Política

Política

Alessandro Vieira rebate Flávio Bolsonaro sobre milícia: 'Tem conhecimento de causa'

Uma das propostas contidas no PL é que o crime de formar milícia privada tenha uma pena maior

Continue lendo...

A sessão da Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal foi marcada por uma troca de farpas entre Alessandro Vieira (PSDB-SE) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O filho do ex-presidente sugeriu uma mudança no Projeto de Lei 3 283/2021 - que tipifica como terrorismo ações de grupos organizados - e o colega de Casa rebateu, dizendo que ele queria criar uma "milícia light" e que tem "conhecimento de causa" sobre o assunto.

O projeto de lei que estava sendo discutido nesta quarta-feira, 10, é de autoria do senador Styvenson Valentim (Podemos-RN) e pretende mudar artigos da Lei Antiterrorismo e do Código Penal para enquadrar como terrorismo ações de organizações criminosas

Uma das propostas contidas no PL é que o crime de formar milícia privada tenha uma pena maior. Hoje, a punição é de quatro a oito anos. A proposta de Valentim inclui uma multa e eleva a pena para cinco a dez anos. Durante a votação, Flávio Bolsonaro fez um destaque para sugerir uma emenda, para que nesse artigo constem definições do que são as organizações criminosas que já estão nesse artigo do Código Penal.

O filho do ex-presidente defendeu que a milícia particular seja "compreendida como toda associação ou organização que, a pretexto do exercício, alegação do exercício ou o oferecimento de serviço público ou assemelhado, exige pagamento de qualquer quantia ou vantagem indevida, mediante o emprego de violência ou grave ameaça". Já grupo criminoso e esquadrão "são aqueles formados para o extermínio de pessoa", sugeriu o senador.

O que sugeria o destaque de Flávio Bolsonaro? Que no artigo 288-A do Código Penal fique descrita a definição detalhada do que são milícias particulares e o que são as outras organizações criminosas previstas no artigo

"Para não deixar margem para interpretação judicial, a ideia é simplesmente definir o que é isso", argumentou o filho do ex-presidente.

Na sua vez de opinar sobre esse destaque, Alessandro Vieira disse que "a emenda apresentada pelo senador Flávio, e, evidentemente, tenho todo o respeito pelo seu conhecimento da causa, cria uma espécie de 'milícia light', que é aquela milícia que não mata as pessoas, e uma milícia mais grave, que seria dos esquadrões da morte, tão conhecidos".

O tucano também argumentou que a sugestão de Flávio pode mudar "a caracterização de milícia de todo o restante do Código Penal" Se o destaque fosse aprovado, o texto constaria na principal legislação penal do País e poderia mudar a interpretação da Justiça em todos os casos sobre o assunto.

Desfecho

Minutos depois, a palavra voltou para o senador carioca, que rebateu Vieira. "Para refutar o tom irônico com que alguns tentam levar a discussão, como se eu tivesse algum interesse em beneficiar miliciano, o Rio nunca prendeu tantos milicianos como nos últimos anos, em um governo aliado nosso", disse Flávio Bolsonaro.

O autor do projeto de lei, Styvenson Valentim, e o relator, Jorge Kajuru (PSB-GO), foram contra o destaque de Flávio. Os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Sérgio Moro (União Brasil-PR) defenderam o filho de Jair Bolsonaro (PL). Diante da discussão, Flávio retirou o destaque sugerido.

O projeto de lei foi aprovado pela CCJ do Senado e seguirá para votação no plenário da Casa.

Assine o Correio do Estado 

Apuração

Prefeito diz que afastará servidor após áudio sobre envenenar água em Tacuru

Rogério Torquetti afirmou também que abriu um Processo Administrativo

28/10/2026 09h50

Prefeito publicou vídeo falando sobre afastamento de servidor

Prefeito publicou vídeo falando sobre afastamento de servidor Reprodução/Redes sociais

Continue Lendo...

O prefeito de Tacuru, município localizado a 416 quilômetros de Campo Grande, Rogério Torquetti (PSDB), informou, em vídeo publicado nas redes sociais, que abriu um procedimento para apurar a conduta de um servidor que, em conversa com um colega após o resultado das eleições de domingo (25), teria sugerido envenenar a água.

“De antemão, o nosso jurídico entendeu que um processo administrativo será aberto e que o servidor será afastado”, afirmou o prefeito, que disse não ter sido intimado por nenhuma esfera.

Antes de publicar o vídeo, Torquetti havia dito que os dois homens da conversa gravada são servidores do município e estavam “meio eufóricos, alcoolizados”, após o resultado da votação.

Na ocasião, também disse que eles não mencionaram, em nenhum momento, envenenar a água de comunidades indígenas. Apesar disso, o prefeito afirmou que proibiu os dois de irem às comunidades e que havia os repreendido pelo diálogo.

Na fala mais recente, classificou o funcionário afastado como um “excelente servidor”, mas reforçou que o jurídico do município orientou pela abertura de um Processo Administrativo (PAD).

Entenda a história

No áudio que começou a circular no domingo, os dois servidores lamentam o resultado das urnas e reclamam que as pessoas se “matam” de ajudar esses “capetas”, enquanto os “cães” fazem isso, em referência à vitória do presidente Lula (PT). Um deles diz no final do diálogo: “Mas fazer o quê? A gente não pode fazer nada. Eu já falei, tem que ‘ponhar’ veneno na água, matar essas pragas na água”.

O ministro dos Povos Indígenas, Luiz Eloy Terena, afirmou que tem recebido diversas denúncias de assédio e violência política em aldeias desde domingo e que medidas estão sendo tomadas. “Nós não admitiremos que as comunidades indígenas sejam assediadas, intimidadas ou violentadas nos seus direitos políticos”, declarou.

Outra situação de revolta com o resultado da eleição aconteceu em Chapadão do Sul. O prefeito Walter Schlatter (PP) compartilhou uma imagem considerada xenofóbica que associava a região Nordeste do Brasil à figura de um burro. Depois da repercussão, o chefe do Executivo pediu desculpas. 

 

PACOTÃO

Riedel encaminhará à Assembleia ajuste fiscal e reforma administrativa

Governador reeleito estaria preparando os projetos para serem entregues em novembro e incluiria a separação da Sejusp

28/10/2026 07h35

O governador reeleito Eduardo Riedel já tinha adiantado que faria mudanças na Sejusp no novo mandato

O governador reeleito Eduardo Riedel já tinha adiantado que faria mudanças na Sejusp no novo mandato Marcelo Victor / Correio do Estado

Continue Lendo...

O governador reeleito Eduardo Riedel (PP) prepara o encaminhamento de dois pacotes de medidas à Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) em novembro.

Um deles será voltado a ajustes fiscais nas contas estaduais, enquanto o outro tratará da reforma administrativa, que terá entre suas principais mudanças a divisão da atual Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) em duas pastas independentes, uma de Justiça e outra de Segurança Pública.

A informação foi obtida com exclusividade pelo Correio do Estado com integrantes do primeiro escalão do governo estadual.

Conforme essas fontes, as propostas fazem parte da estratégia do governador para reorganizar a máquina pública e preparar o Estado para os próximos quatro anos de gestão, a partir do dia 1º de janeiro de 2027.

Na área administrativa, uma das principais alterações será justamente o desmembramento da Sejusp, que atualmente reúne sob o mesmo comando as políticas de segurança pública e as atribuições relacionadas à Justiça e à administração penitenciária.

Com a mudança, o governo pretende estabelecer duas estruturas distintas, permitindo que cada secretaria tenha gestão própria e atuação concentrada em suas respectivas áreas.

A definição sobre a distribuição de órgãos, competências e cargos entre as futuras Pastas deverá constar do projeto encaminhado aos deputados estaduais.

A separação representa uma das mudanças mais significativas previstas para a estrutura do Executivo estadual no início do segundo mandato de Riedel, que pretende aproveitar o período de transição entre as duas gestões para promover uma reorganização administrativa.

Além da Sejusp, outras estruturas do governo poderão passar por ajustes, embora ainda não exista confirmação sobre quais pastas serão atingidas ou se haverá criação, extinção ou fusão de outros órgãos estaduais.

AJUSTE FISCAL

Paralelamente à reforma administrativa, Riedel encaminhará à Assembleia Legislativa um pacote de ajustes fiscais, com o objetivo de adequar as contas estaduais à realidade financeira projetada para os próximos exercícios.

Embora o conteúdo das medidas ainda seja mantido sob reserva, a discussão deverá envolver a necessidade de preservar o equilíbrio entre receitas e despesas, controlar os gastos de custeio e manter a capacidade de investimento do governo estadual.

Ainda não há confirmação sobre eventual revisão de benefícios fiscais, alterações tributárias ou medidas específicas de contenção de despesas. 

A movimentação ocorre justamente no momento em que os deputados estaduais começam a discutir a proposta da Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2027, encaminhada pelo Executivo.

O projeto prevê um orçamento de R$ 27,99 bilhões para o próximo exercício financeiro, crescimento de apenas 2,95% em relação aos R$ 27,19 bilhões previstos para este ano.

Desse total, aproximadamente R$ 13,5 bilhões estão destinados a pessoal e encargos sociais, enquanto R$ 2,45 bilhões são reservados para investimentos.

O crescimento moderado da previsão orçamentária reforça a importância das discussões sobre o equilíbrio fiscal e a capacidade do Estado de manter investimentos em infraestrutura, saúde, educação e segurança pública.

NOVA ESTRUTURA

Na reforma administrativa, a separação das áreas de Justiça e Segurança Pública deverá exigir uma redefinição das atribuições atualmente concentradas na Sejusp.

A proposta de criação de uma secretaria específica para a Justiça abre espaço para uma gestão mais direcionada às políticas penitenciárias e a outras competências que venham a ser estabelecidas na nova legislação.

Por sua vez, a futura Secretaria de Segurança Pública deverá concentrar a coordenação das políticas de enfrentamento à criminalidade, prevenção da violência e integração das forças policiais.

A medida também poderá provocar mudanças na composição do primeiro escalão do governo, uma vez que a divisão da estrutura atual resultará em dois comandos administrativos independentes.

Entretanto, os nomes que poderão assumir as novas Pastas ainda não foram definidos. O governador já sinalizou que a definição do secretariado ocorrerá depois da avaliação sobre o funcionamento da estrutura administrativa, evitando que a distribuição de cargos anteceda a definição das necessidades de cada área.

ARTICULAÇÃO

O encaminhamento dos dois pacotes em novembro também exigirá articulação política do Executivo com a Assembleia Legislativa, uma vez que as mudanças dependerão da aprovação dos parlamentares, conforme a natureza de cada proposta.

A intenção é aproveitar os últimos meses da atual legislatura para discutir e, eventualmente, aprovar as alterações antes do início do novo mandato.

Reeleito em primeiro turno com 67,07% dos votos válidos, Riedel conta com uma base de apoio na Assembleia Legislativa, fator que poderá facilitar a tramitação das propostas, embora o conteúdo fiscal tenha potencial para provocar debates mais intensos entre os deputados.

Ao antecipar as mudanças para novembro, o governador busca iniciar seu segundo mandato com as diretrizes fiscais estabelecidas e uma nova configuração da máquina pública.

A divisão da Sejusp, por sua vez, deverá ser uma das principais marcas dessa reorganização, alterando a estrutura de uma das áreas mais estratégicas da administração estadual.

*SAIBA

Grupo de trabalho conclui diagnóstico

Criado por meio do Decreto nº 16.806, de 5 de outubro, o grupo de trabalho responsável por avaliar a estrutura das secretarias de Estado e preparar a implementação do plano de governo 2027-2030 concluiu suas atividades nesta semana.

A equipe de oito integrantes analisou questões administrativas, orçamentárias e operacionais, além de identificar dificuldades e necessidades de mudanças nos órgãos estaduais.

Embora o decreto tenha estabelecido o dia 4 de dezembro como prazo para apresentação do relatório final, a conclusão antecipada permite que Riedel encaminhe à Assembleia Legislativa as mudanças necessárias.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).