Mato Grosso do Sul encerrou o último ano com um dado que merece ser destacado para além das estatísticas frias: a geração de mais de 19 mil vagas de emprego com carteira assinada. O número, puxado principalmente pela construção civil, elevou o estoque de trabalhadores formais para perto de 690 mil vínculos ativos. Trata-se de um marco relevante para um estado que, historicamente, conviveu com ciclos econômicos mais instáveis e dependentes de poucos setores.
Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, confirmam o que já se percebe no cotidiano: Mato Grosso do Sul vive um bom momento econômico. Há canteiros de obras espalhados, projetos industriais saindo do papel e uma cadeia de serviços impulsionada por esse movimento. Emprego não surge do nada; ele é consequência direta de investimento, confiança e planejamento – e isso está acontecendo no Estado.
É claro que cada ano tem suas particularidades. Há meses de saldo positivo mais robusto, outros de acomodação e até de retração pontual. Isso é natural em qualquer economia. O que chama a atenção, porém, é a resiliência do mercado de trabalho sul-mato-grossense. Mesmo diante de oscilações nacionais, juros elevados ou incertezas externas, o Estado mantém um platô elevado de emprego formal. E isso não é casual: há bilhões de reais em investimentos já contratados para o médio e o longo prazo, especialmente nas áreas de infraestrutura, indústria e agroindústria.
Esse cenário aponta para um desafio que começa a se impor com clareza: a necessidade de mão de obra. Mato Grosso do Sul tem população relativamente pequena para atender à demanda que já está contratada, sobretudo em regiões estratégicas como o Vale da Celulose, no nordeste do Estado. A migração, que por décadas foi sinônimo de pressão social, passa a ser uma necessidade econômica. Atrair trabalhadores qualificados – e também aqueles dispostos a se qualificar – será fundamental para sustentar o ritmo de crescimento.
Quando há muitas vagas disponíveis, o problema deixa de ser o desemprego e passa a ser a capacidade do Estado de oferecer condições adequadas para quem vive e trabalha aqui. Economia aquecida traz novos desafios: melhorar a qualidade da educação, ampliar e qualificar os serviços públicos, fortalecer a sensação de segurança e acelerar investimentos em infraestrutura urbana e logística. Crescer é bom, mas crescer com qualidade é indispensável.
Os números macroeconômicos mostram que Mato Grosso do Sul está no caminho certo. O desafio agora é transformar esse bom momento em desenvolvimento duradouro, socialmente equilibrado e inclusivo. Se conseguir fazer isso, o Estado não apenas manterá os empregos gerados, como criará bases sólidas para muitos outros que ainda virão. Que assim continue.


