Colunistas

CLÁUDIO HUMBERTO

"Quando GDias e Flávio Dino serão presos?"

Deputado e delegado da PF Alexandre Ramagem (PL) sobre a prisão da cúpula da PMDF

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Um mês depois, não há cubanos no Mais Médicos

Não está no horizonte do governo federal contratar organizações internacionais para vitaminar as contratações do programa Mais Médicos, como ocorreu no passado com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

O reflexo é a desidratação na expectativa do número de médicos cubanos contratados. Até o momento, no 28º ciclo do programa, não houve chamamento de nenhum profissional de Cuba.

Sem pedágio

Questionado pela coluna, o Ministério da Saúde afirmou que eventual contratação de cubanos será feita diretamente com o profissional.

Fração

Cerca de 11 mil cubanos chegaram a atuar no programa. Os profissionais só ficavam com cerca de R$3 mil dos R$11,5 mil de salário.

Chega

O contrato acabou quando o ex-presidente Jair Bolsonaro anunciou que ia rever o acordo Cuba/OPAS, que garfava o salário dos médicos.

Não é comigo

A pasta da Saúde informou que nada tem a ver com a “rachadinha” do salário. Colocou na conta da OPAS, que fez o contrato com a ditadura.

Ministro troca de lado como quem muda de roupa

O pernambucano André de Paula (PSD), ministro da Pesca, troca de lado como quem muda de roupa. Era de direita, virou socialista, passou para o lado de Marília Arraes e, após a derrota na disputa pelo Senado, retornou ao campo socialista.

Esta semana, o ministro virou apoiador da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB), que enfrentou e venceu, no voto, adversários de todos os matizes, da direita à esquerda.

Contorcionismo

Após tantas idas e vindas, o conservador ministro da Pesca virou lulista desde criancinha. É o que se pode chamar de um homem pragmático.

Pragmatismo

Agora, após indicar a filha secretária de Turismo do Recife, André de Paula já descolou para ela o cargo de secretária estadual de Cultura.

Lições ignoradas

O ministro fez carreira à sombra do líder conservador Marco Maciel, mas não entendeu o espírito da coisa: seriedade rima com coerência.

Família na CPI

Está na fila de votação da CPI do MST requerimento para convocar Beatriz Vendramini, filha do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro. O motivo: esclarecer regularização fundiária em Guarantã do Norte (MT).

Que rei sou eu?

Chanceler de enfeite, Mauro Vieira continua procurando mostrar sua utilidade, mas está difícil. Não é acionado para nada relevante em política externa. Ontem foi Montevidéu em um bate-volta constrangedor. É um ministro das Relações Exteriores que mal sai do país.

Lula enrola

Quanto mais o presidente Lula enrola para anunciar as confirmações da reforma ministerial, mais ele irrita o centrão. A espera ainda deve durar outra semana, quando o petista voltar da viagem à África do Sul.

Bode expiatório

Após prisão da cúpula da PM-DF, o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) lembrou que a PM não é o único e nem o principal responsável pela proteção às sedes do poder, que são estruturas federais. O Ministério da Justiça tinha tropas da Força Nacional mobilizadas e não as acionou.

Sem justificativa

O deputado Alberto Fraga (DF) acha que se tenta desmoralizar a Polícia Militar, responsabilizando-a pelos atos de 8 de janeiro. Disse ter lido as 196 páginas do inquérito e “não há nada que justifique a prisão”.

Não deu outra

Ariovaldo Moreira, advogado do hacker de Araraquara, confirmou em entrevista que o midiático depoimento de Walter Delgatti à CPMI tinha o objetivo de abrandar a sua pena, como esta coluna avançou.

Trair e coçar...

Após o PSD meter o pé da aliança com o prefeito do Recife, João Campos (PSB), cresce no MDB o desejo de romper com o socialista. A manutenção do partido na base deve custar cargos ao prefeito.

Descrença

Mesmo sob intensa fritura, especialmente na última semana, pesquisa do instituto Genial/Quaest mostra que a maior parte dos brasileiros, 43%, não acredita que o ex-presidente Jair Bolsonaro será preso.

Pensando bem...

...‘tiro’ de hacker não é só virtual.

PODER SEM PUDOR

Um amante de gatos

Especialista em factoides, Jânio Quadros visitou certa vez o diplomata Guimarães Rosa. Jânio notou, já instalado na sala do célebre autor de “Grande Sertão: Veredas”, que havia uma grande quantidade de gatos: “Por que tantos gatos?

Em geral as pessoas preferem cachorros...” Guimarães Rosa respondeu sem hesitações: “Porque os gatos são muitos mais fiéis ao dono. Já os cachorros se parecem com certos diplomatas, abanam a cauda para qualquer autoridade.”

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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