Colunistas

CLÁUDIO HUMBERTO

"Quem vai ganhar com [a pacificação] não será um ou outro partido ou líder. Vai ser o Brasil"

Jair Bolsonaro repudia violência em Brasília e pede ação para pacificar o País

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PSD apoia Motta de olho na vaga de vice de Tarcísio

Para chegar ao cenário de provável eleição por WO de Hugo Motta (Rep-PB) para Presidência da Câmara, o dono do PSD, Gilberto Kassab, também tentou levar algum. O partido segurou a candidatura de Antônio Brito (BA) no pleito que, apesar de esvaziada, contava com simpatia de Lula, de olho em vagas que deve levar: a presidência da Comissão Mista de Orçamento e a terceira-secretaria da Câmara. Além das boquinhas na Casa, Kassab quer faturar vaga de vice na chapa de Tarcísio de Freitas.

Kassab vice?

Kassab já compõe o primeiro escalão do governador de São Paulo, mas quer a vice de Tarcísio, correligionário de Hugo Motta no Republicanos.

Cadeira desejada

A cadeira de vice já é do PSD, mas Kassab quer se sentar nela. E vê na eleição de Hugo Motta um trunfo para chegar lá.

Falta combinar

Kassab quer crédito com o Republicanos para superar um problema: fiador da eleição de Tarcísio, Jair Bolsonaro o detesta.

Tarcísio e o PSD

Bom nas articulações, Kassab defende a reeleição de Tarcísio em 2026 e sua candidatura ao Planalto em 2030. De preferência, pelo PSD.

Governos do PT na Bahia somam 100 mil homicídios

As contas são do deputado federal Capitão Alden (PL-BA), um dos especialistas em segurança pública na Câmara: foram registrados quase 100 mil homicídios na Bahia durante a gestão dos últimos três governadores do Estado, todos filiados ao PT. Em entrevista ao podcast Diário do Poder, Alden explica que a explosão na violência no Estado, onde atuou como policial militar por mais de 20 anos, coincidiu com a “era PT” do Palácio de Ondina, residência oficial do governador baiano.

Genocidas?

Foram registrados 46 mil homicídios sob os governos Jaques Wagner, entre 2007 e 2015. Depois foram mais 42 mil nos governos Rui Costa.

Ritmo alto

Segundo Alden, já foram cometidos mais de 6 mil assassinatos sob o terceiro petista à frente do governo baiano, Jerônimo Rodrigues.

Recompensa

Jaques Wagner é atualmente senador pelo PT-BA e Rui Costa é o ministro da Casa Civil, o segundo mais poderoso da Esplanada.

Provas, senhoras

Nikolas Ferreira (PL-MG) questiona Simone Tebet (Planejamento) e a senadora Soraya Thronicke (Pode-MS), para quem o homem que se explodiu no STF não agiu sozinho: “Há provas?”, pergunta o deputado.

Duvi-dê-ó-dó

Ex-integrante da equipe econômica dos governos Lula fez previsão à coluna sobre a tal “proposta de cortes” de despesa de Fernando Haddad: “Corte de gastos? Talvez, quem sabe, a partir de 2026. E olhe lá”.

Malddad na mira

O homem-bomba também detonou parte da repercussão do apelido que petistas utilizam para se referir ao ministro da Fazenda, em razão de sua ideia fixa de cortar benefícios sociais para pobres: “Malddad”.

Milei, 1 ano

A vitória espetacular de Javier Milei na Argentina completa um ano nesta terça-feira (19). Em 2023, o atual presidente venceu a corrida contra o kirchnerista Sergio Massa e o bando peronista com 55,6% dos votos.

Moleza

Com o feriado na quarta (20), não há previsão de sessão deliberativa (que vota projetos) na Câmara dos Deputados, esta semana. No Senado há uma sessão agendada, mas sem confirmação.

Nojo seletivo?

Resta saber se a presidente do PT, Gleisi Hoffman, ainda fará cara de nojo referindo-se aos “rentistas”, que protegem seu dinheiro emprestando dinheiro... ao governo, no Tesouro Direto. “Rentistas” como estrelas da esquerda caviar tipo Erika Hilton (Psol-SP) e Alice Portugal (PCdoB-BA).

Celular só na rua

Pesquisa Nexus aponta que a maioria dos brasileiros é contra o uso de celular em escolas: 86% apoiam algum tipo de restrição ao uso dos aparelhos, enquanto 54% defendem a proibição total.

Já começou

O Departamento de Eficiência que será liderado por Elon Musk e Vivek Ramaswamy no governo Donald Trump conquistou 1,2 milhão de seguidores na rede ‘X’ em dois dias. É por onde receberá currículos.

Pensando bem...

...se a moda de cancelar aposentadoria de corruptos pega no Brasil, reforma da Previdência vira coisa do passado.

PODER SEM PUDOR

Baixa tolerância a bajulação

Adhemar de Barros estava em plena campanha para presidente, em 1955, quando foi homenageado com uma festa-surpresa por assessores, no dia do seu aniversário. Iniciados os discursos, travou-se uma curiosa disputa para ver quem adulava mais o chefe. Cansado e impaciente, Adhemar acabou com a festa com o seu jeitão de lorde inglês: “Agradeço, mas não suporto tanta bajulação. Peço que dêem o fora.” Deu as costas e foi embora.

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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