lista tríplice. À frente da mobilização, estariam Luisa Frischeuisen e Mário Bonsaglia, dois dos três nomes mais votados para sucessão de Augusto Aras. Essa votação não será seguida por Lula – ele já avisou muitas vezes. Há um componente de provocação nessa novela: quem desarquivou a PEC sobre o tema foi o senador e ex-juiz Sérgio Moro.

In – Capacho natural de fibra de coco
Out – Capacho natural de juta

 

Pacificador

 Lula não mexe um dedo para deter os petistas contra os golpistas e tampouco se mexerá para segurar a investigação da Polícia Federal que pode levar Jair Bolsonaro à prisão. Só que sempre quer José Múcio Monteiro (Defesa) a postos para “pacificar” tudo, em caso de excessos. Na reunião que teve com os comandantes das Forças Armadas, o presidente fez questão de falar muito sobre o alto investimento que o governo fará para desenvolver a indústria da Defesa, tratada como grande promessa para o desenvolvimento nacional.

 

 

Blindados suspeitos


 Como se não bastasse o avanço do STF, o cerco ao ex-diretor-geral Silvinei Vasques e a outros ex-integrantes da Cúpula da Polícia Rodoviária Federal se fecha dentro da própria corporação. A instituição abriu investigação interna sobre a compra de 14 veículos blindados junto à norte-americana Combat Armor, iniciada em 2020, na gestão de Vasques. O objetivo é averiguar as condições e termos de negociação e também a qualidade técnica dos equipamentos. Além das suspeições sobre os contratos, há indícios de que os blindados não atendem às especificações técnicas, inclusive com risco à vida dos policiais. 

FORA DA LISTA


 Nos dias em que Lula e comitiva estiveram em Nova York, por conta da abertura da Assembleia Geral da ONU, o presidente teve uma conversa reservada, no hotel onde estava hospedado, com Josué Gomes, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e da Coteminas, que atravessa um período apertada. Josué não fazia parte da comitiva oficial e sua hospedagem não foi incluída na lista do governo, mesmo ele tendo sido convidado pelo presidente. Depois de muita saia justa, Josué teria pagado através da Coteminas. 

Deficiente vs. Lula


Nas redes sociais, ainda não terminou a artilharia contra Lula, depois que ele resolveu chamar “andador” e bengala” como instrumentos de feiura, equipamentos que fazem parte do universo dos deficientes. Muitos tratam de lembrar que esse tipo de fala desastrosa não é uma novidade em se tratando do petista. Em abril, ele já havia afirmado, numa reunião com ministros e governadores em Brasília, que pessoas com “deficiência mental” tem “problemas de desequilíbrio do parafuso”. Na época, Marcos Mion, que tem um filho autista, disse que o discurso reforçava preconceitos e estigmas – e Lula foi às redes se desculpar. 

FRAGILIDADE

Apesar do bombardeio, quem já conversou sobre o pós-operatório da cirurgia do quadril com Lula, sabe que ele não está disposto, para reverter o estrago na imagem, a aparecer em público ou se deixar ser fotografado usando andador ou mesmo bengala. Continua achando que produzirá uma imagem de fragilidade “no presidente da República”. A primeira-dama Janja acha que ele “tem direito de fazer escolhas na condição de chefe do governo”. E lembra que na cerimônia de posse, Lula tinha a seu lado um jovem deficiente e outros representantes da minoria. 

Estudar mais


333 A senadora Mara Gabrilli (PSD-SP) que é tetraplégica há 30 anos, após um acidente de carro, foi uma das pessoas que se sentiu ofendida sobre a fala do presidente Lula  que ligava uso de andador e muletas com feiura. Em suas redes sociais ela disparou: “Passou da hora de o presidente estudar mais sobre o universo das deficiências. Lula tem uma visão distorcida e capacitista sobre as pessoas com deficiência. Caminhar, seja com andador, muleta ou cadeira de rodas, não enfeia ninguém, tampouco subtrai o potencial do ser humano”. E ainda disse que o presidente deveria enaltecer a diversidade  ao invés de diminuir as diferenças. E ressaltou que por isso que pessoas com  deficiência  precisam lutar para conseguir exercer a cidadania.


Acima do teto


O Ministério Público Federal recebeu representação contra os altos vencimentos recebidos por pelo menos dez ministros do governo Lula. O jeitinho para turbinar salários é participar de conselhos, onde se trabalha, na maioria das vezes, uma vez por mês e se recebe grande jeton. Um dos casos citados na representação é o de Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial (aquela que usou jato da FAB para assistir jogo do Flamengo em São Paulo), que estaria recebendo R$ 77 mil mensais. Na altura dela, estariam igualmente os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Fernando Haddad (Fazenda). 

GRANDES AMIGAS


Anielle Franco, ministra da Igualdade Social e a ex-assessora especial do ministério Marcelle Decothé Silva, demitida por prática de xenofobia no jogo entre São Paulo e Flamengo, eram grandes amigas – e Marcelle desfrutava de muita confiança. Desde que assumira o cargo, fez um total de 19 viagens a serviço com um deslocamento a cada 12 dias. Entre as viagens, quatro para o exterior: Colômbia, Estados Unidos, Portugal e Espanha. No período, gastou R$ 130,5 mil com diárias e passagens.


MISTURA FINA


NA esteira do Novo PAC, com seus 12,5 mil projetos, o TCU está montando grande rede federativa para a auditoria de obras públicas. O órgão costura um acordo com tribunais de contas de estados e municípios para que esses auxiliem na fiscalização dos recursos da União. O Tribunal de Contas da União pretende, inclusive, usar o corpo técnico das cortes regionais. O terreno está preparado desde março, quando o TCU determinou que a fiscalização sobre recursos repassados por meio de “transferências especiais”, leia-se emendas parlamentares, “é de competência do sistema de controle local, incluindo o respectivo tribunal de contas”. 

 APESAR do juro do rotativo do cartão de crédito ter chegado a 447% ao ano, ninguém desembolsa essa taxa. Estudo feito pela consultoria Oliver Wyman mostra que o brasileiro fica, em média, 18 dias no rotativo do cartão que tem o juro mais caro do mercado. Quando completa um mês na modalidade, o cliente passa a pagar a mesma taxa de juros dos consumidores que parcelam suas compras no cartão. As instituições financeiras transformam a dívida para o cargo parcelado, cuja taxa varia de banco para banco. Segundo o Banco Central o juros do cartão parcelado chega a 186% ao ano. 

 BRASIL e Índia estão alinhavando acordo bilateral no setor farmacêutico. As conversas começaram há duas semanas entre Lula e o primeiro-ministro Narendra Modi durante reunião da cúpula do G20. A parceria passa pela ampliação do fornecimento de IFA (Ingrediente Farmacêutico Ativo) produzido na Índia para o Brasil. e o governo brasileiro transferirá aos indianos tecnologia para produção de etanol. 

 ENTRE os 5.568 municípios brasileiros, 647 não tem populações indígenas nem quilombolas – o equivalente a 11,6% do total, segundo o Censo 2022. Em números absolutos, o estado campeão em cidades com esse perfil é o Rio Grande do Sul (127), seguido por Minas Gerais (116) e São Paulo (72). Em contradição, 1.605 municípios reúnem tanto indígenas quanto quilombolas. A maioria deles está na Bahia (305), à frente de Minas Gerais (293) e Pernambuco (111).

SERVIDORES estão acusando a ex-deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) de não atender os requisitos básicos como diretora da Economia Sustentável e Industrialização da agência federal do Desenvolvimento Industrial. O estatuto da agência prevê formação superior “compatível com o cargo” e ela é formada em Licenciatura em História. Ou seja: nada a ver com os R$ 37,2 mil e mordomias. A agência chama de “orientação” o dispositivo estatutário e Perpétua fica lá. Detalhe: ela demorou nove anos para se formar. 

 DISTRIBUIDORA das marcas Sabaru, Hyundai e Chery no Brasil, a concessionária de automóveis Caoa deixou de patrocinar as novelas das 21h na Globo. A empresa decidiu não renovar o contrato onde, em três anos, pagou pela propaganda cerca de R$ 200 milhões. O motivo principal seria a crise na venda de veículos que sofreu grande queda nos dois últimos anos entre nós. A Globo garante que já tem novo patrocinador para o horário, mas apenas revelará em outubro. 
 

Colaboração:  Paula Rodrigues
 


 

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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