Colunistas

CLÁUDIO HUMBERTO

"Se falta dinheiro, por que o PT quer criar mais 13 ministérios?"

Senador Plínio Valério (PSDB-AM) expondo a verborragia palanqueira dos petistas

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PEC dá mais a parlamentares que ao Auxílio Brasil

Está explicada a aprovação fácil no Senado, em tempo recorde, da PEC Fura-Teto, “vendida” pelo governo eleito do petista Lula como a única maneira de combater a suposta crise de “fome no país”, mantendo os R$600 do Auxílio Brasil.

O custo do seu Bolsa Família petista (R$70 bilhões), no entanto, é menor que os R$75 bilhões aprovados para uso dos parlamentares inclusive no “orçamento secreto”, emendas do relator.

Lorota eleitoral

Na campanha, Simone Tebet (MDB) disse que o “orçamento secreto” para 2023 seria de R$19,4 bilhões. Só ontem aprovou R$75 bilhões.

Dinheiro na veia

A PEC também prevê que parte dos R$75 bilhões poderá ser gasta por meio de emendas parlamentares, que são impositivas.

Escândalo fake

A PEC não discrimina gastos, como no “orçamento secreto”, chamado pelos jornalões de “maior corrupção do planeta”. Esqueceram o petrolão.

Tudo para apressar

Assim como a PEC Emergencial de Bolsonaro, a PEC Fura-Teto de Lula se juntou a outra PEC na Câmara, que está em análise mais avançada.

Escolha de Vieira derrota lobby de Amorim por Laurinha

Caso se confirme o nome de Mauro Vieira para comandar o Itamaraty, será uma derrota para o ex-chanceler Celso Amorim, que fez força pela embaixadora Maria Laura da Rocha.

Amorim verificou que não agrada à equipe de transição o seu pretendido retorno à chefia do Ministério das Relações Exteriores, e tentou viabilizar a escolha de uma diplomata conhecida por lhe prestar obediência: a embaixadora “Laurinha”.

Velha conhecida

Maria Laura foi chefe de gabinete de Celso Amorim entre 2008 e 2010, quando ele era chanceler durante o governo Lula.

Bem conectado

Mauro Vieira foi chanceler de Dilma e depois se aproximou do senador Davi Alcolumbre, que lutou para mantê-lo na ONU, em Nova York.

Encantador de autoridades

Vieira é chamado no serpentário de ‘guarda-chuvas mais rápido do Itamaraty’, referência à habilidade do diplomata de encantar autoridades.

Inteligência

A inteligência da Polícia Militar do DF captou movimentos de possível grande manifestação em Brasília neste sábado (10). São manifestantes pró-Bolsonaro contra a diplomação de Lula, na segunda (12).

Pra ontem

Com a inquietude do mercado e para acalmar militares, Lula resolveu antecipar nomes de ministros para esta sexta-feira (9). O planejamento inicial era revelar os nomes só na terça-feira (13), após a diplomação.

Ruim para o mercado

A predefinição do ministério do ‘Lula III’ e a aprovação da PEC Fura-Teto fizeram a Bolsa de Valores cair e fechar no menor patamar desde agosto. Apenas este mês, a queda no índice Ibovespa já superou 4,6%.

Fogo amigo

Petistas que fritam Simone Tebet (MDB-MS) e não querem a senadora no Ministério da Cidadania, levaram ao presidente eleito Lula o nome de Tereza Campello para comandar a pasta, em 2023.

Verbete fake

Até o verbete do partido Peru Livre, de Pedro Castillo, no Wikipédia em português, foi alterado para dizer que o partido é supostamente “conservador”. Em inglês continua “partido político marxista do Peru”.

Invenção

Maldosamente plantam que o ministro Paulo Guedes (Economia) recusa a Secretaria da Fazenda de São Paulo achando o cargo “menor” que o atual. Nada disso, ele quer descansar e cuidar dos próprios negócios.

Reserva

O suplente Fernando Dueire (MDB) tomou posse e assumiu a vaga de Jarbas Vasconcelos (MDB-PE) no Senado. O veterano pediu afastamento do cargo para tratamento de saúde.

Além da margem

Pesquisa YouGov entre eleitores republicanos nos EUA, dia (8), aponta liderança de 5 pontos do governador da Flórida, Ron DeSantis, sobre Donald Trump para ser candidato do partido a presidente, em 2024.

Pensando bem...

...prisão e censura em tempos de Democracia é o que faz a Justiça assumir as feições dos velhos delegados com chibata na mão.

PODER SEM PUDOR

Sinceridade indesejada

Paulo Maluf deixava o governo paulista, em 1982, e tentava emplacar Reynaldo de Barros à sua sucessão, levando-o as inaugurações de obras.

Numa delas, na periferia, foi abordado por um morador, que se queixava da vida, da sorte e, sobretudo, de sua casinha localizada perigosamente à beira de um barranco.

Maluf achou encanto na tragédia pessoal do cidadão: “Veja que linda vista o senhor tem! E perto do novo cartão postal da cidade!” Chamou Reynaldo, que estava a alguns metros, para ganhar aquele voto. Mas o candidato de Maluf observou, com estonteante sinceridade: “É, realmente o senhor mora num lugarzinho bem ruim...” Maluf jamais o perdoou.

Escreva a legenda aqui

 

CLÁUDIO HUMBERTO

"É inegável que a crise desgastou a nossa campanha"

Edinho Silva, presidente nacional do PT, sobre os escândalos do Master e do STF

20/09/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Pesquisas previam vida fácil de Lula. Mas a realidade...

A duas semanas do primeiro turno em 2022, o Datafolha previa Lula 12 pontos à frente de Jair Bolsonaro no primeiro turno e o Ipec (que era Ibope) chutava vitória de 15 pontos do petista.

Nas urnas, o placar válido foi 48,4% a 43,2%. No segundo turno, o Datafolha previa vitória de Lula com 16 pontos de vantagem, enquanto o ex-Ibope calculava vitória do petista por 19 pontos. Na realidade, a vantagem foi de 1,8% no 2º turno.

Repeteco?

A 15 dias da eleição de 2026, o Datafolha prevê Lula com 39% a 35% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e 46% a 44%, no segundo.

Muro estreito

O Quaest viu vitória de 8% de Lula em 2022 nos dois turnos. Agora prevê Lula à frente por 5% no primeiro, mas derrotado no segundo turno.

Instituto fechou

A duas semanas da eleição 2018, o Ibope errava em 18% o resultado de Bolsonaro no 1º turno. E ainda previu empate com Haddad no 2º turno.

Chegou perto

O instituto Paraná Pesquisa foi quem mais acertou em 2022. A 14 dias da eleição previa vitória de Lula por quatro pontos no primeiro turno.

Especialista vê presidência de Moraes como surreal

Próximo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a tradição, Alexandre de Moraes pode ter o comando da Corte sob impedimento perante a opinião pública, é o que avalia à coluna o professor, mestre e doutor em Direito Constitucional da USP Rubens Beçak, caso o Supremo abra investigação contra o magistrado.

Beçak diz ainda que os ministros deveriam examinar administrativamente se Moraes poderia continuar com os processos relacionados ao Master.

Peça o boné

Para Max Kolbe, advogado especialista em Direito Constitucional, Moraes deveria até se abster de disputar a presidência, caso investigado.

Situação surreal

Kolbe considera “estarrecedor” um investigado comandar a instituição responsável por supervisionar a apuração da própria conduta: “surreal”.

Não dá

No campo político, as críticas ao ministro são ainda mais incisivas, “é um escárnio com a cara do povo”, disse à coluna Rodrigo Valadares (PL-SE).

Tradição não é regra

Por tradição, o presidente o Supremo Tribunal Federal é o ministro mais antigo que ainda não tenha ocupado o posto. A eleição para sucessão de Edson Fachin deve ocorrer em agosto de 2027. Kassio Nunes Marques é o próximo da fila após Alexandre de Moraes.

Caravana

A chapa Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, do PL, tem investido no Nordeste nestes dias. A meta é percorrer os nove estados da região, tida como prioridade para a campanha.

Arruda no TSE

Derrotado no TRE-DF, José Roberto Arruda (PSD) tenta no TSE validar a indeferida candidatura ao governo do Distrito Federal. Quem vai relatar o recurso na mais alta corte eleitoral é o ministro Dias Toffoli.

Sangria na pauta

O julgamento do dissídio coletivo dos funcionários dos Correios, sem dó da combalida estatal, será nesta segunda-feira (21). Os grevistas querem coisas tipo adicional de 70% sobre férias e 200% sobre repouso ou feriado trabalhado, além de manter regalias tipo vale extra de Natal.

Picadeiro ocupado

Na polêmica sessão do STF que deveria definir se Alexandre de Moraes será investigado pela relação com Daniel Vorcaro, Gilmar Mendes falou durante mais tempo que Cármen Lúcia e André Mendonça... somados.

Foi pouco

Segundo a oposição no Congresso, o aumento do auxílio anunciado por Lula (PT) poderia ser maior do que 15%. “Desde que o imenso rombo da corrupção e do empreguismo público fosse eliminado”, diz um auxiliar.

Nome dado

Rogério Marinho (PL-RN) revelou ao Jornal Gente, da Bandeirantes, que o então líder do governo Lula, Jaques Wagner (PT-BA), recebeu ligação do decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, reclamando e “cobrando” após o Senado aprovar projeto que o STF não gostou.

Detalhe

O projeto que os ministros e Gilmar Mendes não gostaram, disse Rogério Marinho, determinava prazo curto para o plenário do STF analisar decisões monocráticas, aquelas expedidas por um só ministro.

Pensando bem…

... no Brasil, nada mais real do que o surreal.

PODER SEM PUDOR

O delegado professor

O jovem Tancredo Neves foi ser promotor em São João Del Rey. Foi chegando e arranjando uma namorada. Mal sabia que o delegado havia proibido namoro nas praças, por isso ele se misturou aos muitos casais que ocupavam um dos jardins públicos da cidade.

A polícia chegou de repente e expulsou todo mundo. Tancredo já ia protestar quando o delegado o percebeu. Rápido, o policial mostrou que tinha muito a ensinar a ele: “Doutor, botei esse pessoal para fora para deixar o senhor à vontade...”. Ah, bom.

 

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

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