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GIBA UM

"O momento é difícil, mas a boa madeira não cresce no sossego"

de MARINA SILVA // sobre o esvaziamento de atribuições do Ministério do Meio Ambiente na reestruturação do governo

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“O momento é difícil, mas a boa madeira não cresce no sossego. Este é um momento de as árvores fortes se colocarem na frente”, de MARINA SILVA // sobre o esvaziamento de atribuições do Ministério do Meio Ambiente na reestruturação do governo.

IN: Cappuccino com chocolate

OUT: Capuccino gelado

O mercado brasileiro de pizzarias cres- 3 ceu 499% nos últimos dez anos e ao longo desse período, a pizza mudou muito, segundo estudo da Associação Pizzarias Unidas do Brasil. Numa amostragem de 75% do mercado (70.839 empresas), verificou-se mudanças.

Mais: verificou-se que a farinha das pizzas melhorou, a massa ganhou longa fermentação, ingredientes passaram a ser fornecidos por pequenos produtores e o forno a lenha perdeu seu lugar. De quebra, ganhou espaço a pizza doce, jamais imaginada pelos napolitanos. 

Ela gosta

Há dias, um ministro levou a Lula uma informação que prejudicaria seu governo e teria outras complicações, o que deixou o presidente com um ar preocupado. A primeira-dama estava presente ao encontro, ouviu em silêncio e depois, levou o ministro até a porta. Aí foi direta: “Não traga mais esse tipo de problema ao presidente”.

O ministro engoliu seco e tratou de passar o episódio a colegas do ministério. Nos círculos mais irônicos do governo, dada a participação dela em vários setores da administração federal, referem-se a primeira-dama como “presidenta Janja”. Detalhe: ela gosta.

MAIS UMA

Enquanto a própria Eletrobras admite risco de ter sua privatização revertida pelo governo Lula (ministros do STF não são todos a favor), também uma reestatização da Vibra (ex-BR Distribuidora) está começando a ser discutida.

Pelo menos, é o que o ex-chanceler Aloysio Nunes Ferreira está tentando articular com o governo, em nome do ex-banqueiro Ronaldo Cesar Coelho, o maior acionista individual da empresa. Nunes Ferreira e Coelho, à propósito, foram companheiros de PSDB e na Câmara Federal.

Nova viagem

Lula prometeu que não viajará para o Exterior durante o mês de junho. Mas, no começo do segundo semestre, comprometeu-se com Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia, durante a reunião do G7, que irá a seu país. A agenda vai girar em torno da retomada do Fórum do Diálogo Índia-Brasil-África do Sul, o Ibas. Para Lula, é uma questão autoral em meio à política externa brasileira.

No governo Bolsonaro, o Fórum de Diálogo foi praticamente abandonado pelo ex-presidente. Em março, Lula também conversou, por telefone, sobre a revitalização do bloco, com o presidente da África do Sul, Cyrill Ramaphosa.

INSISTÊNCIA

O ministro Fernando Haddad (Fazenda) não pôde ir até Xangai, dias atrás, por excesso de compromissos, mesmo debaixo de determinação do presidente Lula. Agora, o Chefe do Governo vai insistir e Haddad não conseguirá escapar da missão.

Ele deverá conversar com a presidente do Banco dos Brics (Novo Banco de Desenvolvimento), Dilma Rousseff e representantes dos países na entidade, tentando convencê- -los a liberar ajuda financeira para a Argentina. Há poucas semanas, Lula telefonou para Dilma e dois dias depois, ela informou que os regulamentos no banco não permitiam.

Vergonha, nem tanto

A visita oficial de Nicolás Maduro foi mantida em segredo até as primeiras horas da manhã de segunda-feira (29), quando o Ministério das Relações Exteriores informou a imprensa, através de uma nota. Exatamente no dia do encontro dos presidentes dos países sul-americanos que tem em comum a democracia, bem ao contrário de Maduro.

O venezuelano tem uma amizade muito chegada com Lula. Há quem diga que o petista tem vergonha (não foi o que aconteceu desde a chegada de Maduro ao país) disso. Na campanha de 2022, Lula chegou a proibir adversários de citarem sua tietagem a Maduro e ao nicaraguense Daniel Ortega.

Carreira internacional

A atriz Sophie Charlotte, está em uma das melhores fases de sua vida com vários trabalhos, inclusive um internacional. Além de estar na segunda temporada (que acaba em breve) de Todas as flores onde a interpreta Maíra que depois de uma cirurgia que a possibilita enxergar (tendo agora baixa visão), deixa seu lado doce e parte para uma vingança contra Zoé e Vanessa, é a protagonista do filme Meu Nome É Gal, que tem previsão para estreia em outubro. Ainda esteve ao lado do marido Daniel de Oliveira no filme O Rio do Desejo.

Agora dá mais um passo na carreira ao participar do filme The Killer, ao lado de Michael Fassbender e Tilda Swinton. Uma das capas da revista Glamour Brasil ela fala da experiência. “Foi uma participação pontual, mas surreal ao ser dirigida pelo Fincher e contracenar com Michael Fassbender. Estou curiosa, não sei onde isso vai me levar”.

E fala sobre uma suposta carreira internacional. “Olha, eu viso uma carreira. O que amo fazer é contar histórias. Estou aberta, pretendo explorar mais possibilidades quanto a isso, porém sem parar de contar histórias por aqui que têm a ver comigo, com a nossa cultura e identidade”. 

“Histórico” é “puro delírio”

O mínimo que o jornal espanhol El País fez, depois do presidente Lula classificar de “momento histórico” o desembarque no Brasil do venezuelano Nicolás Maduro, que comanda um regime ditatorial, foi rotular de “puro delírio” a expressão com direito a sorriso, criada pelo presidente brasileiro. Até ministros do próprio governo criticaram as pompas e elogios dedicados por Lula ao visitante.

Depois de poucos dias condenando modificações no Ministério do Meio Ambiente de Marina Silva, avisando que prejudicaria a imagem do Brasil, jornais do exterior condenam a recepção festiva de Lula a Maduro. No primeiro contato com a mídia daqui, o venezuelano assumiu ares chorosos, de um ator de companhia de teatro amador, quando saudava Lula, “depois de todas as portas do nosso país terem sido fechadas por Bolsonaro”.

A avaliação dos jornais americanos e europeus, incluindo grande texto do The Washington Post, sobre Nicolás Maduro no Brasil, é que Lula errou no tom ao passar uma imagem condescendente com Caracas, que sofre com a falta de eleições livres, abusos de direitos humanos, graves problemas econômicos (não tem dinheiro para saldar sua dívida com o Brasil) que tiveram origem antes do bloqueio americano e milhões de refugiados pelo mundo. E Lula atacou novamente os Estados Unidos, para irritação de Joe Biden.

Promessa ao Papa

O aplaudidíssimo cineasta, produtor de cinema e roteirista Martin Scorsese, 80 anos, esteve no sábado com o Papa Francisco, aproveitando sua passagem pela Europa. Ele voou de Cannes para Roma, onde exibiu seu novo trabalho Killing of The Flower Moon.

No encontro com Papa, Scorsese se rendeu a constantes pedidos aos artistas e diretores e prometeu fazer um filme. “Respondi ao apelo do Papa aos artistas da única maneira que sei: imaginando e escrevendo o roteiro de um filme sobre Jesus. E estou prestes a começar a fazê-lo”.

Ainda não

Os números são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública: em 2022, o Brasil registrou 1.410 feminicídios. Em média, uma mulher foi assassinada a cada seis horas no país por ser mulher. É o maior número desde que se começou a contabilizar tais acontecidos sob esta rubrica.

Foi apenas em 2015 que o Brasil começou a oficialmente registrar os assassinatos das mulheres em sua condição feminina como feminicídios. E dados de 2022 significaram mais 5% em relação ao ano anterior. Detalhe: em seus quase 20 anos de existência, a Lei Maria da Penha nunca foi totalmente implementada pelo Estado brasileiro.

Acordo

Os parlamentares que aprovaram mudanças contra os ministérios do Meio Ambiente e dos Povos Indígenas, tinham um outro esvaziamento planejado, na pasta de Rui Costa, titular da Casa Civil. Costa e os ministros Alexandre Padilha e Esther Dweck acompanharam a aprovação de novos textos da MP. E o próprio ocupante da Casa Civil tratou de negociar, provavelmente a favor de mudanças em outros ministérios, para que sua área não fosse atingida. Supostamente, com Lula informado.

Presente complicado

Fernanda Montenegro deu uma árvore de presente para o diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa para plantar ao lado do Teatro Oficina no terreno de Silvio Santos, em São Paulo, no bairro de Santa Cecília.

A plantação no meio do terreno só pode ser feita por invasão do terreno de Silvio e, se plantada, a árvore pode gerar um processo de lei do meio ambiente. Silvio não está preocupado: tudo sobre o SBT está nas mãos de Daniela Beiruty. Nesse caso, contudo, deverá ir para as mãos de José Roberto Maciel, presidente do Grupo Silvio Santos, responsável pela construtora.

RESIDENCIAL REDE GLOBO

Com muita discrição, a Globo vendeu o edifício que era a sede administrativa da emissora desde a inauguração em 1965 até 2019, na famosa Rua Jardim Botânico, 266. A venda foi feita diretamente para uma imobiliária que irá transformar o prédio, que terá 133 unidades com apartamentos com quarto, e estúdios, para moradia ou aluguel temporário.

A pré-venda já está acontecendo, mas os valores só serão divulgados no mês que vem. No anúncio ganha destaque a localização, a infraestrutura de lazer que está sendo montada e uma super segurança com tecnologia de primeira. O empreendimento irá se chamar ‘Residencial Edifício Rede Globo’.

MISTURA FINA

O PRÓPRIO líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), um dos mais próximos do presidente, garantiu – e foi aplaudido – que Lula vetará acordo proposto pela Embratur que quer arrancar 5% dos recursos do Sesc-Senac para rechear mais o orçamento da entidade que cuida da promoção do turismo.

Antes, a proposta chancelada por deputados federais ganha aprovação no Senado e mantinha o repasse ao Sesc-Senac. Só que os senadores fecharam acordo para vetar o texto sobre o assunto e o governo buscaria, futuramente outra fonte de recursos para a Embratur.

O RECORDE de mais de 70 milhões de brasileiros inadimplentes, 43,43% da população acima de 18 anos, já havia sido revelado em março. Agora, estudo do MGG Holding, empresa especializada em recuperação de créditos vencidos, mostra que esse universo é formado por “multidevedores”, pessoas que acumulam, em média, débitos não pagos em 11 locais diferentes, um salto na média histórica de três calotes por pessoa. Reforça a inversão, segundo analistas, de prioridade do governo, agora correndo atrás do “carro popular”.

FOI no mínimo engraçado a explicação que o deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA) um dos vice-líderes do governo na Câmara deu para justificar as derrotas e a falta de articulação política do governo nestes cinco meses iniciais.

“Estamos na crise de seis meses. Isso acontece com um namoro, com um casamento, acontece na vida”. E claro que analistas políticos e até terapeutas não deixaram barato, se está assim no começo, não é crise e sim um relacionamento tóxico.

PARLAMENTARES como Bia Kicis, Gustavo Gayer, Zé Trovão e outros bolsonaristas entregaram oficio à Embaixada dos Estados Unidos em Brasília pedindo posicionamento do governo de Joe Biden sobre a estada do ditador Nicolás Maduro no Brasil, a convite de Lula, a quem chama de “Hermano”.

Já sabem que o próprio Biden não consegue entender o que ele quer com a visita – e os salamaleques – do venezuelano, numa hora em que conquistava um avanço em sua imagem no exterior. Kicis, à propósito, está sendo investigada sobre os atos de 8 de janeiro.

O BANCO do Nordeste poderá financiar a construção do trecho da Transnordestina em Pernambuco, entre Salgueiro e Suape. O projeto envolve a instalação de 206 quilômetros de trilhos, ao custo de R$ 5 bilhões. É o trecho devolvido à União pela CSN, responsável pela construção do trecho Eliseu Martins (PI) e Porto de Pecém, no Ceará.

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CLÁUDIO HUMBERTO

"É inegável que a crise desgastou a nossa campanha"

Edinho Silva, presidente nacional do PT, sobre os escândalos do Master e do STF

20/09/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Pesquisas previam vida fácil de Lula. Mas a realidade...

A duas semanas do primeiro turno em 2022, o Datafolha previa Lula 12 pontos à frente de Jair Bolsonaro no primeiro turno e o Ipec (que era Ibope) chutava vitória de 15 pontos do petista.

Nas urnas, o placar válido foi 48,4% a 43,2%. No segundo turno, o Datafolha previa vitória de Lula com 16 pontos de vantagem, enquanto o ex-Ibope calculava vitória do petista por 19 pontos. Na realidade, a vantagem foi de 1,8% no 2º turno.

Repeteco?

A 15 dias da eleição de 2026, o Datafolha prevê Lula com 39% a 35% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e 46% a 44%, no segundo.

Muro estreito

O Quaest viu vitória de 8% de Lula em 2022 nos dois turnos. Agora prevê Lula à frente por 5% no primeiro, mas derrotado no segundo turno.

Instituto fechou

A duas semanas da eleição 2018, o Ibope errava em 18% o resultado de Bolsonaro no 1º turno. E ainda previu empate com Haddad no 2º turno.

Chegou perto

O instituto Paraná Pesquisa foi quem mais acertou em 2022. A 14 dias da eleição previa vitória de Lula por quatro pontos no primeiro turno.

Especialista vê presidência de Moraes como surreal

Próximo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a tradição, Alexandre de Moraes pode ter o comando da Corte sob impedimento perante a opinião pública, é o que avalia à coluna o professor, mestre e doutor em Direito Constitucional da USP Rubens Beçak, caso o Supremo abra investigação contra o magistrado.

Beçak diz ainda que os ministros deveriam examinar administrativamente se Moraes poderia continuar com os processos relacionados ao Master.

Peça o boné

Para Max Kolbe, advogado especialista em Direito Constitucional, Moraes deveria até se abster de disputar a presidência, caso investigado.

Situação surreal

Kolbe considera “estarrecedor” um investigado comandar a instituição responsável por supervisionar a apuração da própria conduta: “surreal”.

Não dá

No campo político, as críticas ao ministro são ainda mais incisivas, “é um escárnio com a cara do povo”, disse à coluna Rodrigo Valadares (PL-SE).

Tradição não é regra

Por tradição, o presidente o Supremo Tribunal Federal é o ministro mais antigo que ainda não tenha ocupado o posto. A eleição para sucessão de Edson Fachin deve ocorrer em agosto de 2027. Kassio Nunes Marques é o próximo da fila após Alexandre de Moraes.

Caravana

A chapa Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, do PL, tem investido no Nordeste nestes dias. A meta é percorrer os nove estados da região, tida como prioridade para a campanha.

Arruda no TSE

Derrotado no TRE-DF, José Roberto Arruda (PSD) tenta no TSE validar a indeferida candidatura ao governo do Distrito Federal. Quem vai relatar o recurso na mais alta corte eleitoral é o ministro Dias Toffoli.

Sangria na pauta

O julgamento do dissídio coletivo dos funcionários dos Correios, sem dó da combalida estatal, será nesta segunda-feira (21). Os grevistas querem coisas tipo adicional de 70% sobre férias e 200% sobre repouso ou feriado trabalhado, além de manter regalias tipo vale extra de Natal.

Picadeiro ocupado

Na polêmica sessão do STF que deveria definir se Alexandre de Moraes será investigado pela relação com Daniel Vorcaro, Gilmar Mendes falou durante mais tempo que Cármen Lúcia e André Mendonça... somados.

Foi pouco

Segundo a oposição no Congresso, o aumento do auxílio anunciado por Lula (PT) poderia ser maior do que 15%. “Desde que o imenso rombo da corrupção e do empreguismo público fosse eliminado”, diz um auxiliar.

Nome dado

Rogério Marinho (PL-RN) revelou ao Jornal Gente, da Bandeirantes, que o então líder do governo Lula, Jaques Wagner (PT-BA), recebeu ligação do decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, reclamando e “cobrando” após o Senado aprovar projeto que o STF não gostou.

Detalhe

O projeto que os ministros e Gilmar Mendes não gostaram, disse Rogério Marinho, determinava prazo curto para o plenário do STF analisar decisões monocráticas, aquelas expedidas por um só ministro.

Pensando bem…

... no Brasil, nada mais real do que o surreal.

PODER SEM PUDOR

O delegado professor

O jovem Tancredo Neves foi ser promotor em São João Del Rey. Foi chegando e arranjando uma namorada. Mal sabia que o delegado havia proibido namoro nas praças, por isso ele se misturou aos muitos casais que ocupavam um dos jardins públicos da cidade.

A polícia chegou de repente e expulsou todo mundo. Tancredo já ia protestar quando o delegado o percebeu. Rápido, o policial mostrou que tinha muito a ensinar a ele: “Doutor, botei esse pessoal para fora para deixar o senhor à vontade...”. Ah, bom.

 

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

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