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Provas digitais obtidas no exterior não são automaticamente válidas

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A decisão do Tribunal Superior de Zurique de anular provas extraídas da plataforma criptografada Sky ECC, por violação de territorialidade, ausência de suspeita individualizada e inobservância das regras suíças de vigilância, marca um momento decisivo no debate global sobre admissibilidade e validade de evidências digitais. Trata-se de um precedente que reforça limites jurídicos em um contexto de investigações transnacionais cada vez mais dependentes de dados e cooperação policial internacional.

Proferida em 15 de agosto de 2025, a decisão examinou a admissibilidade de dados obtidos por autoridades francesas no âmbito de operações contra a Sky ECC, amplamente utilizada por grupos criminosos em diferentes países. A Corte acolheu integralmente a argumentação da defesa e declarou as provas inadmissíveis, afirmando que houve violação direta da soberania suíça. 

Isso ocorreu porque as autoridades francesas desencadearam uma manipulação da rede que levou dispositivos Sky ECC localizados em território suíço a transmitir suas chaves criptográficas para um servidor sob controle francês, sem nenhum pedido de cooperação ou autorização judicial da Suíça. O Tribunal classificou o procedimento como uma medida coercitiva estrangeira ilegal, determinando a exclusão absoluta das provas e rejeitando qualquer possibilidade de ponderação com base na gravidade dos fatos ou na utilidade investigativa.

O Tribunal também destacou que, no momento das medidas francesas, não havia suspeita concreta contra o réu, o que torna ilegítima qualquer forma de vigilância sob a legislação suíça, que exige suspeita individualizada para autorizar medidas secretas. As ordens emitidas na França eram tão abrangentes que geraram interpretações divergentes em toda a Europa: alguns tribunais entenderam que miravam operadores da plataforma, outros concluíram que o alvo eram todos os usuários ou até mesmo “pessoas desconhecidas”. Em nenhum desses casos, argumentou o Tribunal Superior de Zurique, o limiar mínimo de suspeita exigido pelo Direito suíço teria sido atingido. 

Em situações em que medidas recaem sobre pessoas indeterminadas, eventuais achados envolvendo terceiros configurariam meras descobertas incidentais, insuficientes para legitimar a vigilância. O Tribunal anotou ainda que algumas das condutas investigadas nem sequer constituiriam crimes aptos a justificar medidas de interceptação no país.

A decisão também enfrentou o debate sobre o direito da defesa de acessar dados brutos das comunicações interceptadas, tema que tem ganhado relevo nos tribunais europeus. Embora não tenha fixado uma tese, a Corte observou que o material fornecido no caso não corresponde ao conceito de “dados brutos” definido pelo Tribunal Europeu de Direitos Humanos, apontando futuras discussões sobre transparência, cadeia de custódia e integridade da prova digital.

O julgamento desencadeou uma forte reação pública e política na Suíça, acompanhada por esforços de comunicação destinados a sugerir que a decisão representaria ameaça à segurança nacional. Apesar dessa pressão, o Tribunal manteve o foco na legalidade estrita e na proteção das garantias processuais, afastando o argumento utilitarista de que a eficácia da investigação justificaria atropelos a limites territoriais e legais.
A decisão de Zurique projeta efeitos para além da Europa. Em um contexto no qual investigações criminais dependem cada vez mais da circulação de dados entre países, a Corte reforçou que cada Estado deve aferir, de forma autônoma, a validade da prova à luz de sua legislação interna, em consonância com orientação do Tribunal Europeu de Direitos Humanos. Provas digitais obtidas no exterior, portanto, não são automaticamente válidas: sua admissibilidade exige respeito às regras nacionais sobre interceptação, cadeia de custódia e limites territoriais.

Num cenário em que infraestruturas tecnológicas e plataformas criptografadas operam acima das fronteiras, a decisão evidencia o papel essencial da advocacia criminal internacional. A atuação técnica e coordenada entre defesa, peritos e especialistas em diferentes países se torna decisiva para expor violações, garantir acesso a material íntegro e assegurar que a prova digital cumpra os requisitos legais necessários.

O caso suíço demonstra que a prova digital não está imune ao devido processo legal e que, quando nasce de violações à soberania, ao Direito interno ou à falta de suspeita individualizada, sua exclusão é não apenas possível, mas obrigatória.

CLAÚDIO HUMBERTO

"Precisava saber como estão as coisas do banco [Master]"

Jaques Wagner (PT-BA), líder de Lula no Senado, para o ex-sócio de Daniel Vorcaro

23/06/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Para PF, Wagner dedicou o mandato ao Master

A Polícia Federal atestou que líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), "exerceu o mandato parlamentar de forma alinhada aos interesses econômicos do Banco Master", a partir de indícios obtidos a partir dos celulares apreendidos, segundo relatório ao ministro do STF André Mendonça. Pior é que a essa atuação não se caracteriza por ato único e isolado, “mas em padrão contínuo, sistemático e documentado de engajamento pessoal” nos negócios liderados por Daniel Vorcaro.

Juntos na ascensão

Para a PF, Jaques Wagner atuou em favor do conglomerado financeiro sobretudo de 2022 a 2025, na “ascensão da organização criminosa".

Projeto de Ciro na mesa

A PF aponta reuniões de Wagner para tratar de temas de interesse do Vorcaro, como aumentar cobertura do FGC para beneficiar o Master.

Batom na cueca

Wagner negou relação com Daniel Vorcaro, mas enviou mensagem ao ex-sócio Augusto Lima, indagando “como estão as coisas do banco".

Pernas curtíssimas

É acusado também de mentir sobre dólares e euros. As diárias pagas pelo Senado totalizam bem menos que os R$600 mil apreendidos.

Lula avalia entregar liderança para outro partido

Com Jaques Wagner (PT-BA) sob fritura após ser alvo da Polícia Federal, o Planalto sonda até nomes de outros partidos para suceder ao petista na liderança do governo no Senado, apesar de o baiano ter tudo para continuar no cargo. Três parlamentares do PT estão cotados, mas cada um com abacaxi para resolver. Randolfe Rodrigues (PT-AC) ocupa o posto de líder no Congresso e é lembrado, mas precisa renovar seu mandato, situação semelhante à do colega Rogério Carvalho (PT-SE).

Cotado, mas...

Sobra Camilo Santana (PT-CE), que não precisa renovar o mandato, tem boa interlocução com os colegas, mas tem problema local para resolver.

Abacaxi cearense

Camilo é o plano B do PT caso Elmano de Freitas não desencante nas pesquisas para se reeleger governador do Ceará.

No páreo

Sobram na lista senadores do MDB, bancada com o mesmo número do PT (9); PSB, que faz bloco com PSD; e PDT, integrante do bloco petista.

Ativismo em ação

A demora de Lula (PT) em dispensar Jaques Wagner da Liderança do Governo tem explicação: ela não pensou nisso. Foi ideia de jornalistas governistas para evitar a “contaminação” da campanha do PT com esse escândalo. Insistiram tanto que, como sempre, Lula gostou da sugestão.

Unha e carne

Jaques Wagner pode não ser flor que se cheire, como se diz na oposição, mas ele jamais seria desleal a Lula. O senador nada faria sem ordem ou concordância de Lula. São mais de 45 anos de intimidade.

Corpinho de PSDB

Se Lula agora nega as origens, Aloysio Nunes declarou-se “de esquerda” ao trocar o PSDB pelo socialista PSB. Motorista e segurança de Carlos Marighella na luta armada contra o regime militar, ele chega criando problemas: o PSB, diz, tem “orientação social democrática”, tipo PSDB.

Junto e misturado

Flávio Bolsonaro (PL) vê elo entre Lula, o senador Jaques Wagner e o cambalacho do Banco Master: “Jaques é Lula e Lula é Master. Quando esse fio for puxado, o PT acaba”, conclui.

Sabe que não sabe

Com margem de erro de dois pontos, a Datafolha de sábado (20) aponta empate técnico entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL); 47% a 43%. Ou seja, o resultado permanece incerto até no instituto que virou meme.

Tripudiou

Presidente dos EUA, Donald Trump tornou notícia velha o anúncio do premiê do Reino Unido, Keir Starmer, de que deixaria o cargo. Quase 24h antes, o americano avisou que o inglês deixaria o cargo após fracassar “miseravelmente” em imigração e energia.

Apostas inglesas

Casas de apostas inglesas como a Betfair apontam vitória de Lula (PT) quase certa, este ano. O petista tem chance de 1/33, ou seja, 97% de probabilidade. Já a vitória de Flávio paga mais: 6/5, 45,5% de chances.

Data marcada

Faltam menos de dois meses para o primeiro debate entre os candidatos a presidente, este ano. A primeira discussão entre os presidenciáveis está marcada para o domingo, 16 de agosto, às 20h, na TV Band.

Pergunta no Senado

Tem “cotado” ou “coitado” para assumir a liderança de Lula no Senado?

PODER SEM PUDOR

Cláudio Humberto

Guia para hipocondríacos

O ex-senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) jantava, segunda à noite, no restaurante Alcaparra, no Rio, quando um cidadão, Dr. Tanus Tauk, foi à sua mesa, cumprimentou-o e lhe presenteou com um exemplar de um livreto de sua autoria, “Passaporte da Saúde”. É um guia útil para quem viaja ao exterior. Contém, em seis idiomas, os nomes dos principais remédios de que um viajante pode necessitar e pode comprar sem receita. E explica como pedi-los nos seis idiomas. Arthur Virgílio pediu mais dois exemplares, autografados, para oferecer, um ao ex-presidente José Sarney, outro para o então governador de São Paulo, José Serra.

CLAÚDIO HUMBERTO

"Há contornos de máfia"

Ministro André Mendonça (STF) sobre o escândalo Banco Master que envolve poderosos

22/06/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Governo já pagou R$18,4 bilhões em emendas

O governo Lula (PT) abriu a carteira para bancar emendas de deputados e senadores nas últimas semanas. No total, já foram pagos R$18,4 bilhões em emendas parlamentares, este ano. O dado que mais impressiona é o total distribuído apenas no mês de maio: R$14,1 bilhões, quase 77% de tudo que o governo petista pagou em 2026. Em junho, já são R$605 milhões liberados pelo governo aos parlamentares.

Comparação

Em maio do ano passado, por exemplo, o governo Lula distribuiu pouco mais de R$188 milhões para pagar emendas parlamentares.

Coincidência?

Às vésperas da sabatina de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) o governo reservou R$12 bilhões para as emendas.

Individuais

A maior parte das emendas pagas pelo governo Lula este ano são individuais, que custaram mais de R$13 bilhões até o momento.

Bancada

Outros R$4,5 bilhões dos pagadores de impostos custearam as emendas de bancada do Congresso Nacional, este ano.

Remuneração de juízes nos EUA se atém ao salário

Enquanto membros das diversas Cortes brasileiras discutem quanto devem receber além dos seus salários, juízes nos Estados Unidos, que ocupam diversas posições no sistema judicial, não têm qualquer penduricalho. Estão proibidos, por lei, de receber bônus, adicional ou auxílio. Juízes de lá têm direito a plano de saúde, seguro de vida e à aposentadoria especial e podem até ser pagos por aulas ministradas em universidades ou cursos jurídicos. Nada de palestra para bancões.

Royalties

O único extra autorizado é através de livros publicados, juíz de instâncias inferiores não pode ganhar mais de 15% do salário anual.

Só no Brasil

Não existe nos EUA auxílios moradia, alimentação, combustível, creche, gratificações, licenças compensatórias ou folgas convertidas em dinheiro.

Suficiente

Os salários anuais variam entre US$250 mil e US$300 mil (R$1,5 milhão), a depender do cargo ocupado pelo juiz.

Chefe é amigo

Militantes aguardam (leia-se desejam) reunião de Lula com Jaques Wagner (PT-BA) para definir a saída do senador da liderança de Lula no Senado. Mas o próprio Wagner revelou que o presidente o telefonou no dia da operação da Polícia Federal para dar apoio e se solidarizar.

Poucas escolhas

O preferido para substituir Jaques Wagner (BA) como líder de Lula no Senado seria Camilo Santana (CE), um de apenas três petistas com mandato garantido na Casa até 2031 e não será candidato este ano.

Outros nomes

O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) é líder do governo Lula no Congresso, enquanto Rogério Correia (PT-SE) é líder do PT no Senado. Ambos estão no fim do mandato e precisam ser candidatos, este ano.

Reconhecimento

Marcel van Hattem (Novo-RS), foi premiado internacionalmente por defender a liberdade de expressão. O deputado foi um dos vencedores da 1ªedição do Free Speech Courage Awards, em Londres.

Cadê os gastos?

A campanha do governo Lula contra a escala 6x1 chegou ao TCU. O MP cobra explicações sobre os custos da publicidade e questiona se dinheiro público está sendo usado para promover uma agenda política.

Velhos costumes

Ainda sobre os desdobramentos da nova fase da Operação Compliance, que mirou Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado, Rogério Marinho (PL-RN) disparou: “Lula, de fato, voltou à cena do crime!”

Fim da química

Não há mais química entre EUA e Lula. Donald Trump foi claro sobre a relação com Lula: “Eu realmente não penso nele”. O presidente dos EUA ainda classifica o petista como uma pessoa “muito volátil”.

Papeiro

Nos EUA, o jornalista Paulo Figueiredo reagiu a relação de Lula e Trump: “Lula era tigrão no palanque, mas tchutchuca quando encontrava o presidente dos EUA. Agora, não engana mais ninguém”.

Pensando bem...

...suíte master já teve outro significado.

PODER SEM PUDOR

Cláudio Humberto

É para sempre...

José Paulo Freire era figura folclórica da política paulista. Transitava de Jânio Quadros ao adversário Adhemar de Barros com desenvoltura e nenhum constrangimento. Certa vez, quando o banqueiro Magalhães Pinto articulava a formação do Partido Popular (PP), ele logo aderiu. “Você no PP, na oposição?” estranhou o amigo mineiro Olavo Drummond. “Partido de governo dura cinco anos”, respondeu José Paulo Freire, com um leve sorriso nos lábios. “Partido de banqueiro dura a vida inteira...”.

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