Política

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A alma do Brasil que ficou no Paraguai

A alma do Brasil que ficou no Paraguai

MARISA BITTAR, AMARÍLIO FERREIRA JR.

02/02/2010 - 21h25
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A Cidade Morena, que segundo Paulo Coelho Machado, em 1910 era uma “vila caipira” perdida nas brenhas mais profundas dos sertões brasileiros, celebrou, no seu 7º Festival de Cinema, os 100 anos de existência da maravilhosa arte inventada pelos irmãos Lumière. Entre as sessões de destaque do fest iva l foi projetado o primeiro filme realizado no Estado de Mato Grosso uno: “Alma do Brasil”. Trata-se de uma película rodada em 1931, com direção de Líbero Luxardo, que interpreta o coronel Carlos Morais Camisão e está baseado no livro homônimo de Afonso de Taunay, um dos grandes historiadores da Guerra da Trípl ice A l ia nça (1865-1870). O filme teve como cenário o próprio local das batalhas que se travaram ente os dois principais exércitos beligerantes, brasileiro e paraguaio, no episódio conhecido como Retirada da Laguna (1867), isto é, a desocupação de tropas brasileiras que haviam invadido a fazenda de Solano Lopez no Paraguai. O roteiro está baseado numa abordagem patriótica da mais trágica intervenção militar protagonizada pelo Brasil no contexto latino-americano. A sua estrutura narrativa apresenta-se na forma de um tríptico, no qual tanto o início como o fim são imagens documentais da época em que o alto comando da 9ª Região Militar, sediado em Campo Grande, era chefiado pelo general Bertoldo Klinger. Na primeira parte, tropas do Exército, que forneceram infraestrutura material para a realização da película, aparecem percorrendo os mesmos caminhos trilhados pelos brasileiros durante a Retirada da Laguna. Nesse momento, os destaques são as cenas em que o general Klinger e o seu comando visitam os túmulos do coronel Camisão e de José Francisco Lopes, o Guia Lopes, na região de Jardim. Quanto ao desfecho, o diretor fixou a sua câmara nas tropas da 9ª Região Militar em posição de marcha unida pronta para o combate. Apesar de ser um filme mudo, os soldados cantavam, possivelmente, um hino de louvor à pátria brasileira. Já o pa i nel cent ra l que compõe “A lma do Brasi l ” se const itu i propriamente na reconstituição ficcional dos principais fatos ocorridos durante a Retirada da Laguna. O cineasta estabeleceu como fio condutor da narrativa uma interpretação fundada na luta travada entre o bem (brasileiros) e o mal (paraguaios), ou seja, tomou como base um roteiro no qual os brasileiros são vítimas indefesas das crueldades perpretadas pelas tropas de Solano López. O ápice da dramaturgia cinematográfica ocorre quando os paraguaios cercam os comandados do coronel Camisão e ateiam fogo na vegetação que cobria os cerrados dos Campos de Vacaria. As cenas que se seguem mostram os brasileiros, extenuados por fome e doenças, sendo perseguidos pelos paraguaios que matam os acometidos pela cólera e uma mãe que tem o seu pequeno filho abandonado numa choupana prestes a ser devorada pelo fogo. O filme suscita questões tanto do pretérito quanto do presente: o general Klinger, quando colocou recursos materiais do Exército na produção de um filme ufanista sobre os feitos brasileiros no conflito militar contra o Paraguai estaria reforçando os mitos da nacionalidade e, ao mesmo tempo, criando as condições políticas para desempenhar o papel que protagonizou durante a chamada Revolução paulista de 1932? Que motivos levam o Brasil, até hoje, 140 anos após o término do conflito, a manter em segredo os arquivos concernentes à Guerra da Tríplice Aliança? Teriam sido cometidos crimes de guerra por parte das tropas brasi leiras? Seriam, a i nda, problemas pendentes com relação às fronteiras existentes entre os dois países? Responder tais perguntas ajudaria a compreender o caráter da intervenção militar brasileira no Paraguai e também uma das páginas mais significativas da história de Mato Grosso do Sul. A primeira exibição do filme terminou com aplausos da plateia. Teriam expressado a saudação pela merecida comemoração dos 100 anos de cinema em Campo Grande? Ou estariam concordando com a versão do cineasta e exprimindo a compreensão de história ensinada nos bancos escolares sobre os episódios dessa guerra na qual o Brasil aparece como país agredido em sua soberania e, depois, como vitorioso? De todo modo, a dúvida sobre a intenção dos aplausos traduz a ambiguidade das nossas relações com a nação guarani: de um lado, a sua cultura está viva em nosso cotidiano; de outro, nos agrada demonstrar um sentimento de nação superior. Poucas vezes nos lembramos da verdade registrada na célebre canção de Paulo Simões e Almir Sáter: “Mato Grosso espera, esquecer quisera o som dos fuzis; se não fosse a guerra, quem sabe hoje era um outro país”.

Declaração

Trump promete 'grande segurança' para petroleiros no Estreito de Ormuz

"Acho que vocês verão muita segurança e isso acontecerá muito, muito rapidamente", disse

11/03/2026 19h00

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu nesta quarta-feira, 10, "grande segurança" para os petroleiros que atravessam o Estreito de Ormuz, enquanto Teerã reforçava o controle sobre a via marítima em meio à guerra contra americanos e israelenses.

"Acho que vocês verão muita segurança e isso acontecerá muito, muito rapidamente", disse Trump a repórteres na Casa Branca, ao ser questionado sobre como garantiria a segurança de Ormuz.

A emissora americana CNN informou na noite de terça-feira que o Irã havia iniciado a instalação de minas na via marítima. Segundo o presidente, as tropas americanas retiraram "praticamente" todas as minas "em uma única noite".

No 12º dia do conflito no Oriente Médio, pelo menos três navios foram atacados em Ormuz e no Golfo Pérsico. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que embarcações israelenses, americanas e de aliados dos dois países são "alvos legítimos".

Questionado sobre o que os EUA precisam fazer para encerrar a operação militar no Irã, Trump respondeu: "Mais do mesmo."

"Veremos como tudo isso termina. No momento, eles perderam a Marinha, perderam a Força Aérea. Não têm nenhum equipamento antiaéreo, não têm radar", disse Trump. "Seus líderes se foram e poderíamos fazer muito pior."

O republicano afirmou que as tropas americanas poderiam destruir a infraestrutura do Irã "em uma hora", caso quisessem. "Estamos deixando certas coisas que, se as eliminarmos - ou poderíamos eliminá-las ainda hoje, em uma hora - eles literalmente jamais conseguiriam reconstruir esse país", disse.

Um dos repórteres também questionou Trump sobre a escolha do filho do aiatolá Ali Khamenei, Mojtaba Khamenei, como novo líder supremo iraniano, mas o republicano não quis comentar o assunto.

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Encaminhado à Câmara

Senado aprova acordo de ciência e tecnologia entre Brasil e Tunísia

Comissão de Relações Exteriores é presidida por Nelsinho Trad

11/03/2026 16h45

Comissão é presidida por Nelsinho Trad (PSD)

Comissão é presidida por Nelsinho Trad (PSD) Foto: Agência Senado

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Documento aprovado na Comissão de Relações Exteriores (CRE) nesta terça-feira (10) aproximou Brasil e Tunísia de um acordo que promove intercâmbio de pesquisadores e de informações científicas “contribuindo para a internacionalização de universidades brasileiras”, disse o presidente da CRE, senador Nelsinho Trad (PSD-MS).

O texto encaminhado ao plenário da Câmara dos Deputados prevê mecanismos usuais como intercâmbio de pesquisadores e especialistas, troca de informações científicas, realização de seminários e programas conjuntos de trabalho.

Cada país arcará com os custos do envio de seus participantes, exceto se outras condições forem acordadas. 

O acordo estimula a cooperação entre bibliotecas e instituições científicas para intercâmbio de publicações e informações e estabelece que os custos relativos ao intercâmbio de cientistas e especialistas serão, em regra, suportados pela parte que envia pesquisadores, salvo acordo diverso formalizado por escrito. 

Os países assinaram o tratado em Brasília, em abril de 2017. O Congresso Nacional precisa aprovar o texto para permitir ao presidente da República confirmá-lo e inseri-lo na legislação brasileira.

 

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