Colunistas

Cláudio Humberto

"Eu não seria presidente por muito tempo se não torcesse pros EUA"

Donald Trump, no sorteio, brinca sobre qual país vai apoiar na Copa do Mundo de 2026

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Desafio de Flávio é parecer Tarcísio e não Bolsonaro

A escolha de Flávio Bolsonaro para a disputa presidencial de 2026 foi tão mal conduzida que o primeiro desafio do senador será reanimar aliados, intranquilos com o anúncio, e demonstrar que busca ser uma evolução de Bolsonaro. Terá parecer o novo, representado por Tarcísio de Freitas (Rep), e não a continuação do ex-presidente. Primeiros sinais negativos foram a comemoração da esquerda, a reação discreta dos aliados e o pessimismo de quem produz, refletido na queda da bolsa e alta do dólar.

 

O novo conta muito

Tentar parecer Jair Bolsonaro pode ser um erro político do senador. O eleitor exige luz própria e ideias novas de um candidato a presidente.

 

Habemus’ herdeiro?

Mesmo preso, Bolsonaro deveria ter dado um jeito de fazer consultas ou ao menos informar os aliados, antes de soltar a “fumaça branca” virtual.

 

Nem o dono sabia

Nem mesmo houve o cuidado de conversar ou avisar o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que ficou sabendo pela imprensa.

 

Bola é do escolhido

Com o ex-presidente preso e censurado, será de Flávio Bolsonaro a tarefa de tornar a candidatura viável.

 

Prisão de Bacellar mexe com planos do PL no RJ

Tem muita água para rolar até as eleições, mas a prisão do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar (União-RJ), fez o PL rever os planos no Estado para 2026. Bacellar aparecia em alta para levar o apoio de Cláudio Castro e do partido do governador, o PL. Com perfil mais conservador, o deputado estadual apareceu como solução para debelar movimento minoritário no partido que cavava apoio ao prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), lulista de carteirinha.

 

Remédio caseiro

Presidente do PL-RJ, o deputado Altineu Côrtes é até citado como solução interna. O senador Carlos Portinho, em fim de mandato, idem.

 

Tô fora

Portinho já descartou publicamente a empreitada, diz que a intenção é renovar o mandato no Senado. Cadeira que Castro também quer.

 

Trunfo

Há ainda chances de lançar Felipe Curi, secretário da Polícia Civil, ou o comandante da Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes Nogueira.

 

Extradição de Lulinha

O deputado Evair de Melo (PP-ES) solicitou ao ministro Edson Fachin, presidente do STF, providências para pedir ao governo da Espanha a extradição de Lulinha, filho de Lula, suspeito de participação no roubo a aposentados e de receber mensalão de R$300 mil do Careca do INSS.

 

Bom cabrito

Presidente do PL, Valdemar da Costa Neto não reclamou da descortesia de ter sido informado pela imprensa da escolha de Flávio Bolsonaro candidato a presidente do seu partido. “Se Bolsonaro falou, está falado”.

 

Centrão silencia

Sóstenes Cavalcante (PL-MT) cobrou apoio do centrão, após o anúncio de Flávio como escolhido pelo pai para ser candidato a presidente em 2026. “Vão abandonar Jair Bolsonaro como abandonam até agora?”.

 

Sem nem pandemia

Até o momento, este ano, o Produto Interno Bruto do Brasil cresceu 1,8% no acumulado, o pior resultado desde a pandemia. O governo Lula prometeu, na Lei Orçamentária Anual (LOA), crescimento de 2,64%.

 

Nem notificou ainda

Advogado da Rumble, Martin DeLuca acha “muito estranha” a dificuldade enfrentada pelas empresas que processam Alexandre de Moraes nos EUA para notificar o ministro. Devem buscar “alternativas”.

 

A ver

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) avalia que o STF invadiu as competências do Senado. “Esse é o entendimento unânime dos 81 senadores. Não podemos aceitar que o Judiciário reescreva leis e retire prerrogativas”, disse a ex-ministra da Agricultura.

 

Pouco a comemorar

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) estima que o PIB do agro deve crescer mais de 8% em 2025, em relação a 2024. Mas isso só foi possível porque no ano passado o PIB do agro... despencou 3,7%.

 

Vice na ponta

Pesquisa Real Time Big Data coloca o vice-governador Daniel Vilela (MDB) na liderança em todos os cenários desenhados pelo instituto para suceder a Ronaldo Caiado (União Brasil) no governo de Goiás.

 

Pensando bem...

...pelo menos a candidatura de oposição, ao contrário de Lula, não foi lançada no exterior.

 

PODER SEM PUDOR

Presente adequado

Por muito tempo Paulo Maluf foi alvo dos opositores, mesmo os mais moderados. Certa vez, um repórter provocou Tancredo Neves, mencionando seu adversário na “campanha” da eleição indireta de 1984: “Hoje é aniversário do Maluf. O que o senhor vai dar de presente a ele?” Tancredo respondeu sem hesitar: “Um exemplar do Código Penal...”

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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