Política

CAMPO GRANDE

A 4 meses das convenções, PSDB atua para "eliminar" concorrentes de Beto

Carlão e Pedrossian Neto foram os primeiros "abatidos"; partido ainda negocia tirar Rose, Puccinelli e Lucas de Lima

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Faltando quatro meses para o início das convenções partidárias, os caciques do PSDB trabalham para que o pré-candidato do partido à Prefeitura de Campo Grande, o deputado federal Beto Pereira, tenha o menor número possível de adversários na disputa.

Os concorrentes mais recentemente “eliminados” pelos tucanos da disputa pela prefeitura da Capital foram o vereador Carlos Augusto Borges (PSB), o Carlão, e o deputado estadual Pedrossian Neto (PSD).

 No caso de Carlão, o vereador e o presidente estadual do partido, deputado estadual Paulo Duarte, entenderam que seria melhor manter a aliança com o PSDB e, portanto, abriram mão de o PSB ser cabeça de chapa, sugerindo a possibilidade de ocupar o lugar de vice, caso os tucanos tenham interesse.

Entretanto, o partido do vice-presidente Geraldo Alckmin tem sofrido forte pressão federal para se aliar ao PT ou a seus candidatos nas capitais. 

Na eventualidade de isso realmente acontecer, o PSB terá de abandonar o ninho tucano e ficar ou com a deputada federal Camila Jara (PT) ou até mesmo com a superintendente do Desenvolvimento do Centro-Oeste, Rose Modesto, presidente estadual do União Brasil. Ambas as pré-candidatas almejam contar com apoio federal nas eleições municipais.

OUTROS ALVOS

Com relação a Pedrossian Neto, as portas para ele foram fechadas pela cúpula de seu partido: o presidente do diretório estadual, senador Nelsinho Trad (PSD), acertou a aliança com o PSDB diretamente com o presidente estadual dos tucanos, o ex-governador Reinaldo Azambuja, deixando o deputado estadual decepcionado, pois começava a viver o sonho de sua pré-candidatura a prefeito.

As articulações tucanas para reduzir o número de concorrentes vão ainda muito além. Depois de “abater” Pedrossian Neto e “eliminar” Carlão, ainda há três potenciais adversários no alvo do PSDB: o ex-governador André Puccinelli (MDB), Rose Modesto e o deputado estadual Lucas de Lima (PDT).

No caso de André Puccinelli, por mais que o ex-governador mantenha vivo o sonho de disputar a prefeitura e declare ser pré-candidato, a tarefa de fazer com que desista de concorrer ao cargo parece mais fácil.
Um acordo entre tucanos e Puccinelli foi feito no ano passado – e parece estar de vento em popa. Difícil mesmo é convencer o ex-governador de deixar a disputa em alta nas pesquisas para favorecer Beto Pereira, que parece ter dificuldade para chegar aos dois dígitos.

Por falar em dificuldade, tirar Rose Modesto do processo eleitoral parece ser o maior dos desafios da cúpula tucana. É que ela tem uma “briga” de longa data com Pereira. Foi por causa dele que ela deixou o PSDB, em 2020, logo após a reeleição de Marquinhos Trad (PSD). Em novembro daquele ano, não houve mais espaço para Rose no partido e, desde aquela época, Beto Pereira virou pré-candidato a prefeito de Campo Grande.

Os caciques tucanos têm tentado conversar com Rose, mas ela parece estar muito disposta a enfrentar Beto Pereira. Aliás, já o enfrentou várias vezes: dentro do partido, para o comando do diretório estadual, em briga que acabou sem vencedor e com o cacique Sérgio de Paula alçado ao comando para apartar o ímpeto de ambos, e pela liderança da bancada federal de Mato Grosso do Sul na legislatura passada.
Em meio ao impasse entre eles, sobrou para a ex-senadora e atual ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), assumir a liderança na ocasião.

Ao que tudo indica, Rose parece disposta a encarar mais uma briga com Beto, apesar do entendimento dos tucanos de que, quanto menos adversários nas eleições, melhor.

Já com relação a Lucas de Lima, um acordo teria sido costurado para que o parlamentar desista da pré-candidatura, porém, até o momento, isso ainda não se confirmou.

FORTALECIDO

O Correio do Estado procurou o ex-governador Reinaldo Azambuja para comentar sobre as articulações da legenda para as eleições do dia 6 de outubro.

Ele disse à reportagem que, até o dia 5 de abril, o momento é de fortalecer “os nossos quadros nos municípios, fazendo novas filiações e preparando uma chapa forte”.

“Depois, vamos trabalhar com as alianças, de olho no pleito do dia 6 de outubro. Quem nós conseguirmos trazer, será bem-vindo”, declarou.

Azambuja completou dizendo que, graças à gestão municipalista na sua administração, que está tendo continuidade com o governador Eduardo Riedel (PSDB), o partido conta hoje com 51 dos 79 prefeitos do Estado filiados à legenda.

De acordo com fontes ouvidas pelo Correio do Estado, o PSDB mantém conversas com o MDB e com André Puccinelli a respeito da candidatura própria da legenda ou não em Campo Grande.

A reportagem apurou que o ex-governador do MDB aguarda os resultados de pesquisas quantitativas e qualitativas para definir seu futuro. Entretanto, a chance de André Puccinelli apoiar a candidatura de Beto Pereira é muito grande.

ELEIÇÕES 2026

Coligação de Riedel e Azambuja derruba pesquisa eleitoral em MS

Material teria vícios desde ausência de coleta dos bairros e setores censitários até falta de informações precisas sobre fonte dos recursos e impossibilidade de que tenha sido autofinanciada

25/08/2026 09h49

Representação eleitoral foi movida pela coligação

Representação eleitoral foi movida pela coligação "Fazendo o Futuro Acontecer" Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Através de representação eleitoral movida pela coligação "Fazendo o Futuro Acontecer", a divulgação da pesquisa eleitoral Instituto Veritá foi suspensa após movimentação da Federação União Progressista dos candidatos Eduardo Riedel e Reinaldo Azambuja.

Com uma amostra de 1.220 entrevistas, a pesquisa em questão teria sido realizada por amostragem estratificada no período entre 09 e 23 de agosto, com pessoas de ambos os sexos que sejam moradores e domiciliados na área de abrangência há mais de um ano.

Conforme a representação, é apontada suspeita de divulgação de pesquisa eleitoral sem registro prévio, pelas federações dos seguintes partidos: 

  • União Brasil 
  • Partido Progressista (PP)
  • Partido Liberal (PL)
  • Partido Social Democrático (PSD)
  • Republicanos
  • Partido Social Democracia Brasileira 
  • Movimento Democrático Brasileiro
  • Avante e
  • Podemos

Segundo o texto, o instituto Veritá registrou pesquisa eleitoral em 18 de agosto, com avaliação para os cargos de governador e senador, com divulgação que deveria ser permitida a partir de 24 de agosto. 

Entretanto, o material conteria "vícios insanáveis", que consistem: 

  1. absoluta impossibilidade de que a pesquisa tenha sido autofinanciada, à luz do Demonstrativo do Resultado do Exercício apresentado pela própria empresa;
     
  2. ausência de coleta e consequente impossibilidade de complementação quanto aos bairros e setores censitários;
     
  3. divergência entre o plano amostral e o questionário quanto ao grau de instrução, que inviabiliza a ponderação e a auditoria da amostra

"As condições de validade e existência das pesquisas eleitorais estão descritas objetivamente no artigo 2º da Resolução TSE 23.600/2019, verdadeiro roteiro procedimental e objetivo, a fim de que se atribua crédito ao trabalho final, de grande relevância e influência nos pleitos eleitorais.

Os requisitos visam à proteção do eleitor e do processo eleitoral, mantendo a rigidez e a transparência necessárias a esse complexo procedimento, que envolve profissionais da matemática, estatísticos e pesquisadores, e que deve refletir a intenção de voto com o maior realismo possível", cita trecho da representação. 

Como alegado no material, pesquisas que possuem resultados manipulados ou equivocados teriam capacidade de influenciar o eleitor tanto quanto aquelas feitas de forma idônea e em estrita observância à legislação. Conforme o texto, não ficariam claros quem seriam os reais contratantes. 

A representação afirma que o Demonstrativo de Resultados do Exercício (DRE) da Veritá não seriam suficientes para o instituto cumprir os requisitos, que determinam a obrigatoriedade não somente de informar o valor mas também suas origens. 

Segundo a coligação de Riedel e Azambuja, após pesquisa junto aos registros de 2026 do instituto, foram observados elementos que indicariam essa "ausência de lastro" para realizar pesquisas autofinanciadas, como declarado. 

"Isso porque, conforme registrado no PesqEle, em cinco meses de 2026, entre 17 de março e 18 de agosto, o Instituto Veritá registrou no TSE 206 pesquisas eleitorais, que somam montante declarado de R$ 26.682.620,00. Desse total, 199 foram declaradas como realizadas com recursos próprios do próprio instituto a valores unitários que variam em torno de uma média de 130 mil reais, ou seja, autofinanciadas, totalizando a soma de valores declarados: R$26.067.840,00", afirma a representação.

Pelo Demonstrativo apresentado para o ano de 2025 pela própria empresa, o Veritá apontou receita bruta de serviços de R$3.985.273,69 e lucro de R$927.044,63. Segundo a representação, em pouco mais de cinco meses deste ano, a Veritá teria custeado do próprio caixa cerca de 6,5 vezes toda a sua receita bruta anual de 2025 e aproximadamente 28 vezes o lucro do exercício.

"Não se ignora que uma empresa possa dispor de patrimônio ou reservas além do resultado do exercício e este é justamente o ponto: a informação trazida no DRE, no caso concreto, é insuficiente para informar a origem dos recursos despendidos, já que a empresa não tem lastro suficiente naquele DRE para o
tamanho dispêndio que já realizou esse ano", 

Para além da falta de informações precisas quanto à fonte dos recursos, da impossibilidade de que a pesquisa tenha sido autofinanciada e ante a discrepância entre os valores despendidos e o Demonstrativo apresentado; é apontada ainda ausência de coleta dos bairros e setores censitários, o que teria sido confessado pelo próprio instituto de que complementará apenas municípios. 

Esse posicionamento da coligação foi registrado no último domingo (23) e já nesta terça-feira (25) foram publicados embargos de declaração com análise dos autos da representação que, até o momento, possui prazo ainda em curso para oferecimento de contestação. 

Enquanto a representação pedia tutela de urgência quanto à suspensão, a divulgação dos resultados fica suspensa até que contrarrazões sejam oferecidas "como medida excepcional para preservar a higidez do processo eleitoral e consequentemente causar o menor prejuízo eleitoral aos partícipes dessa demanda", completa o texto assinado pelo Desembargador relator, Luiz Tadeu Barbosa Silva. 

 

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Pesquisa

Reinaldo Azambuja avança e lidera corrida ao Senado

Ex-governador consolida liderança e amplia vantagem sobre os concorrentes na disputa por uma vaga no Senado Federal

25/08/2026 07h45

Reprodução

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O ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) ampliou sua vantagem na disputa pelas duas vagas de Mato Grosso do Sul no Senado e acumulou crescimento de 4,84 pontos porcentuais entre março e agosto deste ano. Na média entre o primeiro e o segundo votos estimulados, o ex-governador passou de 18,18% para 23,02% no período.

Os dados fazem parte da quarta pesquisa de intenções de votos para o Senado, contratada pelo Correio do Estado e realizada pelo Instituto de Pesquisa Resultado (IPR), no período de 19 a 23 de agosto de 2026, com 784 eleitores de 17 municípios que juntos concentram 68% da população do Estado, registrada sob os números BR-05012/2026 e MS-07621/2026.

A série de pesquisas estimuladas, ou seja, quando são apresentadas aos entrevistados as opções com os nomes dos candidatos, mostra crescimento contínuo de Azambuja, que tinha 18,18% em março, avançou para 20,03% em abril, chegou a 22% em junho e atingiu 23,02% em agosto.

O movimento ampliou a distância para o ex-deputado estadual Capitão Contar (PL), segundo colocado na média dos dois votos. Ele registrava 17,16% em março e aparece agora com 17,09%, mantendo-se praticamente estável durante os cinco meses, enquanto a diferença entre os dois, que era de apenas 1,02 ponto porcentual no início da série, chegou a 5,93 pontos porcentuais em agosto.

O deputado federal Vander Loubet (PT) aparece na sequência, com média de 8,99%; em março, o petista tinha 6,95%, o que representa crescimento de 2,04 pontos porcentuais. Durante a série, chegou a 9,25% em abril, recuou para 7,84% em junho e voltou a subir na rodada mais recente.

A senadora Soraya Thronicke (PSB) registra 8,10% na média do primeiro e do segundo votos; ela tinha 7,97% em março, alcançou 8,74% em abril e caiu para 7,40% em junho antes de apresentar nova alta em agosto.

Entre os demais candidatos, Beto do Movimento (Psol) aparece com 3,06%, Roberto Oshiro (Novo) com 2,04%, Daniel Junior (Agir) com 1,66% e Luiz Lemes (DC) com 1,40%. Brancos e nulos somam 9,50% na média dos dois votos, enquanto os indecisos representam 23,60%, juntos chegam a 33,10%.

Outro dado que chama atenção na comparação entre as pesquisas é a redução do grupo formado por eleitores indecisos e aqueles que declaram voto branco ou nulo. Em março, eles representavam 49,74% da amostra, enquanto em agosto o índice caiu para 33,10%, uma redução de 16,64 pontos porcentuais.

ESPONTÂNEA

Na pesquisa espontânea, isto é, quando os entrevistados são questionados sobre o primeiro voto para o Senado sem que os nomes dos candidatos sejam apresentados, Capitão Contar lidera, com 5,10%, enquanto Reinaldo Azambuja aparece com 2,42%, seguido por Soraya, com 1,15%, e Vander Loubet, com 0,26%.

Nesse cenário, porém, o principal dado é o elevado número de eleitores que ainda não sabem espontaneamente em quem votar. Dos 784 entrevistados, 675, ou 86,10%, declararam-se indecisos. Outros 4,21% disseram que votariam em branco ou anulariam o voto.

No segundo voto espontâneo, a indefinição é ainda maior. Os indecisos chegam a 91,33% dos entrevistados. Reinaldo Azambuja é o candidato mais citado, com 3,57%, seguido por Capitão Contar, com 0,64%, e Vander Loubet, com 0,26%. Brancos e nulos representam 4,21%.

REJEIÇÃO

A pesquisa também mediu a rejeição dos candidatos ao Senado e Soraya aparece com o maior índice, sendo citada por 13,90% dos entrevistados, enquanto Vander Loubet vem na sequência, com 10,33%, seguido por Capitão Contar, com 8,16%, e Reinaldo Azambuja, com 4,85%.

Beto do Movimento registra rejeição de 3,44%, Roberto Oshiro, 1,15%, Luiz Lemes e Valter da Comagran (PRD), 0,89% cada, Daniel Junior, 0,77%, e Valderi Garcia (PCO), 0,38%.

Apesar dos índices individuais, a maior parcela dos entrevistados, 34,69%, afirmou não rejeitar nenhum dos nomes apresentados. Outros 9,06% disseram rejeitar todos os candidatos e 7,91% não souberam responder.

Com duas cadeiras em disputa neste ano, cada eleitor poderá votar em dois nomes para o Senado. Por isso, a média entre o primeiro e o segundo votos permite acompanhar de forma mais ampla a força de cada candidatura.

A série de levantamentos indica que Azambuja conseguiu não apenas manter a liderança, mas também aumentar sua distância em relação aos principais adversários ao longo dos últimos cinco meses.

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