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"Nós temos condições de ganhar em São Paulo. Temos Haddad, Alckmin, Simone. Eu só ganhei uma vez..."

"em 2002, contra o Serra. Nas outras, perdi. Perdi para Fernando Henrique, para o Alckmin, perdi por 3º,4º,5º", de Lula, citando nomes que poderiam ser candidatos ao governo paulista

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Nos últimos 20 anos, formar mais médicos gerou a ampliação desmesurada de faculdades de medicina: eram cerca de 200 e passou para mais de 450, abertas pelo Brasil agora. O efeito prático, segundo análise do cirurgião Raul Cutait, é que, em menos de dez anos, o país terá mais de um milhão de médicos.

MAIS: o número é quase o dobro do número de países como o Japão e os Estados Unidos. O engano estratégico: aumenta a quantidade de médicos e não significa qualidade de formação. Hoje, 40% dos novos médicos não cursaram um programa de residência médica, o que é obrigatório em muitos países para se exercer qualquer atividade clínica. 

Contra Pochmann

Chegou ao Congresso Nacional a crise envolvendo servidores do , IBGE e Mário Pochmann, petista não muito admirado até no partido, escolhido por Lula para chefiar o Instituto, com salário de R$ 26,5 mil mensais.

A oposição quer apurar contaminação ideológica e passar a lupa na gestão de Pochmann após massiva saída de servidores , comprometidos com a qualidade técnica do instituto, de coordenações responsáveis pela produção de estatísticas econômicas e sociais.

O TCU já foi acionado para investigar essas exonerações do IBGE. Ao presidente do tribunal, Vital do Rêgo Filho, o deputado Sanderson (PL-RS) chama a atenção para as demissões antes da divulgação do PIB.

Adriana Ventura (Novo-SP) cobrou da CGU ações de controle interno do IBGE e denunciou viés político em publicações. Alheia à crise entre Pochmann e servidores, agora a ministra Simone Tebet (Planejamento) vai entrar na novela.

"Nós temos condições de ganhar em São Paulo. Temos Haddad, Alckmin, Simone. Eu só ganhei
uma vez em São Paulo, em 2002, contra o Serra. Nas outras, perdi. 
Perdi para Fernando Henrique, para o Alckmin, perdi por 3º,4º,5º"
, - de Lula, citando nomes que poderiam ser candidatos ao governo paulista

Escolhido a dedo

Com a indicação do economista Guilherme Mello, Lula quer mesmo é ter um emissário no Banco Central. O movimento ocorre ao mesmo tempo do avanço das investigações do caso do Banco Master e num momento em que a instituição é alvo de críticas de aliados do presidente pela elevada taxa de juros.

A ala política do governo teme que o aprofundamento das investigações possa atrapalhar as negociações com o Congresso ao longo do ano eleitoral. Detalhe: Lula está um pouco afastado de Gabriel Galípolo. Nem o consultou ao chamar Mello para o BC.

Olho vivo

As conversas sobre substituições de governadores do PT em suas tentativas de reeleição continuam em dois Estados: no Ceará, Elmano de Freitas poderia ser substituído por Camilo Santana, ministro da Educação, devido à forte concorrência de Ciro Gomes (PSDB); na Bahia, Rui Costa poderia entrar no lugar de Jerônimo
Rodrigues, ameaçado por ACM Neto (União Brasil).

Contudo, muitos petistas lembram de um histórico precedente na Bahia em 2002, quando o governador petista Olívio Dutra foi substituído pelo colega Tarso Genro - e foi derrotado. 

Insultos a Lula

O ex-presidente Jair Bolsonaro teve de prestar depoimento à PF, na Papudinha, sobre a ação na qual é acusado de insultar o presidente. O que ele disse : "Lula, cachaça, o brasileiro sabe de sua índole e
como você chegou até aqui. Só um imbecil ou um canalha compra esse papo de plano de assassinato.

A única pessoa que tentaram matar fui eu, em uma ação de antigo militante do Psol, seu braço político de primeira hora". Bolsonaro havia associado Lula a seu atentado à facada em 2018.

Palmeiras no palco

O Palmeiras, involuntariamente, acabou se tornando palco de uma tabelinha entre protagonistas de  escândalos financeiros. Nos bastidores do clube, o que se diz é que o patrocínio da Fictor ao Verdão teria sido
costurado por João Carlos Mansur, fundador da Reag, liquidada pelo Banco Central.

Mansur é um nome influente na política do clube. Ocupa uma cadeira de membro efetivo do Conselho de Orientação e Fiscalização do Palmeiras e, no passado, teve um papel razoavelmente relevante nas tratativas com a WTorre para a construção do Allianz Parque.

Firmado em 2025, o patrocínio renderia ao Palmeiras R$ 30 milhões por temporada. Renderia: o contrato foi
rescindido só há dias depois da Fictor entrar com pedido de recuperação judicial.

Sob controle

Na capa da revista Elle Britânica, a cantora, compositora e atriz Lily Allen deu uma entrevista sincera falando sobre sua carreira vida pessoal e sobre sua recente separação do ator David Harbour, que foi confirmada logo após o lançamento de seu quinto ábum West End Girl (em outubro de 2025).

Declarada publicamente depressiva e com TDAH, Lily também já foi diagnosticada com transtorno dismórfico corporal e transtorno bipolar. Solteira agora está tentando melhorar sua gestão de tempo.

"Tenho TDAH, então é muito difícil quando as coisas começam a aparecer e fico sobrecarregada de informações. Sou uma amiga muito leal e responsável. Quero poder dar a todas as pessoas da minha vida exatamente o que elas merecem. Mas às vezes meu cérebro desliga e se distrai, e aí eu esqueço daquela pessoa para quem preciso responder". 

Seu novo trabalho foi lançado após 7 anos, e ela garantiu que agora se sente no poder, mesmo que seu álbum na partida tenha sido amplamente criticado. 'Sim, eu sinto. Me sinto livre. É uma sensação muito boa. Estou genuinamente empolgada e animada para os próximos dois anos. E tento não pensar muito nos detalhes. Mas que presente estar na idade em que estou e ver as pessoas se conectando com a minha produção criativa dessa forma, e poder levá-la para a estrada e minhas filhas poderem me ver fazendo isso”.

No período que ficou afastada ela garante que viveu momentos mágicos, exercendo só o papel de mãe.

“Fui uma mãe muito presente, estando em casa quando minhas filhas voltavam da escola, preparando o jantar e fazendo a lição de casa com elas. Eu queria que as coisas parecessem relativamente normais. Eu estava feliz no sentido de que estava fazendo o que queria fazer pelas minhas filhas. Se eu me sentia realizada criativamente ou não, é outra história. Eu não consegui encontrar o equilíbrio entre as duas coisas".

Sobre o novo trabalho que foi classificado como um trabalho raivoso declara: "Acho que, se aprendi algo sobre mim mesma com isso, é que a raiva é poderosa e necessária, e não é necessariamente algo ruim expressá-la. Aliás, a raiva reprimida é provavelmente mais prejudicial". 

Clã Bolsonaro quer a vice de Tarcísio

O clã Bolsonaro está empenhado em meter a colher na chapa de Tarcísio de Freitas e indicar o candidato a vice-governador de São Paulo.

O nome cotado pelo bolsonarismo para a vaga seria o do deputado estadual Gil Diniz (PL), que tem uma relação de idas e vindas com Tarcísio. Na semana passada, ironizou o governador no plenário da Assembleia Legislativa e chegou a dizer que o PL deveria lançar uma candidatura própria ao Palácio dos Bandeirantes.

O motivo foi a declaração de Tarcísio de que as múltiplas candidaturas do campo da direita podem favorecer a disputa contra Lula. A tentativa de ingerência da família Bolsonaro soa como provocação.

Nos bastidores, Tarcísio já deixou claro que pretende reprisar a chapa de 2022, com o atual vice Felício Ramuth (PSD), indicação de Gilberto Kassab, ainda Secretário do Governo.

É uma das tantas arestas que volta e meia aparecem na relação clã Bolsonaro e o governador de São Paulo.

Nesses dias, Tarcísio exonerou da Segurança Pública 14 nomes ligados ao ex-secretário Guilherme Derrite,
um ataque direto ao bolsonarismo puro-sangue, incluindo Flávio Bolsonaro.

"Poderoso"

Muitos integrantes do PL estão achando Flávio Bolsonaro um tanto "poderoso", de uma hora para outra.
Agora, quer lançar o deputado Nikolas Ferreira (PLMG) que alcança 30 anos em 2026, para governador
de Minas Gerais. Ainda nem falou com Valdemar Costa Neto, dono do PL, mas já conversou com cardeais do
União Brasil e do PP que formam uma federação.

Flávio quer um palanque em território mineiro, só que Valdemar é o primeiro a recusar a ideia, alegando, de
cara, que Nikolas precisa "de mais experiência". Detalhe: Ferreira não quer disputar o governo mineiro,
quer se reeleger deputado federal por Minas Gerais.

Aumento da cobrança

Desde que saiu do Big Brother Brasil 23 (ficou em terceiro lugar) Bruna Griphao resolveu a se dedicar a
música, mas não chegou a lançar nenhum álbum ou sair em turnê. Em breve poderá ser vista novamente
na futura série ‘Jogada de Risco’, criada e dirigida por Cauã Reymond e, que a principio estará disponível na
Globoplay.

Enquanto não grava ou não aparece nas telinhas Bruna que também é influenciadora foi escolhida
como uma das musas da escola de samba Salgueiro e passou os últimos meses com energia total para não
fazer feio na avenida, com aulas de samba e treino intensos para aguentar os 80 minutos no sambodrómo, porque ela sabe que a cobrança virá com juros.

"A partir do momento que aceitei ser musa, soube que a cobrança viria da escola e da comunidade. Mas a gente precisa aprender a filtrar. Mas agora isso não é mais o meu foco. Minha maior preocupação é entregar um desfile lindo. Estou sempre buscando minha melhor versão”.

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Atrás do PSDB

Agora, Gilberto Kassab, que convidou a bancada do PSDB na Assembleia de São Paulo para um café em sua casa, na semana passada, estava tentando convidar os tucanos para seu partido, em março, na janela
partidária.

Dos oito deputados do PSDB, seis já devem sair. Os outros dois não descartam também debandar.

O esvaziamento é mais um capítulo da derrocada tucana. Embora aconteçam conversas como outros partidos, a maioria deve ter o PSD como destino.

Operação-corte 1

A Rede TV está realizando uma auditoria em suas finanças com o objetivo de tornar a emissora mais competitiva, mudar a percepção do mercado publicitário e reduzir o número de funcionários. Amilcare Dallevo Júnior é quem comanda a Operação-corte: é o único dono da empresa, depois
de comprar as cotas de Marcelo de Carvalho. Em janeiro, começaram as demissões: foram 60 funcionários de várias áreas. A maioria era de pessoas indicadas por Marcelo, incluindo Luciana Gimenez.

Operação-corte 2

Executivos que permaneceram na Rede TV acham que até o desligamento de Marcelo de Carvalho foi feito por Amilcare.

As polêmicas envolvendo Marcelo atrapalhavam os negócios da emissora. Ele foi processado por racismo após narrar nas redes sociais que um amigo havia sido assaltado por "obviamente um sujeito de aparência africana"".  Agora, Dallevo vai reforçar com nomes da área para mostrar sua nova visão da mídia.

Mistura fina

Também Valdemar Costa Neto, presidente do PL, vai tentar emplacar a vaga de vice de Tarcísio, desalojando o PSD de Gilberto Kassab. O nome indicado é o do presidente da Assembleia, André do Prado. Valdemar garante que o partido e a bancada vão trabalhar por André, mas ressalva que "quem vai definir é o governador", ou seja, não disse nada de novo. Também sabe que Tarcísio prefere manter Felício Ramuth.

Segundo dirigentes do PSD, não haverá obrigação de que os diretórios estaduais deem palanques ao presidenciável do partido que deve ser escolhido entre Ratinho Jr., Ronaldo Caiado e Eduardo Leite. Na semana passada, Gilberto Kassab disse que pode eleger de 80 a 90 deputados federais - hoje o PSD tem 47.
O número de deputados é estratégico porque é a base para a proporção de distribuição do fundo eleitoral e partidário.

Gilberto Kassab, dono do PSD e até o ministro Alexandre da Silveira trabalham para emplacar o diretor financeiro de Itaipu André Pepitone, na secretaria executiva do Ministério de Minas e Energia. O cargo do nº 2 da Pasta tornou-se uma posição bastante cobiçada pela possibilidade de ser um trampolim quase imediato para a posição de nº 1.

Silveira deixa o posto em abril e vai concorrer ao Senado. Arthur Valério era apontado como sucessor de Silveira, mas preferiu atuar na advocacia privada. Ex-diretor da Aneel, Pepitone assumiu a diretoria financeira de Itaipu em 2022 no governo Bolsonaro e soube manter-se firme e forte na estatal. Uma prova de
sua elevada voltagem: nem Gleisi Hoffmann, que indicou o próprio diretor-geral de Itaipu, Ênio Verri, Conseguiu tirar Pepitone da estatal e não foi por falta de tentativa.

No próximo dia 20, William Bonner estreia como novo apresentador do programa Globo Repórter, ao lado de Sandra Annenberg. Na semana passada, gravou um programa-piloto e conheceu novos cenários que a Globo adotará.

Depois de passar muitos anos ganhando salário de R$ 1,5 milhão por mês sem oportunidades na área comercial, Bonner hoje recebe um salário de R$ 200 mil mensais, bem menos do que sua colega de programa. Sandra Annenberg recebe R$ 800 mil por mês.

IN: Torta Caprese

OUT: Torta de Berinjela

 

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CLÁUDIO HUMBERTO

"É inegável que a crise desgastou a nossa campanha"

Edinho Silva, presidente nacional do PT, sobre os escândalos do Master e do STF

20/09/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Pesquisas previam vida fácil de Lula. Mas a realidade...

A duas semanas do primeiro turno em 2022, o Datafolha previa Lula 12 pontos à frente de Jair Bolsonaro no primeiro turno e o Ipec (que era Ibope) chutava vitória de 15 pontos do petista.

Nas urnas, o placar válido foi 48,4% a 43,2%. No segundo turno, o Datafolha previa vitória de Lula com 16 pontos de vantagem, enquanto o ex-Ibope calculava vitória do petista por 19 pontos. Na realidade, a vantagem foi de 1,8% no 2º turno.

Repeteco?

A 15 dias da eleição de 2026, o Datafolha prevê Lula com 39% a 35% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e 46% a 44%, no segundo.

Muro estreito

O Quaest viu vitória de 8% de Lula em 2022 nos dois turnos. Agora prevê Lula à frente por 5% no primeiro, mas derrotado no segundo turno.

Instituto fechou

A duas semanas da eleição 2018, o Ibope errava em 18% o resultado de Bolsonaro no 1º turno. E ainda previu empate com Haddad no 2º turno.

Chegou perto

O instituto Paraná Pesquisa foi quem mais acertou em 2022. A 14 dias da eleição previa vitória de Lula por quatro pontos no primeiro turno.

Especialista vê presidência de Moraes como surreal

Próximo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a tradição, Alexandre de Moraes pode ter o comando da Corte sob impedimento perante a opinião pública, é o que avalia à coluna o professor, mestre e doutor em Direito Constitucional da USP Rubens Beçak, caso o Supremo abra investigação contra o magistrado.

Beçak diz ainda que os ministros deveriam examinar administrativamente se Moraes poderia continuar com os processos relacionados ao Master.

Peça o boné

Para Max Kolbe, advogado especialista em Direito Constitucional, Moraes deveria até se abster de disputar a presidência, caso investigado.

Situação surreal

Kolbe considera “estarrecedor” um investigado comandar a instituição responsável por supervisionar a apuração da própria conduta: “surreal”.

Não dá

No campo político, as críticas ao ministro são ainda mais incisivas, “é um escárnio com a cara do povo”, disse à coluna Rodrigo Valadares (PL-SE).

Tradição não é regra

Por tradição, o presidente o Supremo Tribunal Federal é o ministro mais antigo que ainda não tenha ocupado o posto. A eleição para sucessão de Edson Fachin deve ocorrer em agosto de 2027. Kassio Nunes Marques é o próximo da fila após Alexandre de Moraes.

Caravana

A chapa Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, do PL, tem investido no Nordeste nestes dias. A meta é percorrer os nove estados da região, tida como prioridade para a campanha.

Arruda no TSE

Derrotado no TRE-DF, José Roberto Arruda (PSD) tenta no TSE validar a indeferida candidatura ao governo do Distrito Federal. Quem vai relatar o recurso na mais alta corte eleitoral é o ministro Dias Toffoli.

Sangria na pauta

O julgamento do dissídio coletivo dos funcionários dos Correios, sem dó da combalida estatal, será nesta segunda-feira (21). Os grevistas querem coisas tipo adicional de 70% sobre férias e 200% sobre repouso ou feriado trabalhado, além de manter regalias tipo vale extra de Natal.

Picadeiro ocupado

Na polêmica sessão do STF que deveria definir se Alexandre de Moraes será investigado pela relação com Daniel Vorcaro, Gilmar Mendes falou durante mais tempo que Cármen Lúcia e André Mendonça... somados.

Foi pouco

Segundo a oposição no Congresso, o aumento do auxílio anunciado por Lula (PT) poderia ser maior do que 15%. “Desde que o imenso rombo da corrupção e do empreguismo público fosse eliminado”, diz um auxiliar.

Nome dado

Rogério Marinho (PL-RN) revelou ao Jornal Gente, da Bandeirantes, que o então líder do governo Lula, Jaques Wagner (PT-BA), recebeu ligação do decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, reclamando e “cobrando” após o Senado aprovar projeto que o STF não gostou.

Detalhe

O projeto que os ministros e Gilmar Mendes não gostaram, disse Rogério Marinho, determinava prazo curto para o plenário do STF analisar decisões monocráticas, aquelas expedidas por um só ministro.

Pensando bem…

... no Brasil, nada mais real do que o surreal.

PODER SEM PUDOR

O delegado professor

O jovem Tancredo Neves foi ser promotor em São João Del Rey. Foi chegando e arranjando uma namorada. Mal sabia que o delegado havia proibido namoro nas praças, por isso ele se misturou aos muitos casais que ocupavam um dos jardins públicos da cidade.

A polícia chegou de repente e expulsou todo mundo. Tancredo já ia protestar quando o delegado o percebeu. Rápido, o policial mostrou que tinha muito a ensinar a ele: “Doutor, botei esse pessoal para fora para deixar o senhor à vontade...”. Ah, bom.

 

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

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