Política

LUTO NO CONGRESSO

Aos 79 anos, morre o senador Romeu Tuma

Aos 79 anos, morre o senador Romeu Tuma

São Paulo

27/10/2010 - 00h30
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O senador Romeu Tuma, que havia completado 79 anos no dia 4 deste mês, morreu ontem à tarde no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, decorrente de falência múltipla de órgãos. O senador foi submetido no início deste mês a uma cirurgia cardíaca, para colocação de um dispositivo de assistência ventricular que auxilia o coração, chamado Berlin Heart, equipamento de metal utilizado em casos de insuficiência cardíaca.

Tuma estava internado desde o dia 1º de setembro no Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista, inicialmente para um tratamento de um quadro infeccioso de afonia, a perda ou diminuição da voz. Posteriormente, a assessoria do senador informou que ela apresentou durante a sua internação insuficiências cardíaca e renal. Tuma sofria ainda de diabetes e fazia tratamento há anos para o controle da doença e apresentava um histórico de doenças cardíacas, tendo sido submetido em 1998 a uma operação para colocação de pontes de safena.

Nas últimas eleições, ele concorreu pela terceira vez ao Senado pelo PTB, mas desde o início da campanha a vitória era tida como improvável por conta da fragilidade de sua saúde. Ficaram com as vagas Aloysio Nunes (PSDB) e Marta Suplicy (PT). Tuma ficou em quinto lugar e obteve 3,9 milhões de votos (10,79%).

Carreira
Romeu Tuma era descendente de sírios e se formou em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). No início de sua carreira, em 1967, foi investigador e delegado da Polícia Civil, em São Paulo. Entre 1977 e 1983, durante a ditadura militar (1964-1985), desempenhou o cargo de diretor-geral do Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Deops), antigo Dops, o principal centro de repressão do regime.

Quando estava no antigo Dops, teria conquistado a simpatia de militantes de partidos de esquerda por adotar uma postura mais branda com os presos políticos. “O Tuma mandava o carcereiro me chamar para ler todos os jornais. E falava para mim: ‘Você não conta para ninguém lá embaixo que você leu’”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em depoimento na propaganda eleitoral do senador deste ano. Tuma teria ainda permitido a saída do presidente da prisão para o enterro de sua mãe, dona Lindu, em 1980.

Entre seus principais trabalhos policiais, que o levariam a cargos políticos, estão a descoberta de ossadas de um dos mais procurados criminosos de guerra da Alemanha nazista, o médico Joseph Mengele, e a captura do mafioso italiano Thomazzo Buscheta, cujas confissões abalaram o crime nos EUA e na Itália.

Com o fim da ditadura, em 1985, o senador tornou-se diretor-geral da Polícia Federal em São Paulo, quando ficou conhecido como “xerife”. Ficou à frente do órgão até 1992, quando deixou a função para ocupar o cargo de assessor especial do então governador de São Paulo, Luiz Antônio Fleury, do PMDB.

Em 1995, após quarenta anos de atuação como policial, Tuma deu início à sua carreira política, candidatando-se a senador por São Paulo e se elegendo em 1994, com mais de 5,5 milhões de votos. Nas eleições de 2002, quando se reelegeu ao posto, obteve 7,2 milhões votos.

Família
O candidato era casado com a professora Zilda e deixa nove netos e quatro filhos, entre eles o ex-secretário nacional de Justiça Romeu Tuma Jr., o ex-deputado federal Robson Tuma (PTB) e o médico Rogério Tuma.

O senador se orgulhava de uma carreira política íntegra, mas nos últimos anos tanto ele como sua família foram alvos de denúncias. No final de 2009, o Ministério Público Federal em São Paulo (MPF-SP) ofereceu denúncia contra Romeu Tuma por ocultação de cadáveres durante o período da ditadura militar.

Em maio deste ano, o juiz Ali Mazloum, da 7ª Vara Federal de São Paulo, entendeu que Tuma sabia da ocultação do corpo de Flávio Carvalho Molina, militante de esquerda preso pelo DOI-Codi, órgão repressor da ditadura militar. A decisão do juiz contraria parecer do MPF que recomendou o arquivamento da ação.

Em junho, um dos filhos do senador se envolveu em outro imbróglio. Romeu Tuma Jr. foi exonerado do cargo de secretário nacional de Justiça em decorrência de uma série de denúncias publicadas pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, dando conta do seu suposto envolvimento com a máfia do contrabando de produtos falsificados.

Nas gravações divulgadas pelo jornal, Tuma Júnior fazia encomenda de produtos ao chinês Paulo Li, um dos chefes da máfia e preso em 2009.

Brasil contra o crime

'Parte das armas apreendidas aqui vêm dos EUA, a desgraça não está só do lado de cá', diz Lula

A declaração foi feita no lançamento do programa Brasil contra o Crime Organizado, a nova aposta do governo federal para a área da segurança pública

12/05/2026 21h00

Gerson Oliveira/Correio do Estado

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira, 12, que disse ao presidente americano, Donald Trump, durante encontro ocorrido em Washington na semana passada, que parte das armas de fogo apreendidas no Brasil vêm dos Estados Unidos, para mostrar que a "desgraça" não está só "do lado de cá".

A declaração foi dada durante cerimônia no Palácio do Planalto para o lançamento do programa Brasil contra o Crime Organizado, a nova aposta do governo federal para a área da segurança pública.

O programa é estruturado em quatro eixos estratégicos (asfixia financeira das organizações criminosas; fortalecimento da segurança no sistema prisional; qualificação da investigação e do esclarecimento de homicídios; e combate ao tráfico de armas), e deve ser usado como exemplo, na campanha eleitoral, de comprometimento do governo no combate à violência.

"Nós falamos ao presidente Trump que temos proposta de asfixia financeira, de combater a lavagem de dinheiro. Inclusive, tem um Estado nos Estados Unidos, Delaware, se não estou enganado, que tem lavagem de dinheiro de gente brasileira. Ao mesmo tempo, parte das armas que apreendemos vêm dos Estados Unidos. É importante dizer, porque se não eles passam a ideia de que a desgraça toda está do lado de cá e eles não têm nada a ver com isso", afirmou Lula em discurso.

Ele também mencionou ter pedido a Trump para seu governo enviar ao Brasil criminosos brasileiros vivendo nos Estados Unidos. "Eu disse ao presidente Trump: ‘Se você quiser combater o crime organizado de verdade, você tem que entregar alguns nossos que estão morando em Miami’. É só querer discutir", disse.

A declaração fez referência ao empresário e ex-advogado Ricardo Andrade Magro, responsável pelo Grupo Refit (nome fantasia da Refinaria de Manguinhos), que já foi alvo de uma operação feita pela Polícia Civil de São Paulo, a Receita Federal e o Ministério Público.

O grupo é considerado o maior devedor de ICMS do Estado de São Paulo, o segundo maior do Rio de Janeiro e um dos maiores da União - acusado de sonegar R$ 26 bilhões. A polícia usou uma marreta para arrombar a porta da empresa. Endereços ligados à família de Magro também foram alvos de busca e apreensão. O empresário vive em Miami.

Lula já havia dito ter conversado sobre Magro com Trump, por telefone, em dezembro. Segundo ele, o empresário está entre "os grandes chefes do crime organizado do País", e teve cinco navios apreendidos pela Receita Federal. "Se quer ajudar, vamos ajudar prendendo logo esse aí", afirmou na ocasião.

Em novembro do ano passado, quando foi alvo de operação, a empresa afirmou que "todos os tributos estão devidamente declarados, não havendo que se falar em sonegação".

O presidente também repercutiu críticas feitas com frequência por governadores, em especial aqueles da direita, ao sistema de Justiça, acusado de ser conivente com as prisões feitas pelas polícias estaduais.

"Nós vamos ter que conversar muito com o Poder Judiciário, porque há muita queixa dos governadores, porque muitas vezes a polícia prende os bandidos, e uma semana depois esse bandido está solto. Tem gente que se queixa que tem muitos lugares (onde) a pessoa é presa, e o preso escolhe o lugar em que ele quer ficar preso, e às vezes ele é libertado e dirigido para a cadeia onde ele quer ficar", disse Lula.

Ele afirmou que Polícia Militar, Polícia Civil e governadores se queixam desse assunto, e que vai procurar instâncias como o Conselho Nacional de Justiça e o Conselho Nacional de Procuradores para tratar da questão.

O discurso costuma opor políticos conservadores e progressistas, que pesam suas críticas ao trabalho da polícia. Em março de 2025, por exemplo, o então ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, atraiu uma crise com os opositores ao afirmar que o Judiciário era obrigado a soltar detentos que tiveram suas prisões conduzidas de forma errada pela polícia. Segundo ele, "a polícia tem que prender melhor".

Decisão

Comissão da Câmara aprova projeto que libera saque do FGTS para compra de armas

Proposta é de autoria do deputado federal Marcos Pollon (PL/MS)

12/05/2026 18h02

Deputado federal Marcos Pollon

Deputado federal Marcos Pollon Foto: Divulgação

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A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira, 12, um projeto de lei que autoriza o saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a aquisição de arma de fogo.

A proposta autoriza que trabalhadores possam sacar os valores anualmente, na data de seu aniversário ou dia útil subsequente.

Para isso, será necessária a apresentação da autorização de compra de arma e regularidade no Sistema Nacional de Armas (SINARM) ou no Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (SIGMA)

De autoria do deputado Marcos Pollon (PL-MS), a proposta limita o saque ao valor necessário para a aquisição da arma, cota anual de munições correspondentes à arma comprada e outros acessórios

Na justificativa, o deputado alegou que o projeto "harmoniza os princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana, do direito à autodefesa e da liberdade individual, com a função social do FGTS".

Segundo Pollon, o texto assegura aos cidadãos o "pleno exercício de sua legítima defesa".

O relator da proposta, deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP), foi favorável ao projeto sob a justificativa de que o uso da arma de fogo "aumenta o custo da ação criminosa e reduz a vulnerabilidade da vítima".

O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) foi criado em 13 de setembro de 1966, com o objetivo de proteger o trabalhador demitido sem justa causa, mediante a abertura de uma conta vinculada ao contrato de trabalho.

Atualmente, é permitido o saque somente em situações específicas, como em demissões sem justa causa, doenças graves, aposentadoria e compra da casa própria.

Também é permitido aos trabalhadores o saque em casos de calamidade, o que permite ao trabalhador sacar parte do valor em casos de desastres naturais como alagamentos, deslizamento e fortes chuvas.

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