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GIBA UM

"Se pedissem para eu fazer uma faxina no escritório do Roberto Marinho, eu faria"

de SUZANA VIEIRA // 80 anos, em temporada paulista com Shirley Valentine.

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“A Globo tem mandado tanta gente embora que, se pedissem para eu fazer uma faxina no escritório do Roberto Marinho, eu faria”, de SUZANA VIEIRA // 80 anos, em temporada paulista com Shirley Valentine.

O governo Bolsonaro deixou R$ 3 255,2 bilhões em despesas contratadas e não pagas para 2023. São os chamados “restos a pagar”, valores transferidos de um ano para outro e que se transformam num “orçamento paralelo”.

Mais: esse “orçamento compete com novos gastos. Como comparação, no fim do segundo mandato, Lula deixou R$ 246,8 bilhões (em valores corrigidos a dezembro de 2021) de “resto a pagar” para sua sucessora Dilma Rousseff.

IN: Bolo simples de tangerina

OUT: Bolo de flocão simples

Lado a lado

 BNDES liberou para Americanas R$ 5,52 bilhões entre 2002 e 2018, em 12 operações de empréstimo. Analistas têm dúvidas sobre a própria viabilidade do modelo de negócio da companhia. Acham que há algo estranho na relação materna entre o banco e a rede varejista, especialmente quanto ao intervalo de tempo em que esses empréstimos se realizaram.

As transferências da dinheirama para o bolso corporativo do trio acionista se deram, majoritariamente, nos governos do PT. Ou seja: nas mesmas fontes que alimentaram, por exemplo, Marcelo Odebrecht e os irmãos Batista, da JBS.

DIREITOS

Oito sindicatos nacionais ajuizaram na Justiça do Trabalho de Brasília ação civil pública contra a Americanas S.A. e seus maiores acionistas Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles.

A medida quer garantir direitos trabalhistas de 44 mil trabalhadores da companhia em recuperação judicial. Na ação, as entidades pedem o bloqueio de R$ 1,53 bilhão nas contas pessoais dos três sócios para garantir o pagamento de dívidas trabalhistas.

Passo a passo

A Samsung, um dos maiores fornecedores da Americanas, está exigindo pagamento à vista para entregar novas mercadorias à empresa. A dívida da rede varejista com a fabricante de eletrônicos passa de R$ 1 bilhão.

A Samsung, à propósito, está apertando a Americanas passo a passo. Primeiro, cobrou a dívida de forma agressiva. Depois, passou a exigir a devolução das mercadorias não quitadas. E agora exige pagamento das faturas à vista.

ONTEM E HOJE

Na reunião de Lula com governadores, na semana passada, o presidente condenou a “judicialização” da política. Pediu a líderes de partidos aliados que não procedam dessa maneira, que não acionem o STF como instância revisora das leis aprovadas pela Câmara e Senado, que desagradam interesse do Planalto.

Os analistas de plantão ironizam: recorrer a essa manobra foi amplamente adotada pelo PT e partidos que fazem oposição a Bolsonaro.

Vendendo pacote

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas planeja viagem ao Oriente Médio para reuniões com investidores de lá. Um dos alvos é o Qatar Investment Authority: durante sua passagem em Davos, ele teve um encontro com o CEO do fundo soberano, Mansoor Ebrahim Al-Majoud.

O objetivo é apresentar pacote de concessões do governo paulista, envolvendo projetos rodoviários e ferroviários. A joia da coroa é o Trem Intercidades orçado em mais de R$ 11 bilhões que ligará São Paulo a Campinas, cruzando outros sete municípios.

Plateia de famosos

A “bad band”, como são conhecidos os famosos grupos de jovens que se juntam para seguir uma carreira musical, o Backstreet Boys está comemorando 30 anos de carreira. E desde o final do ano passado, retomaram a turnê DNA tour, adiada por causa da pandemia.

Pelo Brasil fizeram quatro shows, um em Curitiba, dois em São Paulo e um em e Belo Horizonte. A banda que mexeu com muitas garotas no final dos anos 90 e começo dos anos 2000, levou muitas fãs aos shows. Já não tão novos assim, Kevin (51 anos), Howie (49), Brian (47), Aj Mclean (45) e Nick (43) arrastaram também um monte fãs famosos até o Allianz Parque, em São Paulo, que cantaram e aplaudiram e se entusiasmaram com o quinteto que não tem o fôlego de 30 anos atrás, por isso o show com menos coreografias, muitos números solos ou em dupla, carisma, com troca de roupas no palco (escondidos por um biombo) e com direito a cuecas lançadas para o público.

Entre os mais de 45 mil fãs que lotaram o estádio estavam as celebridades, da esquerda para direita, a atriz e apresentadora Fernanda Paes Leme, a atriz e ex-BBB Carla Diaz, a modelo e atriz transgênero Carol Marra, a atriz, cantora, e ex-Rouge Karen Hills, e a atriz e youtuber Antônia Fontenelle.

Com medo de voltar

“Pode ser amanhã, daqui a seis meses, pode não voltar nunca”. Quem fala é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre a volta do ex-presidente, que está na Flórida há quase um mês. Bolsonaro já trocou seu visto para turista, o que lhe permite ficar mais 30 dias lá.

Gostaria de voltar apenas para fazer nova cirurgia com seu médico de confiança. Não tem mais avião oficial e nem jatinho: se voltasse, queria seguir direto do aeroporto para o hospital. Aliados dizem que ele tem medo de ser preso no aeroporto.

Mais: também pediu ao ex-lutador José Aldo se pode permanecer na casa de Kissimmee mais um tempo.

Mais: quando Jair Bolsonaro decidiu ir para a Flórida, esperava-se que fosse à tradicional festa de fim de ano no resort de Donald Trump, Mar-a-Lago, em Palm Beach, a menos de três horas de carro de Kissimmee.

Na ocasião, Bolsonaro afirmou a aliados que desistiu de participar da festa porque Michelle, sua mulher, estava cansada da viagem. Depois, através de assessores do norte-americano, soube- -se que Bolsonaro não havia sido convidado para a festa. E nesses dias de janeiro, nem ele e tampouco seus filhos se encontraram com Trump

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Samba no pé

A apresentadora e agora jurada do The Masked Singer Brasil, Sabrina Sato está quase pronta para o Carnaval. Faltando pouco mais de 20 dias para o evento, Sabrina sempre que pode (e faz questão) está nos ensaios das escolas de samba em São Paulo e no Rio de Janeiro, no qual é rainha de bateria. Ela está frente da bateria da escola de samba Vila Isabel há 10 anos (com uma pequena pausa após o nascimento da Zoe) e na Gaviões da Fiel pelo 19º ano.

Apaixonada pelo Carnaval a musa das escolas de samba pode ser vista mostrando os bastidores de sua preparação na segunda temporada do Carnaval da Sabrina, no GNT. Além dos dois programas, em breve a segunda temporada do Desapegue Se For Capaz irá ao ar, e outro projeto que ainda mantém em segredo está vindo por aí, o que ocasionou sua despedida do programa Saia Justa.

Base irritada

As declarações de Valdemar Costa Neto, dono do PL, segundo as quais a “minuta golpista’ encontrada na casa do ex-ministro Anderson Torres, tinha outras “iguais na casa de todo mundo”, deixaram aliados e integrantes do partido irritados.

Acham que a expressão “todo mundo” faz pensar que estavam “correndo atrás de um golpe” e que nunca viram “Bolsonaro falar sobre isso”. Bancadas do PT na Câmara e no Senado vão pedir explicações na Justiça do dirigente partidário.

Candidata

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a filha Laura já retornaram ao Brasil. A menina volta às aulas esta semana e a mãe tinha detalhes para acertar na escola (militar). Aos mais chegados, Michelle conta que o marido ia com ela ao supermercado disfarçado: óculo escuro e boné (emprestado de José Aldo).

Ela tem conversado com Valdemar Costa Neto sobre seu futuro trabalho no PL e anda até entusiasmada com a remota possibilidade de ser candidata em 2026, caso Bolsonaro se torne inelegível (ou em quaisquer outras situações contrárias).

Ficou de fora

O ex-governador de Pernambuco, Paulo Câmara, acaba de se desfiliar ao PSB. Ele ficou ressentido de ter sido preterido pelo partido nas indicações aos ministérios do governo Lula. O PSB tem dois ministros: Flávio Dino (Justiça) e Márcio França (Portos e Aeroportos).

E o grupo de Câmara também rompeu com o prefeito de Recife, João Campos, que torpedeou sua candidatura ao Senado, optando pela composição que lançou Teresa Leitão (PT).

ROMBO

Excessos do programa Fausto Silva teriam provocado um rombo de R$ 60 milhões no ano passado na Band. Alguns bem informados da emissora, sem se identificarem, falam em menos: R$ 20 milhões.

No projeto do programa, levantando-se em conta a imagem do apresentador junto a patrocinadores, Fausto Silva poderia chegar a retirar R$ 8 milhões /mês.

Nos últimos meses, com audiência entre 2,5% e 3%, ele conseguiu um salário de R$ 2,5 milhões. A guerra agora é renovar o patrocínio do Bradesco.

MISTURA FINA

JÁ está decidido que será necessário um efetivo de pelo menos 200 policiais para revezar na segurança presidencial que inclui, além de Lula e Janja, a proteção também de filhos e noras do presidente. Em tempos de Jair Bolsonaro, quem cuidava dessa área era o GSI, comandado pelo general Augusto Heleno.

Detalhe: quando Lula usa carros oficiais, a segurança se utiliza de três veículos blindados. E o presidente sai da garagem em um deles (poucos sabem qual é).

EM ofensiva no Senado, o PSD acertou a filiação da senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP) e pode ultrapassar o PL. O partido ainda trabalha para filiar mais um senador esta semana, engordando a bancada.

O objetivo básico é enfrentar o discurso do PL de que bolsonaristas foram eleitos em peso e teriam o domínio do Senado. Hoje, PSD e PL estão empatados com 13 parlamentares cada um.

MENOR em termos de investimentos e funcionários e também menos endividamento: é a Petrobras. Em 2016, último ano do governo Dilma Rousseff, tinha 68.829 funcionários e intenção de investir US$ 19 bilhões por ano e dívida de US$ 123,9 bilhões em junho daquele mesmo ano. Agora, a empresa tem 45.543 empregados, plano médio de investimentos anuais de US$ 15,6 bilhões e endividamento de US$ 54,3 bilhões.

O GOVERNO deverá abrir, nos próximos dias, uma rodada de negociações para conceder aumento aos servidores públicos e prepara-se para uma batalha tão tense quanto a discussão dos novos salários congelados, há cinco anos.

Esther Dweek, ministra da Gestão e Inovação dos Serviços Públicos, que coordenará os debates, lança no próximo dia 7 uma mesa nacional de negociação permanente com representantes do Executivo e dos servidores.

PAZES feitas entre Josué Gomes, que reassumiu a presidência da Fiesp e sindicatos e diretores que pretendia derrubá-lo do posto (incluindo o ex-presidente Paulo Skaf), todos se comprometeram a trabalhar por uma Fiesp unida em prol do desenvolvimento sustentável da indústria e do país. E mesmo com eleições distantes, Skaf já avisa os mais chegados que será candidato à presidência, cargo que ocupou por 18 anos.

AINDA Josué Gomes: ele conseguiu escapar dos adversários que queriam destitui-lo da presidência da Fiesp, mas não escapou da tempestade da Americanas.

A Coteminas, empresa têxtil controlada por ele (herdou do pai Jose Alencar, que foi vice-presidente de Lula em dois mandatos), também tem lugar na intensa lista de 16,3 mil credores da Americanas – que lhe deve R$ 4,1 milhões

CLÁUDIO HUMBERTO

"É inegável que a crise desgastou a nossa campanha"

Edinho Silva, presidente nacional do PT, sobre os escândalos do Master e do STF

20/09/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Pesquisas previam vida fácil de Lula. Mas a realidade...

A duas semanas do primeiro turno em 2022, o Datafolha previa Lula 12 pontos à frente de Jair Bolsonaro no primeiro turno e o Ipec (que era Ibope) chutava vitória de 15 pontos do petista.

Nas urnas, o placar válido foi 48,4% a 43,2%. No segundo turno, o Datafolha previa vitória de Lula com 16 pontos de vantagem, enquanto o ex-Ibope calculava vitória do petista por 19 pontos. Na realidade, a vantagem foi de 1,8% no 2º turno.

Repeteco?

A 15 dias da eleição de 2026, o Datafolha prevê Lula com 39% a 35% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e 46% a 44%, no segundo.

Muro estreito

O Quaest viu vitória de 8% de Lula em 2022 nos dois turnos. Agora prevê Lula à frente por 5% no primeiro, mas derrotado no segundo turno.

Instituto fechou

A duas semanas da eleição 2018, o Ibope errava em 18% o resultado de Bolsonaro no 1º turno. E ainda previu empate com Haddad no 2º turno.

Chegou perto

O instituto Paraná Pesquisa foi quem mais acertou em 2022. A 14 dias da eleição previa vitória de Lula por quatro pontos no primeiro turno.

Especialista vê presidência de Moraes como surreal

Próximo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a tradição, Alexandre de Moraes pode ter o comando da Corte sob impedimento perante a opinião pública, é o que avalia à coluna o professor, mestre e doutor em Direito Constitucional da USP Rubens Beçak, caso o Supremo abra investigação contra o magistrado.

Beçak diz ainda que os ministros deveriam examinar administrativamente se Moraes poderia continuar com os processos relacionados ao Master.

Peça o boné

Para Max Kolbe, advogado especialista em Direito Constitucional, Moraes deveria até se abster de disputar a presidência, caso investigado.

Situação surreal

Kolbe considera “estarrecedor” um investigado comandar a instituição responsável por supervisionar a apuração da própria conduta: “surreal”.

Não dá

No campo político, as críticas ao ministro são ainda mais incisivas, “é um escárnio com a cara do povo”, disse à coluna Rodrigo Valadares (PL-SE).

Tradição não é regra

Por tradição, o presidente o Supremo Tribunal Federal é o ministro mais antigo que ainda não tenha ocupado o posto. A eleição para sucessão de Edson Fachin deve ocorrer em agosto de 2027. Kassio Nunes Marques é o próximo da fila após Alexandre de Moraes.

Caravana

A chapa Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, do PL, tem investido no Nordeste nestes dias. A meta é percorrer os nove estados da região, tida como prioridade para a campanha.

Arruda no TSE

Derrotado no TRE-DF, José Roberto Arruda (PSD) tenta no TSE validar a indeferida candidatura ao governo do Distrito Federal. Quem vai relatar o recurso na mais alta corte eleitoral é o ministro Dias Toffoli.

Sangria na pauta

O julgamento do dissídio coletivo dos funcionários dos Correios, sem dó da combalida estatal, será nesta segunda-feira (21). Os grevistas querem coisas tipo adicional de 70% sobre férias e 200% sobre repouso ou feriado trabalhado, além de manter regalias tipo vale extra de Natal.

Picadeiro ocupado

Na polêmica sessão do STF que deveria definir se Alexandre de Moraes será investigado pela relação com Daniel Vorcaro, Gilmar Mendes falou durante mais tempo que Cármen Lúcia e André Mendonça... somados.

Foi pouco

Segundo a oposição no Congresso, o aumento do auxílio anunciado por Lula (PT) poderia ser maior do que 15%. “Desde que o imenso rombo da corrupção e do empreguismo público fosse eliminado”, diz um auxiliar.

Nome dado

Rogério Marinho (PL-RN) revelou ao Jornal Gente, da Bandeirantes, que o então líder do governo Lula, Jaques Wagner (PT-BA), recebeu ligação do decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, reclamando e “cobrando” após o Senado aprovar projeto que o STF não gostou.

Detalhe

O projeto que os ministros e Gilmar Mendes não gostaram, disse Rogério Marinho, determinava prazo curto para o plenário do STF analisar decisões monocráticas, aquelas expedidas por um só ministro.

Pensando bem…

... no Brasil, nada mais real do que o surreal.

PODER SEM PUDOR

O delegado professor

O jovem Tancredo Neves foi ser promotor em São João Del Rey. Foi chegando e arranjando uma namorada. Mal sabia que o delegado havia proibido namoro nas praças, por isso ele se misturou aos muitos casais que ocupavam um dos jardins públicos da cidade.

A polícia chegou de repente e expulsou todo mundo. Tancredo já ia protestar quando o delegado o percebeu. Rápido, o policial mostrou que tinha muito a ensinar a ele: “Doutor, botei esse pessoal para fora para deixar o senhor à vontade...”. Ah, bom.

 

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

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