Colunistas

CLAÚDIO HUMBERTO

"O governo Lula faz politicagem com a desgraça alheia"

Marcel van Hattem (Novo-RS), sobre a conduta de Lula e a tragédia em Minas Gerais

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Mensagem sugere que Moraes frequentava Vorcaro

Entre as mensagens apontando intrigante proximidade entre o banqueiro Daniel Vorcaero e Alexandre de Moraes, uma não escapou a políticos de oposição porque indica que o ministro do STF era visitante habitual em endereços do dono do Banco Master. Em troca de mensagens com a namorada Martha Graeff, em 29 de abril de 2024, Vorcaro diz estar recebendo Moraes em sua nova casa em Campos (do Jordão) e que o ministro havia gostado do que viu, observando: “E ele adorava (o) apto”.

Visita habitual

Para a oposição, esse trecho mostra que Moraes costumava visitar o investigado Vorcaro, cliente do escritório de advocacia da esposa.

Impeachment

A ligação de Vorcaro a Moraes está entre as alegações do governador de Minas, Romeu Zema, para pedir impeachment do ministro do STF.

Caso é grave

“Não é possível tratar um caso dessa gravidade com silêncio ou omissão”, diz o presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, um dos signatários do impeachment.

Reação a críticas

A iniciativa de Zema e suas críticas ao STF fez o decano Gilmar Mendes reagir fortemente, atacando o governador e falando em “hipocrisia”.

Brasileiros já pagaram R$ 800 bilhões em impostos

Os brasileiros amargam, neste sábado (7), a marca de R$ 800 bilhões pagos em impostos, somente em 2026. A conta é do “Impostômetro” da Associação Comercial de São Paulo, que inclui todas as taxas tomadas dos cidadãos no âmbito federal, estadual e municipal. Foram R$ 100 bilhões em apenas dez dias. Em 26 de fevereiro, o Impostômetro apontava R$ 700 bilhões tomados dos brasileiros em impostos, este ano.

No vermelho

Esta semana, a plataforma Gasto Brasil registrou que as despesas do governo já superaram R$ 1 trilhão no mesmo período.

Só de paulistas

A arrecadação de impostos no estado de São Paulo responde por 37,4% de tudo tomado pelo governo: mais de R$ 286 bilhões, até agora.

Até o dia 17

A estimativa do Impostômetro é que sejam tomados outros R$ 100 bilhões dos brasileiros apenas nos próximos dez dias.

Uma por ano

O Brasil perdeu três posições entre as maiores economias do mundo, desde que Lula (PT) voltou à Presidência. Os dados são Austin Ratings, que mede o desempenho das economias mundiais em dólar. O País subiu à 8ª colocação em 2022 e perdeu uma posição por ano. Até agora.

Nem o vice sabe

O próprio vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) avisou publicamente que a chapa presidencial de Lula (PT) não está fechada. “Essa é uma definição mais para frente”, disse o ex-PSDB e ex-adversário do petista.

Sinais claros

Ao receber Lionel Messi e o time Inter Miami, Donald Trump citou Cuba oito vezes. Disse que vai “esperar duas semanas”, “resolver este antes” e que é “questão de tempo” até haver fluxo de pessoas entre os países.

Pode mesmo?

Simone Tebet (Planejamento) pode se candidatar em São Paulo, disse Geraldo Alckin, que não se aprofundou sobre a qual cargo. No Paraná Pesquisas de fevereiro (04650/26) ela aparece apenas nos cenários espontâneos com 1,1% para o Governo e 0,8% para o Senado.

Vorcaro-USA

Martin de Luca, advogado da rede de vídeos Rumble, avalia que à medida que forem descobertos vínculos do banqueiro Daniel Vorcaro nos EUA, o interesse das autoridades americanas no caso vai aumentar.

Vale lembrar

Diante do escândalo do Banco Master, Carlos Bolsonaro lembra que “enfiaram” Jair Bolsonaro na cadeia por 28 anos “sob a justificativa boçal e canalha de tentativa de golpe…. para a democracia ser mantida!”.

Brasil escanteado

Donald Trump recebe 12 chefes de Estado e governo latino-americanos, neste sábado (7), em Miami, para o encontro “Escudo das Américas”, incluindo Javier Milei (Argentina). O Brasil nem sequer foi mencionado.

Esquerda rachada

O Psol decide hoje (7) se vai formar federação com o PT. O partido de Guilherme Boulos já está associado ao Rede, mas está rachado quanto ao PT. A maioria deve ser contra casar-se com petistas até 2030.

Pensando bem...

...preso em Brasília, Daniel Vorcaro fica ainda mais perto do STF.

PODER SEM PUDOR

Senador cabeleira

Ao iniciar a sessão da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, que preside, o senador ACM (PFL-BA) fazia a chamada dos presentes quando alfinetou: “Roseana Wellington...” Wellington Salgado (PMDB-MG) chiou:

- “Roseana Wellington”, senador?

- São os seus cabelos longos... – respondeu ACM, irônico, referindo-se à cabeleira de gosto duvidoso, tipo anos 60, do suplente de Hélio Costa.

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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