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O papel dos pais no combate à violência nas escolas

A externalização dessa violência injustificável tem, na realidade, raízes em conflitos internos que não foram devidamente tratados na origem

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Ante a triste recorrência de ataques e assassinatos nas escolas, é necessária uma análise holística do problema para entender suas causas e combatê-lo de modo eficaz. A externalização dessa violência injustificável tem, na realidade, raízes em conflitos internos que não foram devidamente tratados na origem.

A questão é complexa, a começar pelo fato de muitos pais, diante de uma vida atarefada, delegarem a educação e o cuidado dos filhos aos professores. Porém, a finalidade precípua das escolas é a formação acadêmica.

As duas fases da vida que exigem mais atenção e acolhimento são os primeiros sete anos e os sete subsequentes, até os 14. É nessa idade que se formam as características de caráter, personalidade e valores e que se começa a experimentar o mundo lá fora.

A ausência dos pais na vida das crianças as deixam no modo “automático”, suscetíveis e expostas a todas as interferências e opiniões externas, sem filtros e orientação para enfrentar seus problemas.

Consequentemente tem-se, de um lado, o excesso de liberdade e, de outro, insegurança. Assim, problemas de comportamento e relacionamento começam a acontecer, e com enormes dificuldades de serem contidos, pois a criança não aprendeu sobre os limites da vida e não entende que seu direito termina onde começa o dos outros.

Agressões em sala de aula, bullying, desrespeito aos professores e aos colegas e falta de empatia e solidariedade tornam-se recorrentes. O mais preocupante é que alguns pais, infelizes com o desenvolvimento de seus filhos, insistem em projetar a culpa do insucesso na escola e não têm tempo ou inteligência emocional para contribuir.

Soma-se a isso a presença das mídias sociais, cujas consequências – não só às crianças – podem ser terríveis. Não saber lidar com suas dinâmicas é o caminho certo para a baixa autoestima e a depressão. O ser humano vai muito além da superficial imagem do mundo virtual. Nosso verdadeiro olhar deve ir muito além das “cascas”.

Ou seja, enxergar e estar em contato com a verdadeira essência das pessoas. Isso é justamente o que as redes ajudam a esconder muito bem, de modo a passar uma imagem às crianças de que tudo está perfeito lá fora, gerando a falsa e perigosa impressão de que as inseguranças e os medos ocorrem apenas com elas.

As crianças e os adolescentes devem ser verdadeiramente escutados e trabalhados em suas forças e em suas fraquezas, para que tenham consciência de que as dificuldades estão presentes na vida de todos. Na falta dessa orientação, eles não se fortalecerão e acabarão apoiando-se em muitas ideias estapafúrdias disponíveis na internet, alimentando ódio ou buscando fuga nos mais variados vícios.

Outro problema refere-se à forma como o processo de inclusão está ocorrendo. Tamanha é a vontade de determinadas pessoas de promover a inclusão de uns que acabam forçando um caminho perigoso de exclusão de outros.

Para incluir, não é necessário excluir. Com isso, aquilo que deveria ser um processo orgânico passa a ser algo forçado e não planejado, fazendo com que o próprio incluído sinta-se uma peça estranha no tabuleiro. O efeito torna-se rebote. Não se deve, por exemplo, terminar com o Dia dos Pais e o

Dia das Mães para dar lugar ao Dia da Família. Que façam todos, pois podem coexistir em harmonia. Excluir os primeiros, como vem acontecendo, gerará polarização e desarmonia no processo de inclusão.

Algo que pode contribuir é uma dinâmica em círculos nas escolas, ministrada por profissionais especialistas e com participação assistida dos pais, a fim de permitir que crianças trabalhem suas forças e suas fraquezas, enaltecendo o seu lado bom e gerando união e compaixão para apoio nos temas de maior dificuldade. 

Com isso, percebem que a vida vai muito além daquilo que os olhos veem. Aprendem a enxergar verdadeiramente o outro e legitimar suas dificuldades, nomear os seus sentimentos e os dos amigos, estender a mão e ajudar quando possível.

Isso evita substancialmente o advento do conflito e gera empatia e união, e as crianças têm muito menos chances de se sentirem excluídas, inseguras, debochadas ou criticadas, em um verdadeiro processo de melhoria e de evolução coletiva.

Esse círculo restaurativo ajudará as escolas na criação de um ambiente seguro e de conforto às crianças, para poderem externar e tratar coletivamente suas necessidades. Com isso, os alunos são fortalecidos internamente, afastando-se os males do bullying e gerando espírito de união. Cada um contribui um pouco para o fortalecimento do outro.

Essa é uma das formas poderosas de comunicação e de neutralização dos problemas nas escolas. É um modo de valorizar as características de cada um e ajudar as crianças a entenderem que todos passarão, ao longo da vida, pelo desafio de desenvolverem e enfrentarem suas dificuldades.

Esses círculos também proporcionarão o fortalecimento pessoal das crianças, para que fiquem mais bem preparadas para os conflitos internos e externos, evitando que essas interferências as abalem. Forma não apenas crianças mais seguras, mas, em alguns anos, adultos bem-resolvidos e mentalmente saudáveis.

Em qualquer canto do mundo, onde houver crianças felizes, haverá sonhos, alegria e esperança de um futuro melhor.

Claudio Humberto

"Se você está endividado, a culpa é do governo Lula"

Flávio Bolsonaro (PL), candidato ao Planalto, ao prometer organizar as contas públicas

23/08/2026 08h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Oposição critica PGR engajada à defesa de Lula

Opositores estão indignados com o procurador geral da República (PGR), acusado de “engajamento” na defesa de Lulinha, filho de Lula (PT), investigado por tráfico de influência e corrupção. Paulo Gonet tentou retirar a relatoria de André Mendonça, ministro do STF que não se submete a Lula, e depois tentou levar o processo à 1ª instância. “Absurdo”, diz Marcel van Hattem (Novo-RS), lembrando que, nomeado por Lula, Gonet se opôs a 1ª instância julgando casos do 8 de janeiro.

Batom na cueca
Gonet se esforça para tirar do STF dois dos três inquéritos contra Lulinha relatados por Mendonça. O outro permaneceria nas mãos de Flavio Dino.

Guinada ridícula
Para van Hattem, é até ridículo a PGR mudar de posição sobre 1ª instância quando o investigado é o filho do presidente da República.

Críticas na academia
Professor de pós-graduação da USP e mestre e doutor em Direito Constitucional, Rubens Beçak também se associa aos críticos da PGR.

Escândalo paralelo
Já Evair de Melo (PP-ES) acha que não tem como retirar o caso Lulinha do STF pelas conexões do filho de Lula com o escândalo do INSS.

PL espera ter duas vezes mais senadores que o PT
Nas primeiras pesquisas que já circulam dentro do PL, o partido projeta pelo menos o dobro de senadores em relação ao PT. A Casa Alta é a prioridade da sigla, que pretende lançar candidatura para a presidência do Senado, além de ter força política para andar com as pautas que viraram bandeiras do partido nesta eleição. Entre as principais prioridades, andar com pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ainda que não haja votos para vitória.

Melhor cenário
Nas contas dos liberais, o partido pode chegar aos 28 senadores. Se Jair Bolsonaro estivesse na ativa, o número poderia bater os 32.

Com calma
Já as previsões mais conservadoras apontam para 20 senadores, mas com mais destaque, já que esperam nomes como Michelle Bolsonaro. 

Olho no vizinho
As planilhas trazem projeções para outras bancadas também. Petistas, nas contas do PL, devem beirar os 10 parlamentares.

Modus Operandi
“Do mar de lama do Sítio de Atibaia à Mansão do Lulinha em Brasília”, Sérgio Moro (PL-PR), juíz que condenou Lula na Lava Jato, sobre o elo de Lulinha, a lobista Roberta Luchsinger e testemunha do caso de Atibaia que voltou ao folhetim por assinar contrato da mansão do QG do Lobby.

Pesos e medidas
Carlos Bolsonaro (PL-SC) comparou o caso de Lulinha, cada vez mais imerso no triângulo com a lobista Roberta Luchsinger e o Careca do INSS, com o do pai, que teve até inquérito por se aproximar de baleia.

Preço artificial
O medo do impacto na campanha eleitoral bateu na equipe de Lula e o governo já estuda prorrogar o subsídio à gasolina. O benefício, que deveria ser provisório, pode ganhar mais 30 dias de sobrevida.

Na gaiola
Ronaldo Caiado, pré-candidato do PSD ao Planalto, lamenta a situação da segurança púbica no país, “O cidadão é obrigado a transformar o próprio carro em uma gaiola para tentar não ter o celular arrancado.”

Sem pudor
Após apontar tentativa de “balão” da PGR no ministro André Mendonça (STF), com pedido de enviar o caso Lulinha à 1ª instância, o candidato a vice-presidente Novo, Eduardo Girão, diz que “eles perderam o pudor”.

Ciência e coragem
Segundo Marcelo van Hattem (Novo-RS), candidato ao Senado, “não basta falar em impeachment [no STF] agora. É preciso conhecer fatos, reconhecer os abusos e ter coragem para agir quando eles acontecem”.

Jogo sujo
Ao anunciar sanções contra autoridades de Cuba, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, acusa a ditadura comunista de “décadas usando grupos de fachada para infiltrar, corromper e radicalizar americanos”.

Não era genocídio?
O deputado Osmar Terra (PL-RS) lembra da “lacração estúpida” de Lula e da ex-ministra da Saúde Nísia Trindade, que chamaram o governo Bolsonaro de “genocida” por mortes dos Yanomami... mesmo povo que registrou recorde de mortes entre 2023 e 2025, em pleno governo do PT.

Pensando bem...
...quando a propaganda é demais, o santo desconfia.

PODER SEM PUDOR

Cláudio Humberto

Eu nomeio, você paga

O falecido Humberto Lucena (PB) adorava nomear parentes, quando presidiu o Senado. Ao ser tachado de “a caneta mais rápida de Brasília”, chamou o repórter que o ironizara ameaçando processo. E lorotou: “Nomear parentes só é pejorativo no Sul. No Nordeste, o povo até gosta”. O jornalista, nordestino de Pernambuco, perdeu a paciência. Puxou Lucena pelo braço e disse ao seu ouvido, firme, quase gritando: “Nós dois sabemos que o sr. está mentindo, mas vou fingir que não ouvi”. Lucena não tocaria mais no assunto. Nem processaria o jornalista.

Direito

O que a Justiça pode determinar quando o trânsito destrói uma família

Confira a coluna desta quinta-feira (13)

13/08/2026 00h03

Leandro Provenzano

Leandro Provenzano Foto: Montagem / Correio do Estado

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Recentemente, um caso que tramitou no Tribunal de Justiça de Minas Gerais manteve, no fim de julho, a condenação de uma concessionária de energia elétrica pela morte de um ciclista atropelado por um funcionário que prestava serviço à empresa.

Os dois filhos da vítima, adolescentes na época, receberão R$ 25 mil cada um por danos morais, além de pensão mensal equivalente a dois terços dos rendimentos do pai até completarem 25 anos. O atropelamento aconteceu em 2009, mas somente agora, 17 anos depois é que o caso foi julgado pelo Tribunal.

O caso é didático porque reúne, em um único julgamento, quase tudo o que uma família precisa saber depois de um acidente de trânsito, e quase tudo o que ela costuma ignorar.

O primeiro ponto é quem paga. Existe a crença de que a responsabilidade começa e termina no motorista. Não é assim.

A lei estabelece que o empregador responde pelos danos causados por seus empregados no exercício do trabalho, e responde independentemente de ter culpa própria. Ou seja: não interessa se a empresa treinou bem o motorista, se exigiu curso de direção defensiva ou se o veículo estava em ordem. Se o funcionário atropelou alguém trabalhando, a empresa responde.

Isso muda tudo na prática. Uma coisa é buscar reparação contra um motorista que não tem patrimônio algum. Outra, bem diferente, é acionar a empresa para a qual ele trabalha, que tem CNPJ, faturamento e, quase sempre, seguro de responsabilidade civil.

O segundo ponto é a prova. A defesa da concessionária sustentou que o ciclista teria entrado repentinamente na via, apoiando-se no boletim de ocorrência. A relatora rejeitou o argumento com uma observação que vale guardar: boletim baseado exclusivamente na versão do condutor envolvido é relato unilateral de quem tem interesse direto no resultado. Boletim de ocorrência não é sentença. 

Muitas famílias desistem de buscar seus direitos porque leram no documento uma versão que as culpa. Essa versão pode, e deve ser contestada com testemunhas, perícia, imagens e prova técnica. Vale lembrar, ainda, que o Código de Trânsito impõe ao motorista o dever de guardar distância lateral mínima de um metro e meio ao ultrapassar ciclistas, exatamente por serem eles os usuários mais frágeis da via.

O terceiro ponto é o que a Justiça pode determinar. Em caso de morte, a lei prevê o pagamento das despesas com tratamento, funeral e luto, além de pensão aos que dependiam economicamente da vítima. Para os filhos, os tribunais costumam fixar essa pensão em dois terços da renda até os 25 anos; para o cônjuge ou companheiro, até a idade provável de vida da vítima.

Soma-se a isso o dano moral, que é direito próprio de cada familiar, não se divide um valor único entre todos. 

Quando a vítima sobrevive, o raciocínio é o mesmo. A lei garante o custeio integral do tratamento, os lucros cessantes (o que a vítima deixou de ganhar) referentes ao período de afastamento e, havendo redução permanente da capacidade de trabalho, pensão correspondente a essa perda.

Cicatrizes, amputações e deformidades geram dano estético, que o Superior Tribunal de Justiça reconhece ser cumulável com o dano moral. São verbas distintas, e pedi-las separadamente pode alterar significativamente o resultado.

Resta o tempo

O caso mineiro levou dezessete anos entre o acidente e a decisão de segundo grau, mas o prazo para ingressar com a ação é curto. Provas se perdem, testemunhas somem, câmeras são sobrescritas.

Se você perdeu alguém no trânsito, ou ficou com sequelas depois de um acidente, e o responsável estava trabalhando quando aquilo aconteceu, existe muito mais em jogo do que um acordo rápido oferecido pelo seguro nas primeiras semanas. Vale conhecer o tamanho real do que a lei assegura antes de assinar qualquer coisa.

Leandro Amaral Provenzano - OAB/MS 13.035. Sócio do escritório Provenzano Advogados.

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