Colunistas

CLAÚDIO HUMBERTO

"É um equívoco enorme [o benefício de redução de pena]"

Senador Sergio Moro (União-PR) sobre abrandamento de pena no projeto antifacção de Lula

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Propaganda pretende destacar o que Lula não fez

O ministério da propaganda de Lula (PT), chefiado por Sidônio Palmeira, sentiu o impacto das pesquisas, de diversos institutos, e vai usar dinheiro público para tentar limpar a barra do chefe de governo nas redes sociais. Tracking do Planalto (pesquisas diárias para consumo interno) captaram desgaste após o petista defender traficantes, para ele, “vítimas dos usuários”. O plano é difundir o que Lula não fez: só tem a apresentar projetos tardios, como PEC da Segurança e voltar a falar mal dos EUA.

Apenas espuma

A “espuma” pretende fazer as pessoas esquecerem sua recusa de ajuda ao governo do Rio para a megaoperação contra narcoterroristas.

Não entra mosca

Lula deve focar apenas em Cop30 nos próximos dias e ser afastado de falas sobre segurança, sobretudo de improviso.

Fábrica de manchete

O Itamaraty também foi pressionado a dar celeridade ao encontro com autoridades dos Estados Unidos, que deu banana para a Cop30.

Dividendos

A pauta do encontro de Lula com Trump foi atropelada pelas manchetes da operação bem avaliada pela população contra narcoterroristas.

Relator da CPMI defende ‘megaoperação’ anti-ladrão

Relator da CPMI que investiga o roubo a nove milhões de aposentados do INSS, Alfredo Gaspar (União-AL) lamentou que a polícia não tenha o poder de chumbo contra “corruptos no poder”, assim como teve a polícia do Rio de Janeiro na megaoperação contra a facção criminosa. “Tenho pena da polícia não ter a mesma autorização pra fazer isso nos corruptos com poder”, disse o deputado ao criticar o silêncio do depoente.

Difícil investigar

Depoente de ontem, Abraão Lincoln, presidente da CBPA, entidade que levou mais de R$400 milhões dos aposentados, pôde ficar em silêncio.

Assim não dá

Gaspar também criticou o habeas corpus (mais um) dado pelo Supremo a um dos investigados pela comissão de deputados e senadores.

Palavra do investigador

“Chega aqui habeas corpus do Supremo Tribunal Federal”, desabafou Gaspar, “esse Brasil não pode continuar dividido dessa forma”.

Já?

Escritório de lobby distribui convites para homenagem, nesta terça (4), ao ministro Guilherme Boulos, com direito a regabofe, em mansão no Lago Sul, em Brasília. Tem até tema de improvável discussão: “diálogo e compromisso com o Brasil dos setores público e privado”. Çey.

Corrente do bem

Foi um sucesso a mobilização de apoiadores às famílias dos policiais mortos em operação no Rio de Janeiro. Já nas primeiras horas superou a meta de R$400 mil. Em menos de 24h ultrapassou R$1 milhão doado.

Dinheiro público

Tentando surfar na onda da segurança pública, calcanhar de Aquiles de Lula (PT), o governo federal já torrou R$1 milhão para “impulsionar” publicações com lorotas sobre o tema, no Facebook e Instagram.

Tem coisa aí

Advogado de Trump, Martin de Luca desconfia da investigação de Alexandre de Moraes (STF) sobre a operação contra o crime organizado no Rio. Acha que tem a ver com alta na popularidade de Cláudio Castro.

Flopou

Preocupou lideranças cearenses do PDT a convenção estadual e municipal neste fim de semana. Mesmo com a presença de quadros nacionais do partido, como Carlos Lupi, sobraram cadeiras no auditório.

Direita sobrando

Totalizam 191,7 milhões os seguidores dos 11 maiores líderes de oposição nas redes, incluindo Bolsonaro, filhos e Michelle, governadores etc. Os 11 maiores da esquerda, Lula incluído, 81,8 milhões.

Milei faz escola

Dispararam as chances de Johannes Kaiser, candidato do partido libertário (como o argentino Javier Milei) a presidente do Chile. Está em segundo, mas já superou candidatos da esquerda e direita tradicional.

Aversão a milico

Costumeiro desprezo de Lula por militares foi repetido na agenda que cumpre em Belém (PA). A Marinha disponibilizou uma embarcação para hospedar o petista, mas Lula preferiu um iate para chamar de seu.

Pensando bem...

...conferir sobre o clima requer encontro inflacionado.

PODER SEM PUDOR

Água enferruja

Enquanto há presidente que até tentou expulsar jornalista estrangeiro que criticou seu pendor pelo copo, Jânio Quadros nunca os xingava, até porque não escondia o hábito. Certa vez, em campanha para prefeito de São Paulo, aceitou convite de uma eleitora para almoçar. Com a carne assada no ponto, a anfitriã perguntou, gentil: “O senhor toma um copo d’água?” Jânio respondeu na bucha: “Água, minha senhora, é para radiador de automóvel.”

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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