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"Tudo é uma grande festa. O próprio Flávio Dino, que admiro muito, dá seus shows semanais"

de JOAQUIM BARBOSA // ex-ministro do STF, achando que o país "precisa de mais sobriedade".

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“Tudo é uma grande festa. O próprio Flávio Dino, que admiro muito, dá seus shows semanais, o presidente continua soltando o verbo”,

de JOAQUIM BARBOSA // ex-ministro do STF, achando que o país “precisa de mais sobriedade”.

O Ministério das Cidades vai encaminhar até o início de junho ao Conselho Curador do FGTS a proposta de zerar o valor da entrada para financiamentos na faixa 1 do programa Minha Casa, Minha Vida, uma promessa de campanha de Lula.

Mais: a medida favorecerá a faixa mais baixa do programa, famílias com renda mensal de até dois salários-mínimos. Pelas regras atuais, os beneficiário do programa nessa faixa tem de pagar, logo na partida, algo em torno de 20% do valor do imóvel.

In - Café havaiano

Out - Café americano

Também insulina

Nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) uma consulta demora quatro meses, um exame outros seis e um cirurgia mais de um ano. agora, a ameaça é de faltar insulina nos postos para pacientes com diabetes (15 milhões de brasileiros têm diabetes tipo 1) e pacientes vêm sofrendo para conseguir canetas de insulina de ação rápida. Nos últimos pregões realizados pelo governo para a compra de insulina em agosto e janeiro, nenhuma empresa apresentou proposta. Aí, o Ministério da Saúde, em abril fez uma compra emergencial de um medicamento sem registro na Anvisa, condenado pela Sociedade Brasileira de Diabetes.

“REVOGAÇO”

Lula e seus ministros revogaram 231 decretos de gestões anteriores desde que assumiram em janeiro. São quase dois decretos revogados por dia, incluindo o afrouxamento do Marco Legal do Saneamento Básico e as restrições ao porte de armas. Os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Simone Tebet (Planejamento) e Esther Dweck (Gestão) são os que mais reverteram decretos dos governos anteriores. Parte das medidas dão novos rumos para a políticas das gestões anteriores, marcando a posição atual do governo.

Santa do pau oco

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, comentou a investigação da Polícia Federal que apura ligação entre uma fornecedora da estatal Codevasf e pagamentos feitos em dinheiro de um cartão de crédito usado por Michelle Bolsonaro: “Empresas financiavam Michelle Bolsonaro, a santa do pau oco. O nome disso é corrupção”. Mais: a empresa Cedro do Líbano Comércio de Madeira e Materiais de Construção, contratada pela estatal, é a origem de uma série de transferências feitas a um militar da Ajudância de Ordens da Presidência da República.

“HOMEM DA MALA”

Ney Suassuna, ex-senador pelo Republicanos da Paraíba e ex-ministro a Integração de FHC, ganhou um passaporte diplomático assinado pelo ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores), atendendo um pedido da vice-presidência do Senado. Ele não tem mandato pela Casa: seu último mandato terminou há 16 anos e ele era conhecido em Brasília como o “homem da mala”, por andar sempre com uma valise. Entre 1990 e 2000 foi saindo dos holofotes à medida em que seu nome era vinculado a escândalos de corrupção.

Pintados de guerra

Na CPI do MST, o objetivo dos ruralista é investigar quem são os financiadores do movimento que, junto com outros movimentos ligados à questão da terra, promoveu cerca de 56 invasões no ano, mais do que 2022 inteiro, segundo levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. Mais: ao contrário do que acontece na CPMI dos Ataques Golpistas, onde governistas estão bem na fita, na do MST os ruralista devem ter entre 15 e 17 dos 27 titulares. Desses, 13 já foram anunciados pela oposição, todos com forte discurso contra as invasões.

Usando a influência

A modelo e porta-voz do vitiligo Winnie Harlow, 28 anos usou sua influência e também uma experiência ruim vivida, num trabalho nas Bahamas, onde deixou de reaplicar protetor solar por medo do tom branco que o FPS pode deixar na pele, para lançar uma linha de proteção solar (pele e lábios), a Cay Skin. “Acabei com ótimas fotos - e uma dolorosa queimadura de sol que exigiu tratamento médico de emergência. E a pior parte: os danos causados pelo sol alteraram permanentemente o padrão do meu vitiligo, uma parte preciosa da minha identidade como mulher, ativista e modelo”.

Capa da revista Women’s Health ela é descrita, não apenas como uma guerreira na linha de frente na luta pela inclusão da beleza, mas também uma heroína para dezenas de mulheres e meninas que já se sentiram desconfortáveis em sua própria pele. Em cliques feitos como veio ao mundo conta que algumas pessoas queriam que ela desistisse da carreira, mas com determinação herdada da mãe (segundo ela) não deixou se abater. “Meu eu mais jovem sempre acreditou no poder da fé, força e perseverança, enquanto aprendia a vulnerabilidade e a ser autenticamente eu mesma. Recebi muitos nãos ao longo do caminho, mas apenas superei”. Um grande nome da moda ela está também na nova campanha da Puma e já foi garota-propaganda de outras grandes grifes como Fendi, Jimmy Choo, Maybelline entre outras. Mais: ela ainda sonha em atuar e gostaria de interpretar uma Bond girl, uma super-heroína, ou uma vilã da Marvel.

Tudo em família

Das 32 pessoas físicas e jurídicas investigadas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro no inquérito que apura suspeitas de “rachadinha” no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos), 14 fazem parte do núcleo familiar liderado por Ana Cristina Valle, segunda mulher de Jair Bolsonaro, mãe de Jair Renan e ex-chefe de gabinete do filho do ex-presidente. Dois deles já admitiram que nunca trabalharam para Carlucho. Mais: nove integrantes do núcleo de Ana Cristina sacaram R$ 3 milhões entre 2005 e 2018, após receberem os salários da Câmara. Cileide Barbosa Mendes, identificada como empregada doméstica nas investigações, teve o nome utilizado para abertura de três empresas para o tenente-coronel Ivan Ferreira Mendes, também ex-marido de Ana Cristina Valle. Na época, ela trabalhava para Carlos Bolsonaro. Ex-babá da família, Cileide morou em uma casa que até 2018 funcionou como escritório político do ex-presidente Jair Bolsonaro (Cileide cuidava da casa e hoje é dona de uma empresa de instrumentos cirúrgicos).

Subindo a temperatura

Casados desde 2019, o ex-jogador Kaká e a modelo e atriz Carol Dias, esquentaram a internet, ao posarem somente de calça Jeans. E na legenda a modelo só postou : “Esses papais xóvens”. Apesar de ser formada em artes cênicas Carol prefere ser modelo e influenciadora. “Nunca gostei muito de novela. Por ser modelo, rola um preconceito. Em Malhação (Seu Lugar no Mundo,2015), eu fiz um personagem e tive meio que dar em cima do Lucas Lucco. Então tem que ser “a bonita”, “a gostosa”, “a que dá em cima”. A gente fica rotulada. Isso é ruim. Eles são pais de Esther, de 2 anos e Sarah, de 3 meses. Mais: Kaká fez um curso de treinadores da CBF Academy, obtendo a Licença A, tornando-o apto a comandar equipes profissionais de futebol de qualquer time do Brasil.

Sesc-Senac na defesa

O deputado federal Marcelo Freixo, petista novo, ganhou a presidência da Embratur, transformada em entidade autônoma que não pode receber investimento públicos, mesmo vinculada ao Ministério do Turismo, resolveu tentar arrancar 5% do orçamento do Sesc e do Senac para promover o turismo brasileiro no mundo. O Senac já cuida dessa área (seus hotéis-escola são referência do setor) e nos primeiros três meses de 2023, mais de 2,3 milhões de pessoas já visitaram o país e a arrecadação foi de R$ 8,6 bilhões. Agora, Sesc-Senac estão em campanha nos jornais contra a ideia de Freixo, com apoio de centrais sindicais e confederações de trabalhadores, para evitar que R$ 447 milhões se transforme em cartazetes lá fora. O Senac tem 600 unidades em 1.800 municípios (pioneiro em educação profissional) e o Sesc tem 30 unidades, teatros e constantes ações a favor da cultura, oferecendo de artes a piscinas e espetáculos a preços no chão.

De volta

Velho conhecido das páginas policiais desde os tempos do mensalão, o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, está excursionando pelo país. Na semana passada, circulou entre os estados do Nordeste, onde o presidente Lula é idolatrado. No Recife, entre correligionários, não descartou eventual candidatura. Só não sabe se disputará as urnas em 2024 ou 2026. Está de volta – e por assim dizer, livre, leve e solto.

Também insulina

Nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) uma consulta demora quatro meses, um exame outros seis e um cirurgia mais de um ano. agora, a ameaça é de faltar insulina nos postos para pacientes com diabetes (15 milhões de brasileiros têm diabetes tipo 1) e pacientes vêm sofrendo para conseguir canetas de insulina de ação rápida. Nos últimos pregões realizados pelo governo para a compra de insulina em agosto e janeiro, nenhuma empresa apresentou proposta. Aí, o Ministério da Saúde, em abril fez uma compra emergencial de um medicamento sem registro na Anvisa, condenado pela Sociedade Brasileira de Diabetes.

“REVOGAÇO”

Lula e seus ministros revogaram 231 decretos de gestões anteriores desde que assumiram em janeiro. São quase dois decretos revogados por dia, incluindo o afrouxamento do Marco Legal do Saneamento Básico e as restrições ao porte de armas. Os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Simone Tebet (Planejamento) e Esther Dweck (Gestão) são os que mais reverteram decretos dos governos anteriores. Parte das medidas dão novos rumos para a políticas das gestões anteriores, marcando a posição atual do governo.

Santa do pau oco

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, comentou a investigação da Polícia Federal que apura ligação entre uma fornecedora da estatal Codevasf e pagamentos feitos em dinheiro de um cartão de crédito usado por Michelle Bolsonaro: “Empresas financiavam Michelle Bolsonaro, a santa do pau oco. O nome disso é corrupção”. Mais: a empresa Cedro do Líbano Comércio de Madeira e Materiais de Construção, contratada pela estatal, é a origem de uma série de transferências feitas a um militar da Ajudância de Ordens da Presidência da República.

“HOMEM DA MALA”

Ney Suassuna, ex-senador pelo Republicanos da Paraíba e ex-ministro a Integração de FHC, ganhou um passaporte diplomático assinado pelo ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores), atendendo um pedido da vice-presidência do Senado. Ele não tem mandato pela Casa: seu último mandato terminou há 16 anos e ele era conhecido em Brasília como o “homem da mala”, por andar sempre com uma valise. Entre 1990 e 2000 foi saindo dos holofotes à medida em que seu nome era vinculado a escândalos de corrupção.

Pintados de guerra

Na CPI do MST, o objetivo dos ruralista é investigar quem são os financiadores do movimento que, junto com outros movimentos ligados à questão da terra, promoveu cerca de 56 invasões no ano, mais do que 2022 inteiro, segundo levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. Mais: ao contrário do que acontece na CPMI dos Ataques Golpistas, onde governistas estão bem na fita, na do MST os ruralista devem ter entre 15 e 17 dos 27 titulares. Desses, 13 já foram anunciados pela oposição, todos com forte discurso contra as invasões.

Fé penhorada 1

A Justiça de São Paulo determinou a penhora de um templo da Igreja Mundial do Poder de Deus, do pastor Valdemiro Santiago, avaliado em mais de R$ 270 milhões. A decisão foi tomada após o juiz Diogo Volpe Gonçalves Soares desistir de seguir o processo com a penhora do dízimo de fiéis da instituição. O imóvel fica em Santo Amaro, na capital paulista, e tem capacidade para cerca de 20 mil pessoas. Foi inaugurado em 2014 por Valdemiro e é um dos maiores do país, com mais de 46 mil metros quadrados de área construída.

FÉ PENHORADA 2

No processo de origem, a Igreja Mundial do Poder de Deus foi condenada a pagar uma dívida referente a aluguéis pendentes de um imóvel em Ubatuba, litoral de São Paulo. O valor da dívida de R$ 70 mil apenas em honorários, inclui multa, juros e correção monetária. A igreja foi fundada por Valdemiro Santiago conhecido como “apóstolo Valdemiro”, em Sorocaba em 1988. De acordo com a instituição, há unidades espalhadas por 27 países. Agora, o dinheiro da dívida virá da venda do imóvel em Santo Amaro.

MISTURA FINA

O BANCO do Brasil não apenas suspendeu o processo de venda de sua participação de 80% no Banco Patagônia como pretende fortalecer sua posição na instituição financeira argentina. Um dos projetos é transformar o Patagônia em ponta de lança para financiamento de empresas brasileiras que atuam no país vizinho. Outra é que o banco preste serviços a outras províncias argentinas. A guinada estratégica do BB em relação ao Patagônia se deve às relações entre Lula e Alberto Fernández.

O VICE-presidente e ministro do Desenvolvimento Geraldo Alckmin foi escalado para tentar reduzir o estado beligerante reinante no agronegócio. Deverá almoçar hoje, com integrantes da Frente Parlamentar da Agricultura. Pela manhã, em reunião na sede do Instituto Pensar Agro, parlamentares da bancada ruralista vão alinhavar os principais temas que serão levados ao encontro. Um assunto é certo: a possibilidade do governo taxar as exportações de produtos agrícolas.

QUEM diria: com 40 anos de MST, João Pedro Stédile, que nos últimos dias disse que a eleição tensa deixou o governo “meio medroso” para enfrentar a “luta social”, já tem seu candidato pré-escolhido para as eleições presidenciais de 2026. Não esconde de ninguém que considera o ex-tucano Geraldo Alckmin como “um bom sucessor para Lula”.

O GOVERNADOR Tarcísio de Freitas (Republicanos) gastou R$ 96,6 mil só em passagens para a Suíça para que a secretária da Mulher, Sonaira Fernandes e dois assessores participassem de um evento sobre a relação da política com princípios bíblicos. A gestão estadual também bancou hospedagem e alimentação dos três, que custaram mais R$ 39 mil. E pediu à Sonaira que fizesse um relatório na volta. Política e Bíblia juntas fazem lembrar discursos e até slogan de Jair Bolsonaro.

EM vez de intervir na Light e afastar a diretoria para preservar a estabilidade no abastecimento de energia a milhões de consumidores no Rio e mais três municípios mineiros, a Aneel faz o jogo de Ronaldo Cézar Coelho, maior acionista e de Beto Sicupira, agora o terceiro maior, sustentando que é a holding sob recuperação judicial e não a subsidiária Light Serviços de Eletricidade, que ameaçava devolver a concessão. Pela lógica da Aneel, a subsidiária não seria afetada pela falência de sua proprietária, que confessou incapacidade financeira.

MESMO com uma certa entressafra de recursos na área de venture capital, o Brasil, com seus mais de 74 milhões de hectares de área plantada, tem se mostrado um mané com a chegada de agtechs internacionais. Agora é a argentina Webes que prepara sua entrada no país. A startup é especializada em soluções tecnológicas para reduzir os custos com uso de recursos naturais e fertilizantes nas lavouras. E recebeu um aporte do fundo argentino Kamay Ventures para financiar sua expansão por outros mercados da América Latina.

(Colaboração: Paula Rodrigues)

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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