Colunistas

CLAUDIO HUMBERTO

"Os responsáveis seguem livres, soltos e ricos"

Senador Sérgio Moro (União-MS) sobre o escândalo bilionário do Banco Master

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STM: Viagens custaram R$11,8 milhões em 2025 

O vai e vem de servidores e ministros do Superior Tribunal Militar (STM) custou ao pagador de impostos mais de R$11,8 milhões no último ano em diárias e passagens.

Em novembro, mês da COP-30, os gastos dos 15 ministros bateram o pico do ano, R$219 mil. À coluna, O STM disse que as viagens são aprovadas mediante a necessidade de participação de autoridades e servidores em eventos institucionais ou de capacitação, visando o fortalecimento da legitimidade do Tribunal.

Ponte aérea

Ao todo, os ministros desfrutaram de 87 viagens ao longo de 2025. A fatura fechou em pouco mais de R$400 mil.

Ouro

No gasto individual, a maior fatura foi do ministro Guido Amin Naves, mais de R$43,7 mil em 8 dias de um fórum na Alemanha.

Cop cara

Helga Ferraz Jucá, que ocupa posto de assessora-chefe no STM, empurrou fatura de R$38,9 mil em três viagens, quase tudo com a COP.

Hermanos

Teve ainda um bate e volta na vizinha Argentina. Viagem de uma analista a Buenos Aires saiu por R$21,1 mil.

Polícia de governador ‘lulista’ é a que mais mata

Dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram que o ranking do índice de “mortes por intervenção policial” tem na liderança Estados em que o governador declarou apoio a Lula (PT).

No topo da lista está o Amapá, com taxa de 17,11 mortes a cada 100 mil habitantes. O Amapá do senador Davi Alcolumbre é governador Clécio Luís, que começou a vida política no PT, mas registra passagens por partidos como Psol, Rede e, atualmente, Solidariedade.

Vermelho sangue

A Bahia, governada pelo PT desde 2007, aparece logo atrás no lamentável ranking, taxa de 10,55 mortes a cada 100 mil habitantes.

Fechado com Lula

Fechando o top 3 está Sergipe, onde o neto de Lula arrumou uma boquinha no governo de Fábio Mitidieri (PSD). Taxa de 8,39.

Outro mundo

Com menor taxa, apenas 0,5 a cada 100 mil habitantes, está a polícia do Distrito Federal, governado pelo opositor de Lula, Ibaneis Rocha (MDB).

Na pauta

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Rep-PB) apresenta na reunião de líderes desta quarta-feira (28) pedido para votar o acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Na Europa, o tratado foi parar na justiça.

Não tem jeito

A Bahia aparece no ranking da matança policial seja considerando o índice por morte a cada 100 mil habitantes (fica em segundo), seja contando o número bruto, 1.569 (2025). Aí o Estado assume o topo.

Apague a luz

Com quase toda Esplanada em debandada para disputar eleições, poucos são os ministros de Lula que dizem ficar no cargo em 2026. Dois são: Guilherme Boulos (Secretaria Geral) e Luiz Marinho (Trabalho).

Denúncia internacional

Eduardo Girão (Novo-CE) está em missão internacional apresentando a situação brasileira com as imposições do STF. "O mundo precisa saber: violações de direitos humanos se agravam no Brasil", diz o senador.

Lacração financiada

"Não tem dinheiro para vacina, alfabetização e segurança. Mas tem R$ 800 mil para campanha no Oscar", diz a deputada Rosangela Moro (União-SP) ao citar uso de dinheiro público no filme "O Agente Secreto".

Escândalo Master

Além de cobrar apuração nas denúncias de bandalheira Master, em frente à sede do banco, manifestantes também pediram o impeachment de Dias Toffoli (STF). E marcaram novo protesto, será na sexta (30).

Arrecadação recorde

"As famílias e as empresas pagaram impostos como nunca antes na história desse país. E tudo isso para financiar a gastança do governo", reflexão certeira da senadora Tereza Cristina (PP-MS).

Foi sorte! 

O espirituoso ex-presidente Michel Temer voltou a comentar, e com refinado humor, a pecha de “golpista”, atribuída a ele por Lula, “Se foi golpe, foi golpe de sorte”.

Pergunta no Congresso

Quando o PT vai assinar os pedidos de CPI do Banco Master?

PODER SEM PUDOR

Editando o Diário Oficial

Político folclórico do Rio Grande do Norte, o major Teodorico Bezerra não poupava esforços quando queria ajudar Santa Cruz, município de sua base eleitoral.

Ao saber que a vizinha Nova Cruz ganharia agência dos Correios, foi à editora do Diário Oficial e mandou trocar Nova por Santa, na ordem do serviço.

Santa Cruz ficou com o posto da ECT. Questionado por um adversário, anos mais tarde, Teodorico desconversou:
- Sou um homem de 75 anos, de modo que só lembro do que aconteceu de seis horas da manhã para cá.

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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