Colunistas

Cláudio Humberto

"Sem aumentar um real!"

Governador catarinense Jorginho Mello (PL), sobre a reforma administrativa no estado

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Justiça pode ter de devolver R$73 milhões a Palocci

Com o processo estacionado na Justiça Eleitoral do Distrito Federal, Antônio Palocci pode reaver os quase R$73 milhões que estão sob custódia judicial. O processo contra o ex-ministro da Fazenda e “operador” confesso de Lula é um dos cerca de 260 que foram gerados pela Operação Lava Jato e ainda tramitam a passos de tartaruga. O juiz da 1ª Zona Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral do DF recebeu um “pedala” da 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pela Lava Jato.

 

Na gaveta

O processo de Palocci chegou a 1ª Zona Eleitoral do TRE-DF em julho de 2022 e, sete meses depois, pouco andou.

 

Caducando

A 13ª Vara curitibana mandou ofício ao TRE-DF destacando que prazos legais “já estariam esgotados há muito tempo”, cobrando providências.

 

Não dar em nada

A Lava Jato destacou que o caso de Palocci corre risco de prescrever e a fortuna devolvida, o que pode gerar “sensação de impunidade”.

 

Na marra

Caso a Justiça do DF não ande com a papelada, a ameaça da força tarefa é levar o caso ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

 

Pacheco, roda-presa, engaveta projetos relevantes

Apesar da gaveta recheada de projetos de interesse nacional, como o que estabelece prisão após condenação em segunda instância e fixa mandato para ministros do STF, ou projetos urgentes, como medidas para mitigar o desastre no litoral paulista, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, resolveu que os senadores vão discutir uma medida provisória que trata de impostos sobre gastos de brasileiros no exterior.

 

Prioridade zero

Para Pacheco, é prioridade analisar a MP que trata da alíquota sobre a renda retida na fonte em operações financeiras de brasileiros no exterior.

 

Agora, nem um pio

A MP editada por Bolsonaro reduziu de 25% para 6% a alíquota (inclusive de empresas) sobre gastos fora do Brasil.

 

‘Esforço’

Apontada como a “principal” pauta do Senado no início do novo governo, a reforma tributária está longe do radar. Já gastos no exterior...

 

Cresce apoio a CPI

A lista para a CPI do Dino no Senado, puxada por Soraya Thronicke (União-MS), ganhou mais uma assinatura: professora Dorinha Seabra (União-TO). O requerimento já conta com 39 parlamentares.

 

Dia 8 ainda rende

Além da CPI do Dino no Senado, o governo já monitora outra dor de cabeça sobre a quebradeira em Brasília no dia 8 de janeiro. A criação da CPMI com o mesmo tema precisa de apenas 11 assinaturas.

 

Realidade comum

Bolsonaro criticou os ministros de Estado de Lula, mas também admitiu: “vários partidos políticos ficam em cima de você, porque querem a indicação para eles, como sempre foi no Brasil! Como está sendo agora”.

 

Desempenho paraense

Desde 2018, os estados do Amazonas, Rondônia, Acre e Roraima somados não desmataram tanto quanto o Pará do governador Hélder Barbalho (MDB): 21.194 quilômetros quadrados da Amazônia Legal.

 

Risco dos amigos

O “risco” de a Venezuela dar calotes em investidores é tão grande que supera até Cuba, que tem nota “Ca”, a segunda pior da Moody’s, que prevê “pouco prospecto de recuperação” de um país em “default” (falido).

 

Saldão

A loja de souvenirs do PT resolveu promover um saldão com produtos da ex-presidente Dilma, de baixa procura. Caneca com imagem da petista é vendida por salgados R$63,90. Era mais cara, cobravam R$88.

 

Incompetentes S/A

A oposição apertou no ministro das Comunicações, Juscelino Filho, e cobrou explicações sobre os mil chips da Correios Celular que foram enviados para o comitê que acompanha a situação dos Yanomamis.

 

Primeira de 2023

A CNI anunciou missão internacional para empresários brasileiros, em abril. Comitiva em parceria com o Sesi e Senai será levada a Hannover, na Alemanha, para participar de uma feira de tecnologia para a indústria.

 

Pensando bem...

...agora sob nova gestão, o tal “gabinete do ódio” ganhou status de primeiro escalão: Ministério de Vinganças e Retaliações.

 

PODER SEM PUDOR

Porteiro, só ateu

No primeiro dia de trabalho como prefeito do Recife, nos anos 1960, Augusto Lucena reuniu a assessoria. Tinha pressa. Mas a reunião era interrompida a todo instante por pessoas que queriam cumprimentar o novo prefeito. Ele pediu à secretária que mandasse o porteiro informar que ele não se encontrava. Momentos depois, ela voltou para dizer que não seria possível: “O porteiro é protestante e disse que não pode mentir...” Segundo relatam jornalistas da época, Lucena não contou conversa: “Então a senhora me arranje um porteiro ateu!”

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CLÁUDIO HUMBERTO

"É inegável que a crise desgastou a nossa campanha"

Edinho Silva, presidente nacional do PT, sobre os escândalos do Master e do STF

20/09/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Pesquisas previam vida fácil de Lula. Mas a realidade...

A duas semanas do primeiro turno em 2022, o Datafolha previa Lula 12 pontos à frente de Jair Bolsonaro no primeiro turno e o Ipec (que era Ibope) chutava vitória de 15 pontos do petista.

Nas urnas, o placar válido foi 48,4% a 43,2%. No segundo turno, o Datafolha previa vitória de Lula com 16 pontos de vantagem, enquanto o ex-Ibope calculava vitória do petista por 19 pontos. Na realidade, a vantagem foi de 1,8% no 2º turno.

Repeteco?

A 15 dias da eleição de 2026, o Datafolha prevê Lula com 39% a 35% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e 46% a 44%, no segundo.

Muro estreito

O Quaest viu vitória de 8% de Lula em 2022 nos dois turnos. Agora prevê Lula à frente por 5% no primeiro, mas derrotado no segundo turno.

Instituto fechou

A duas semanas da eleição 2018, o Ibope errava em 18% o resultado de Bolsonaro no 1º turno. E ainda previu empate com Haddad no 2º turno.

Chegou perto

O instituto Paraná Pesquisa foi quem mais acertou em 2022. A 14 dias da eleição previa vitória de Lula por quatro pontos no primeiro turno.

Especialista vê presidência de Moraes como surreal

Próximo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a tradição, Alexandre de Moraes pode ter o comando da Corte sob impedimento perante a opinião pública, é o que avalia à coluna o professor, mestre e doutor em Direito Constitucional da USP Rubens Beçak, caso o Supremo abra investigação contra o magistrado.

Beçak diz ainda que os ministros deveriam examinar administrativamente se Moraes poderia continuar com os processos relacionados ao Master.

Peça o boné

Para Max Kolbe, advogado especialista em Direito Constitucional, Moraes deveria até se abster de disputar a presidência, caso investigado.

Situação surreal

Kolbe considera “estarrecedor” um investigado comandar a instituição responsável por supervisionar a apuração da própria conduta: “surreal”.

Não dá

No campo político, as críticas ao ministro são ainda mais incisivas, “é um escárnio com a cara do povo”, disse à coluna Rodrigo Valadares (PL-SE).

Tradição não é regra

Por tradição, o presidente o Supremo Tribunal Federal é o ministro mais antigo que ainda não tenha ocupado o posto. A eleição para sucessão de Edson Fachin deve ocorrer em agosto de 2027. Kassio Nunes Marques é o próximo da fila após Alexandre de Moraes.

Caravana

A chapa Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, do PL, tem investido no Nordeste nestes dias. A meta é percorrer os nove estados da região, tida como prioridade para a campanha.

Arruda no TSE

Derrotado no TRE-DF, José Roberto Arruda (PSD) tenta no TSE validar a indeferida candidatura ao governo do Distrito Federal. Quem vai relatar o recurso na mais alta corte eleitoral é o ministro Dias Toffoli.

Sangria na pauta

O julgamento do dissídio coletivo dos funcionários dos Correios, sem dó da combalida estatal, será nesta segunda-feira (21). Os grevistas querem coisas tipo adicional de 70% sobre férias e 200% sobre repouso ou feriado trabalhado, além de manter regalias tipo vale extra de Natal.

Picadeiro ocupado

Na polêmica sessão do STF que deveria definir se Alexandre de Moraes será investigado pela relação com Daniel Vorcaro, Gilmar Mendes falou durante mais tempo que Cármen Lúcia e André Mendonça... somados.

Foi pouco

Segundo a oposição no Congresso, o aumento do auxílio anunciado por Lula (PT) poderia ser maior do que 15%. “Desde que o imenso rombo da corrupção e do empreguismo público fosse eliminado”, diz um auxiliar.

Nome dado

Rogério Marinho (PL-RN) revelou ao Jornal Gente, da Bandeirantes, que o então líder do governo Lula, Jaques Wagner (PT-BA), recebeu ligação do decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, reclamando e “cobrando” após o Senado aprovar projeto que o STF não gostou.

Detalhe

O projeto que os ministros e Gilmar Mendes não gostaram, disse Rogério Marinho, determinava prazo curto para o plenário do STF analisar decisões monocráticas, aquelas expedidas por um só ministro.

Pensando bem…

... no Brasil, nada mais real do que o surreal.

PODER SEM PUDOR

O delegado professor

O jovem Tancredo Neves foi ser promotor em São João Del Rey. Foi chegando e arranjando uma namorada. Mal sabia que o delegado havia proibido namoro nas praças, por isso ele se misturou aos muitos casais que ocupavam um dos jardins públicos da cidade.

A polícia chegou de repente e expulsou todo mundo. Tancredo já ia protestar quando o delegado o percebeu. Rápido, o policial mostrou que tinha muito a ensinar a ele: “Doutor, botei esse pessoal para fora para deixar o senhor à vontade...”. Ah, bom.

 

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

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